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Venezuela avança em anistia histórica após quase três décadas de chavismo

Assembleia Nacional da Venezuela/PEDRO MATTEY/AFP

O Parlamento da Venezuela deu nesta quinta-feira (5) o primeiro passo para a aprovação de uma lei histórica de anistia, que abrange os 27 anos do chavismo e excluirá “violações graves” dos direitos humanos.

A “Lei de Anistia para a Convivência Democrática” é uma iniciativa da presidente interina, Delcy Rodríguez, que a chamou de lei “para a paz e reconciliação”.

A Assembleia Nacional aprovou por unanimidade a primeira discussão do texto, que segue uma consulta pública prévia ao debate final artigo por artigo, ainda sem data prevista.

Pedimos perdão e temos que perdoar também“, disse o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, em sessão na qual os deputados pediram a reconciliação, em um país polarizado.

‘Reencontro’

A AFP teve acesso ao esboço do projeto de lei, que pode mudar após as consultas. O texto abarca os acusados por “traição à pátria”, “terrorismo” e “instigação ao ódio”, crimes atribuídos a presos políticos durante esse período. Inclui da sublevação a punições por mensagens em redes sociais ou serviços de mensagens instantâneas.

É o “início de uma nova etapa histórica neste país, de uma etapa de reencontro (…) onde, ao final, possamos alcançar a paz“, disse o deputado opositor Tomás Guanipa. “A paz, que não é a paz do medo, da perseguição, do silêncio, mas a paz da liberdade, da democracia”.

Guanipa tem dois irmãos presos. A ONG Foro Penal informou que 383 pessoas detidas por razões políticas foram soltas como parte de um lento processo prévio ordenado por Rodríguez em 8 de janeiro.

Esta seria a segunda anistia durante o chavismo. A primeira foi aprovada pelo presidente falecido Hugo Chávez em 2007.

Não percam esta oportunidade“, pediu Delcy Rodríguez. “Estamos estendendo a mão a vocês e esperamos que, com maturidade política, saibamos enfrentar este novo desafio.

Inabilitados

A lei exclui violações graves dos direitos humanos ou crimes contra a humanidade, em “estrita obediência” da Constituição venezuelana, que já proíbe contemplar este tipo de crime em qualquer tipo de indulto ou anistia.

O Tribunal Penal Internacional (CPI) investiga possíveis crimes contra a humanidade cometidos desde 2017 na Venezuela durante o governo de Maduro.

Vai servir para que não se repita o que ocorreu no passado e para que o passado não sirva para deter ou frear processos de transição“, explicou à AFP Alfredo Romero, diretor da Foro Penal. “Não pode ser um processo de perseguição contra aqueles que gerenciavam o poder anteriormente”.

A lei inclui casos registrados pelos fatos de abril de 2002, quando Hugo Chávez foi deposto por poucos dias e a greve petroleira desse mesmo ano. Também dos detidos durante a repressão nos protestos contra o governo entre 2004 e 2024, depois da questionada reeleição de Maduro, quando mais de 2.000 pessoas foram detidas em 48 horas.

Também ampara “infrações” de juízes, promotores e outros funcionários, embora no momento não inclua reparações.

O projeto inclui a revogação de inabilitações políticas entre 1999 e 2026. A ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, foi impedida por esta via de participar das eleições de 2024 nas quais Maduro foi reeleito.

Também beneficia civis julgados por tribunais militares e estabelece “garantia de retorno” para aqueles que estão no exterior e são procurados pelas autoridades.

‘Menos arrogante’

Paralelamente ao trâmite legislativo, o governo impulsiona um novo processo de diálogo político entre o governo e uma parte da oposição distanciada da ala liderada por Machado.

Outros processos de negociação fracassaram no passado, embora uma fonte que esteve na primeira reunião tenha destacado um tom “menos arrogante” no chavismo após o ataque de 3 de janeiro, que levou à queda de Maduro e incluiu um bombardeio a Caracas e outras regiões.

Delcy Rodríguez também entregou o controle do petróleo e avança na retomada das relações com Washington.

Chefe da OTAN diz que a Europa não consegue se defender sem os EUA


Secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte

/JOHN THYS / AFP

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, afirmou hoje no Parlamento Europeu, em Bruxelas, que a Europa não consegue se defender sozinha sem os Estados Unidos.

“Se alguém aqui acha que a União Europeia, ou a Europa, conseguiria se defender sem os Estados Unidos…Continuem a sonhar. Não conseguem. Não conseguimos. Precisamos uns dos outros. A Europa não pode se defender sozinha, sem a ajuda dos Estados Unidos, e precisaria do guarda-chuva nuclear norte-americano”, disse Rutte.

Para estabelecer uma Defesa autônoma no bloco, Rutte ainda considera que seria necessário o dobro do investimento do PIB por membro. “Se quiserem realmente avançar sozinhos, esqueçam, porque nunca chegarão lá com 5% do PIB destinado a Defesa. Seriam necessários 10%. Teriam de desenvolver as suas próprias capacidades nucleares. Isso custa milhões de euros. E, nesse cenário, vocês perderiam a principal garantia da nossa liberdade, ou seja, a proteção nuclear norte-americana. Então, boa sorte”, avisou.

Entretanto, o chefe da aliança militar destacou que os EUA também precisam da OTAN, assinalando que o fato de terem ignorado a Europa após a Primeira Guerra Mundial foi um erro, que os levou a terem de se envolver na Segunda Guerra Mundial.

“E o Ártico também é prova disso. Eles precisam de segurança no Ártico, na região do Euro-atlântico e na Europa. Por isso, os EUA têm tanto interesse na OTAN como o Canadá ou os aliados Europeus. Haverá sempre uma presença convencional muito forte dos EUA na Europa”, acrescentou.

A França e a Alemanha são os países mais favoráveis a essa autonomia estratégica na Europa, porém outras nações, especialmente aquelas mais próximas geograficamente da Rússia, são mais cautelosas, por causa da sua dependência de sistemas de armas norte-americanos.

O presidente dos EUA, Donald Tump, e o secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, já alertaram que os aliados europeus precisam agora depender mais das próprias forças armadas para garantir a segurança do continente.

Os países que integram a Aliança Atlântica se comprometeram em destinar pelo menos 5% do seu PIB para gastos com segurança até 2035, incluindo 3,5% para despesas estritamente militares. Tal valor representa um compromisso considerável para muitos países, que mal atingiram 2% do seu PIB até o final de 2025, conforme um compromisso assumido a uma década atrás. “Ao se comprometerem com um investimento em Defesa de 5% do PIB, os aliados tiraram a pedra no sapato que havia nas relações com Washington. Por isso há um compromisso total dos EUA com a OTAN e com o 5º artigo”, apontou o secretário-geral, em referência a as dúvidas sobre a adoção dos EUA ao princípio da defesa coletiva.

Além disso, ao ser questionado pelos eurodeputados sobre o acordo com Tump, em Davos à margem do Fórum Econômico Mundial, a respeito da Groenlândia e que reforçará a presença da Aliança no Ártico, Rutte explicou que na reunião se chegou a um acordo relativo a dois eixos de trabalho sobre o território autônomo dinamarquês. “O primeiro é que a OTAN irá, coletivamente, assumir mais responsabilidades na defesa do Ártico. Um dos pontos centrais é ver como é que, coletivamente, podemos impedir que os russos e os chineses tenham mais acesso ao Ártico, incluindo impedir que eles tenham acesso militar e econômico à região. A Aliança Atlântica estará claramente no comando, eu mesmo estarei diretamente envolvido e vou perceber como é que a Aliança pode defender coletivamente o Ártico”, enfatizou.

O chefe da aliança militar frisou que é necessário garantir que o diálogo sobre a Groenlândia, que teve inicio há cerca de duas semanas entre os chefes da diplomacia da Dinamarca, Groenlândia e EUA, se mantenha. “Agora cabe aos dinamarqueses, groenlandeses e americanos fazê-lo. Eu não estarei envolvido nesse eixo de trabalho, concluiu.

Recentemente Trump disse que os EUA nunca precisaram da OTAN. Mas, após os atentados de 11 de setembro, os EUA foram até agora o único país da aliança a recorrer ao artigo 5º do tratado, que determina que o ataque a um membro é um ataque a todos. Os aliados na ocasião responderam se juntando à missão militar liderada pelos norte-americanos no Afeganistão.

Lula conversa com Trump e pede mudanças em Conselho da Paz

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Lula/SAUL LOEB/AFP e Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Lula sugeriu que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido pelo estadunidense. Além disso, Lula sugeriu que o conselho se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza.

O teor da conversa entre os presidentes foi divulgado pelo Palácio do Planalto, em nota. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro também reforçou a importância de uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

Ucrânia diz que acordo de segurança com os EUA esta finalizado e pronto para assinar

Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia / Ludovic MARIN / POOL / AFP)

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky informou que o documento dos Estados Unidos sobre garantias de segurança para a Ucrânia está totalmente pronto e que agora aguarda apenas a definição para a sua assinatura. O documento detalha compromissos que vão desde o suporte militar imediato até a defesa ativa contra futuras ofensivas.

“Para nós, as garantias de segurança são, antes de mais, garantias de segurança dos Estados Unidos. O documento está 100% pronto e aguardamos a confirmação dos nossos parceiros sobre a data e o local da assinatura. O documento será depois enviado para ratificação ao Congresso dos EUA e ao parlamento ucraniano. Sem estas salvaguardas, não haverá estabilidade duradoura para Kiev”, disse Zelensky.

Em contrapartida, o ex-embaixador da Ucrânia nos EUA e na França, Oleh Shamshur, considera que a falta de informações sobre o formato final das garantias de segurança da Casa Branca para a Ucrânia não é acidental, uma vez que os acordos propostos carecem de força real e são incapazes de dissuadir a Rússia.

“Não estou absolutamente convencido das questões que agora estão supostamente 100% acordadas. Elas não convencem a esmagadora maioria dos ucranianos, porque todas estas garantias são meramente no papel. Trata-se de um tigre de papel que não assustará Putin. E não é por acaso que não sabemos qual será a forma final com que essas garantias serão assinadas. Acredito que não sabemos nada precisamente porque essas são as garantias que já conhecemos e elas não são garantias reais”, indicou o diplomata.

Ao menos 80 presos políticos são libertados na Venezuela neste domingo (25), diz ONG

Instalação e prisão pertencente ao governo venezuelano e usada para prisioneiros comuns e políticos do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) /RONALDO SCHEMIDT / AFP

Pelo menos 80 presos políticos foram libertados neste domingo(25) na Venezuela, onde um processo de soltura de detidos avança a conta-gotas sob pressão de Washington, informou a ONG Foro Penal.

O governo de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, prometeu um “número importante” de libertações.

A oposição e ONGs defensoras de direitos humanos denunciam, no entanto, a lentidão no processo. Familiares aguardam do lado de fora dos presídios e passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos saírem das celas.

“Pelo menos 80 presos políticos que estamos verificando foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram mais solturas”, escreveu o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na rede social X.

O advogado Gonzalo Himiob, também do Foro Penal, afirmou que as libertações ocorreram durante a madrugada. “Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que fizermos mais verificações”, acrescentou no X.

O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, número que o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pedirá para verificar, disse Rodríguez na sexta-feira.

O total oficial contrasta com relatórios de ONGs. O Foro Penal contabiliza cerca da metade no mesmo período.

Essa ONG e outras organizações de direitos humanos estimam que a Venezuela tenha entre 800 e 1.200 presos políticos.

Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% caso faça acordo comercial com a China

Presidente dos EUA, Donald Trump/MANDEL NGAN / AFP

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou neste sábado (24) impor “tarifas de 100%” sobre as importações canadenses para os Estados Unidos caso um acordo comercial entre Canadá e China seja finalizado, após um pacto preliminar anunciado na semana passada entre Ottawa e Pequim.

As relações entre os Estados Unidos e seu vizinho do norte têm sido turbulentas desde que Trump retornou à Casa Branca há um ano, marcadas por disputas comerciais e pela intenção declarada do presidente de anexar o Canadá como “o 51º estado” dos Estados Unidos.

Durante uma visita a Pequim na semana passada, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, celebrou uma “nova parceria estratégica” com a China, que resultou em um “acordo comercial preliminar, mas histórico” para reduzir as tarifas.

Neste sábado, Trump alertou para sérias consequências caso esse acordo se concretize.

Se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

“Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, alertou.

Os dois líderes afiaram suas armas retóricas nos últimos dias, começando com o discurso de Carney na terça-feira no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde ele recebeu uma ovação de pé por sua avaliação franca de um “colapso” na ordem global liderada pelos EUA.

Seu comentário foi visto como uma referência à influência disruptiva de Trump nos assuntos internacionais, embora Carney não tenha mencionado o presidente americano.

Trump respondeu a Carney um dia depois, em seu próprio discurso em Davos. Ele então retirou o convite feito ao primeiro-ministro canadense para se juntar ao seu “Conselho da Paz”, o órgão através do qual o americano busca resolver conflitos globais.

Segunda reunião trilateral entre EUA, Ucrânia e Rússia termina sem resolução sobre guerra

Representantes de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se reúnem em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, no dia 24 de janeiro de 2026 para discutir o fim da guerra — Foto: Governo dos Emirados Árabes Unidos/Reuters

A segunda rodada de conversas trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia terminou neste sábado (24), em Abu Dhabi, sem acordo concreto para o fim do conflito, mas com a expectativa de continuidade das negociações.

Em sua conta oficial no X, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky classificou as conversas como “construtivas”. O mesmo termo foi utilizado por fontes dentro do governo dos Emirados Árabes Unidos à AFP (Agence France-Presse).

“Este foi o primeiro encontro dentro desse formato em bastante tempo: dois dias de reuniões trilaterais. Muitos temas foram discutidos, e é importante que as conversas tenham sido construtivas. O foco central das discussões foi os possíveis parâmetros para o fim da guerra. Valorizo muito a compreensão da necessidade de monitoramento e supervisão dos Estados Unidos no processo de encerramento da guerra e de garantia de uma segurança real”, disse Zelensky.

Antes mesmo do primeiro dia de conversas, o presidente ucraniano já havia dito que a questão territorial — incluindo a possível concessão da região ucraniana do Donbass — seria o ponto central das negociações.

Ainda segundo Zelensky, uma nova rodada de conversas deverá começar já na próxima semana, informação também compartilhada por fontes à AFP.

“Os representantes militares identificaram uma lista de temas para uma possível próxima reunião. Havendo disposição para avançar — e a Ucrânia está pronta — novas reuniões ocorrerão, possivelmente já na próxima semana. Espero um briefing pessoal da delegação assim que retornar”, completa o presidente ucraniano.

A delegação ucraniana estava representada pelo Ministro da Defesa, Rustem Umerov, o líder do governo no parlamento ucraniano, o vice-chanceler ucraniano e militares de alta patente.

Do lado americano, participaram Steve Witkoff, Jared Kushner, Dan Driscoll, Alexus Grynkewich e Josh Gruenbaum. O lado russo, por sua vez, estava representado por integrantes da inteligência militar e das forças armadas.

Chavistas vão às ruas de Caracas para pedir libertação de Maduro

Manifestação em Caracas (PEDRO MATTEY / AFP)

Milhares de apoiadores de Nicolás Maduro marcharam nesta sexta-feira (23) em Caracas pela libertação do presidente deposto, justamente no dia em que se comemoram 68 anos da queda da ditadura militar na Venezuela.

Forças americanas capturaram Maduro e a esposa, Cilia Flores, em uma operação militar em 3 de janeiro. Delcy Rodríguez, que era sua vice-presidente, governa desde então de forma interina, sob fortes pressões de Washington.

O chavismo tem mobilizado suas bases quase todos os dias na capital. Nesta sexta-feira, 23 de janeiro, saiu às ruas em comemoração à queda da ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez, em 1958, e com a reivindicação persistente de ver livres Maduro e a esposa, que enfrentam um julgamento por narcotráfico em Nova York.

“Nós os queremos de volta”, lia-se em uma faixa gigante estendida perto da Praça O’Leary, no coração de Caracas, onde foi montado um palanque e se concentravam várias centenas de manifestantes, muitos com guarda-chuvas e capas de chuva para se proteger do tempo.

Ao som de música, Marlene Blanco compareceu para celebrar “mais um aniversário da derrubada de Pérez Jiménez” e, ao mesmo tempo, pedir a liberdade de Maduro e Flores.

A captura deles “foi algo ilegal, algo injusto”, reclamou.

“Nosso maior triunfo nestes dias será trazer de volta o presidente Maduro e Cilia”, disse à televisão estatal o poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, cercado por manifestantes.

