Cor Litúrgica: Vermelho
Os Santos Inocentes, mártires | Sábado
Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14 José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15 Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. 16 Quando Herodes percebeu que os magos o haviam enganado, ficou muito furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, exatamente conforme o tempo indicado pelos magos. 17 Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18 “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais”. (Mt 2,13-18)
Caríssimo irmão, caríssima irmã,
Vivendo as Oitavas de Natal, que prolongam a solenidade natalina por oito dias, terminando no domingo após a Epifania, é, portanto, tempo de vos desejar um Feliz, Santo e Abençoado Natal. Neste tempo santo de nossa caminhada cristã, o evangelho de hoje nos apresenta um dos momentos mais dolorosos do início da vida de Jesus: a fuga para o Egito e o cruel massacre dos inocentes por ordem do rei Herodes. Esse episódio nos convida a refletir sobre o mal no mundo e a presença consoladora de Deus, que caminha conosco.
Quando lemos que São José, avisado em sonho pelo anjo, parte às pressas para o Egito com Maria e o Menino Jesus, percebemos como Deus protege seu Filho e a família escolhida para acolhê-lo. Isso nos mostra que, mesmo em meio às ameaças e ao sofrimento, Deus age com providência para cumprir seus planos de amor e salvação. José, obediente e atento à voz divina, é modelo para nós de confiança e ação em momentos de incerteza.
Por outro lado, encontramos Herodes, um governante movido pelo medo e pela vaidade. Sua sede de poder o leva a cometer uma atrocidade sem limites: mandar matar todas as crianças de Belém e arredores. É uma demonstração trágica de como o pecado endurece os corações, gerando violência e morte. Essa cena, marcada pelo pranto das mães que perdem seus filhos, nos lembra que o mal no mundo é real, mas não tem a última palavra.
Hoje também vivemos tempos de “massacres dos inocentes”. Milhares de crianças sofrem com a fome, o abandono, a guerra, o aborto, a exploração e tantas outras formas de violência. Como cristãos, somos chamados a denunciar essas realidades e a trabalhar pela justiça, defendendo a vida desde a concepção até o seu fim natural.
Nesse contexto, é importante recordar que Jesus se identifica com os pequeninos, os vulneráveis e os perseguidos. Ele mesmo passou pela experiência de ser refugiado, desarraigado de sua terra natal. Como acolhemos os “Jesus” que hoje nos pedem abrigo? Somos sensíveis ao sofrimento dos nossos irmãos e irmãs mais frágeis?
Por fim, precisamos olhar para o grito das mães de Belém, mencionado por Mateus ao citar o profeta Jeremias: “Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação”. Esse lamento também ecoa em muitas mães de hoje. A nós, discípulos de Cristo, cabe consolar os que choram e ser instrumentos de esperança e paz no mundo.
Queridos irmãos, este Evangelho nos desafia a confiar em Deus, como José e Maria confiaram, a denunciar as injustiças como seguidores de Jesus, e a proteger e promover a vida em todas as suas formas. Que o Espírito Santo nos ajude a viver essa mensagem em nosso dia a dia.
Por fim, a liturgia de hoje, o Dia dos Santos Inocentes, celebração cristã em homenagem aos Santos Inocentes, os meninos assassinados no evento bíblico que ficou conhecido como Massacre dos Inocentes, é relatada justamente no evangelho que meditamos no dia de hoje (Mateus 2,16–18).
Rogai por nós, Santos Inocentes, para que tenhamos coragem de lutar contra as injustiças e as perseguições deste mundo.
Santo e abençoado dia.
Paz e bem!
Com as orações,
Luiz Guilherme
Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB


