Cor Litúrgica: Roxo
2ª Semana da Quaresma | Sábado
Naquele tempo, 1 os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2 Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3 Então Jesus contou-lhes esta parábola: 11 “Um homem tinha dois filhos. 12 O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13 Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14 Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15 Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16 O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17 Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome’. 18 Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19 já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. 20 Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. 21 O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22 Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23 Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24 Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. 25 O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26 Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27 O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. 28 Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29 Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30 Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. 31 Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32 Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”. (Lc 15,1-3.11-32)
Jesus, mesmo sendo Deus, mesmo pregando a necessidade da santidade, não via nisso um obstáculo para que os publicanos, que eram pecadores públicos, se achegassem a Ele. Eles sentiam-se bem na presença de Jesus e não julgados, como eram pela maior parte do povo. Jesus nunca excluiu ninguém e nem exclui; mas os fariseus, aqueles que se empenhavam na lei, criticavam Jesus porque Ele estava próximo a esses pecadores.
E por não excluir ninguém, Jesus conta a parábola do filho pródigo. Ele não quer perder ninguém, não quer perder os pecadores públicos e não quer perder os fariseus e escribas, mas aproveita o momento para falar do amor do Pai, o amor que, mesmo sendo traído, deixado de lado, recebe o filho com todo o coração, faz festa e perdoa.
Voltemos nossa atenção para o filho mais velho, aquele que, ao retornar para casa, escuta a música da festa e se revolta contra o pai porque o filho mais novo estragou os bens do pai e ele, como sendo aquele que estava sempre cuidando das coisas do pai, nunca teve oportunidade de fazer uma festa. O filho mais velho tem a mesma atitude dos escribas: reclamar, julgar, criticar.
Na sua opinião, o filho mais velho entrou para a festa ou ficou emburrado com raiva? Meus caros irmãos, provavelmente o irmão mais velho não entrou para a festa, e o que precisamos refletir aqui é que, muitas vezes, temos essa atitude. Não podemos ter a atitude do filho mais velho, de se revoltar contra o pai por acolher aqueles que julgamos não merecer seu amor. Talvez você pense que o justo seria não aceitar o filho de volta, mas a justiça de Deus é misericórdia. Assim nos falou o Papa Francisco:
“Deus não age com a dureza de quem julga e condena, dividindo as pessoas em boas e más, mas com a misericórdia de quem acolhe, compartilhando as feridas e as fragilidades dos irmãos e irmãs para reerguê-los.”
O Pai sempre dará a oportunidade àqueles que desejam retornar ao seu abraço. Não cabe a nós a revolta. Imitemos o Pai!
Ana Paula
Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira


