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Campanha de Trump lança dúvidas sobre debate contra Kamala na ABC News

Ex-presidente dos EUA e candidato republicano na eleição, Donald Trump, e vice-presidente e candidata democrata, Kamala Harris

A campanha do ex-presidente Donald Trump está lançando novas dúvidas sobre se o debate de 10 de setembro na ABC realmente ocorrerá, em meio a uma disputa sobre as regras, disse uma fonte familiarizada com o assunto à CNN.

A equipe de Trump, segundo a fonte, gostaria que os microfones estivessem silenciados durante todo o debate, exceto para o candidato que estiver na sua vez de falar, como foi o caso durante o primeiro debate com o presidente Joe Biden.

A campanha de Kamala Harris, no entanto, está solicitando que a ABC e outras redes que buscam sediar um potencial debate em outubro mantenham os microfones ligados, de acordo com um alto funcionário da campanha, marcando uma mudança em relação ao debate de junho, quando a então campanha de Biden queria os microfones silenciados, exceto quando fosse a vez de um candidato falar.

Dissemos à ABC e a outras redes que buscam sediar um possível debate em outubro que acreditamos que os microfones de ambos os candidatos deveriam estar abertos durante toda a transmissão”, disse Brian Fallon, conselheiro sênior de comunicações da campanha de Harris, em um comunicado.

Nosso entendimento é que os manipuladores de Trump preferem o microfone silenciado porque não acham que seu candidato possa atuar sozinho como presidente por 90 minutos. Suspeitamos que a equipe de Trump nem sequer contou ao seu chefe sobre esta disputa porque seria muito embaraçoso admitir que eles não acham que ele possa lidar com a situação contra a vice-presidente Harris sem o benefício de um botão de silêncio”, disse ele.

A campanha de Trump argumentou que quando concordou com o debate da ABC com Harris no topo da chapa, estava concordando com as mesmas diretrizes do debate anterior.

Chega de brincadeira. Aceitamos o debate da ABC exatamente nos mesmos termos do debate da CNN”, disse o conselheiro sênior da campanha de Trump, Jason Miller, em um comunicado.

Campanha democrata revitalizada supera republicanos em audiência na convenção

O segundo-cavalheiro, Doug Emhoff, a vice-presidente Kamala Harris, o governador de Minessota Tim Walz e sua esposa Gwen Walz, no palco na noite final da Convenção Nacional Democrata, 22 de agosto de 2024

Uma nova candidata presidencial, uma série de celebridades e uma programação elegante ajudaram a impulsionar os democratas e a vice-presidente Kamala Harris a uma vitória nos índices de audiência na Convenção Nacional Democrata desta semana, superando a audiência televisiva do encontro republicano do mês passado.

Nos quatro dias, democratas em Chicago atraíram uma média de 21,8 milhões de espectadores, segundo dados da Nielsen, eclipsando a audiência da Convenção Nacional Republicana em quase 15%.

Na última noite desta semana, o discurso de Kamala Harris foi assistido por 28,9 milhões de espectadores, superando por pouco o discurso do ex-presidente Donald Trump em Milwaukee, que atraiu 28,4 milhões de espectadores em 15 canais de televisão.

O discurso de mais de 90 minutos de Trump ocorreu apenas alguns dias após a tentativa de assassinato do candidato.

A vitória de Harris em termos de audiência foi um golpe para Trump, que é famoso por sua obsessão com os índices de audiência da televisão e o tamanho de suas multidões.

Na noite de quinta-feira (22), enquanto Kamala pronunciava seu discurso, Trump o assistia, publicando reações ao vivo em sua conta no Truth Social. Depois, ligou para a Fox News para oferecer uma refutação sinuosa.

A última noite da convenção também foi uma vitória para a MSNBC, que atraiu 6,5 milhões de espectadores, o maior número de espectadores na Convenção Democrata em quase 30 anos de história da rede.

O aumento de audiência também foi observado na ABC, com 4,2 milhões de espectadores, e na CNN, com 3,9 milhões. E embora a Fox News geralmente supere as redes de notícias a cabo na disputa pelos índices de audiência, incluindo a Convenção Republicana do mês passado, a rede de direita caiu para o quinto lugar na noite de quinta-feira (22).

Embora muitas pessoas também tenham assistido às convenções em plataformas digitais, os números de audiência de serviços de streaming como YouTube ou Twitch e os canais de acesso público como C-SPAN não são contabilizados pela Nielsen.

O entusiasmo pela candidatura de Kamala, bem como os discursos exaltados dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama, da ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, e da ex-primeira-dama, Michelle Obama, além das aparições de uma série de celebridades, incluindo Stevie Wonder, John Legend, Pink, Kerry Washington e Mindy Kaling, ajudaram a impulsionar a audiência.

A Convenção Democrata também transformou momentos normalmente sérios em espetáculos produzidos, incluindo uma versão vibrante da lista cerimonial que incluiu músicas de cada estado, bem como uma apresentação surpresa do rapper Lil Jon.

A convenção republicana do mês passado em Milwaukee ocorreu poucos dias após a tentativa de assassinato contra Trump. Embora não tenha contado com discursos de ex-presidentes, celebridades como Hulk Hogan e Kid Rock fizeram aparições de alto perfil.

No momento da Convenção Republicana, o presidente Joe Biden ainda era o candidato democrata e o partido estava em modo de crise após a desastrosa atuação de Biden no debate da CNN em junho. Diante de um aumento da pressão, Biden encerrou sua campanha no fim de semana seguinte à convenção republicana.

A audiência da convenção provavelmente também foi impulsionada pela especulação desenfreada de que a superestrela da música Beyoncé faria uma apresentação surpresa na noite final. A cantora havia dado anteriormente permissão à campanha de Harris para usar seu sucesso de 2016 “Freedom”, que foi ouvido na noite de quinta-feira quando Harris subiu ao palco.

No período que antecedeu o discurso de Kamala, as redes sociais foram inundadas com rumores sobre uma possível aparição de Beyoncé. Essa especulação chegou às principais figuras da mídia nas redes sociais e na televisão, algumas das quais também sugeriram que Beyoncé poderia fazer uma aparição surpresa.

Então, pouco antes das 20h, no horário local, o site de notícias de celebridades TMZ informou que a aparição de Beyoncé era uma certeza.

Mas duas horas depois, às 22h01, no horário local, o publicitário de Beyoncé disse ao The Hollywood Reporter que a “Queen Bey” não compareceria. Depois confirmou isso à CNN, dizendo: “Nunca foi programado que ela estivesse em Chicago”.

Uma pessoa familiarizada com o assunto disse à CNN que os funcionários da campanha e da convenção nunca haviam confirmado que Beyoncé apareceria. O TMZ, disse a pessoa, não havia entrado em contato com a campanha nem com a convenção para pedir comentários antes de publicar sua reportagem.

O TMZ não respondeu aos pedidos de comentários da CNN sobre sua história.

Mas antes do representante de Beyoncé negar publicamente que ela estivesse programada para comparecer, várias pessoas próximas aos organizadores da convenção disseram à CNN que acreditavam que a estrela de fato compareceria.

O boato sobre Beyoncé, junto com as especulações sobre Taylor Swift, circularam por semanas antes da convenção e nunca foram desmentidos formalmente pela campanha de Kamala Harris ou pela equipe de Beyoncé até o último minuto.

EUA: Kamala Harris e Donald Trump entram na reta final da campanha

Kamala Harris acena para a multidão na madrugada de ontem, ao deixar o palco da arena United Center, em Chicago: discurso histórico (Charly Triballeau/AFP)

Com o fim das convenções e a nomeação do republicano Donald Trump e da democrata Kamala Harris como candidatos à Casa Branca, a disputa pelo cargo mais importante do planeta entra em momentos decisivos. Daqui a 10 semanas e três dias, 161 milhões de norte-americanos estarão aptos a escolher o próximo presidente. As atenções se voltam para os comícios e para o debate televisivo de 10 de setembro, crucial para as pretensões de ambos. Trump passou parte da sexta-feira (23/8) publicando 37 mensagens nas quais critica o pronunciamento de Kamala, em sua rede Truth Social.

O republicano chamou a adversária de “fraca” e “ineficiente“. “Kamala disse que forjará um novo caminho adiante, mas teve três anos e meio, e nada fez, a não ser dano!”, escreveu Trump. “Ela deveria deixar o discurso, ir a Washington e fechar a fronteira.” Por sua vez, a democrata tira proveito da repercussão de seu discurso de 40 minutos, considerado por especialistas como consistente e forjado para consolidar a vitória.

De acordo com Bruce Ackerman— professor de direito da Universidade de Yale (em New Haven, Connecticut) —, Kamala Harris aproveitou para enfatizar a própria luta para se tornar uma promotora dedicada à proteção de americanos que tiveram a vida destruída pela violência. “Ela também mostrou determinação em usar sua Presidência para proteger a nova geração de abusos semelhantes. Ao contrário de Walz, a mãe de Kamala foi uma cientista distinta que fez contribuições revolucionárias para a microbiologia. Apesar de suas muitas dificuldades pessoais, ela teve condições de fornecer à Kamala muitos dos recursos culturaisnecessários parao sucesso na escola“, disse ao Correio. “Sua escolha pelo governador Tim Walz como colega de chapa expressa sua vontade de fornecer oportunidades decisivas para trabalhadores americanos sem privilégios da elite.”

Historiador político da American University, em Washington, Allan Lichtman admitiu à reportagem que o “discurso inspirador” de Kamala efetivamente a apresentou ao povo norte-americano, que sabia pouco sobre ela. “Kamala conseguiu humanizar sua história e pressoal e traçar contrastes nítidos entre ela e Donald Trump“, afirmou, por e-mail. “Ela expôs os temas que condurizão a campanha pelos próximos 75 dias: democracia versus autoritarismo, apoio aos trabalhadoes versus suporte aos ricos, direitos reprodutivos e restruções ao aborto, e segurança coletiva contra a ideia da ‘América em primeiro lugar’.”

Para Steven Greene, professor de ciência política da Universidade Estadual da Carolina do Norte, a Convenção Nacional Democrata em si e o discurso de Kamala foram “impressionantes”. O Partido Democrata está unido em torno de Harris. O trabalho dela é alcançar eleitores indecisos e republicanos descontentes, e ela fez isso“, comentou.

Por sua vez, James Naylor Green, historiador político da Universidade Brown (em Rhode Island), afirmou ao Correio que Kamala fez um discurso “muito poderoso“, ao unir a esquerda e o centro do Partido Democrata. “Há cinco menos, o partido enfrentava uma crise associada a quem seria o candidato, com Joe Biden fraco nas pesquisas. Kamala unificou as bases sem encontrar muita oposição“, declarou. “O comentário dela sobre a situação na Faixa de Gaza não vai agradar a quem se opõe à guerra, mas foi o suficiente para ela garantir uma unidade dentro dos setores mais centrais do partido. Em geral, ela sairá com muita energia para começar a campanha de base, na próxima semana, indo de casa em casa e mobilizando as pessoas para obter votos.”

Kamala Harris: como campanha com propostas vagas pode ajudá-la a vencer

Kamala Harris lançou campanha presidencial nos EUA — Foto: Getty Images/via BBC

O último mês, desde que Kamala Harris lançou sua campanha presidencial, tem sido um período sem precedentes na política americana: nunca uma campanha eleitoral moderna passou da estagnação para uma candidatura forte tão rapidamente.

Durante esse tempo, os democratas organizaram uma convenção nacional elaborada, com vídeos promocionais bem produzidos, eventos políticos e interlúdios musicais, tudo para promover a nova candidata.

Foi um teste notável de habilidade para os agentes do partido, sob extrema pressão.

Ao longo de quatro dias em Chicago – e nos comícios lotados que Harris realizou nas últimas semanas – os contornos de sua estratégia de campanha começaram a se delinear.

E não é exatamente o que se esperaria de uma vice-presidente em exercício que ocupou um cargo na Casa Branca por três anos e meio.

Harris está se esforçando para ser vista como a candidata da mudança nesta eleição. Alguém que, como disse em seu discurso na convenção na quinta-feira (22/8), pode “traçar um novo caminho para o futuro”.

Essa estratégia surge em parte da necessidade. Em todo o mundo, as democracias têm sido abaladas pela insatisfação dos eleitores.

À medida que as economias lutam para se recuperar da pandemia de covid-19, conflitos regionais fervilham e tensões sobre imigração surgem, os incumbentes políticos têm enfrentado eleitorados profundamente descontentes no Canadá, no Reino Unido, na Alemanha e na Índia, entre outros.

Pesquisas indicavam que o presidente Joe Biden, antes de abandonar sua campanha de reeleição no mês passado, estava prestes a enfrentar desafios semelhantes.

A vice-presidente virou essa situação de cabeça para baixo.

Seu histórico e sua história pessoal são um contraste acentuado com o atual presidente e com seu oponente republicano.

Também ajuda o fato de Harris estar concorrendo contra um ex-presidente que, embora também se apresente como um candidato de mudança, tem seu próprio histórico, às vezes controverso, às vezes impopular, na Casa Branca para defender.

“Esta eleição, eu realmente acredito, é sobre duas visões muito diferentes para o futuro”, disse Kamala em um comício na Carolina do Norte na semana passada.

“A nossa voltada para o futuro, e a outra voltada para o passado.”

Robert F. Kennedy Jr. suspende candidatura à Presidência dos EUA e apoia Trump

Robert F. Kennedy Jr. em evento do Mês da Herança Hispânica no Wilshire Ebell Theatre em 15 de setembro de 2023 em Los Angeles, Califórnia

Robert F. Kennedy Jr. anunciou nesta sexta-feira (23) que suspendeu sua candidatura para a Presidência dos Estados Unidos e apoiou o republicano Donald Trump. Ele explicou em entrevista coletiva que entende não ter “um caminho para a vitória”.

Não posso, em boa consciência, pedir à minha equipe e voluntários para que continuem trabalhando longas horas ou pedir aos doadores que continuem dando o que eu não posso honestamente dizer a eles que tenho um caminho real para a Casa Branca”, comentou.

Não estou encerrando minha campanha, estou simplesmente suspendendo-a e não a encerrando. Meu nome permanecerá nas urnas na maioria dos estados”, explicou.

Kennedy pontuou que, embora seu nome estará em algumas cédulas, ele o removeria de 10 estados decisivos.

Em outro momento, ele destacou que apoia Donald Trump.

Ataque ao sistema eleitoral e ao Partido Democrata

Robert F. Kennedy Jr. criticou exigências de estados para que ele pudesse ser adicionado às cédulas de votação e pontuou que “em um sistema honesto, eu ganharia a eleição”.

Kennedy também fez várias críticas ao Partido Democrata, acusando a sigla de estar “desmanchando a democracia”. Em outro momento, comentou que a campanha de Kamala Harris não tem políticas de verdade.

As probabilidades de vitória de Kennedy diminuíam drasticamente – uma sondagem recente da CBS News mediu o seu apoio em apenas 2%.

Trump agradece apoio

O ex-presidente Donald Trump agradeceu a Robert F. Kennedy Jr. por seu “muito bom apoio” e antecipou que viajará para o Arizona, onde Kennedy deve estar.

Quero agradecer a Bobby, foi muito legal”, disse Trump, acrescentando que “ele é um cara ótimo, respeitado por todos”.

Segundo uma fonte, Kennedy deve fazer campanha junto ao republicano.

Em outro momento da coletiva desta sexta, Kennedy afirmou que Trump pediu para “alistá-lo em sua administração”.

Ele informou que a oferta veio em duas reuniões com o ex-residente, a primeira nos dias após a tentativa de assassinato que o republicano sofreu, em julho, e uma segunda reunião semanas depois.

Nessas reuniões, ele sugeriu que juntássemos forças como um partido de unidade. Falamos sobre a equipe de rivais de Abraham Lincoln, esse arranjo nos permitiria discordar publicamente, privadamente e furiosamente, se necessário, em questões sobre as quais diferimos, enquanto trabalhamos juntos nas questões existenciais sobre as quais estamos em concordância”, observou.

Em discurso sóbrio, Kamala focou nos indecisos e apresentou-se como unificadora

Em discurso, Kamala Harris prega união nos EUA, alerta sobre 'risco Trump'  e põe mulheres como protagonistas | Eleições nos EUA 2024 | G1

Em apenas um mês, Kamala Harris conseguiu o impensável: transformou a narrativa da eleição e refez rapidamente a unidade de um partido que estava dividido e caminhando para um desastre nas urnas. Mais do que os delegados que lotaram o estádio do Chicago Bulls, ela focou nos eleitores indecisos e independentes que assistiam pela TV ao discurso de aceitação como candidata democrata à Presidência dos EUA.

A ascensão repentina da vice-presidente americana catapultou o adversário Donald Trump para a defensiva, reduzindo sua campanha a insultos e mentiras. Kamala se apresentou como unificadora, tal como fez Biden na mesma posição, quatro anos atrás, ao encerrar a convenção democrata.

Ela imprimiu um estilo próprio — o da sobriedade, repleto de referências patrióticas. Foi direta e concisa, diferentemente de Trump, que se perdeu em frases desconexas na convenção republicana em Milwaukee.

“Nessa eleição, a nossa nação tem uma oportunidade para avançar adiante da amargura, do cinismo, uma chance de mapear um novo caminho para o mundo. Muitas pessoas de visões diferentes nos assistem. Vou pôr o país acima da minha pessoa. Eu serei uma presidente que vai nos unir em torno das nossas maiores aspirações.”

Nas palavras da candidata, o claro recado ao adversário, a quem fez questão de nomear diversas vezes como ameaça ao país: ela prometeu ser uma presidente que lidera e escuta, que é realista, prática, tem bom senso e luta pelo povo americano. “Do tribunal à Casa Branca, esse tem sido o trabalho da minha vida”, assegurou.

Boa parte do discurso foi dedicada a expor suas diferenças em relação a Trump e ao perigo que um segundo mandato do ex-presidente representaria para os americanos. “Imagine Donald Trump sem barreiras de proteção”, ponderou, referindo-se à decisão da Suprema Corte que assegurou a imunidade aos processos criminais.

Aos críticos, especialmente Trump, que a retratam como uma candidata vazia e pouco inteligente, Kamala ofereceu uma amostra da bagagem adquirida nos últimos quatro anos como vice-presidente de Biden.

Em resposta aos manifestantes que protestaram contra a guerra em Gaza, nas imediações do estádio, ela mostrou estar alinhada ao presidente: fez uma defesa contundente ao direito de Israel se defender do terror e lamentou a escala de sofrimento no território palestino nos últimos dez meses, sem atribuí-la a Israel.

A candidata reforçou a liderança global dos EUA e advertiu que, ao contrário de Trump, não abandonará a Otan e os aliados do país e lembrou que ditadores como Kim Jong-un torcem pela vitória do republicano.

Foi um discurso enxuto no qual Kamala Harris exibiu as credenciais de promotora durona, no papel que ela escolheu para exercer em sua carreira — o de representante do povo.

Trump ataca Kamala em primeiro comício ao ar livre desde atentado

O republicano discursou por trás de uma estrutura de vidro blindado (foto: Peter Zay / AFP)

Por trás de uma estrutura de vidro blindado, Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (21) que milhões de empregos “vão desaparecer da noite para o dia” se Kamala Harris vencer as eleições presidenciais de novembro, em seu primeiro comício ao ar livre desde que sofreu uma tentativa de assassinato, no mês passado.

As economias de toda a sua vida vão desaparecer por completo“, previu o candidato republicano no museu da aviação de Asheboro, tendo ao fundo o barulho de aviões de guerra.

“Se a camarada Kamala vencer em novembro, a Terceira Guerra Mundial está praticamente garantida”, insistiu Trump, acrescentando que a adversária é “a pessoa de esquerda mais radical” que já disputou a Casa Branca.

“Ela quer fronteiras abertas. Se for presidente, em quatro anos” haverá entre “60 milhões e 70 milhões” de imigrantes de todo o mundo, disse Trump, cuja retórica contra a imigração tornou-se uma marca de sua campanha.

O republicano, 78, prometeu que fará com que o país “volte a ser forte e grande“, e ressaltou que é capaz de evitar uma guerra com um telefonema.

“Vamos devolver a paz ao mundo e, acima de tudo, posso fazê-lo com um telefonema” para alertar o país que, se entrar em guerra, não poderá “fazer negócios nos Estados Unidos” e pagarátaxas de 100%“.

O Serviço Secreto recomendou que Trump deixasse de participar de atos públicos ao ar livre. Acostumado a multidões, ele vinha fazendo comícios em locais fechados.

O ex-presidente mostrou-se tranquilo hoje. Em determinado momento, ele deixou o palanque e se aproximou da multidão para observar uma pessoa que parecia passar mal.

Estados-chave

O bilionário faz campanha nesta semana em estados-chave, com o objetivo de frear a projeção de Kamala Harris. A vice-presidente recebeu ontem o apoio formal dos delegados democratas, tornando-se a primeira mulher negra candidata à presidência do país.

Desde que o presidente Joe Biden desistiu de concorrer à reeleição, Kamala levou esperança ao partido e mobilizou multidões de até 10 mil pessoas em seus comícios, além de impulsionar a arrecadação de fundos.

O que mais preocupa Trump, porém, é a virada nas pesquisas, nas quais a democrata aparece com uma leve vantagem em alguns estados-chave. A Carolina do Norte é um desses sete estados onde a disputa é acirrada, e que devem decidir o resultado das eleições de 5 de novembro.

Restam mais de dois meses de campanha e a sorte não está lançada para nenhum dos candidatos, que terão de lutar para conquistar o voto dos jovens, dos independentes ou indecisos e das minorias, sobretudo latinos e afro-americanos.

Alguns republicanos recomendam que Trump se concentre em seu programa de governo e deixe de lado os ataques pessoais à adversária. O republicano queixou-se hoje de que os democratas estão obcecados por ele e instrumentalizam a Justiça, que o condenou em maio em um processo criminal e abriu outras causas contra o magnata.

Donald Trump usa painel de vidro em primeiro comício a céu aberto desde atentado

Seguranças subiram ao palco junto de Donald Trump durante a fala do republicano em comício na Carolina do Norte em 21 de agosto de 2024. — Foto: Reprodução/redes sociais

O ex-presidente Donald Trump discursou atrás de um vidro à prova de balas nesta quarta-feira (21), no primeiro comício a céu aberto desde que sofreu um atentado durante comício na Pensilvânia, em julho.

Segundo o jornal americano “The New York Times”, a segurança do comício foi altamente reforçada em relação ao comício em Butler, na Pensilvânia, quando ele foi atingido por uma bala de fuzil AR-15 na orelha.

Entre as melhorias estão, além do vidro à prova de balas, atiradores de elite ao redor do local do comício e unidades de armazenamento móveis bloqueando a visão do evento para quem está fora do local.

No entanto, a disposição geral do comício é semelhante ao comício em Butler, segundo relatos de pessoas presentes no evento. Veja fotos do evento abaixo.

Durante seu discurso, Trump chamou ao palco xerifes que integram a segurança do evento. “Não sei se o palco aguentará o peso de todo mundo, mas já tivemos situações piores que essa”, brincou o republicano.

Trump agradeceu os xerifes, dizendo que eles são a razão pela sua campanha estar realizando um comício no estado.

Obama chama Trump de “bilionário de 78 anos” e diz que Kamala está pronta: “Bastão foi passado”

Eleição dos EUA “será uma disputa acirrada em um país dividido“, diz Obama  | CNN Brasil

Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos e importante aliado do presidente Joe Biden, discursou no segundo dia da Convenção Nacional do Partido Democrata nesta terça-feira (20) em Chicago.

Ele foi ovacionado ao entrar no palco, destacando que é “bom estar em casa” e que está se sentindo esperançoso.

Falando sobre Kamala Harris, candidata do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Obama comentou que “temos a chance de eleger alguém que passou a vida inteira tentando dar às pessoas as mesmas chances que a América lhe deu”.

Ele também ressaltou, após falar sobre Joe Biden, que “o bastão foi passado”, mas alertou que será uma disputa eleitoral apertada em um país dividido.

Kamala Harris não estará focada nos problemas dela. Estará focada nos seus [problemas]”, observou em outro momento, acrescentando que ela lutará por “cada americano”.

Ainda durante o discurso, a multidão fez referência ao antigo lema de campanha de Obama, gritando para Kamala “sim, ela pode”. Obama comentou em seguida: “Sim, ela pode”.

O ex-presidente apoiou a candidatura de Kamala Harris à Presidência após a desistência de Biden. Michelle Obama também endossou que a vice-presidente dos EUA para a disputa de 2024.

Antes de Barack, Michelle fez um discurso enérgico na convenção, ressaltando que “a esperança está voltando”. Em diversos momentos, ela foi ovacionada e aplaudida pelo público.

A ex-primeira-dama também introduziu o marido ao palco.

Em outro momento do discurso, Obama ressaltou que os Estados Unidos devem ser uma “força para o bem”, desencorajando conflitos, combatendo doenças, promovendo os direitos humanos, protegendo o planeta da crise climática e defendendo a paz, destacando que esses são pontos em que Kamala Harris acredita.

Se trabalharmos como nunca antes, se nos mantermos firmes às nossas convicções, nós vamos eleger Kamala Harris como próxima presidente dos Estados Unidos. E Tim Walz como próximo vice-presidente dos Estados Unidos”, pontuou o ex-presidente.

Juntos, vamos construir um país que é mais seguro, mais justo, mais igual e mais livre. Então vamos ao trabalho”, afirmou Barack Obama no fim do discurso.

Elogios a Joe Biden

Barack ressaltou que tomou a decisão certa ao escolher Joe Biden como seu vice-presidente. “O que eu admirei mais em Joe não foi apenas sua experiência, foi sua empatia e decência. E sua resiliência”, disse.

A história vai lembrar de Joe Biden como um presidente excepcional, que defendeu a democracia em um momento de grande perigo. Estou orgulhoso de chamá-lo de ‘meu presidente’, mas ainda mais orgulhoso de chamá-lo de ‘amigo”, afirmou.

Em seguida, a multidão gritou “obrigado Joe”.

Ataques contra Trump

Barack Obama citou nominalmente Donald Trump, afirmando que ele está com medo de perder para Kamala Harris.

Ele também fez ataques pessoais, chamando Trump de “bilionário de 78 anos que não para de reclamar de seus problemas desde que andou em sua escada rolante dourada, nove anos atrás”.

Não precisamos de mais quatro anos de arrogância, trapalhadas e caos, já vimos esse filme antes e todos sabemos que a sequência geralmente é pior”, disse Obama.

A América está preparada para um próximo capítulo, está preparada uma história melhor. Estamos preparados para a presidente Kamala Harris”, comentou, adicionando que ela está “pronta para o trabalho”.

A verdade é que Donald Trump vê o poder como meio para seus fins”, adicionou.

Apoio a Tim Walz, candidato à vice-Presidência

O ex-presidente Barack Obama também elogiou o candidato democrata à vice-Presidência, Tim Walz, dizendo que ele será um “parceiro extraordinário” para Kamala Harris na Casa Branca.

Eu amo esse cara. Tim é o tipo de pessoa que deveria estar na política. Nascido em uma cidade pequena, serviu seu país, ensinou crianças, treinou futebol, cuidou de seus vizinhos — ele sabe quem é e sabe o que é importante”, pontuou Obama.

“Ele não tem empatia nem moral”, diz ex-secretária de imprensa de Donald Trump

Candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump

Stephanie Grisham, ex-secretária de imprensa da Casa Branca durante mandato de Donald Trump, disse à Convenção Nacional Democrata nesta terça-feira (20) que o ex-presidente dos Estados Unidos não tem empatia.

A família Trump se tornou minha família. Passei a Páscoa, o Dia de Ação de Graças, o Natal e o Ano Novo, tudo em Mar-a-Lago. Eu o vi quando as câmeras estavam desligadas, a portas fechadas, Trump zomba de seus apoiadores — ele os chama de moradores do porão”, disse ela.

Ele não tem empatia, moral e fidelidade à verdade”, pontuou Grisham.

Grisham trabalhou no governo Trump como diretora de comunicações da Ala Leste, secretária de imprensa da Casa Branca e chefe de gabinete de Melania Trump.

Ela já havia dito que está “apavorada” com um possível segundo mandato de Trump e afirmou que não votou no ex-presidente em 2020, mesmo trabalhando para a ex-primeira-dama.

Ela também se lembrou de como renunciou após uma conversa que teve com a ex-primeira-dama durante o ataque ao Capitólio.

Perguntei a Melania se poderíamos pelo menos publicar que, embora o protesto pacífico seja um direito de todo americano, não há lugar para ilegalidade ou violência. Ela respondeu com uma palavra: ‘Não.’”, comentou.

Grisham destacou que estava no palco “defendendo um democrata e isso porque amo meu país mais do que meu partido. Kamala Harris diz a verdade, ela respeita o povo americano e tem meu voto”.

Em entrevista à CNN após sua fala, Grisham descreveu sua experiência no palco da Convenção Democrata como “surreal” e acrescentou que nunca imaginou que discursaria na convenção durante seu período como uma das principais mensageiras de Trump.

Michelle Obama provoca Trump e diz que o que ele busca pode ser “emprego para negros”

Michelle Obama fala na terça-feira, 20 de agosto, em Chicago, durante o DNC.

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, atacou Donald Trump durante seu discurso na Convenção Democrata, nesta terça-feira (20).

Durante anos, Donald Trump fez tudo ao seu alcance para tentar fazer as pessoas nos temerem. Sua visão limitada e estreita do mundo o fez se sentir ameaçado pela existência de duas pessoas trabalhadoras, altamente educadas e bem-sucedidas que por acaso são negras”, disse no evento em Chicago.

Quem vai dizer a ele que o emprego que ele está procurando atualmente pode ser apenas um desses empregos para negros?”, ela acrescentou

A frase foi uma provocação aos comentários de Trump na Associação Nacional de Jornalistas Negros, onde ele disse que os imigrantes estão tomando “empregos para negros”.

Michelle disse que Trump tentará atacar Kamala Harris na eleição americana — algo que ela disse que têm experiência pessoal.

Ela continuou criticando as políticas do candidato presidencial republicano, como limitar a liberdade reprodutiva e cortar a assistência médica.

Ela disse que Trump havia se aprofundado em “mentiras feias, misóginas e racistas como um substituto para ideias e soluções reais que tornarão a vida das pessoas melhor”.

Barack e Michelle Obama chegam à Convenção Democrata para apoiar Kamala

Chegada do casal marca o segundo dia da Convenção Nacional Democrata  (fotos: Justin Sullivan/Getty Images/AFP e CHARLY TRIBALLEAU / AFP
)

O ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle, serão os protagonistas em Chicago do segundo dia da Convenção Nacional Democrata, que vai formalizar a candidatura de Kamala Harris à Presidência dos Estados Unidos.

O influente casal da política americana deve inundar com seu carisma o United Center, onde dezenas de milhares de democratas se reúnem nesta semana para aplaudir sua largada e sonhar com uma vitória nas eleições de 5 de novembro.

“É bom estar em casa, em Chicago”, publicou no X Obama, que chega à Convençãou Democrata duas décadas depois de seu primeiro discurso na Convenção, quando era senador por Illinois e cativou os presentes com palavras de esperança sobre um futuro de unidade.

“Esperando ansiosamente para participar da @DemConvention, com tanta gente inspiradora para compartilhar o que está em jogo nesta eleição e porque @KamalaHarris e @Tim_Walz devem ser nossos presidente e vice-presidente”, acrescentou.

Há uma grande expectativa entre os democratas. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos chega para defender a candidatura daquela que pode se tornar a primeira mulher a tomar as rédeas do país.

Para muitos, a efervescência de Kamala lembra a emocionante corrida de Obama à Casa Branca em 2008.

Para Franklin Delano Williams, delegado da Geórgia, não há dúvida de que a presença de Obama mobilizará as bases a favor da vice-presidente. “Tem visto seus comícios? As multidões? Vamos vencer.”

As emoções também aumentam em Chicago com as especulações de uma participação de Beyoncé, que cedeu a Kamala sua potente música “Freedom” para a campanha.

Cantada à capela pela diva do Texas, a canção acompanha a propaganda mais recente de Kamala.

Trump publica imagem falsa de Taylor Swift declarando apoio ao republicano

Taylor Swift se apresenta no palco durante a "Taylor Swift - The Eras Tour" no Estádio de Wembley em 21 de junho de 2024 em Londres, Inglaterra

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump postou uma imagem falsa nas redes sociais da estrela pop Taylor Swift pedindo às pessoas que votassem nele nas eleições de novembro.

Uma postagem de domingo (18) do candidato republicano no Truth Social mostrou Swift vestida de vermelho, branco e azul com uma legenda que dizia “Taylor Swift quer que você vote em Donald Trump”.

“Aceito!” Trump escreveu.

Swift não apoiou publicamente um candidato na corrida de 2024, mas apoiou os democratas no passado.

A cantora apoiou o presidente Joe Biden e sua companheira de chapa Kamala Harris em 2020. Harris deve ser formalmente nomeada como candidata democrata de 2024 na convenção nacional do partido em Chicago nesta semana. Ela também criticou Trump em um documentário de 2020.

Porta-vozes de Swift e Trump não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Trump também postou fotos de mulheres jovens vestindo camisetas “Swifties for Trump” e um artigo satírico com a manchete “Swifties se voltando para Trump depois que o ISIS frustrou o show de Taylor Swift”. O artigo foi marcado como “SÁTIRA” acima do título.

Swift cancelou três shows em Viena este mês depois que as autoridades disseram ter frustrado um ataque planejado. As autoridades locais prenderam um homem de 19 anos que, segundo elas, foi inspirado pelo Estado Islâmico.

Vários fãs de Swift e grupos de vigilância disseram que muitas das imagens postadas por Trump pareciam ser deepfakes geradas por inteligência artificial.

Defensores da indústria musical, Hollywood e Washington têm pressionado por legislação federal e outras medidas para combater a explosão de imagens falsas de IA online.

A postagem de Trump foi “mais um exemplo do poder da IA ​​para criar desinformação”, disse o grupo de consumidores Public Citizen.

Os danos potenciais para a nossa sociedade que poderiam resultar de tal desinformação, incluindo abusos nas nossas eleições, são abrangentes e imensamente prejudiciais”, acrescentou o grupo.

Na Convenção Nacional Democrata em Chicago, a fã de Swift, Rebecca Goff, distribuiu pulseiras da amizade, prática comum entre os fãs da cantora, em um café da manhã do Partido Democrata em Nevada.

Goff, 39 anos, disse sentir que Trump era a antítese daquilo que ela acredita que Swift representa, incluindo a celebração da infância e da feminilidade.

Isso é como a antítese do que Trump e o Partido Republicano estão tentando fazer, especialmente com as mulheres. Eles estão tentando nos tornar menores. Eles querem que voltemos a ser apenas donas de casa, mães de filhos”, disse Goff.

Eleições nos EUA: Partido Democrata faz convenção para oficializar candidatura de Kamala Harris; SIGA

Democratas começam votação para confirmar a candidatura de Kamala Harris –  Mundo – CartaCapital

A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, desembarca na Convenção Nacional Democrata, que começou nesta segunda-feira em Chicago, dois passos à frente do que era inicialmente previsto para essa etapa das eleições americanas. Promovida à candidata democrata à Presidência após a desistência de Joe Biden, Kamala foi oficializada por meio de uma votação online antes mesmo de o primeiro delegado democrata pisar na convenção, que vai até quinta-feira — para a qual chega em um momento de alta de popularidade, com pesquisas indicando vantagem contra Donald Trump em estados-pêndulo e também pela primeira vez à frente fora da margem de erro em uma sondagem nacional.

A escolha de Kamala como candidata democrata ocorreu de forma natural desde a desistência de Biden, mas por um processo atípico. Ao contrário do antigo companheiro de chapa, que participou das primárias e conquistou os votos dos eleitores e os respectivos delegados por estado, Kamala virou o principal nome no meio do processo, precisando convencer os delegados de Biden a apoiá-la.

Com amplo apoio da cúpula do partido, ela não teve dificuldades de reunir declarações de apoio de mais da metade dos delegados democratas, assim confirmando sua candidatura em uma votação online antecipada pelo Comitê Nacional.

Mas, mesmo que não houvesse a antecipação, não havia nenhuma candidatura viável no caminho de Kamala, que, ao angariar em tempo recorde apoios dentro da legenda, conseguiu afastar da disputa os principais nomes que foram cogitados imediatamente após a desistência de Biden. A democrata também conseguiu consolidar-se ao se mostrar uma opositora capaz de confrontar Trump — com possibilidades reais de vencer.

As mais recentes pesquisas eleitorais apontam vantagem de Kamala sobre Trump em diversos cenários, incluindo em levantamentos de abrangência nacional e em alguns dos principais estados-pêndulo, que são chave na votação ao tradicionalmente não se alinharem a nenhum partido — sendo assim passíveis de disputa entre os candidatos.

Pesquisa New York Times/Universidade Siena divulgada no sábado mostra que Kamala não só colocou em disputa os estados do Cinturão do Sol, localizados ao sul e oeste do país e marcados por rápido crescimento econômico e de diversidade étnica, como abriu vantagem para além do empate técnico no Arizona.

Os outros são Carolina do Norte, em que ela aparece ligeiramente à frente de Trump, Nevada e Geórgia, onde Trump, por sua vez, lidera por pouco. Os quatro endereços apareciam, nas enquetes anteriores do NYT/Siena, com vantagem maior — de quase dois dígitos — do republicano sobre o presidente Joe Biden.

Outra pesquisa com prováveis eleitores do NYT/Siena, realizada entre 5 e 9 de agosto, apontou vantagem de Kamala sobre Trump em Michigan, Pensilvânia e Wisconsin. Nos três estados-pêndulo, a democrata aparece com 50% das intenções de voto, enquanto o ex-presidente aparece com 46%. O agregador de pesquisas do portal The Hill, que compila os dados de 117 estudos realizados no período eleitoral, também mostra um momento favorável para Kamala, com 48,9% das intenções de voto em 14 de agosto, contra 46,9% de Trump. No dia da desistência de Biden, em 21 de julho, Trump liderava com 2,3 pontos percentuais de vantagem, em um cenário de disputa com Kamala.

Analistas ouvidos pelo site americano Politico indicaram que os números favoráveis a Kamala podem ser vistos como promissores pelos democratas, mas não devem ser tomados como um indicativo de vitória encaminhada. De acordo com os especialistas, a candidata ainda precisará encarar os 75 dias de campanha após a convenção e se manter em alta diante de ataques dos adversários e cansaço do público.

Campanhas presidenciais são uma maratona, e esta se transformou em uma corrida de velocidade” disse Neil Newhouse, o principal responsável pelas pesquisas de opinião da campanha presidencial do republicano Mitt Romney em 2012. — E isso tende a favorecer o candidato que é novo no horizonte.

Democratas vão destacar “risco de Trump à democracia” em Convenção Nacional

Palco da Convenção Nacional Democrata, em Chicago

Os democratas reunidos em Chicago esta semana para a sua convenção nacional irão destacar a ameaça à democracia que dizem que o ex-presidente Donald Trump representa, dando papéis de destaque aos legisladores, bem como a um oficial da Polícia do Capitólio ferido durante os tumultos de 6 de janeiro de 2021.

Um funcionário da campanha da vice-presidente Kamala Harris disse à CNN que entre os palestrantes estão os deputados Jamie Raskin, de Maryland, e Bennie Thompson, do Mississippi, que serviram no comitê selecionado da Câmara para investigar a insurreição de 6 de janeiro. Esse comitê recomendou, em última análise, no seu relatório de 2022, que Trump fosse novamente afastado do cargo.

O aposentado Santo Aquilino Gonell, um dos policiais do Capitólio feridos durante o ataque de 6 de janeiro, também discursará na convenção. Desde que respondeu ao ataque ao Capitólio dos EUA, há mais de três anos, Gonell tornou-se uma face pública do impacto da insurreição e um crítico vocal de Trump e dos republicanos que continuam a defendê-lo.

“O fracasso de Donald Trump em denunciar a violência em 6 de janeiro de 2021 é uma traição a todos os oficiais que colocaram suas vidas em risco naquele dia – e a todos os veteranos que arriscaram tudo para defender nosso país”, disse Gonell, que apoia Harris. em um comunicado fornecido à CNN. “Você não pode dizer que apoia a polícia ou a Constituição se estiver oferecendo perdão aos criminosos que tentaram destruir a nossa democracia, prejudicar os nossos líderes e atacar as autoridades”.

O ex-deputado republicano Adam Kinzinger de Illinois, que também atuou no comitê de 6 de janeiro, está programado para discursar na convenção na quinta-feira, informou a CNN anteriormente.

Kinzinger, que é agora comentador político da CNN, foi um dos 10 republicanos da Câmara a votar a favor do impeachment de Trump por “incitação a uma insurreição” em relação ao seu papel durante o ataque ao Capitólio.

Os chamados Tennessee Three – deputados estaduais. Justin Jones, Justin Pearson e Gloria Johnson – também deverão falar na convenção. Jones e Pearson foram expulsos da Câmara do Tennessee no ano passado, depois que os três legisladores lideraram um protesto pelo controle de armas no plenário da câmara. Desde então, eles ganharam a reeleição.

Também programados para falar durante a semana, de acordo com o oficial de campanha, estão a deputada Jasmine Crockett do Texas, que serviu no Legislativo estadual em 2021, quando os democratas tentaram bloquear a legislação restritiva de voto no estado, e o senador da Geórgia. Raphael Warnock, que atua como pastor da Igreja Batista Ebenezer de Atlanta.

Antes de abandonar a corrida de 2024, o presidente Joe Biden apresentou o argumento de que Trump representava uma ameaça à democracia como uma característica impulsionadora da sua candidatura.

Como nova candidata presidencial, Harris colocou menos foco no argumento – um afastamento marcante da campanha de Biden. Mas a campanha de Harris deixará claro esta semana que acredita que a questão é uma preocupação crítica para os eleitores.

“Lembraremos a todos os americanos o que está em jogo nestas eleições para a liberdade e o futuro da nossa democracia”, disse o responsável da campanha.