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PF diz que Mendonça pode ter atuado para libertar criminosos do 8 de Janeiro

A Polícia Federal levantou a hipótese de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ter atuado para alterar a correlação de forças dentro da Corte e criar condições para uma anistia capaz de beneficiar criminosos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e na tentativa de golpe de Estado.

A avaliação aparece nos relatórios de inteligência da PF que vieram à tona após o ministro Alexandre de Moraes requisitar à corporação documentos que mencionassem integrantes do Supremo. Nesta quinta-feira (3), Moraes tornou o material público e o encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao apontar indícios contra Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Em um dos trechos mais politicamente sensíveis dos documentos, a inteligência da PF relaciona movimentos atribuídos a Mendonça a uma possível estratégia de “recomposição de forças” no Supremo.

Segundo o relatório, a hipótese considerada mais provável naquele estágio era de que esses movimentos integrassem uma estratégia mais ampla do ministro para aumentar sua influência na Corte e as chances de prevalecerem as posições do grupo político ao qual ele estaria ligado.

A PF afirma que isso ocorreria “provavelmente considerando o aumento das chances de que uma anistia ampla dos crimes cometidos no contexto da recente tentativa de golpe de Estado acabe sendo avalizada no Tribunal”.

O documento chega a organizar em etapas o raciocínio dos analistas. Uma delas sustenta que o resultado pretendido poderia incluir a “recomposição de forças no Tribunal”. Na etapa seguinte, a PF registra expressamente a hipótese de que “a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro”.

A própria Polícia Federal, entretanto, faz uma ressalva importante. Essa conclusão é descrita no relatório como um juízo “integralmente inferencial” sobre a intenção estratégica de Mendonça.

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