Cor Litúrgica: Roxo
1ª Semana da Quaresma | Sábado
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43 “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44 Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45 Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47 E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48 Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,43-48)
Bom dia, boa tarde, boa noite queridos irmãos! Paz e bem!
Colocar em prática estas ordens do Senhor Jesus não é nada fácil aos olhos humanos. O Catecismo da Igreja Católica, no nº 2843, nos ensina que: “Não está em nosso poder não mais sentir e esquecer a ofensa, mas o coração que se entrega ao Espírito Santo transforma a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão.” Olha só que maravilha, irmãos! Com nossas forças, com certeza jamais conseguiremos tal proeza, mas é o Espírito Santo que nos dá tal capacidade, é o Espírito que transforma nossa raiva em intercessão pelos que consideramos nossos inimigos, é o Espírito Santo que transforma nossa ferida em compaixão.
São João Crisóstomo nos diz que nossa carne odeia o inimigo, mas nossa alma o ama! Que perfeição de ensino! Verdadeiramente, pela carne condenamos, violentamos e esbravejamos… Isso deve nos orientar para a oração. Não é possível amar nossos desafetos sem a oração, desafetos porque só temos um inimigo: o diabo, aquele que divide e que deseja fazer perder nossas almas.
Cristo não ordena coisas impossíveis, mas sim perfeitas. Este é o caminho! Como filhos amados de Deus, precisamos amar como o Pai pede que amemos: um amor ágape, que é o amor invencível, a bondade jamais derrotada. O verdadeiro amor é mais forte que a morte; e já sabemos que não são nossas forças sozinhas que nos darão esta virtude, mas é o Espírito em nós.
Não podemos escolher se seguimos ou não a ordem do Senhor. Ao me declarar cristã, é necessário abraçar a Sua vontade. É vazia a vivência de um cristianismo que não quer viver a integralidade da Palavra. Ele faz nascer o sol sobre todos, sobre os que lhe obedecem e sobre os que não; desta forma, não cabe a nós determinar quem recebe o nosso amor e perdão. Temos como exemplo o próprio Cristo que, no alto de sua crucificação, ora dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Estevão, que ao ser morto apedrejado, ora por seus algozes da mesma forma que Jesus: “Eles não sabem o que fazem.” Quem nos fere não sabe o que faz, não conhece o amor de Deus.
Peçamos, desse modo, o dom do Espírito Santo, que nos dê a graça de amar sempre os que nos perseguem, maltratam e humilham, assim como deseja nosso Pai do céu.
Ana Paula
Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira


