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O mal é afastar-se de Deus

Cor Litúrgica: Verde

17ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou para a sua mãe. Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus. (Mt 14,1-12)

Paz e bem amados irmãos em Cristo!

O evangelho de hoje narra a morte de João Batista, um episódio marcado por intrigas políticas, corrupção e sede de poder. Herodes, ao ouvir falar da fama de Jesus, teme que João tenha ressuscitado. Isso revela o peso de sua consciência e o medo das consequências de seus atos, já que havia mandado matar João, mesmo contra sua vontade, por pressão de Herodíades e da filha dela.

A fama de Jesus incomoda o reinado de Herodes. Ele se sente ameaçado, assim como se sentiu ameaçado por Joao Batista que o denunciou por adultério. A causa da morte de Joao está ligada a sua vocação de profeta; ao denunciar o pecado, atraiu sua condenação. Assim como naquele tempo, muitas pessoas não suportam reconhecer seus pecados, não admitem seus erros e o mais grave de tudo, estão “normalizando” o pecado.

Vivemos hoje uma inversão de valores onde o errado parece certo e o certo é visto como errado. João Batista foi morto por dizer a verdade, por denunciar um pecado público. E quem deveria garantir a justiça — Herodes — age movido por medo, orgulho e vaidade, preferindo manter sua imagem diante dos convidados a defender a vida de um homem justo.

Coisas semelhantes acontecem atualmente: pessoas que defendem princípios éticos, morais e cristãos muitas vezes são tachadas de intolerantes, antiquadas ou radicais. Enquanto isso, comportamentos egoístas, corruptos ou imorais são muitas vezes tolerados, justificados ou até celebrados. Tudo isso gera uma confusão moral, onde o mal é normalizado e o bem é ridicularizado.

O profeta Isaías já alertava sobre isso: “Ai dos que chamam ao mal bem, e ao bem mal; que fazem da escuridão luz, e da luz escuridão” (Is 5,20). Essa inversão é um sinal claro de afastamento de Deus. Quando a sociedade se distancia da verdade revelada por Deus, perde-se a referência do que é verdadeiramente justo e bom.

Que o Espirito Santo nos dê a fé e a coragem para permanecer firme em Deus até o fim!

Abençoado sábado!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Jesus nos fala da felicidade daqueles que o ouviam

Cor Litúrgica: Branco

Santos Joaquim e Ana, pais da Bem-aventurada Virgem Maria – Memória | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16 “Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17 Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”. (Mt 13,16-17)

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Jesus nos fala da felicidade daqueles que o ouviam, pois estavam contemplando o cumprimento da grande promessa: a vinda do Messias, esperada por séculos. A esperança do povo de Israel estava no Ungido de Deus. Os profetas do Antigo Testamento anunciaram a revelação do Reino na pessoa do Messias e, durante gerações, o povo se alimentou dessa expectativa, transmitindo de pais para filhos a fé e a esperança.

A tradição dos antigos guardou esse tesouro: a fé, o culto e a fidelidade ao Deus uno. Na plenitude dos tempos, Cristo veio anunciar a Boa-Nova, o mandamento do amor e revelar a face misericordiosa do Pai.

Também nós somos chamados a nos reconhecer bem-aventurados. Somos felizes porque temos a graça de crer mesmo sem ter visto, confiando no testemunho daqueles que conviveram com Ele, nosso Salvador. Recebemos uma herança riquíssima: a Igreja, os sacramentos, a Sagrada Escritura, o ministério sacerdotal… tudo é sinal da presença amorosa de Deus.

Hoje, elevemos uma oração de louvor ao Senhor:
– em honra dos que nos precederam na fé;
– em gratidão à fidelidade de Deus, que nunca abandona o seu povo;
– e pelo dom de conhecer o mistério de amor revelado em Cristo e no seu sacrifício pela humanidade.

Que nosso coração transborde de amor e gratidão pela felicidade imensa que é conhecer e seguir a Deus.

Um abençoado sábado! Salve Maria!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Em tudo dai graças

Cor Litúrgica: Verde

14ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares! Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai.  Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”. (Mt 10,24-33)

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Evangelho de Mateus 10,24-31

O discípulo não é mais que o mestre; Jesus alerta aos seus, que estejam preparados para a perseguição, pois da mesma forma que Ele foi perseguido, os seus discípulos também o serão. Quanto a isso ninguém que se decide pelo Senhor Jesus pode alegar ter sido enganado, pois Ele nunca prometeu a vida fácil, a prosperidade livre de suplícios. Pelo contrário, deixou marcado na história que seu caminho foi e é a cruz.

O caminho da cruz, é caminho de glória. Muitos santos encontraram no sofrimento a via de santificação, é uma forma de comunhão com Cristo como nos fala São Paulo: Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. (Colossenses 1,24). Portanto, o sofrimento não é castigo, mas é identificação com o próprio Cristo. Quanto mais nos parecermos com Cristo, mais enfrentaremos rejeição, porque Ele também foi rejeitado.

Se declarar discípulo de Jesus é uma atitude de coragem, viver seus mandamentos exige muita coragem. E diante do que podemos enfrentar por essa atitude de coragem, Ele nos diz: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena.” Não devemos temer os que podem destruir nosso corpo, os que nos perseguem; precisamos ter receio de perder nossa alma, nossa comunhão com Deus; este é nosso verdadeiro tesouro, a alma. Precisamos temer desagradar ao Nosso amado Senhor.

Nada escapa do controle das mãos do Senhor, assim como tem controle de tudo o que existe, com grande amor também cuida de nossas vidas. Se para nós parece absurda a ideia de que nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Senhor, Ele vai muito além para nos convencer de que existe um cuidado extraordinário de Deus a nosso respeito, pois todos os fios de cabelo de nossa cabeça estão contados. Nós não sabemos, mas Ele sabe, por isso tenhamos confiança e em tudo possamos dar graças a Deus, “porque todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus”. ( Romanos 8,28)

Abençoado sábado a você!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará!

Cor Litúrgica: Branco

Imaculado Coração da Bem-aventurada Virgem Maria – Memória | Sábado


41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43 Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44 Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46 Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47 Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48 Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. 49 Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50 Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. 51 Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. (Lc 2,41-51).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Celebramos hoje a festa do Imaculado Coração da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nesta data, fazemos memória do amor puro, fiel e maternal de Maria por Deus e pela humanidade. Essa devoção foi promovida por São João Eudes e fortalecida pelas revelações das aparições de Fátima, em 1917, quando Nossa Senhora pediu a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração.

A festa litúrgica foi instituída pelo Papa Pio XII em 1944, sendo celebrada geralmente no mês de junho, no sábado seguinte à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

No Evangelho de hoje, contemplamos a aflição do Coração de Maria ao procurar o Filho amado. Essa aflição materna permanece até os dias de hoje, pois ela continua a buscar os filhos que Jesus lhe confiou no alto da Cruz: “Mulher, eis aí o teu filho” (Jo 19,26). Na figura do discípulo João, a humanidade é entregue aos cuidados da Mãe Santíssima, que não cessou de exercer sua missão materna: nos conduzir a Jesus.

Maria se entristece ao ver tantos filhos dispersos e distantes do Coração do seu Filho, mas não desiste. Intercede, ama, insiste. Seu amor de Mãe é incansável.

A Irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, descreve a visão do Imaculado Coração de Maria, recebida na aparição do dia 13 de junho:

“À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que pareciam cravados nele. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.”
(Memórias da Irmã Lúcia, pp. 175-176)

O Imaculado Coração de Maria é o coração que não desiste da humanidade. Ferido pelos pecados de tantos filhos, ainda assim continua amando, intercedendo e buscando a salvação de todos. Que hoje, mais do que nunca, possamos declarar nosso amor a essa Mãe amável e dispensadora de tantas graças. Confiemos a ela nossas necessidades com a certeza de que, como medianeira de todas as graças, jamais nos deixará desamparados.

Ela mesma nos prometeu: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará!”

Abençoado dia!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Preocupemo-nos com o Reino de Deus

Cor Litúrgica: Branco

São Luís Gonzaga, religioso – Memória | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24 “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25 Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26 Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27 Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 28 E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31 Portanto, não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?’ 32 Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33 Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34 Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas”. (Mt 6,24-34).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Jesus fala claramente que é impossível declarar Deus como Senhor e, ao mesmo tempo, correr atrás das coisas passageiras deste mundo. Não se trata aqui do que é essencial — pois o Senhor sabe de tudo aquilo de que necessitamos. O que Ele condena é a busca desenfreada pelo ter, pelos excessos que aprisionam a alma às coisas transitórias.

Deus exige exclusividade porque sabe que só assim nos sentiremos completos, pois, como nos lembra São Paulo: “a figura deste mundo passa” (1 Cor 7,31).

Nosso coração só tem espaço para um Rei, um Senhor — e este deve ser Jesus Cristo. Muitas vezes nos iludimos, achando que é possível servir a Deus e, ao mesmo tempo, às riquezas e aos encantos deste mundo. O segredo é não atribuir importância excessiva às riquezas, às coisas que passam. Importa colocar em prática aquilo que rezamos na Santa Missa: “entre as coisas que passam, abraçar as que não passam.”

Ao escolhermos o Senhor, Ele nos tranquiliza: o Pai sabe exatamente do que necessitamos. A verdadeira atitude de um filho é aquela de quem se abandona, com confiança, à providência divina. Ao priorizarmos o Reino de Deus, temos a promessa: “tudo mais vos será dado por acréscimo.”

O discurso de Jesus nos leva a refletir que nossas preocupações, muitas vezes, são exageradas; que vivemos ansiosos por aquilo que Ele já sabe que precisamos. Para nós, bastaria uma atitude de confiança. Preocupar-se demasiadamente com as coisas do mundo é atitude própria dos pagãos — aqueles que não confiam em Deus.

Que o Senhor Jesus te abençoe e renove tua força e tua confiança n’Ele!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Ser amigo da verdade nos livra da indecisão e da falsidade

Cor Litúrgica: Verde

10ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33 “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. 34 Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o suporte onde apoia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. 36 Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. 37 Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”. (Mt 5,33-37).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

O Evangelho de hoje nos convida a refletir sobre a coerência entre nossas palavras e nossas ações.

Na cultura da época de Jesus, jurar por algo era uma forma de garantir a veracidade do que se dizia — um modo de valorizar a própria palavra. Mas Jesus vai além da antiga lei. Ele não apenas diz para não jurar falsamente, mas orienta a não jurar de forma alguma.

Com isso, o Senhor nos mostra que o ideal cristão é viver com tamanha integridade e transparência que não precisemos de juramentos para sermos acreditados. O simples “sim” ou “não” de uma pessoa justa deve bastar. A nossa palavra precisa ser confiável por si mesma.

Jesus nos propõe uma vida em que a verdade esteja nos lábios porque já habita o coração. Ao afirmar que o que passa disso “vem do Maligno”, Ele nos alerta contra o perigo da duplicidade — da mentira disfarçada de boas intenções.

Se vivermos em conformidade com o Evangelho, não precisaremos de garantias ou promessas para que creiam em nós. A verdade será nosso selo.

Ser amigo da verdade nos livra da indecisão e da falsidade que nos faz vacilar entre o sim e o não.

Desejo a você um sábado abençoado, cheio de luz, verdade e paz!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Bendita é a Serva do Senhor!

Cor Litúrgica: Branco

Visitação da Bem-aventurada Virgem Maria – Festa | Sábado


Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu”. Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. (Lc 1,39-56)

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Hoje encerramos o mês mariano, tempo de muitas alegrias dedicadas à Mãe de Nosso Senhor. Ao celebrarmos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Isabel, contemplamos a vocação de Maria, tão semelhante à de seu Filho Jesus: a de serva.

Assim como Cristo se fez servo de todos, Maria se coloca apressadamente a caminho da casa de sua prima, movida pelo amor e pelo Espírito Santo. O anjo Gabriel lhe havia anunciado que Isabel, mesmo na velhice, estava no sexto mês de gestação. Maria sente em seu coração o chamado ao serviço, à empatia, à presença fraterna.

Outro traço belíssimo de Nossa Mãe Santíssima é que ela era cheia do Espírito Santo. O som da sua voz foi suficiente para que Isabel e João Batista, ainda no ventre, fossem tocados por essa presença divina. Isabel, cheia do Espírito Santo, profetiza: “Bendita és tu entre as mulheres!” — e nós, geração após geração, continuamos a proclamá-la bem-aventurada.

Maria também revela um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras. Seu cântico, o Magnificat, percorre diversos trechos do Antigo Testamento. Ela tinha a Palavra de Deus enraizada em seu coração.

E uma das características mais sublimes de Maria — e por isso tão odiada pelo inimigo — é a sua humildade. Sua pequenez a engrandeceu. Foi essa humildade que a elevou, e é dela que devemos aprender tantas virtudes.

Que tenhamos o desejo de imitar Maria: no serviço, na escuta da Palavra, na presença do Espírito e na humildade. Que seu exemplo continue a nos inspirar.

Um abençoado sábado para você e toda a sua família!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Não sois do mundo!

Cor Litúrgica: Branco

5ª Semana da Páscoa | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18 “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. 19 Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia. 20 Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu senhor’. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 21 Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”. (Jo 15,18-21).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Ao proclamar estas palavras, Jesus está no jantar do lava-pés, é o seu último discurso. Cristo prepara seus discípulos, e a nós, seus seguidores hoje, para o ódio do mundo, faz o alerta de que se Ele foi perseguido, também seus discípulos seriam. Ele, o amor, a misericórdia em pessoa, foi odiado pelo mundo, não foi recebido. Se despede confortando os seus, que estivessem prontos para ouvir as palavras duras, os ataques do ódio, pois o mundo não quer a verdade, que é o próprio Cristo.

É muito importante este alerta de Jesus, pois aqueles que decidem segui-Lo devem estar cientes desta realidade: “ser odiado por seguir Jesus”. O discípulo não está acima do Mestre, portanto, se Ele foi perseguido, seus discípulos o serão! Escolher viver à maneira de Cristo implica uma escolha de riscos, entre eles os vexames da ridicularização, o de ser taxado por antiquado, retrógrado, humilhado simplesmente por não abrir mão de valores cristãos.

O que nos conforta no Evangelho hoje é que o Senhor nos escolheu, antes de tudo, para ser um outro Cristo, para ser uma cópia de Cristo na terra. Nos escolheu para pagar o mal com o bem, para ser luz em meio às trevas, viver o amor. Esta é a vontade de Deus: que honremos seu nome e que, assim como seu Filho, não tenhamos medo do mundo. Que nossa vida seja, em tudo, amor!

Um abençoado sábado!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Jesus, a Palavra Eterna

Cor Litúrgica: Branco

3ª Semana da Páscoa | Sábado


Naquele tempo: 60 muitos dos discípulos de Jesus que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61 Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62 E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63 O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64 Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65 E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66 A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67 Então, Jesus disse aos doze: “Vós também quereis ir embora?” 68 Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69 Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”. (Jo 6,60-69).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

O capítulo 6 do Evangelho de João começa com o milagre da multiplicação dos pães. Ao longo deste capítulo, Jesus nos revela que Ele é o verdadeiro pão do céu, prefigurando a Eucaristia. Ao afirmar que o pão do céu é a sua própria carne, e que quem não comer da sua carne não terá a vida eterna, Jesus provocou uma divisão: ali se distinguia quem era verdadeiramente discípulo e quem não era.

Muitos dos que O seguiam se afastaram, dizendo: “Esta palavra é dura demais.” Escandalizaram-se, não quiseram crer, acharam absurdas as palavras do Mestre. Jesus, porém, explica: suas palavras são espírito e vida — não são carnais. Muitas vezes, também nós achamos pesada e absurda a Palavra do Senhor. Mas isso acontece porque ainda não a amamos de verdade. E não a amamos porque não a conhecemos profundamente. Queremos viver como quem pertence ao mundo, mas somos cidadãos do céu (Fl 3,20). Enquanto estivermos com o coração voltado apenas para esta vida, deixaremos de buscar a vida eterna.

Infelizmente, até hoje, muitos se afastam de Jesus por acharem pesados demais seus ensinamentos, por não concordarem com seus mandamentos. Mas quem perde não é Jesus! Ele nunca força ninguém. Deu-nos a liberdade de segui-Lo ou não, de obedecer ou não. Até mesmo aos seus apóstolos Ele pergunta: “Vós também quereis ir embora?”

Deus não obriga ninguém. Mas àqueles que decidem ficar, Ele pede fé em suas palavras, acolhimento de seus mandamentos — não com murmuração, mas com amor e determinação.

Diante das tentações do mundo, que tantas vezes querem nos afastar de Jesus, que a nossa resposta seja como a de Pedro:
“Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna!”.


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Quem me vê, vê o Pai

Cor Litúrgica: Vermelho

Santos Filipe e Tiago, Apóstolos – Festa | Sábado


Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6 “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8 Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9 Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11 Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12 Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13 e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei”. (Jo 14,6-14).

Em meio a tanta riqueza a ser explorada neste Evangelho, voltemo-nos para a beleza da unidade. Em primeiro lugar, é importante lembrar que a unidade perfeita — a da Trindade, Deus em três pessoas — tem como laço que as une o amor, que é a própria essência divina. A verdadeira união só é possível quando fundamentada no amor.

Jesus afirma: “Quem me vê, vê o Pai”. O amor e a misericórdia de Jesus são também o amor e a misericórdia do Pai e do Espírito Santo.

Jesus expressa sua decepção com Filipe ao dizer: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces?” Pelo tempo de convivência, Jesus esperava uma intimidade maior. E aqui está uma lição importante para nós: estar junto não é o mesmo que estar unido. Estar unido a Jesus significa comungar de suas ideias, abraçar sua vontade e assemelhar-se tanto a Ele que, ao sermos observados, possam ver em nós as obras do Pai.

Somente estando unidos a Jesus é que poderemos pedir o que quisermos, e acontecerá! Mas o mais importante é que o objetivo final de nossos pedidos ao Senhor seja sempre a glória de Deus.

Ele é! Ele é tudo o que você e eu precisamos: o Caminho, a Verdade e a Vida. Nossa razão de felicidade é Ele. A paz que buscamos é Ele. A esperança para todos os dias é Ele. Não tenhamos medo de dar tudo pelo Tudo! Digo: não tenha medo de abrir mão de coisa alguma, se for para ter Jesus acima de todas as coisas.

Santo dia a você, pela graça do Espírito Santo!


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Permita que Ele aja naquilo que parece impossível

Cor Litúrgica: Branco

Páscoa do Senhor | Sábado


Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”. (Mc 16,9-15).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Há uma intenção particular de Jesus em suas aparições: Ele age sempre com propósito. Na verdade, em Deus, “nada é coincidência, tudo é providência”. Tudo tem seu sentido, tudo é intencional.

Jesus “apareceu primeiro” a Maria Madalena para marcar o fim da discriminação das mulheres, que muitas vezes nem eram contadas nos relatos dos milagres. Ele quis dar a elas o valor merecido e ensinar que, diante de Deus, não há preferidos: todos são iguais em dignidade.

Eles não acreditaram nela porque, na sociedade da época, o papel da mulher era considerado irrelevante. Mas Jesus quis anular a longa herança negativa atribuída a Eva, vista como responsável pela queda do homem no Jardim do Éden.

Depois, apareceu também a dois discípulos que não eram dos onze. Talvez esses dois pensassem que Jesus deveria aparecer primeiro aos mais próximos, mas nem eles foram acreditados. E assim, Jesus repreende a todos pela falta de fé e pela dureza de coração. Mesmo assim, confirma os apóstolos na missão de anunciar a Boa Nova.

Jesus conhece nossas fraquezas e sabe que não somos perfeitos, mas ama trabalhar com os que se mostram disponíveis. Não devemos focar nas nossas limitações e no que não podemos fazer, mas sim no que Ele pode fazer através de nós — e para Deus, nada é impossível.

Convide Jesus a trabalhar nas suas limitações. Permita que Ele aja justamente naquilo que parece impossível para você superar.


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

O DIA DO SILÊNCIO DE DEUS

Cor Litúrgica: Branco

Sábado Santo | Vigília Pascal


No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. Elas encontraram a pedra do túmulo removida. Mas ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus e ficaram sem saber o que estava acontecendo. Nisso, dois homens com roupas brilhantes pararam perto delas. Tomadas de medo, elas olhavam para o chão, mas os dois homens disseram: “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: ‘O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia'”. Então as mulheres se lembraram das palavras de Jesus. Voltaram do túmulo e anunciaram tudo isso aos Onze e a todos os outros. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas contaram essas coisas aos apóstolos. Mas eles acharam que tudo isso era desvario, e não acreditaram. Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa, admirado com o que havia acontecido. (Lc 24,1-12).

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Estamos no Sábado Santo, o dia do silêncio, aguardando o grande dia da Páscoa, dia da ressurreição de Nosso Senhor. Este deve ser um dia silencioso e reflexivo sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Guardar o silêncio é propício para estarmos na intimidade com Deus; é necessário mergulharmos neste mistério, recordando o sacrifício feito por amor a cada um de nós, para que, no dia seguinte, com grande alegria, possamos cantar: “Aleluia! Ressuscitou o Senhor!”

Os chefes dos sacerdotes e os fariseus estavam apreensivos a respeito do que Jesus havia prometido: que ao terceiro dia ressuscitaria. Pediram a Pilatos que colocasse guardas para impedir que os discípulos de Jesus roubassem o corpo e dissessem que Ele havia ressuscitado, diziam eles. De fato, foi o que aconteceu: até hoje, entre os judeus, essa mentira é tida como verdade — de que Cristo não ressuscitou, mas sim que seus discípulos roubaram o corpo e inventaram a ressurreição.

Guardemos o silêncio assim como Maria, mãe de Jesus, na expectativa da vitória sobre a morte. Maria Santíssima é mestra do silêncio. Sua vida esteve toda entregue para que apenas seu Filho fosse o centro. A Virgem do Silêncio nos ensina, com a própria vida, a nos comportar discretamente e, em tudo, dar glória a Deus. Por isso ela foi exaltada; por isso, sua humilde vida é lembrada por todas as gerações que a proclamam bem-aventurada.

Que, pela sua poderosa intercessão, possamos alcançar a virtude do silêncio necessário à nossa santificação.


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

É do coração que sai o bem ou o mal

Cor Litúrgica: Roxo

5ª Semana da Quaresma | Sábado


Naquele tempo, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “O que faremos? Este homem realiza muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos.  A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.  Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “O que vos parece? Será que ele não vem para a festa?” (Jo 11,45-56)

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Estamos bem próximos da grande semana: a Semana Santa. Amanhã, com a celebração de Ramos, somos convidados a fazer deste tempo um verdadeiro retiro espiritual, mergulhando no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É um momento propício para refletirmos sobre o imenso amor de Deus por nós.

No evangelho de hoje, vemos a trama daqueles que desejam a morte de Jesus — e que, de fato, decidem matá-lo. Curiosamente, Caifás, sem saber, acaba profetizando aquilo que já estava nos planos de Deus: que Jesus morreria por todos. Percebendo o perigo, Jesus se afasta de Jerusalém. Sua vida pública agora é restrita, pois Ele sabe que o fim está próximo.

É interessante notar como o mesmo fato pode despertar a fé em uns e a inveja em outros. O milagre da ressurreição de Lázaro fez muitos crerem em Jesus, mas também gerou intrigas, inflamando o ódio dos fariseus. Na nossa vida, também passamos por situações semelhantes: bons acontecimentos que despertam reações diversas nas pessoas. A diferença está no que habita o coração de cada um. Pessoas boas tiram boas coisas do tesouro do seu coração; pessoas más, mesmo diante de acontecimentos bons, tiram coisas más.

Que nos determinemos a fazer desta próxima semana a Semana Maior. Que ela seja verdadeiramente santa, para que dela possamos extrair toda a riqueza espiritual que o Senhor deseja nos oferecer.


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Quem é Jesus?

Cor Litúrgica: Roxo

4ª Semana da Quaresma | Sábado


Naquele tempo, 40 ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. 41 Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? 42 Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” 43 Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. 45 Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” 46 Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. 47 Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? 48 Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49 Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” 50 Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51 “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” 52 Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. 53 E cada um voltou para sua casa.  (Jo 7,40-53)

O Evangelho nos apresenta uma cena de divisão e debate sobre a identidade de Jesus. As pessoas que o ouviam se dividiam em diferentes opiniões: uns o reconheciam como o Messias prometido, outros duvidavam e questionavam sua origem. Essa divisão é um reflexo de um contexto histórico tenso, pois os judeus estavam sob o domínio romano e viviam a expectativa de um Messias político e militar que os libertasse. Jesus não se encaixava nessas expectativas e gerava desconforto entre as autoridades religiosas e o povo.

A tensão entre a tradição judaica e a nova mensagem de Jesus é um elemento-chave. Os fariseus e sacerdotes se sentiam ameaçados pela crescente popularidade de Jesus, que pregava uma nova forma de compreender a relação com Deus, mais centrada no amor e na misericórdia, e não em rituais e leis.

Também vemos, nos dias de hoje, essa divisão. A mensagem de Jesus, que nos convida a amar o próximo, a perdoar, a lutar pela justiça e pela paz, continua gerando conflitos — até mesmo dentro das próprias comunidades de fé. Muitos ainda esperam um “salvador” que atenda às suas próprias expectativas e não estão dispostos a aceitar a proposta de transformação interior que Jesus oferece.

Portanto, hoje, façamos esta reflexão sobre quem realmente é Jesus e qual é o seu papel em nossa vida. Não basta apenas reconhecer Jesus superficialmente, mas viver a radicalidade de sua mensagem, que desafia os confortos e as estruturas estabelecidas, como fez no seu tempo. Em um mundo tão carente da presença de Jesus, somos convocados a viver o amor incondicional.


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Nem tudo é o que parece

Cor Litúrgica: Roxo

3ª Semana da Quaresma | Sábado


Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. (Lc 18,9-14)

Paz e bem, amados irmãos em Cristo!

Jesus nos conta uma parábola para criticar aqueles que se vangloriam. É uma história sobre a verdadeira justiça e sobre quem realmente é escutado por Deus.

Essa parábola nos ensina uma lição preciosa: “Quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humilhado.”

Mas qual é o problema na história? Afinal, o fariseu agradece a Deus por não ser ladrão, injusto ou adúltero. Ele jejua, paga o dízimo – tudo isso são boas práticas. O erro, no entanto, está em usar essas ações para se sentir superior aos outros. O problema não é fazer o bem, mas humilhar aqueles que não o fazem. O problema é dizer e não fazer – a hipocrisia, algo que Jesus combateu com firmeza.

Por meio dessa parábola, o Senhor nos ensina que é preferível um coração humilde a um coração orgulhoso e soberbo.

O problema, então, está no fariseu ou em cada um de nós, quando nos achamos impecáveis e condenamos os outros por suas falhas? Como nos alerta a Escritura: “Aquele que está de pé, tenha cuidado para não cair” (1 Cor 10,12).

A justiça de Deus não é como a nossa – ela é perfeita. Ele vê além das aparências, e jamais conseguiremos enganá-Lo. Por isso, que nossos gestos, palavras e atitudes sejam sempre puros e verdadeiros diante de Deus, buscando constantemente Sua misericórdia.


Ana Paula

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira