Cor Litúrgica: Roxo
4ª Semana da Quaresma | Sábado
Naquele tempo, 40 ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas da multidão diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. 41 Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? 42 Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” 43 Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. 45 Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” 46 Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. 47 Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? 48 Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49 Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” 50 Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51 “Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” 52 Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. 53 E cada um voltou para sua casa. (Jo 7,40-53)
O Evangelho nos apresenta uma cena de divisão e debate sobre a identidade de Jesus. As pessoas que o ouviam se dividiam em diferentes opiniões: uns o reconheciam como o Messias prometido, outros duvidavam e questionavam sua origem. Essa divisão é um reflexo de um contexto histórico tenso, pois os judeus estavam sob o domínio romano e viviam a expectativa de um Messias político e militar que os libertasse. Jesus não se encaixava nessas expectativas e gerava desconforto entre as autoridades religiosas e o povo.
A tensão entre a tradição judaica e a nova mensagem de Jesus é um elemento-chave. Os fariseus e sacerdotes se sentiam ameaçados pela crescente popularidade de Jesus, que pregava uma nova forma de compreender a relação com Deus, mais centrada no amor e na misericórdia, e não em rituais e leis.
Também vemos, nos dias de hoje, essa divisão. A mensagem de Jesus, que nos convida a amar o próximo, a perdoar, a lutar pela justiça e pela paz, continua gerando conflitos — até mesmo dentro das próprias comunidades de fé. Muitos ainda esperam um “salvador” que atenda às suas próprias expectativas e não estão dispostos a aceitar a proposta de transformação interior que Jesus oferece.
Portanto, hoje, façamos esta reflexão sobre quem realmente é Jesus e qual é o seu papel em nossa vida. Não basta apenas reconhecer Jesus superficialmente, mas viver a radicalidade de sua mensagem, que desafia os confortos e as estruturas estabelecidas, como fez no seu tempo. Em um mundo tão carente da presença de Jesus, somos convocados a viver o amor incondicional.
Ana Paula
Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira


