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Surto de gripe aviária em mamíferos no mundo duplicou em 2024

A gripe aviária

O número de surtos de gripe aviária em mamíferos dobrou em todo o mundo no ano passado, aumentando o risco da propagação do vírus aos seres humanos, alertou uma agência internacional nesta sexta-feira (23).

A gripe aviária se propagou de forma inédita nos últimos anos, provocando o abate maciço de aves, o aumento do preço dos ovos e a morte de várias pessoas que tiveram contato com animais infectados.

O risco de transmissão aos humanos é baixo, mas a frequência com que os surtos ocorrem em mamíferos como bovinos, os cachorros e gatos aumentam a possibilidade de que o vírus se adapte e seja transmitido entre pessoas, declarou a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês) em um novo relatório.

Segundo estes dados, 1.022 surtos foram registrados em 55 países no ano passado, em comparação aos 459 em 2023.

“É preocupante, pois estamos assistindo à mudança no padrão epidemiológico do vírus”, declarou à AFP Emmanuelle Soubeyran, diretora-geral da OIE.

“Emergência mundial”

Os especialistas alertaram sobre o risco de uma pandemia causada pela gripe aviária, cujo vírus, capaz de sofrer mutações, já se espalhou entre o gado leiteiro nos Estados Unidos.

A divulgação do relatório coincide com os cortes nas agências de saúde e científicas dos EUA ordenados pelo governo de Donald Trump, que, entre outras medidas, decidiu encerrar um programa de epidemiologia no início deste ano.

A gripe aviária “é mais do que uma crise de saúde animal: é uma emergência mundial que desestabiliza a agricultura, a segurança alimentar, o comércio e os ecossistemas”, alerta o estudo.

Segundo o primeiro relatório anual da OIE sobre a situação mundial de saúde animal, mais de 630 milhões de aves morreram de gripe aviária ou tiveram que ser abatidas nos últimos 20 anos devido ao vírus.

As aves selvagens também sofreram perdas maciças, cuja extensão é difícil de estimar.

O relatório também destaca o papel da vacinação na contenção de epidemias em aves, reduzindo assim o risco para mamíferos e seres humanos.

Com mais de 45,7 mil candidatos, Mais Médicos bate recorde de inscritos

Mais Médicos bate recorde de inscritos com mais de 45 mil candidatos |  Brasil 247

O Ministério da Saúde registrou 45.792 médicos cadastrados no Programa Mais Médicos, o que representa o maior número de inscritos, desde sua criação, em 2013.

Do total de inscritos, 93% são brasileiros (42.383 profissionais). Entre eles, 25.594 possuem registro profissional no Brasil e 16.789 são formados no exterior. Outros 3.309 médicos são estrangeiros com habilitação para exercer a profissão.

As mulheres representam a maioria das inscrições: 26.864, o equivalente a aproximadamente 58%.

As inscrições foram encerradas no último dia 8.

O Mais Médicos tem o objetivo de fortalecer a atenção primária à saúde oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) levando médicos para regiões prioritárias, remotas, de difícil acesso e de alto índice de vulnerabilidade, onde há escassez ou ausência desses profissionais.

Vagas

O edital de chamamento público prevê 3.064 vagas distribuídas entre 1.620 municípios e 108 destinadas a 26 distritos sanitários especiais indígenas (Dseis).

O cronograma do edital prevê, no período de 2 a 10 de julho, o início das atividades dos médicos com registro no Brasil e brasileiros ou estrangeiros que já passaram pelas etapas de acolhimento e avaliação, quando os intercambistas passam por uma avaliação antes de ingressarem no Mais Médicos.

Mais Médicos

Os profissionais do Mais Médicos integram as equipes de Saúde da Família e oferecem atendimento e acompanhamento mais próximos da população.

Quando necessário, encaminham os pacientes para consultas com especialistas. As informações são registradas no Prontuário Eletrônico (e-SUS APS), o que permite a integração dos dados do paciente entre a atenção primária e a especializada, incluindo consultas e exames.

Após a retomada do programa, em 2023, e a expansão do Mais Médicos, a meta do Ministério da Saúde é chegar a 28 mil profissionais, em 4.547 municípios, até o fim de 2025.

Atualmente, o programa conta com cerca de 24,9 mil médicos atuando em 4,2 mil municípios, o que representa 77% do território nacional. Dentre essas localidades, 1,7 mil são regiões com altos índices de vulnerabilidade social.

Gripe aviária: exportação de carne de frango de todo Brasil está suspensa para 20 destinos

 A worker wearing a protective suit works at a commercial poultry farm, site of the country's first bird flu outbreak, in Montenegro, Rio Grande do Sul state, Brazil, on May 17, 2025. China and the European Union have suspended imports of chicken meat from Brazil, the world's biggest exporter of the commodity, after an outbreak of bird flu on a farm in the South American country, officials said Friday. /SILVIO AVILA / AFP

As exportações de carne de frango de todo o território brasileiro estão suspensas para 20 destinos, segundo levantamento mais recente do Ministério da Agricultura. As suspensões são temporárias e ocorrem após a confirmação de um caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, na última sexta-feira (16).

Estão pausados temporariamente os embarques de produtos avícolas brasileiros para China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka e Paquistão, conforme o levantamento da pasta.

A lista inclui as nações que suspenderam as importações de produtos avícolas do Brasil e para os quais o Brasil interrompeu a certificação das exportações conforme prevê o acordo sanitário estabelecido com cada país. As suspensões temporárias e cautelares de compras de frango brasileiro de todo o território brasileiro, do Estado do Rio Grande do Sul, do município de Montenegro ou do raio de 10 km de onde o foco foi detectado estão previstas no protocolo sanitário acordado com o Brasil e os países importadores.

Há ainda mercados para os quais estão impedidas as exportações de produtos avícolas do Rio Grande do Sul. É o caso da Arábia Saudita, Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Casaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão, Ucrânia e União Euroasiática (Rússia, Belarus, Armênia e Quirguistão). “A Rússia Belarus, Armênia e Quirguistão decidiram retirar a suspensão do país todo e reduziram a restrição geográfica para o Estado do Rio Grande do Sul”, informou o ministério. Nessa lista, é nova também a restrição da Arábia Saudita ao frango proveniente do Rio Grande do Sul.

O Japão e os Emirados Árabes Unidos suspenderam as compras de carne de frango e derivados do município de Montenegro (RS), onde o foco da doença foi detectado, conforme prevê o protocolo acordado pelos países com o Brasil.

Já os protocolos acordados entre Brasil e Cingapura, Hong Kong, Argélia, Índia, Lesoto, Mianmar, Paraguai, São Cristóvão e Nevis Suriname, Usbequistão, Vanuatu e Vietnã preveem a regionalização dos embarques para um raio de 10 quilômetros do foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP).

O governo brasileiro já está negociando com países importadores de produtos avícolas a flexibilização das suspensões das compras de carne de frango e derivados do Brasil. As conversas já estão em andamento a fim de minimizar os impactos do primeiro foco de gripe aviária em plantel comercial no País sobre a balança comercial do agronegócio brasileiro.

“O Ministério da Agricultura permanece em articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, prestando, de forma ágil e transparente, todas as informações técnicas necessárias sobre o caso. As ações adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações o mais breve possível”, destacou o ministério em nota. O ministério esclareceu ainda que o consumo de carne de aves e de ovos não apresenta risco para a saúde humana.

OMS aprova acordo internacional para prevenir pandemias

Covid-19 no Brasil/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O acordo internacional sobre a prevenção e cooperação contra pandemias foi aprovado nesta terça-feira (20) na Organização Mundial da Saúde (OMS), depois de mais de três anos de negociações intensas.

“Este acordo é uma vitória para a saúde pública, a ciência e a ação multilateral. Coletivamente, nos permitirá proteger melhor o mundo contra futuras ameaças pandêmicas”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado em um comunicado.

O texto foi adotado em Genebra, durante a reunião anual dos países membros da OMS, e instaura uma coordenação global mais precoce e mais eficaz para prevenir, detectar e responder rapidamente a uma futura pandemia.

Tudo isso após o fracasso da coordenação coletiva para enfrentar a covid-19 há cinco anos, quando os países em desenvolvimento enfrentaram um cenário de vacinas insuficientes, acumuladas pelos países ricos, além de escassez de materiais para realizar testes e insumos básicos para atender pacientes, como os respiradores.

O acordo busca garantir um acesso equitativo a produtos de saúde em caso de nova pandemia.

O pacto adotado nesta terça-feira representa um sucesso ao final de um processo de negociação difícil, em um contexto de cortes drásticos no orçamento da OMS, que cada vez enfrenta mais crises.

E embora a saída dos Estados Unidos da OMS, decidida pelo presidente Donald Trump ao retornar à Casa Branca em janeiro, apenas se torne efetiva em janeiro de 2026, Washington já havia se afastado das negociações nos últimos meses. O país não enviou representantes à assembleia da organização.

Vacinas acessíveis

A resolução sobre o acordo foi aprovada na comissão na segunda-feira à noite por 124 votos a favor e nenhum contra. Alguns países optaram pela abstenção, como Irã, Israel, Rússia, Itália, Eslováquia e Polônia.

O acordo busca garantir um acesso equitativo aos produtos de saúde em caso de pandemia.

A questão está no centro de muitas queixas que os países mais pobres apresentaram durante a pandemia de covid-19, quando viram o acúmulo de doses de vacinas e testes por parte dos países ricos.

As negociações permaneceram estagnadas por muito tempo em questões importantes como a vigilância das pandemias e a troca de dados sobre patógenos emergentes, vacinas, testes e tratamentos.

O núcleo do acordo é um novo mecanismo de “acesso a patógenos e compartilhamento de benefícios” (PABS), elaborado para permitir “uma troca muito rápida e sistemática de informações sobre o surgimento de patógenos com potencial pandêmico”, disse Amprou.

Em caso de pandemia, cada empresa farmacêutica que aceitar participar no mecanismo terá que fornecer à OMS “acesso rápido a um objetivo de 20% de sua produção em tempo real de vacinas, tratamentos e produtos de diagnóstico seguros”, dos quais um “mínimo de 10%” será doado e o restante oferecido “a um preço acessível”.

Os detalhes práticos do mecanismo – considerado a joia da coroa do acordo – ainda deverão ser negociados ao longo dos próximos dois anos, antes que o acordo possa ser ratificado.

São necessárias 60 ratificações para que o tratado entre em vigor.

O acordo também reforça a vigilância multissetorial e a abordagem de “uma única saúde” (humana, animal e ambiental).

“Se levarmos em consideração que 60% das doenças emergentes são causadas por zoonoses, ou seja, patógenos que são transmitidos de animais para os seres humanos, isto é obviamente importante”, destacou Amprou.

O acordo incentiva investimentos nos sistemas de saúde para garantir que os países disponham de recursos humanos suficientes e autoridades reguladoras nacionais fortes.

Durante os três anos de negociações, o acordo enfrentou uma oposição feroz daqueles que acreditam que o pacto limitará a soberania dos Estados.

Ministério da Agricultura investiga novas suspeitas de gripe aviária

Ministério da Agricultura investiga novas suspeitas de gripe aviária
/Foto: Agência Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou, neste domingo (18/5), que investiga duas novas suspeitas de foco de gripe aviária (H5N1) no Brasil. Os casos em análise estão no Rio Grande do Sul e em Tocantins.

Uma das apurações é de uma propriedade de subsistência que fica no raio de 3 km da granja comercial em Montenegro (RS), onde surgiu o primeiro foco da doença em aves no país.

A notícia do primeiro caso de gripe aviária no Brasil foi divulgada pelo Mapa na sexta-feira (16/5). Também foi identificado um foco de gripe aviária no zoológico de Sapucaia do Sul (RS), também na Região Metropolitana de Porto Alegre. Lá, houve a morte repentina de 38 cisnes e patos, e o local acabou fechado para visitação.

Homens estão morrendo de “síndrome do coração partido” com o dobro da frequência das mulheres

Homem com dor no coração

A dor de um coração partido é frequentemente relatada na literatura, na música e nos filmes de Hollywood, mas, para além da ficção, ela realmente acontece e o nome técnico é cardiomiopatia de takotsubo (TC). Ocorre não só com a dor forte no peito, mas pelo enfraquecimento do coração causado por estresse físico ou emocional.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Arizona analisou dados de 199.890 pacientes nos EUA entre 2016 e 2020 para estudar a incidência da condição e chegou à conclusão de que houve um aumento, tanto para homens quanto para mulheres, nos casos de incidência do “coração partido”.

As fatalidades e complicações causadas pela doença foram relativamente altas. Isso corrobora pesquisas anteriores que sugerem que essa “síndrome do coração partido” está se tornando mais comum nos EUA. Embora a condição fosse mais comum em mulheres, a probabilidade de mortes era mais que o dobro em homens, com 11,2% dos homens morrendo em comparação com 5,5% das mulheres. A taxa geral de mortalidade foi de 6,5%.

“Ficamos surpresos ao descobrir que a taxa de mortalidade por cardiomiopatia de takotsubo foi relativamente alta, sem alterações significativas ao longo do estudo de cinco anos, e a taxa de complicações hospitalares também foi elevada”, disse o cardiologista intervencionista M. Reza Movahed, da Universidade do Arizona.

Essa diferença entre homens e mulheres pode ser causada por um pico de hormônios do estresse, desencadeado por estresse físico ou emocional. Segundo os pesquisadores, o estresse físico é mais comum em homens, o que pode explicar o maior número de mortes causadas pela condição.

O estresse físico, portanto, pode ser uma cirurgia ou uma infecção, enquanto o estresse emocional pode ser um divórcio ou a morte de um ente querido. Os pesquisadores também acreditam que diferenças no equilíbrio hormonal entre os sexos podem ter um papel nisso.

As complicações resultantes da TC incluíram insuficiência cardíaca congestiva (35,9% dos pacientes), fibrilação atrial (20,7%), choque cardiogênico (6,6%), acidente vascular cerebral (5,3%) e parada cardíaca (3,4%).

A CT é frequentemente classificada como um ataque cardíaco ou dor no peito, devido à semelhança dos sintomas. Mas os pesquisadores responsáveis pelo novo estudo esperam aumentar a conscientização sobre a condição, para que ela possa ser melhor diagnosticada e tratada de forma mais eficaz.

“Algumas complicações, como acidente vascular cerebral embólico, podem ser prevenidas com o início precoce de medicamentos anticoagulantes em pacientes com músculo cardíaco substancialmente enfraquecido ou com ritmo cardíaco irregular chamado fibrilação atrial, que aumenta o risco de acidente vascular cerebral”, diz Movahed.

O pesquisador afirma que as altas taxas de mortalidade são alarmantes e que mais pesquisas devem ser feitas para um melhor tratamento e como forma de encontrar abordagens terapêuticas para essa condição.

Adolescentes não têm apoio para lidar com redes sociais, diz pesquisa

Adolescentes utilizando aparelho celular/Arquivo/EBC

Uma pesquisa realizada em abril mostrou que 90% dos brasileiros maiores de 18 anos que têm acesso à internet acreditam que adolescentes não recebem o apoio emocional e social necessário para lidar com o ambiente digital, em especial as redes sociais. Foram ouvidos no levantamento mil brasileiros conectados de todas as regiões e classes sociais, com 18 anos ou mais.

A margem de erro é de 3 pontos percentuais para o total da amostra, considerando um intervalo de confiança de 95%.

Segundo a pesquisa, 9 em cada 10 brasileiros acreditam que os jovens não têm apoio emocional e social suficiente, enquanto 70% defendem a presença de psicólogos nas escolas como caminho essencial para mudar esse cenário.

O levantamento foi realizado pelo Porto Digital, em parceria com a Offerwise, empresa especializada em estudos de mercado na América Latina e no universo hispânico, a partir da repercussão de um seriado que abordou o lado sombrio da juventude imersa no mundo digital e o abismo entre pais e filhos.

Para 57% dos entrevistados, o bullying (agressão intencional e repetitiva, que pode ser verbal, física, psicológica ou social, para intimidar uma pessoa) e violência escolar são um dos principais desafios de saúde mental. Também estão entre os principais desafios atualmente enfrentados pelos jovens a depressão e a ansiedade (48%) e a pressão estética (32%).

“O cuidado com a juventude deve ser um compromisso compartilhado, que envolve escolas, famílias, empresas e governos. Essa pesquisa evidencia que não basta discutir inovação tecnológica – é preciso humanizá-la e colocá-la a serviço da sociedade”, disse. “O futuro da inovação está diretamente ligado à forma como cuidamos dos nossos jovens. Não basta impulsionar avanços tecnológicos — é fundamental criar pontes entre a tecnologia e a transformação social real”, afirmou.

A pesquisa mostra que uma das ferramentas usadas pelos pais é o controle do tempo de navegação na internet. Segundo o estudo, entre crianças de até 12 anos, o controle tende a ser mais rígido e constante, inclusive com o uso de mecanismos de monitoramento. No entanto, apenas 20% dos pais responderam que pretendem usar futuramente alguma ferramenta de controle.

Já entre os adolescentes de 13 a 17 anos, a supervisão tende a diminuir. Os pais ainda acompanham, mas de forma mais flexível, permitindo maior autonomia.

Para o diretor-geral da Offerwise, Julio Calil, o cenário mostra a necessidade de desenvolvimento de espaços de acolhimento e orientação, tanto para os pais quanto para os filhos, como alternativas para proteção no ambiente digital.

“Os resultados da pesquisa nos mostram que a população enxerga a necessidade de um esforço conjunto para criar espaços mais seguros e de apoio nas escolas, especialmente diante do uso precoce e intenso das redes sociais”, apontou.

Plataformas

Recentemente, as principais plataformas digitais modificaram suas regras para restringir ou excluir a moderação de conteúdos publicados na internet, dificultando a identificação de contas ou publicações com conteúdos considerados criminosos.

Para o professor adjunto de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco, Luciano Meira, tal decisão parece priorizar interesses comerciais e políticos dos proprietários das redes.

“Essa decisão diminui a responsabilidade social das big techs, das corporações, das organizações controladoras das plataformas. Isso tem um impacto direto na proliferação de ódio, desinformação, conteúdos prejudiciais em diversas camadas, especialmente, entre populações vulneráveis. Muito jovens ficam mais expostos a conteúdos inadequados sem essa moderação e, claro, quando se trata de desinformação, isso ataca instituições e a própria democracia”, avaliou.

Na outra ponta, o Supremo Tribunal Federal (STF) está julgando a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), segundo o qual, provedores, websites e redes sociais só podem ser responsabilizados por conteúdo ofensivo ou danoso postado por usuários caso descumpram uma ordem judicial de remoção.

Ph.D. em educação matemática pela Universidade da Califórnia e mestre em psicologia cognitiva, Meira pontua que a ausência de uma decisão sobre o tema pode levar a uma potencial sobrecarga judicial.

“Pode haver um aumento considerável de casos judiciais justamente pela falta dessas ações preventivas. Então, é possível preservar a liberdade de expressão com moderação responsável. A meu ver, o posicionamento é uma rediscussão do Artigo 19 do Marco Civil da Internet para fortalecer o que seria a proteção social, não só de crianças e jovens, mas de avaliar o que se faz com o grupo de idosos hoje, vulnerabilizados por todo um conjunto de ataques, de cooptação a determinados tipos de ideologia”, acrescentou.

Além disso, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2.630 de 2020, conhecido como PL das Fake News, principal proposta de regulação das plataformas digitais. O texto já foi aprovado pelo Senado e está travado na Câmara dos Deputados. A proposta trata da responsabilidade civil das plataformas e também tem elementos de prevenção à disseminação de conteúdos ilegais e danosos a indivíduos ou a coletividades.

“Regular essas plataformas é vital para que tenhamos a manutenção de um espaço social online, produtivo e saudável para todas as pessoas – principalmente jovens e crianças que têm menos mecanismos individuais de proteção”, afirmou. “Aqueles que defendem a desregulamentação total das redes certamente têm uma uma ideia frágil e inconsistente do que é liberdade. Uma liberdade restrita sem controle social destrói, degenera as bases da nossa capacidade de construir e de fazer evoluir uma civilização. Então, claramente, a autorregulação é insuficiente, especialmente em se tratando de empresas que buscam lucro através, por exemplo, da publicidade, do comércio, enfim, as grandes plataformas, as big techs”, alertou.

Enquanto não há uma decisão sobre o tema, o professor considera necessário construir um ambiente de confiança, na escola, na família e nos demais espaços onde crianças e jovens são acolhidos para evitar que crianças e adolescentes acabem sendo submetidos a situações de disseminação de ódio e bullying, entre outras.

“O principal é a construção da confiança entre as pessoas. Sem a construção desses laços, desse relacionamento baseado na confiança, qualquer dessas estratégias não terá os efeitos desejados. A primeira orientação é estabelecer um diálogo aberto. Então, pais, mães, filhos e filhas, eles têm que, de alguma forma, estabelecer, manter, ou evoluir essa interlocução confiante.

De acordo com Meira, esse ambiente propicia a realização de conversas sobre os riscos online e também sobre a forma como se dão os relacionamentos com e nas redes sociais. “Eu entendo que essas são conversas íntimas que, baseadas na confiança, podem progredir de forma saudável”, afirmou.

Outro ponto defendido pelo professor é o estabelecimento de limites claros sobre o uso da internet e de redes sociais como, por exemplo, de tempo e de tipos de relacionamento.

“Isso não vai ser realizado, não vai ser cumprido se não existir um diálogo aberto em que crianças e adolescentes entendam que existem conteúdos inadequados e que precisam ter senso crítico, ter seu pensamento e formas de raciocínio. No entanto, nessa faixa etária, eles simplesmente ainda não conseguem capturar os riscos. Por isso, precisam de um adulto que tenha pelo menos uma intuição mais apurada para identificar formas de cyberbullying, de exposição excessiva, de conteúdos inadequados, de contato com estranhos entre outros tipos de relacionamentos”, disse.

Luciano Meira ressalta que pais e responsáveis tendem a simplesmente restringir ou proibir o uso de redes sociais, sem um diálogo consistente sobre o porquê da decisão.

“Sinto dizer que os responsáveis o proíbem de uma forma muito autocrática e que talvez não surta efeito, porque não se tem controle absoluto sobre o que acontece na vida de absolutamente ninguém. Você pode estabelecer uma forma de monitoramento participativo, em que busca conhecer, e esse monitoramento pode ser apoiado, do ponto de vista técnico, inclusive por softwares, com aplicações computacionais que você instala no notebook, no computador de mesa ou no dispositivo móvel dessa criança ou jovem para ter acesso ao que está acontecendo nesses dispositivos”, sugeriu.

Por fim, o professor afirma defende que não se deve deixar de lado o mundo real e exemplifica com a legislação que proíbe o uso de celulares nas escolas.

“Mais recentemente, as escolas têm visto alguma movimentação em torno das crianças voltarem a construir relações no mundo físico. Por exemplo, ao proibir o uso de dispositivos nas escolas, convidam as crianças para uma existência que é também offline. No final das contas, um equilíbrio é necessário entre esses mundos para que no final a gente tenha a construção de relacionamentos sociais mais duradouros e que ganhe sustentação na confiança entre as pessoas e não apenas em algoritmos”, concluiu.

Lula sanciona lei que obriga cirurgia de lábio leporino no SUS


O projeto de lei foi aprovado pelo Congresso no início de abril (foto: Reprodução/SES)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que obriga a oferta de cirurgia reconstrutiva de lábio leporino ou fenda palatina no Sistema Único de Saúde (SUS). O texto, publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (7), prevê ainda o tratamento pós-cirúrgico, abrangendo serviços de fonoaudiologia, psicologia, ortodontia e outros necessárias para a recuperação integral do paciente.

A nova lei também ampara os recém-nascidos.

“Quando o lábio leporino for diagnosticado no pré-natal ou após o nascimento, o recém-nascido será encaminhado tempestivamente a centro especializado para iniciar o acompanhamento clínico e para programar a cirurgia reparadora”, diz a Lei nº 15.133/2025.

Caso o paciente necessite de reeducação oral, deverá ser disponibilizado, gratuitamente, fonoaudiólogo para auxiliá-lo nos exercícios de sucção e de mastigação e no desenvolvimento da fala. Além disso, ele poderá ser assistido, sem custos, por um ortodontista, a quem caberá decidir sobre implante dentário e adoção de aparelhos ortodônticos no tratamento.

O projeto de lei foi aprovado pelo Congresso no início de abril. Na ocasião, o relator do texto na Câmara, deputado Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO), lembrou que cerca de 15 crianças nascem, por dia, com essa malformação no Brasil. “Quanto mais tarde a criança demora para operar, mais problemas acarreta do ponto de vista de desenvolvimento, alimentação, infecções e bullying”, afirmou.

Para Alexandrino, embora o tratamento possa ser interpretado como já garantido pela Constituição, a nova lei explicita e fortalece esse direito.

Brasil deve chegar a 635 mil médicos em 2025 e pela primeira vez as mulheres são maioria

 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Até o fim de 2025, o Brasil deve registrar 635.706 médicos em atividade %u2013 uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes. O número permanece abaixo do recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que são 3,7 profissionais por mil habitantes.

Dados do estudo Demografia Médica 2025, lançado nesta quarta-feira (30), mostram ainda que, pela primeira vez na história, as mulheres passarão a representar a maioria dos médicos atuantes no país, somando 50,9% do total de profissionais em atividade em solo brasileiro.

A projeção para 2035 é que o montante de médicos atuando no Brasil supere a marca de 1 milhão e chegue a 1.152.230 %u2013 uma média de 5,2 profissionais por mil habitantes. Além disso, a expectativa é que, em dez anos, as mulheres respondam por 55,7% desse do total de médicos em atividade no país.

O levantamento é conduzido há 15 anos pelo departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB). A edição de 2025 é a primeira realizada com o apoio do Ministério da Saúde.

A pesquisa reúne dados nacionais e internacionais sobre formação, distribuição e atuação de médicos, com projeções para os próximos anos. Os dados utilizados têm como base registros da Comissão Nacional de Residência Médica, do Ministério da Educação, e de sociedades de especialidades vinculadas à AMB.

Desigualdades

De acordo com o estudo, as desigualdades na distribuição de médicos pelo país persistem. O levantamento mostra que 48 cidades com mais de 500 mil habitantes concentram 31% da população brasileira e 58% dos médicos em atividade em todo o território nacional.

Ao mesmo tempo, 4.895 cidades com menos de 50 mil habitantes e que também concentram 31% da população brasileira contam com apenas 8% destes profissionais.

Além disso, 19 macrorregiões em saúde distribuídas pelo território nacional contam com menos de um médicos por mil habitantes, enquanto outras 15 macrorregiões registram uma média de mais de 4 médicos por mil habitantes.

Em 2035, a projeção é que o Distrito Federal, por exemplo, contabilize 11,83 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,11 médicos por mil habitantes, e por São Paulo, com 7,17 médicos por mil habitantes.

No mesmo prazo de dez anos, o Maranhão deve registrar uma média de apenas 2,43 médicos por mil habitantes, seguido pelo Pará, com 2,56 médicos por mil habitantes, e pelo Amapá, com 2,76 médicos por mil habitantes.

Expansão da graduação

Os dados mostram que, entre 2004 e 2013, 92 novos cursos de medicina foram registrados no país, com 7.692 novas vagas. Já o período de 2014 a 2024 contabilizou 225 novos cursos de medicina em todo o Brasil, com 27.921 novas vagas.

Também foram registradas novas vagas em cursos de medicina já existentes %u2013 697 no período de 2004 a 2013 e 11.110 entre 2014 e 2024.

Residência médica

A pesquisa indica que as vagas de residência médica não acompanham a graduação %u2013 em 2024, cerca de 8% dos médicos do país cursavam algum programa de residência médica em 2024.

Os dados mostram que 51,5% dos médicos aguardam até um ano após a graduação para ingressar na residência médica; 22,1% até dois anos; 12,5% até três anos; 9,2% até cinco anos; e 4,7% mais de cinco anos.

Médico generalistas

Do total de 597 mil médicos em atividade no Brasil em 2024, 59,1% ou 353.287 eram especialistas, enquanto 40,9% ou 244.142 eram generalistas.

Os homens são maioria em 35 das 55 especialidades médicas, sobretudo em urologia (96,5%) e ortopedia e traumatologia (92%). As especialidades com maior presença feminina são dermatologia (80,6%) e pediatria (76,8%).

Entre os médicos especialistas, 50,6% se concentram em sete áreas: clínica médica (12,4%), pediatria (10%), cirurgia geral (7,8%), ginecologia e obstetrícia (7,4%), anestesiologia (4,7%), cardiologia (4,3%) e ortopedia e traumatologia (4%).

Distrito Federal e São Paulo respondem pelas maiores razões de especialistas por 100 mil habitantes (453 e 244, especificamente), enquanto Maranhão e Pará respondem pelas menores taxas no país (68 e 70, respectivamente).

Parceria com setor privado visa reduzir tempo de espera no SUS

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha (foto: Walterson Rosa/MS
)

O Ministério da Saúde vai estabelecer parcerias com a rede privada de saúde para garantir o atendimento especializado no tempo certo.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a prioridade será reduzir o tempo de espera para atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para o diagnóstico e tratamento de câncer.

Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (29), Padilha afirmou que o objetivo é “fazer as coisas acontecerem” ainda este ano.

“Para a gente dar conta de garantir o tempo adequado ao atendimento, por exemplo, da situação do câncer, que nós temos 30 dias para garantir o diagnóstico e 60 dias para iniciar o tratamento, só será possível fazermos isso se ampliarmos as parcerias com o setor privado”, disse, em conversa com a imprensa no Palácio do Planalto.

Segundo Padilha, muitos dos serviços privados têm uma capacidade ociosa que pode ser compartilhada. Além disso, amanhã (30), o Ministério da Saúde deve divulgar estudo feito com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) que mostra uma grande concentração de médicos especialistas atuando nas estruturas privadas de saúde.

“É uma verdadeira obsessão do presidente, desde o começo do seu governo, de garantir o atendimento médico especializado no tempo certo, no tempo adequado, reduzindo o tempo de espera que existe hoje no país, que é fruto de um represamento do atendimento durante a pandemia [de covid-19] e da desorganização da rede nos governos anteriores”, disse o ministro.

Com a autorização do presidente Lula, as pastas da Saúde e Casa Civil vão discutir com os demais ministérios envolvidos e trabalhar com o setor privado para impulsionar essa rede de atendimento de média e alta complexidade.

Segundo ele, “tudo que já vinha sendo programado, nós estamos acelerando”, como a entrega de equipamentos de radioterapia nos serviços em todo o país. Além disso, o governo está em tratativa com o hospital A.C.Camargo, referência em oncologia na cidade de São Paulo, para ajudar no diagnóstico de câncer para pacientes do SUS.

No ano passado, o Ministério da Saúde também lançou o Programa Mais Acesso a Especialistas. Baseada na lógica do cuidado integral do paciente, a proposta era reduzir o tempo de espera por cirurgias, exames e tratamentos no âmbito do SUS por meio do fortalecimento do SUS Digital, facilitando o acesso a informações e ampliando o potencial de atendimentos remotos.

Distúrbios do sono afetam 72% dos brasileiros

"A insônia é bem democrática. Ela pode acontecer com qualquer pessoa, a depender do estresse clínico ou do estresse social que esteja passando", explica o médico do sono Isaac Secundo (Marina Torres/DP)

A dificuldade para dormir não é incomum para a maioria dos brasileiros. Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 72% dos brasileiros sofrem de doenças relacionadas ao sono, como a apneia do sono, distúrbios comportamentais do sono e, principalmente, a insônia. Com uma imensidade de possíveis fatores causais, a insônia é caracterizada pela dificuldade/incapacidade de iniciar o sono ou não conseguir manter o sono a noite toda, pelo menos três vezes na semana, ao longo de três meses. Essa continuidade é importante para o diagnóstico porque, para ser considerado um transtorno do sono, é necessário que a rotina do paciente seja afetada.

Apesar de ser considerada democrática, atingindo qualquer pessoa, dependendo apenas do estresse clínico ou social a que ela esteja submetida, as mulheres tendem a sofrer mais com a insônia do que os homens. “São muitas as causas da insônia, mas a gente pode tentar resumir em duas causas bem importantes. Primeiro, uma causa emocional. É o paciente com ansiedade, com depressão ou o paciente passando por problemas financeiros, de relacionamento, no trabalho […] E você pode ter o que seria uma insônia não emocional, que é aquela insônia idiopática, sem causa aparente”, comenta Isaac Secundo, médico do sono do Hospital Jayme da Fonte.

Ainda segundo o especialista, existem três tipos: a “insônia inicial” – a famosa dificuldade de pegar no sono –, a “intermediária”, na qual a pessoa consegue dormir mas desperta ao longo da noite e a “insônia tardia”, em que a pessoa acorda mais cedo do que idealizava. Uma forma eficaz de evitar a doença é a prática da chamada “higiene do sono”: ter uma rotina para dormir, praticar meditação e ficar em ambientes mais escuros e aconchegantes antes de dormir. Também ajuda, à noite, evitar ao máximo o uso de telas, a realização de atividades físicas vigorosas, refeições muito pesadas e o consumo de alimentos que podem provocar insônia, como café, chá preto e energéticos.

A insônia é só um dos diversos distúrbios do sono existentes e ela pode ser tanto a doença quanto o sintoma. O diagnóstico da insônia é clínico e, geralmente, não envolve a realização de nenhum exame, mas é imprescindível que o diagnóstico seja feito por um médico do sono. “Só há um tratamento correto quando você tem um diagnóstico correto”, finaliza Secundo.

Próximo ao marco de 70 anos, o Hospital Jayme da Fonte é um moderno complexo hospitalar, com mais de 200 leitos, UTIs completas e certificadas, e serviços de urgência e emergência 24h, com atendimento a diversos convênios, entre eles o TRT6 Saúde, GEAP, Cassi. Dispõe, ainda, de um completo centro de diagnóstico por imagem e uma rede ambulatorial com diversas especialidades.

Brasil ultrapassa marca de 1 milhão de casos de dengue neste ano

Brasil ultrapassa marca de 1 milhão de casos de dengue em 2025, com 681  mortes - ISTOÉ Independente

O Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de casos de dengue neste ano. De acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses, o País registrou 1.019.033 casos prováveis desde o dia 1º de janeiro. Segundo o painel, há 681 mortes pela doença neste ano. Além dessas, há 714 óbitos em investigação.

Apesar da marca de um milhão de casos, o número de ocorrências é bem menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em 2024, foram notificados 4.013.746 até a 15ª semana epidemiológica, em abril. Na época, havia 3.809 mortes pela doença.

O coeficiente de incidência da doença no país dá a dimensão da diferença de cenário neste ano em comparação com o do ano passado. Enquanto neste ano o coeficiente de incidência é de 479 4 casos a cada 100 mil pessoas, no ano passado o índice era de 1888,1 casos a cada 100 mil.

Os dados do Ministério da Saúde mostram que 55% dos casos prováveis da doença acometeram mulheres, e 45% ocorreram entre os homens.

São Paulo tem maior incidência

O Estado com maior índice de incidência da doença é São Paulo. No território paulista, a taxa é de 1285,2 casos a cada 100 mil habitantes. Até o momento, há 590.850 casos prováveis de dengue no Estado.

Em segundo lugar em termos de índice de incidência aparece o Acre, com 888,6 casos prováveis a cada 100 mil habitantes. No total, há 7.825 casos no Estado.

Considerando números absolutos, Minas Gerais ocupa o segundo lugar no ranking, com 111.096.

No início do mês, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) mostrou aumento do número de internações em estabelecimentos privados.

A entidade realizou um levantamento junto a 97 hospitais privados entre os dias 25 de março e 7 de abril, e 89% deles reportaram o aumento.

Em 76% dos hospitais, as internações em UTI subiram até 5%. Em 79%, o tempo médio de internação nas unidades de terapia intensiva variou entre cinco e 10 dias.

Ministério da Saúde amplia ações

Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde ampliou para 312 o número de municípios prioritários para o combate à doença em 21 Estados.

“Distribuímos seis milhões de testes rápidos, além de insumos para diagnóstico laboratorial e controle do vetor. Já foram realizados mais de 650 mil exames laboratoriais pelos LACENs, que são laboratórios estaduais apoiados pelo ministério. E onde houver necessidade, a Força Nacional do SUS será acionada”, afirmou em nota a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão.

Vacina

Em fevereiro, o governo federal anunciou que mais de 60 milhões de doses da primeira vacina 100% nacional contra a dengue serão ofertadas anualmente a partir de 2026.

A produção da vacina será viabilizada por uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa WuXi Biologics, com investimento previsto de R$ 1,26 bilhão.

Anvisa torna obrigatória a retenção de receita para a venda de canetas emagrecedoras

Além do Ozempic, Wegovy e Saxenda também serão afetados pela decisão (foto: Joel Saget/AFP)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta quarta-feira (16) tornar obrigatória a retenção de receita médica na venda das chamadas canetas emagrecedoras como Ozempic, Saxenda e Wegovy. Os medicamentos são prescritos para pacientes com diabetes tipo 2 e também são usados por quem deseja perder peso.

A partir de agora, as farmácias deverão reter o receituário no ato da compra pelo consumidor. Antes da decisão, a venda era feita somente com a apresentação da receita.

A medida foi tomada pela Anvisa durante reunião da diretoria colegiada do órgão. Por unanimidade, a agência entendeu que a retenção é necessária para aumentar o controle do uso desses medicamentos e proteger a saúde coletiva do “consumo irracional” dos emagrecedores.

Para serem aceitas nas drogarias, as receitas deverão ter validade de 90 dias e possuírem duas vias. Os estabelecimentos deverão registrar o receituário no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC).

Eventos adversos

A decisão da Anvisa entrará em vigor 60 dias após a publicação da medida, que deve ocorrer nos próximos dias.

De acordo com a agência, a restrição foi aprovada após a constatação de um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso indiscriminado dos emagrecedores.

Os efeitos ocorrem principalmente em pessoas que decidiram usar as canetas apenas com finalidade estética, sem acompanhamento médico.

Uso indiscriminado

A retenção do receituário médico é defendida por entidades da área da saúde. No fim do ano passado, as sociedades brasileiras de Endocrinologia e Metabologia e de Diabetes divulgaram uma carta aberta defendendo a retenção de receita para a venda dos agonistas de GLP-1, nome técnico das canetas emagrecedoras.

Para as entidades, o uso indiscriminado gera preocupações quanto à saúde da população e ao acesso dos pacientes que realmente necessitam do tratamento.

De acordo com especialistas, o uso de emagrecedores sem acompanhamento médico e com a dosagem inadequada pode provocar náuseas, distensão abdominal, constipação ou diarreia.

O uso incorreto também pode agravar transtornos psicológicos e alimentares.

Diretor do Butantan fala em erradicar chikungunya no Brasil com vacina

O imunizante, produzido pelo Instituto Butantan em parceria com a Valneva (Crédito: Agência Brasil)

A aprovação da vacina contra a chikungunya, anunciada nesta segunda-feira (14/4) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dá esperança de que a doença seja erradicada no Brasil.

O imunizante, produzido pelo Instituto Butantan em parceria com a Valneva, é o primeiro desenvolvido para o combate à doença. Ao Metrópoles, o diretor de Assuntos Regulatórios e Qualidade do Butantan, Gustavo Mendes, explicou que, caso a imunização da população seja realizada de forma eficiente, a medida poderá levar à erradicação da chikungunya.

“Os dados de eficácia da vacina são bastante robustos, são dados bastante promissores. A chikungunya é uma doença que tem esse perfil de surtos em regiões específicas. E a nossa expectativa é que a gente consiga proteger a população, inclusive antecipando para que esses surtos não aconteçam. A nossa esperança é que a gente consiga tornar a chikungunya uma doença que não circule mais”, disse Gustavo Mendes.

Anvisa aprova vacina contra chikungunya do Butantan e Valneva

Vvacina contra chikungunya foi desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva — Foto: Reprodução/Governo de SP

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (14), o pedido para registro definitivo da vacina contra a chikungunya encaminhado pelo Instituto Butantan, em parceria com a empresa farmacêutica Valneva. O imunizante está autorizado a ser aplicado no país na população acima de 18 anos.

A vacina foi avaliada nos Estados Unidos em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos, sendo que 98,9% dos participantes do ensaio clínico produziram anticorpos neutralizantes, com níveis que se mantiveram robustos por ao menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet, em junho de 2023.

O imunizante contra a chikungunya já recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, e da European Medicines Agency (EMA), da União Europeia. Esta é a primeira vacina autorizada contra a doença.

Segundo o governo de São Paulo, ao qual o instituto é vinculado, o parecer favorável da Anvisa representa um importante passo na aprovação de uma versão do imunizante do Butantan, que já está em análise pela agência reguladora. As duas vacinas têm praticamente a mesma composição.

Ainda de acordo com o governo estadual, o Instituto Butantan está trabalhando em uma versão com parte do processo realizado no Brasil. O imunizante será adequado à possível incorporação no enfrentamento da doença em nível de saúde pública.

A chikungunya é uma doença viral transmitida por meio da picada de mosquitos Aedes aegypti infectados – os mesmos que transmitem dengue e Zika. Os principais sintomas são febre de início repentino (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e punhos. Pode acontecer também dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Alguns pacientes podem desenvolver dor crônica nas articulações.