Janeth Estancio aguarda esse momento com esperança. “O dia em que eles nos devolverem [Maduro] será uma grande festa nacional”, prevê essa funcionária da prefeitura de Caracas, de 57 anos.

Enquanto isso, a presidente interina deu uma guinada na relação com Washington, com acordos petrolíferos e a libertação de presos políticos. O presidente Donald Trump chegou inclusive a convidar Rodríguez para uma reunião na Casa Branca, em data ainda a ser definida.

Blanco considera que Rodríguez, que assumiu totalmente as rédeas do governo, tem uma “tarefa muito difícil”.

“Mas ela soube cumpri-la porque [Maduro e ela] são da mesma escola, ela também luta pela nossa revolução”, assegura a contadora de 65 anos.

Cabello reafirmou na marcha que Delcy Rodríguez “tem todo o apoio do partido” no poder “para seguir avançando”.

“Trump quer criar nova ONU”, diz Lula sobre Conselho de Paz

Presidente dos EUA, Donald Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva/AFP e Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (23) que a política mundial atravessa um momento crítico, “com o multilateralismo sendo jogado fora pelo unilateralismo”. Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula disse que a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo rasgada e criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

“Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos países [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de México, do Brasil, de países africanos… E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou Lula.

O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para compor conselho da Paz, que será criado para supervisionar o trabalho de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).

Lula disse ainda que está telefonando para vários líderes mundiais para discutir o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

“Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”, pontuou.

O presidente voltou a criticar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama, deputada Cilia Flores.

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”, disse.

Citando os Estados Unidos, Cuba, a Rússia e a China, como exemplos, Lula disse ainda que o Brasil não tem preferência de relação com qualquer país, mas que não vai aceitar “voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”.

O presidente também criticou a postura de Trump, que, segundo ele, toda vez que aparece na televisão se gaba de ter o exército e as armas mais poderosas do mundo. Lula disse querer fazer política na paz, no diálogo e não aceitando imposição de qualquer país.

“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.

Cúpula extraordinária da União Europeia avalia situação com os EUA

Conselho Europeu/FREDERICK FLORIN/AFP

Os líderes da União Europeia se reúnem hoje para analisar os avanços e recuos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump em relação à Groenlândia. Considerando a ainda frágil confiança transatlântica, a reunião da UE deve determinar agora a posição dos líderes europeus diante da crise com os EUA.

“Quando a Europa não está dividida, quando se mantém unida, quando é clara e firme, incluindo na vontade para se defender, os resultados aparecem. Acho que aprendemos algo nos últimos dias e semanas e agora claro que queremos encontrar uma solução sobre a Groenlândia”, apontou Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca na chegada à reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Frederiksen também destacou que pediu à OTAN para estar mais presente no Ártico, considerando que é uma vontade compartilhada por todos os membros da Aliança, e defendeu que é importante haver uma presença permanente na região, incluindo à volta da Groenlândia. “Queremos reforçar a segurança no Ártico através de iniciativas importantes, incluindo uma missão mais permanente da OTAN na Groenlândia e uma maior presença militar e mais manobras. Vamos discutir numa maneira mais tradicional, política e diplomática com os Estados Unidos, no âmbito da nossa relação bilateral. Acho que é claro para todos que nós somos um Estado soberano e isso não é negociável, porque é uma parte básica dos valores democráticos, mas claro que podemos discutir com os EUA como é que podemos reforçar a nossa cooperação em termos de segurança na região do Ártico”, disse.

Em Davos, Trump declarou que não usará a força para tomar a ilha ártica, anunciou também um projeto de acordo alcançado com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sobre a Groenlândia, e que não serão aplicadas as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra oito países europeus. Trump parece ter recuado no tom, mas ainda mantém o discurso de coerção.

Mas, Frederiksen já se pronunciou sobre se cederia alguma parte do território da Groenlândia aos EUA para a ampliação de bases militares. “A soberania da Dinamarca não pode ser questionada. Isso não pode ser alterado. Estamos disponíveis para trabalhar juntos sobre segurança, como sempre fizemos, mas as nossas linhas vermelhas são que os nossos valores democráticos não podem ser questionados”, indicou.

Por sua vez, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, garantiu desconhecer o que Trump e Rutte decidiram no projeto de acordo da ilha autônoma dinamarquesa. “Ninguém além da Groenlândia e da Dinamarca tem autoridade para fazer acordos sobre a ilha e o Reino da Dinamarca”, reiterou.

Enquanto isso, o Parlamento europeu suspendeu na quarta-feira (21), por tempo indeterminado, o processo de ratificação do acordo comercial que havia sido estabelecido entre a União Europeia e os Estados Unidos. O presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que não haverá qualquer avanço enquanto persistirem ameaças à Groenlândia.

Delcy Rodríguez anuncia primeiro repasse de US$ 300 milhões pela venda de petróleo aos EUA

Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez/FEDERICO PARRA / AFP

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou nesta terça-feira (20) a entrada dos primeiros 300 milhões de dólares (R$ 1,6 bilhões) provenientes da venda de petróleo venezuelano por parte dos Estados Unidos, destinados a tentar estabilizar o mercado cambial.

Os Estados Unidos atacaram a Venezuela em 3 de janeiro passado e derrubaram Nicolás Maduro, que agora enfrenta a Justiça nos Estados Unidos sob acusações de narcotráfico. Desde então, Washington controla a venda do petróleo venezuelano e acordou uma primeira liberação do valor arrecadado de 500 milhões de dólares, depositados em um fundo no Catar.

“Entraram, como resultado da venda do petróleo, 300 milhões dos 500 milhões de dólares [totais]. Eles irão para financiar a renda dos trabalhadores e proteger o poder de compra [dos venezuelanos] da inflação, proteger do impacto negativo das oscilações no mercado cambial”, disse Rodríguez em um pronunciamento transmitido pelo canal estatal VTV.

Os recursos serão transferidos para um punhado de bancos venezuelanos, que os destinarão a empresas de setores essenciais. A injeção busca compensar um mercado cambial que ficou por meses desprovido de divisas e estabilizar o preço do dólar em uma economia altamente dolarizada.

“Esses primeiros recursos serão utilizados por meio do sistema bancário nacional e do Banco Central da Venezuela justamente para estabilizar o mercado cambial”, acrescentou Rodríguez.

A economia venezuelana tem apresentado uma forte instabilidade cambial, que levou o preço do dólar paralelo a ficar até 100% acima da taxa de câmbio oficial.

Parlamento venezuelano anuncia ampla reforma legislativa após queda de Maduro

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez (FEDERICO PARRA/AFP)

O Parlamento venezuelano anunciou nesta terça-feira (20) uma ampla reforma da legislação, em um novo contexto político após a deposição forçada de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

O chavismo controla a Assembleia Nacional. Seu presidente, Jorge Rodríguez, explicou que a proposta inclui a criação e a reforma de 29 leis.

A agenda inclui mudanças da Lei de Hidrocarbonetos para incentivar o investimento estrangeiro no setor petrolífero venezuelano, crucial na agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Venezuela pós-Maduro.

Trump determinou a captura de Maduro em uma incursão na Venezuela que incluiu o bombardeio de Caracas e outras regiões. Anunciou após a queda que controlaria a comercialização do petróleo e incentivaria o retorno de grandes petroleiras americanas.

“É preciso que esse investimento estrangeiro seja protegido e rentável”, disse Rodríguez. “Que se mantenha de forma clara o relacionado a impostos e royalties.”

O presidente da Assembleia não adiantou detalhes da reforma, apenas que estará inspirada na chamada lei antibloqueio, um instrumento legal de 2020 que permitiu investimentos sob um véu de hermetismo para evitar as sanções que os Estados Unidos impuseram um ano antes.

Sua irmã, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder interinamente com uma aproximação de Washington, propõe de seu gabinete 12 reformas legislativas.

Muitas dessas leis já foram modificadas durante os 27 anos da chamada Revolução Bolivariana, nos quais foi estabelecido um rígido controle da economia e um aumento da pressão tributária sobre o setor privado que levou a anos de recessão.

“É nossa obrigação colaborar para a construção de uma economia forte e à prova de obstáculos, é nossa obrigação construir uma forma de prosperidade humanista”, indicou Jorge Rodríguez aos deputados. “De nada serve construir uma economia forte ou ter um aumento da atividade econômica para que alguns poucos sejam favorecidos.”

Trump diz que Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza: “Eu gosto dele”

Presidente dos EUA, Donald Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva/AFP e Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 20, que o Conselho de Paz criado por ele para a Faixa de Gaza pode eventualmente substituir as Nações Unidas.

Ainda segundo Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi convidado para o Conselho, terá um “grande papel” na entidade.

“Eu gosto dele”, disse Trump, durante uma entrevista coletiva sobre seu primeiro ano de mandato.

Trump disse ainda que o líder russo, Vladimir Putin, pode ter um papel muito grande no Conselho de Paz.

O governo brasileiro confirmou o convite, mas diz que Lula prefere avaliar as condições geopolíticas envolvendo o papel da entidade antes de tomar uma decisão.

O Conselho, anunciado na sexta-feira, terá um grupo de países permanentes, e, para ter acesso a esse assento, será preciso pagar uma taxa de US$ 1 bilhão, segundo o convite enviado pelo governo Trump.

Groenlândia não descarta intervenção militar americana e pede que população esteja preparada

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen/ Jonathan Nackstrand / AFP

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse nesta terça-feira, 20, que uma invasão americana é improvável, mas não pode ser descartada. Ele também apelou à população de cerca de 50 mil pessoas do território que pertence à Dinamarca que se prepare para esse cenário.

“Não é provável que a força militar seja usada, mas isso também não está descartado. Portanto, devemos estar preparados para todas as possibilidades”, disse Nielsen. “Enfatizamos que a Groenlândia faz parte da Otan, e, se houver uma escalada, isso também terá consequências para o mundo exterior.”

Nielsen também afirmou que a soberania da Groenlândia não está em discussão. “Se observarmos o setor de defesa, podemos ver que há muitos exercícios de países aliados e que há uma crescente tensão no Ártico. E não há dúvida de que precisamos de uma presença militar maior”, afirmou. “Mas falar sobre a posse da Groenlândia é inaceitável.”

O Pentágono não tem planos prontos para uma possível tomada militar da Groenlândia, disseram duas fontes do Departamento de Defesa. Eles falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos operacionais.

Quando questionado em uma entrevista à NBC na segunda-feira se usaria a força para tomar a Groenlândia, Trump não descartou a possibilidade.

Embora os funcionários do Pentágono preparem-se para todos os tipos de contingências militares, eles ainda não receberam ordens para planejar uma invasão da Groenlândia ou as consequências de tal operação, disseram os funcionários.

União Europeia promete ‘resposta firme’ às ameaças de Trump sobre a Groenlândia

Macron acusou os EUA de quererem

A União Europeia prometeu, nesta terça-feira (20), dar uma resposta “firme” às ameaças do presidente americano, Donald Trump, sobre a Groenlândia, antes de uma reunião em Davos acerca do futuro deste território autônomo da Dinamarca no Ártico.

Desde que retornou à Casa Branca, há exatamente um ano, Trump argumenta que “precisa” desta ilha rica em minerais e terras raras por motivos de segurança nacional e para evitar que Rússia e China imponham sua hegemonia no Ártico.

Oito países europeus manifestaram sua firme oposição a este plano expansionista e enviaram uma missão militar de exploração à ilha na semana passada. Todos são membros da Otan, entre eles Reino Unido, Alemanha e França, as principais economias do continente.

Trump reagiu, ameaçando-os com tarifas caso se oponham ao seu plano.

Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial, na estação de esqui suíça de Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que Trump poderia acabar mergulhando as relações entre a União Europeia e os Estados Unidos em uma “espiral descendente”.

“As tarifas propostas são um erro, especialmente entre aliados de longa data”, disse Von der Leyen.

“Entrar em uma espiral descendente só ajudará os adversários que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico. Portanto, nossa resposta será firme, unida e proporcional”, observou ela.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que também está em Davos, instou a UE a “usar” suas ferramentas comerciais para responder e acusou os Estados Unidos de quererem “enfraquecer e subordinar a Europa”.

Embora Macron tivesse proposto a Trump realizar uma cúpula do G7 na próxima quinta-feira, em Paris, o presidente francês disse depois que o evento não está agendado.

Em meio às tensões, o Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, segundo confirmaram seus principais grupos políticos nesta terça-feira.