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Em meio às trevas do poder opressor, a inocência perseguida revela que Deus transforma o sofrimento humano em caminho para a redenção

Cor Litúrgica: Vermelho

Os Santos Inocentes, mártires | Sábado


Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14 José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15 Ali ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. 16 Quando Herodes percebeu que os magos o haviam enganado, ficou muito furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, exatamente conforme o tempo indicado pelos magos. 17 Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18 “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais”. (Mt 2,13-18)

Caríssimo irmão, caríssima irmã,

Vivendo as Oitavas de Natal, que prolongam a solenidade natalina por oito dias, terminando no domingo após a Epifania, é, portanto, tempo de vos desejar um Feliz, Santo e Abençoado Natal. Neste tempo santo de nossa caminhada cristã, o evangelho de hoje nos apresenta um dos momentos mais dolorosos do início da vida de Jesus: a fuga para o Egito e o cruel massacre dos inocentes por ordem do rei Herodes. Esse episódio nos convida a refletir sobre o mal no mundo e a presença consoladora de Deus, que caminha conosco.

Quando lemos que São José, avisado em sonho pelo anjo, parte às pressas para o Egito com Maria e o Menino Jesus, percebemos como Deus protege seu Filho e a família escolhida para acolhê-lo. Isso nos mostra que, mesmo em meio às ameaças e ao sofrimento, Deus age com providência para cumprir seus planos de amor e salvação. José, obediente e atento à voz divina, é modelo para nós de confiança e ação em momentos de incerteza.

Por outro lado, encontramos Herodes, um governante movido pelo medo e pela vaidade. Sua sede de poder o leva a cometer uma atrocidade sem limites: mandar matar todas as crianças de Belém e arredores. É uma demonstração trágica de como o pecado endurece os corações, gerando violência e morte. Essa cena, marcada pelo pranto das mães que perdem seus filhos, nos lembra que o mal no mundo é real, mas não tem a última palavra.

Hoje também vivemos tempos de “massacres dos inocentes”. Milhares de crianças sofrem com a fome, o abandono, a guerra, o aborto, a exploração e tantas outras formas de violência. Como cristãos, somos chamados a denunciar essas realidades e a trabalhar pela justiça, defendendo a vida desde a concepção até o seu fim natural.

Nesse contexto, é importante recordar que Jesus se identifica com os pequeninos, os vulneráveis e os perseguidos. Ele mesmo passou pela experiência de ser refugiado, desarraigado de sua terra natal. Como acolhemos os “Jesus” que hoje nos pedem abrigo? Somos sensíveis ao sofrimento dos nossos irmãos e irmãs mais frágeis?

Por fim, precisamos olhar para o grito das mães de Belém, mencionado por Mateus ao citar o profeta Jeremias: “Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação”. Esse lamento também ecoa em muitas mães de hoje. A nós, discípulos de Cristo, cabe consolar os que choram e ser instrumentos de esperança e paz no mundo.

Queridos irmãos, este Evangelho nos desafia a confiar em Deus, como José e Maria confiaram, a denunciar as injustiças como seguidores de Jesus, e a proteger e promover a vida em todas as suas formas. Que o Espírito Santo nos ajude a viver essa mensagem em nosso dia a dia.

Por fim, a liturgia de hoje, o Dia dos Santos Inocentes, celebração cristã em homenagem aos Santos Inocentes, os meninos assassinados no evento bíblico que ficou conhecido como Massacre dos Inocentes, é relatada justamente no evangelho que meditamos no dia de hoje (Mateus 2,16–18).

Rogai por nós, Santos Inocentes, para que tenhamos coragem de lutar contra as injustiças e as perseguições deste mundo.
Santo e abençoado dia.
Paz e bem!

Com as orações,


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Seguir-me! E Anunciar-me és o desejo do Pai

Cor Litúrgica: Branco

Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja, Memória | Sábado


Naquele tempo, 35 Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36 Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37 “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1 E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6 “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! (Mt 9,35-10,1.6-8)

Caríssimo irmão, caríssima irmã,
Hoje, o Evangelho nos apresenta uma provocação cristã, uma cena profundamente tocante e cheia de ensinamentos para a nossa missão como discípulos de Jesus. Ele nos revela o coração de Cristo, repleto de compaixão, e nos convida a participar ativamente da construção do Reino de Deus.

Jesus percorria cidades e povoados, ensinando, curando e proclamando a Boa Nova do Reino. Ele via as multidões e sentia compaixão, pois estavam como ovelhas sem pastor. Essa compaixão não era apenas um sentimento de pena, mas uma força que movia Jesus a agir, acolher e libertar.

No mundo contemporâneo, quantas pessoas vivem como ovelhas sem pastor? Vivemos em uma sociedade marcada pelo individualismo, solidão e busca desenfreada por respostas em lugares que, muitas vezes, apenas aumentam o vazio. Hoje, somos chamados a assumir o olhar de Jesus: um olhar que vê além das aparências, que reconhece as dores e necessidades do próximo.

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”

Essa frase de Jesus é um apelo atemporal. O mundo carece de testemunhas autênticas do Evangelho. Não basta admirar Cristo; é necessário segui-lo, envolver-se e comprometer-se. O chamado para trabalhar na messe não é exclusivo dos padres, religiosos ou catequistas. Cada batizado é chamado a ser luz no seu contexto: na família, no trabalho, na escola, nos círculos de amizade.

Quantas vezes nos acomodamos na fé, esperando que outros sejam os “trabalhadores” enviados? Jesus nos chama hoje a arregaçar as mangas, a sair da nossa zona de conforto e a seguir o discipulado. A Igreja, em sua sucessão apostólica, exemplifica essa ligação com a missão: uma missão de saída e encontro.

Jesus deu aos seus discípulos autoridade para curar os doentes, libertar os oprimidos e anunciar a proximidade do Reino. Ele nos lembra: “De graça recebestes, de graça deveis dar”.

No mundo moderno, “curar” pode significar escutar com paciência quem sofre, oferecer palavras de esperança a quem está desanimado ou ajudar concretamente quem enfrenta necessidades materiais. Libertar os oprimidos pode significar lutar contra estruturas de injustiça ou estender a mão àqueles presos em suas próprias limitações, como vícios ou medos.

Anunciar o Reino no mundo digital

No mundo globalizado, “anunciar o Reino” ganha uma nova dimensão. Que tipo de mensagem compartilhamos? Somos promotores de esperança e verdade, ou repetimos divisões e superficialidades?

A frase “De graça recebestes, de graça deveis dar” nos desafia a sermos generosos com os dons que Deus nos confiou. Quantos talentos, recursos e habilidades mantemos guardados por medo, preguiça ou egoísmo? Tudo o que temos e somos deve estar a serviço da edificação do Reino.

Hoje, Jesus nos envia como discípulos. O lugar da missão pode ser o supermercado, a escola, a vizinhança ou qualquer ambiente em que vivemos. Ele nos envia para sermos sinais de sua compaixão, agentes de sua paz e testemunhas de sua esperança.

Amados irmãos e irmãs, deixemo-nos transformar pela compaixão de Cristo. Reconheçamos a messe ao nosso redor e sejamos trabalhadores dedicados, que, com pequenos gestos, ajudam a tornar o Reino de Deus visível no mundo.

Que o Senhor nos conceda um coração compassivo, mãos generosas e pés dispostos a caminhar para onde Ele nos enviar. Assim, juntos, sejamos verdadeiros discípulos missionários, instrumentos vivos de sua graça.

Finalizo com uma pergunta:
Como filho de Deus, Ele pode contar contigo para a missão? Para anunciá-lo através do Santo Evangelho?

Por fim, a Liturgia de hoje nos recorda Santo Ambrósio, padroeiro das abelhas, apicultores, fabricantes de velas e animais domésticos. Santo Ambrósio, arcebispo de Milão no século IV, foi um dos mais influentes membros do clero de sua época. A ele se atribui a promoção do canto antifonal e a composição do hino natalino Veni redemptor gentium.

Rogai por nós, Santo Ambrósio.

Santo e abençoado dia. Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Que ao olhar de Cristo, sejamos Servos

Cor Litúrgica: Vermelho

Santo André, Apóstolo | Sábado


Naquele tempo, quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram. Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. (Mt 4,18-22)

Caríssimo irmão, caríssima irmã, concluamos mais um mês agradecendo a Deus por tudo que novembro nos possibilitou, seja em alegrias ou aprendizados. Hoje somos convidados a refletir sobre a vocação e a prontidão em seguir a Cristo, tema central do Evangelho que estamos meditando.

São Mateus nos apresenta a cena em que Jesus, ao caminhar às margens do Mar da Galileia, chama os primeiros discípulos: Simão Pedro e André, e logo depois Tiago e João.

A narrativa começa com Jesus “vendo” os pescadores. Esse olhar de Jesus não é superficial ou curioso, mas profundo. É um olhar que enxerga além das redes e dos barcos, que percebe o coração de cada um. Ele vê o potencial de Simão, André, Tiago e João. Da mesma forma, Jesus também olha para nós hoje, em nosso cotidiano, com um olhar que reconhece quem somos e nos chama a algo maior.

Provocados pela luz deste Evangelho, reflitamos: quantas vezes em nossa vida sentimos esse olhar? Talvez em momentos de dúvida, de crise ou até mesmo em situações simples, sentimos que Deus nos chama a sair de nossa “zona de conforto” e nos desafia a algo novo.

Jesus lhes diz: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Com essa frase, Ele não apenas chama, mas dá um novo sentido à missão deles. Os pescadores, acostumados a lançar redes, agora seriam enviados a resgatar vidas, trazendo almas para o Reino de Deus.

O que mais impressiona é a resposta deles: “No mesmo instante, deixando as redes, seguiram-no”. Tiago e João até deixam o barco e o pai para seguir Jesus. Aqui aprendemos sobre a prontidão. Eles não pediram mais tempo, não disseram “vou pensar”. Muitas vezes, hesitamos em responder ao chamado de Deus, seja por medo, comodismo ou apego às nossas “redes” — sejam elas nossos bens materiais, nossas seguranças ou nossas preocupações.

Que redes precisamos deixar hoje para seguir mais de perto o Senhor?

Esse chamado que começou com Pedro, André, Tiago e João não se limitou àqueles dias. A missão deles é a mesma que nos é confiada hoje: ser pescadores de homens. No mundo atual, ser pescador de homens significa evangelizar com nossas palavras e, sobretudo, com nosso testemunho. Significa levar amor, justiça e compaixão onde quer que estejamos: na família, no trabalho, na comunidade.

Como podemos ser missionários no mundo de hoje? Cada um tem um lugar e um jeito de responder a esse chamado, mas todos somos enviados a ser sal da terra e luz do mundo.

O Evangelho nos desafia a perguntar: estamos dispostos a deixar nossas redes, a confiar em Jesus e segui-lo? A prontidão dos discípulos nos inspira a não deixar para amanhã o que Deus nos chama a fazer hoje.

Peçamos ao Senhor a graça de escutar seu chamado com o coração aberto e a coragem de responder como os primeiros discípulos: com fé, prontidão e alegria.

Por fim, a liturgia de hoje celebra Santo André, apóstolo e irmão de Pedro. Também recordamos São Amplíato, um dos Setenta Discípulos, mencionado por São Paulo na Epístola aos Romanos: “Saudai a Amplíato, meu amado no Senhor” (Romanos 16:8).

Que, como Santo André e São Amplíato, saibamos ouvir o chamado de Deus e, sendo presença d’Ele no meio de nossas comunidades, levemos o Evangelho a toda criatura.

Rogai por nós, Santo André e São Amplíato, e inspirai-nos!

Santo e abençoado dia.
Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Feliz aquele que respeita o Senhor

Cor Litúrgica: Verde

32ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Naquele tempo, 1 Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2 “Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3 Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4 Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5 Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!’ ” 6 E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7 E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8 Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,1-8)

Caríssimo irmão, caríssima irmã, hoje a liturgia nos convida a refletir sobre a perseverança na oração e a confiança inabalável na justiça de Deus. O Evangelho que acabamos de ouvir, retirado de Lucas 18,1-8, apresenta-nos a parábola de uma viúva que, diante de um juiz iníquo, não desistiu de buscar justiça. Essa parábola é profundamente rica em ensinamentos para nossa vida de fé.

Jesus inicia o texto com uma mensagem clara: “É preciso orar sempre e nunca desanimar.” Essa exortação nos lembra que a oração não é um ato esporádico, mas um diálogo contínuo com Deus. Em nossa caminhada cristã, não é raro sentirmos a tentação de desistir, especialmente quando as respostas de Deus parecem demorar. No entanto, a viúva nos ensina que a perseverança na oração é uma expressão de confiança. Ela não desistiu, mesmo diante de um juiz descrito como injusto e sem temor a Deus.

Se essa mulher não cedeu diante de alguém sem compaixão, quanto mais devemos insistir com um Deus que é Pai amoroso e atento às nossas necessidades? Não desanimemos! Como nos ensina Santa Teresinha do Menino Jesus, “a oração é um impulso do coração, um simples olhar lançado ao céu”.

No centro da parábola está a certeza de que Deus faz justiça aos seus eleitos. Enquanto o juiz da história cede por cansaço, Deus não age por obrigação, mas por amor. Ele nos ouve, conhece nossas lutas e intervém no tempo certo. Contudo, é importante compreender que a justiça de Deus não segue nossos critérios humanos. Ele nos dá o que precisamos, não necessariamente o que desejamos.

Muitas vezes, queremos que a resposta divina seja imediata, mas o tempo de Deus não é o nosso tempo. A demora pode ser um convite para fortalecer nossa fé, purificar nossos interesses e crescer no abandono confiante.

Jesus encerra a parábola com uma pergunta: “Quando o Filho do Homem vier, encontrará fé sobre a terra?” Essa questão nos leva a um exame de consciência: como está nossa fé? Estamos perseverando na oração, mesmo nas dificuldades?

Vivemos em tempos marcados pelo imediatismo, onde frequentemente confiamos apenas no que é palpável e visível. Mas a fé exige paciência, espera e entrega. Ela nos impulsiona a permanecer firmes, sabendo que o Senhor é fiel às suas promessas.

Somos convidados a olhar para a figura da viúva como exemplo de persistência e confiança. Sua atitude nos lembra que Deus é nosso verdadeiro juiz, sempre atento às nossas súplicas. Por isso, não desanimemos na oração e busquemos ser instrumentos de justiça e paz no mundo.

Que possamos ser, como a viúva, insistentes na busca pelo que é justo e confiantes em Deus, que nunca nos abandona. E, ao praticarmos a oração diária e perseverante, que nossa fé cresça e sustente nossa esperança até o dia em que Cristo voltar em glória.

Por fim, hoje a Igreja celebra São Hugo de Avalon, também conhecido como Hugo de Lincoln, religioso e santo da Inglaterra. Ele é o padroeiro das crianças enfermas, dos doentes, dos sapateiros e dos cisnes.

Santo e abençoado dia! Paz e bem.


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

No templo dos Corações

Cor Litúrgica: Branco

Dedicação da Basílica do Latrão (Catedral de Roma) | Sábado


Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14 No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15 Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17 Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18 Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19 Ele respondeu: “Destruí, este Templo, e em três dias o levantarei”. 20 Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21 Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22 Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele. (Jo 2,13-22)

Caríssimo irmão, caríssima irmã, hoje o Evangelho de São João nos apresenta uma cena impactante: Jesus entrando no Templo de Jerusalém, vendo uma grande transformação do lugar em um comércio de bens e dinheiro, e tomando uma atitude forte – expulsando os vendedores e cambistas. Esta passagem de João 2,13-22 nos leva a refletir sobre a verdadeira essência do Templo, o respeito à casa de Deus e a purificação do nosso próprio coração.

Jesus viu que aquele lugar, consagrado à oração e ao encontro com Deus, havia sido transformado em um mercado, onde o objetivo principal já não era o louvor e a inspiração, mas o lucro e a negociação. A atitude de Jesus pode nos parecer, num primeiro momento, intensa. No entanto, ao limpar o Templo, Ele nos dá uma profunda lição: o sagrado não deve ser tratado com desleixo ou interesse pessoal. O zelo que Jesus demonstra aqui é pelo verdadeiro culto a Deus, pela pureza do que é santo.

Neste Evangelho, somos chamados a nos perguntar: como estamos cuidando do templo que é a nossa vida e o nosso coração? Afinal, a própria Escritura nos ensina que cada um de nós é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6,19). Jesus nos convida a uma profunda purificação, a remover tudo o que nos distancia de Deus, tudo o que nos afasta do propósito para o qual fomos criados. Assim como Jesus removeu do Templo o que não era digno de estar ali, somos chamados a expulsar de nossas vidas o que nos impede de nos aproximarmos mais de Deus: os apegos materiais, o egoísmo, o rancor, a vaidade e tantas outras barreiras.

É interessante notar que Jesus se refere ao seu próprio corpo como o “novo Templo”. Ele diz: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei” (João 2,19). Os judeus não entenderam essas palavras, pois interpretaram-nas literalmente, mas Jesus falava de sua própria ressurreição. Aqui temos a revelação de que Ele mesmo é o verdadeiro Templo, o lugar onde nos encontramos plenamente com Deus. Através de Jesus, a presença de Deus se torna acessível a todos nós; Ele é a ponte, a porta, o novo templo, onde o sacrifício mais perfeito é oferecido.

E, ao olhar para a cruz e para a ressurreição, vemos que a purificação que Jesus fez no Templo de Jerusalém foi apenas uma preparação para o que Ele faria em toda a humanidade. Jesus se ofereceu por nós para nos purificar do pecado e para nos dar a chance de sermos santuários vivos do Espírito Santo.

Hoje, peçamos ao Senhor que venha limpar o templo do nosso coração. Que o Espírito Santo nos dê a força para afastar tudo o que não é digno de habitar ali, tudo o que nos afasta de Deus. Que a nossa vida, irmãos e irmãs, seja um templo vivo de amor e paz, onde Deus é o centro, onde a oração é constante, e onde a caridade para com o próximo se manifesta.

Que Maria Santíssima, a Mãe do Templo Vivo, nos ajude a sermos discípulos zelosos, que cuidem da própria vida como uma morada de Deus e que levem a presença de Cristo em todos os lugares.

Por fim, amados irmãos, gostaria de concluir apresentando o santo do dia. Mas, peço licença para dizer que o santo de hoje é cada coração voltado para o Pai. O cuidado com o templo de nossa vida e coração é profundo e pessoal. Quando Jesus purifica o Templo, Ele nos mostra que nossa vida interior também precisa ser purificada e dedicada a Deus. Assim como Ele limpou o Templo de tudo o que desviava do verdadeiro culto, somos convidados a limpar nosso coração e a nossa vida de tudo o que nos afasta do Senhor.

Como podemos, então, cuidar do templo de nossa vida e coração e sermos verdadeiramente templos vivos do Senhor?

Aqui estão algumas dicas inspiradas na fé:

1. Confissão frequente
A confissão é como uma “purificação” que Jesus faz em nós, limpando nosso coração de todos os pecados. Ao confessar nossos pecados e receber o perdão de Deus, renovamos o templo do nosso coração. Confessar-se regularmente (pelo menos uma vez por mês) nos ajuda a permanecer próximos de Deus e a receber Sua graça para lutar contra os pecados.

2. Adoração Eucarística
Passar tempo diante do Santíssimo Sacramento é uma forma de deixar Jesus transformar nosso coração. Na Adoração, oferecemos a Jesus nosso louvor e permitimos que Ele nos preencha com Sua paz e Sua presença. É um momento para ouvir o Senhor e purificar nossos pensamentos e preocupações

3. Leitura da Palavra de Deus e meditação
Assim como Jesus conhecia e vivia as Escrituras, nós também somos chamados a buscar a Palavra de Deus para orientar nossa vida. A leitura diária do Evangelho, a meditação e a prática de momentos de silêncio fortalecem o templo de nossa vida e aproximam nossa mente e nosso coração de Deus.

4. Vida de oração constante
A oração é o alimento de nossa alma e o que mantém nosso coração em sintonia com Deus. Criar uma rotina de oração diária (pela manhã, à noite e em pausas ao longo do dia) nos ajuda a estar sempre conscientes de que somos templos do Senhor. Ao rezar, estamos abrindo nosso coração a Deus e permitindo que Ele transforme nosso interior.

5. Participação na Santa Missa e Comunhão
A Missa é o ápice da vida cristã. Ao participar da Santa Missa e receber a Eucaristia, recebemos o próprio Jesus em nosso coração, o que nos purifica e nos fortalece espiritualmente. A frequência com que participamos da Eucaristia mostra o quanto desejamos cuidar do templo que é a nossa vida, colocando Deus em primeiro lugar.

6. Prática do jejum e da penitência
O jejum é uma forma de disciplina que ajuda a purificar nosso corpo e nossa alma, direcionando nosso desejo e nossa vontade para Deus. Oferecer sacrifícios, seja com abstinência de carne nas sextas-feiras ou outras formas de penitência, fortalece a alma e nos lembra que somos templos vivos do Senhor.

7. Caridade e amor ao próximo
Assim como Jesus nos ensinou a amar e servir, praticar a caridade é uma forma de purificar nosso coração. Cada vez que ajudamos o próximo, estamos nos abrindo para Deus e nos tornando mais parecidos com Cristo. A caridade, os atos de misericórdia e a paciência com os outros são uma maneira concreta de nos aproximarmos de Deus e sermos um templo digno da Sua presença.

8. Vida simples e desapego material
Jesus nos mostra que não precisamos de excessos materiais para estar em comunhão com Deus. O desapego e a simplicidade nos libertam das amarras que os bens materiais podem criar em nosso coração. Viver de forma mais simples e desapegada é uma forma de purificar nossa vida e manter o foco no essencial, que é o amor de Deus.

Amados irmãos, essas são práticas que nos ajudam a manter nosso coração e nossa vida sempre voltados para Deus, limpos de tudo o que nos impede de sermos verdadeiros templos vivos do Senhor. Assim, seremos, a cada dia, moradas puras e honestas para Cristo, irradiando Seu amor e Sua paz ao mundo.

Santo e abençoado dia. Paz e bem.


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Nós cremos na vida eterna

COR LITÚRGICA: ROXO

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus às multidões: “Todos os que o pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”. (Jo 6,37-40).

Caríssimo irmão, caríssima irmã, o Evangelho de hoje, segundo João 6,37-40, traz-nos uma das promessas mais consoladoras e profundas de Jesus: “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim eu jamais rejeitarei”.

Este texto encontra-se no contexto do chamado “Discurso do Pão da Vida”, no qual Jesus se revela como o Pão que desceu do céu, o verdadeiro alimento que dá vida eterna. Aqui, Ele nos dá uma visão do coração de Deus: um coração que acolhe, que não rejeita, que se abre e se entrega inteiramente ao ser humano. Jesus revela a face de um Pai que ama de maneira incondicional e deseja que todos cheguem ao conhecimento da Verdade e da Salvação.

Jesus enfatiza que a vontade do Pai é que ninguém se perca. Isso nos revela um Deus que, ao contrário do que muitas vezes pensamos, não quer impor condições, mas facilitar o caminho para cada um de nós. A imagem de Jesus como o Bom Pastor, aquele que busca a ovelha perdida, é retratada aqui de modo profundo. O desejo de Deus é que todos nós, independentemente de nossas falhas, de nossos tropeços e fraquezas, possamos buscar a Ele e, Nele, encontrar abrigo.

Há também uma promessa de fidelidade: “o que vem a mim eu jamais rejeitarei”. Irmãos e irmãs, este é um convite para que confiemos plenamente no amor de Deus. Muitas vezes, podemos pensar que nossos pecados, nossa história e nossas quedas nos afastaram tanto de Deus que não somos dignos de voltar. Mas Jesus nos diz o contrário. Ele nos acolhe com misericórdia, e esta misericórdia é um chamado à nossa conversão, para nos rendermos ao Seu amor e permitirmos que Ele nos transforme.

Outro ponto a se refletir é que Jesus não está apenas chamando indivíduos, mas formando um povo para a vida eterna. Ele promete que “todo aquele que nele crer será ressuscitado no último dia”. Isto nos aponta para a nossa vocação final, nossa esperança na vida eterna, que é o encontro definitivo com Deus. É esta esperança que nos sustenta e nos motiva a viver o Evangelho, mesmo diante das dificuldades e dos desafios do nosso tempo.

Enfim, que esta palavra seja um convite à confiança e à entrega. Que possamos, como filhos amados, aproximar-nos de Jesus com um coração confiante e humilde e permitirmos que Ele realize em nós a obra que o Pai lhe confiou: conduzir-nos para a vida eterna.

Por fim, a Igreja celebra hoje a memória dos fiéis defuntos, e quero me unir a todos que escutam ou leem essa reflexão em suas lágrimas e saudades. Somos chamados a refletir sobre a vida, a morte e a eternidade. É um momento de memória e saudade, um dia em que nossos corações se enchem de lembranças daqueles que amamos e que partiram. Para muitos, a dor da ausência é recente; para outros, as lembranças são antigas, mas igualmente vivas. Neste dia, é como se o véu que separa o tempo e a eternidade se tornasse mais tênue, permitindo-nos sentir um pouco mais de perto.

A morte, à primeira vista, parece uma ruptura, uma separação definitiva. Dói-nos porque amamos, e o amor deseja sempre estar junto, compartilhar, viver ao lado do outro. Mas a fé nos ensina que a morte, embora real, não é o fim. Em Jesus Cristo, Senhor da vida e da morte, recebemos a promessa de uma vida que não se apaga, de uma comunhão que é eterna. A Ressurreição de Cristo é a certeza de que nossos entes queridos não estão perdidos, mas vivem em Deus, onde um dia também seremos reunidos.

Este dia também nos recorda que somos peregrinos. Nossa vida aqui é passageira, mas nossa verdadeira pátria está no Céu. Em meio às ocupações e preocupações do dia a dia, podemos esquecer essa verdade e viver como se o tempo aqui fosse o único. Finados, então, nos convida a refletir sobre o sentido da nossa existência: estamos nos preparando para encontrar o Senhor? Vivemos de modo que nossa vida seja uma oferta de amor, uma resposta ao amor de Deus e um testemunho do Evangelho?

A saudade que sentimos dos que se foram nos fala do valor das relações, dos gestos e dos momentos partilhados. Cada vida é um dom precioso e único, e Finados nos chama a viver este dom com profundidade. Que possamos valorizar cada instante, cada pessoa que Deus coloca ao nosso lado. Que possamos amar mais, perdoar mais, reconciliar-nos e cuidar uns dos outros, lembrando que o amor nunca morre; ele permanece e nos une, aqui e além.

Nesta comunhão, rezamos pelos nossos falecidos, confiando-os ao coração misericordioso de Deus. Pedimos que Ele os acolha em Sua paz, que perdoe suas faltas e que lhes conceda a plenitude da vida. Que este Dia de Finados renove em nós a esperança na ressurreição e nos ensine a viver com os olhos postos na eternidade. Que Maria, nossa Mãe, nos console e nos acompanhe nesta peregrinação até o encontro definitivo com o Senhor, onde não haverá mais choro, nem dor, nem despedidas, mas a plenitude do amor em Deus.

Santo e abençoado dia. Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Tempo de conversão: a paciência de Deus espera por nossos frutos

Cor Litúrgica: Verde

29ª Semana do Tempo Comum | Sábado

Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. 2 Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3 Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. 4 E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5 Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. 6 E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7 Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ 8 Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9 Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’ “. (Lc 13,1-9)

Caríssimo irmão, caríssima irmã,

Neste Evangelho, Jesus nos apresenta uma reflexão profunda sobre a necessidade de conversão e a paciência de Deus. Ele começa mencionando duas tragédias: a morte de alguns galileus pelas mãos de Pilatos e a queda de uma torre em Siloé. Essas situações, por vezes, ressoam em nossa caminhada, pois frequentemente nos perguntamos: por que acontecem coisas ruins? Por que os justos sofrem? Seria isso um castigo de Deus?

Jesus, porém, corrige essa ideia. Ele nos ensina que o sofrimento e as calamidades não são punições diretas por pecados específicos. Todos nós precisamos de conversão, independentemente das circunstâncias que enfrentamos. Não são apenas os pecadores notórios que precisam se converter; todos nós somos chamados à conversão, pois a vida que temos é uma graça e uma oportunidade para nos voltarmos para Deus.

Três Pilares deste Evangelho

1. A Parábola da Figueira
Na segunda parte, Jesus conta a parábola de uma figueira estéril, que já havia três anos sem dar frutos. O dono da vinha quer cortá-la, mas o vinhateiro pede mais um ano: “Deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Se der fruto, muito bem; se não, então a cortarás.” (Lc 13,8-9).
Nesta imagem simples, Jesus nos revela o coração misericordioso de Deus. Deus é como esse vinhateiro: Ele não desiste de nós. Ele sabe que há tempos em que não damos os frutos esperados — tempos de fraqueza, afastamento, ou erro. Mas, ao invés de cortar e abandonar, Ele nos dá tempo e age em nossa vida com paciência, como quem cava a terra e a aduba para que possamos crescer. Esse tempo de misericórdia é hoje.

2. O Tempo da conversão é agora
Se a figueira somos nós, então essa parábola nos chama a um exame de consciência. Como está nossa vida espiritual? Estamos produzindo frutos de justiça, de caridade, de serviço aos irmãos? Estamos mais próximos de Deus e dos outros, ou nos tornamos uma figueira estéril?
Deus não deseja cortar ninguém, mas nos lembra que o tempo é limitado. A paciência divina não é uma permissão para permanecermos no erro. O tempo de nos convertermos é agora, enquanto a graça ainda é oferecida. E a conversão, queridos irmãos e irmãs, não é apenas abandonar o pecado, mas também escolher dar frutos: frutos de amor, perdão, reconciliação e compromisso com o Reino de Deus.

3. Aplicando à nossa vida
Este Evangelho também nos convida a sermos pacientes uns com os outros. Como o vinhateiro da parábola, somos chamados a ter paciência com aqueles que ainda não se converteram, com os que passam por momentos difíceis ou que precisam de mais tempo para crescer espiritualmente. Ao invés de condenar, devemos ser como adubo na vida dos outros, ajudando-os a florescer.

Por fim, o Evangelho nos convida a ver a nossa vida como uma oportunidade preciosa. Que frutos estamos dando em nosso trabalho pastoral, nas nossas famílias, na nossa comunidade? Se percebemos que ainda não estamos rendendo o que Deus espera, não percamos a esperança! A graça d’Ele é como adubo: está à disposição, esperando que respondamos com generosidade.

Que possamos, hoje, acolher esse chamado à conversão e abrir nosso coração para a paciência de Deus. E que, no tempo certo, possamos dar frutos abundantes, para que nossa vida seja sinal do amor de Cristo no mundo.

Celebramos São Demétrio de Tessalônica, grande mártir cristão que viveu no século IV. Durante a Idade Média, ele se tornou um dos mais importantes santos militares ortodoxos, aparecendo junto com São Jorge.
Roga por nós, São Demétrio.

Santo e Abençoado dia. Paz e Bem.


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Que Jesus transforme nossas vidas, assim como o vinho novo que traz alegria às bodas

Cor Litúrgica: Branco

Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, Solenidade, | Sábado


Naquele tempo, 1 houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2 Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3 Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4 Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou.” 5 Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7 Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8 Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9 O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10 O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11 Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele. (Jo 2,1-11)

Caríssimo irmão, caríssima irmã,

Neste dia solene, em que todo o Brasil se volta em devoção à Nossa Senhora Aparecida, refletimos sobre um dos relatos mais tocantes do Evangelho de João: o milagre da transformação da água em vinho nas bodas de Caná. Este foi o primeiro sinal de Jesus, que nos revela a profundidade do Seu amor e a abundância que Ele nos oferece.

A Significância das Bodas:
As bodas de Caná não são apenas uma festa para um casal, mas representam a união entre Deus e a humanidade. O matrimônio, na tradição bíblica, é uma metáfora da aliança entre Deus e Seu povo. Jesus, ao se revelar durante uma celebração, demonstra que Sua presença traz alegria e plenitude para nossas vidas.

A Água e o Vinho:
A transformação da água em vinho carrega um profundo significado teológico. A água, que era utilizada nos rituais de purificação, simboliza a Antiga Aliança, que, apesar de necessária, não podia proporcionar a verdadeira alegria e plenitude. O vinho, por outro lado, representa a Nova Aliança em Cristo, uma vida em abundância e cheia de graça. Hoje, esse novo vinho também simboliza a preservação da instituição familiar, que é um pilar para uma vida em comunhão e alegria, onde Cristo está presente em nossas refeições, relacionamentos e vida cotidiana.

Maria, Mãe de Jesus, e Sua Intercessão:
É impossível refletir sobre este milagre sem perceber a importância de Maria. Ao notar a falta de vinho, ela não hesitou em pedir ao Filho que intervisse. Sua confiança e solicitude nos ensinam que também podemos recorrer a Jesus em todas as nossas necessidades, certos de que Ele nos ouve e age. Maria, com sua intercessão materna, nos aponta sempre para Cristo.

O Sinal da Glória:
Este foi o primeiro sinal que Jesus realizou, e através dele, Sua glória foi revelada. Os milagres de Cristo são muito mais do que simples atos extraordinários; são sinais que nos conduzem a reconhecer Sua divindade e a verdadeira salvação que Ele nos oferece. Ele não apenas supri nossas necessidades imediatas, mas nos oferece a verdadeira alegria e esperança.

A Alegria da Nova Aliança:
Neste milagre, somos convidados a vivenciar a alegria da Nova Aliança que Jesus nos trouxe. Mesmo em meio às dificuldades e aos desafios da vida, Ele nos oferece o vinho novo, a alegria da salvação. Ele nos chama a participar dessa festa, a vivermos em plenitude e em comunhão com Ele.

Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil:
Hoje, celebramos Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira de todos os brasileiros. Sua história de devoção nos lembra que Deus se manifesta em momentos e lugares inesperados, sempre pronto a nos socorrer. A devoção à Nossa Senhora Aparecida nos chama a confiar em seu cuidado maternal e a buscar sua intercessão em nossas vidas.

Gostaria de compartilhar um testemunho pessoal. Durante tempos difíceis, especialmente na pandemia, confiei à Nossa Senhora Aparecida minhas preces e vi Sua intercessão operar grandes milagres. Sua luz guiou e curou muitos que estavam internados em UTIs, e Sua força nos ajudou a superar doenças e desafios. Sentir sua presença ao meu lado me trouxe clareza, força e paz, transformando até os momentos mais difíceis em oportunidades de crescimento espiritual.

Conclusão:
Amados irmãos e irmãs, que neste Dia de Nossa Senhora Aparecida possamos nos abrir ao poder transformador de Cristo e à intercessão de Maria. Assim como nas bodas de Caná, Cristo está presente em nossas vidas, pronto para realizar o extraordinário e nos dar o melhor. Que possamos confiar em Sua graça e em Sua mãe, para que nossas vidas sejam preenchidas de fé, amor e esperança.

Roga por nós, Senhora Aparecida, Mãe de todos os brasileiros. Que tenhamos um santo e abençoado dia!

Paz e Bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis

Cor Litúrgica: Verde

25ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Naquele tempo, todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. (Lc 9,43b-45)

Caríssimo irmão, Caríssima irmã, o trecho que o evangelista São Lucas narra hoje ocorre logo após Jesus ter realizado um milagre ao curar um menino possuído por um espírito maligno. As multidões ficaram maravilhadas com o poder e a autoridade de Jesus. No entanto, Ele usa este momento de admiração para fazer um anúncio surpreendente e até perturbador: Ele será entregue nas mãos dos homens. Eu os convido a meditarmos em 4 pontos que aprofundam nossa fé na centralidade das verdades deste evangelho, que contrasta fortemente com a glória de suas ações milagrosas.

MINISTÉRIO DA CRUZ: Jesus, mesmo em meio a um momento de glória, não deixa de apontar para o caminho da cruz. Ele quer que os seus discípulos compreendam que a sua missão não é apenas de glória e milagres, mas também de sofrimento e entrega. Isso nos revela um grande mistério teológico: o mistério da cruz. Jesus, o Filho de Deus, se entrega ao sofrimento e à morte por amor a nós. A cruz, que aos olhos do mundo é um sinal de fracasso, é, na realidade, o maior sinal de amor e obediência ao Pai.

O NÃO ENTENDIMENTO DOS DISCÍPULOS: Os discípulos, no entanto, não compreendem essa mensagem. E por quê? O texto diz que os sentidos estão escondidos. Aqui percebemos um aspecto importante da vida espiritual: nem sempre entendemos os planos de Deus imediatamente. Há momentos em que a compreensão plena do que Deus está fazendo em nossas vidas nos é ocultada, talvez porque ainda não estejamos prontos para receber ou entender o que Ele quer nos revelar. Quantas vezes, em nossa caminhada, ficamos confusos ou desanimados porque não entendemos os caminhos de Deus? Como os discípulos, temos medo de perguntar, temos medo de enfrentar o que pode significar seguir Jesus até o fim. Mas Jesus não desiste de nós, Ele continua caminhando conosco e, no tempo certo, nos dará a graça de entender.

A ENTREGA DE JESUS: A entrega de Jesus “nas mãos dos homens” é um ato voluntário de amor. Ele não foi simplesmente uma vítima das situações. Ele se entregou livremente, sabendo que, através de sua paixão e morte, abriria para nós as portas da salvação. Isso nos ensina sobre o amor autêntico: amar é se entregar, é sair de si mesmo para o outro, mesmo que isso implique dor e sacrifício.

APLICAÇÃO PARA NOSSAS VIDAS: Este Evangelho nos desafia a não buscar apenas o lado glorioso de seguir a Cristo. Há momentos em que o discipulado exige de nós a tolerância do sofrimento, da renúncia, da cruz. Precisamos estar atentos às palavras de Jesus e pedir ao Espírito Santo que abra nosso coração para entender que, muitas vezes, o caminho do verdadeiro seguimento de Cristo passa pela aceitação dos sofrimentos e dificuldades da vida com fé e esperança. Hoje, somos chamados a confiar que, mesmo quando não compreendemos o que Deus está fazendo, Ele está presente, Ele está no controle, e Ele nos conduz pelo caminho da salvação. Que possamos, como discípulos, ter a coragem de perguntar, de buscar entendimento, e, acima de tudo, de confiar plenamente naquele que nos amou até o fim.

Que a Virgem Maria, que também não compreendeu imediatamente tudo o que acontecia, mas guardava e meditava tudo no coração, interceda por nós para que possamos seguir Jesus com confiança e entrega.

Por fim, a Igreja celebra Júlia Eustóquio, ou Santa Eustóquia, que foi uma nobre romana do século IV, celebrada pela Igreja Católica no dia 28 de setembro.

Roga por nós, Santa Eustóquia!
Santo e abençoado dia.
Paz e Bem.


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Seguir e viver em Jesus transforma nossa vida

COR LITÚRGICA: VERMELHO

São Mateus, Apóstolo e Evangelista, Festa | Sábado


Naquele tempo,  Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus.  Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos.  Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.  Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. (Mt 9,9-13).

Caríssimo irmão, caríssima irmã, hoje o evangelho de São Mateus nos apresenta uma passagem simples, mas profundamente transformadora. Somos convidados a refletir sobre o testemunho do chamado de São Mateus, o cobrador de impostos, e a revelação do coração misericordioso de Jesus.

Mateus era um cobrador de impostos, alguém que, aos olhos do povo judeu, era considerado um pecador público. Esses coletores de impostos eram vistos como traidores, pois trabalhavam para o Império Romano e, muitas vezes, enriqueciam às custas do seu próprio povo. No entanto, Jesus, ao passar por Mateus, não o vê através dos olhos da sociedade ou da condenação. Ele o olha com misericórdia e amor e, simplesmente, diz: “Segue-me”.

Este convite, “Segue-me”, muda completamente a vida de São Mateus. Aquele que era desprezado e marginalizado por muitos agora é acolhido por Jesus. Mateus deixa tudo e O segue. Aqui aprendemos uma verdade fundamental: Jesus não escolhe os perfeitos, mas chama os pecadores à conversão. Ele vê o coração e o potencial de transformação que cada um carrega dentro de si.

Logo depois, Jesus vai à casa de Mateus e se senta para comer com publicanos e pecadores. Isso causa indignação nos fariseus, que se perguntam: “Por que o vosso mestre come com os publicanos e pecadores?”. A resposta de Jesus é profunda: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. Ide, pois, aprender o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.”

Irmãos e irmãs, essas palavras são o coração do Evangelho. Jesus não veio para aqueles que já se consideram justos e perfeitos, mas para aqueles que reconhecem suas fraquezas, imperfeições e sua necessidade de salvação. Ele não rejeita ninguém. Pelo contrário, Ele se aproxima, toca, cura e restaura. Ele é o médico que veio para os doentes, e todos nós, em algum momento, somos como Mateus, necessitados da cura do Senhor.

Jesus nos ensina que o coração da fé está na misericórdia, não no cumprimento cego de regras ou tradições. A misericórdia de Deus vai além de qualquer mérito humano. Deus não nos ama porque somos perfeitos, mas porque Ele é perfeito em amor. E é esse amor que nos transforma.

Hoje, somos convidados a nos colocar no lugar de Mateus. Talvez, como ele, também tenhamos áreas em nossas vidas onde nos sentimos indignos ou distantes de Deus. Mas o olhar de Jesus continua a nos chamar: “Segue-me”. Este é o convite para uma vida nova, para uma conversão diária, para deixarmos tudo aquilo que nos afasta de Deus e caminharmos com Ele.

Também somos chamados a ser como Jesus, olhando para os outros com misericórdia. Muitas vezes, caímos na tentação de julgar, excluir e rotular. Mas o Evangelho de hoje nos lembra que nosso papel, como discípulos, é ser instrumentos da misericórdia de Deus, acolhendo aqueles que mais precisam, amando sem medida e sempre abrindo espaço para a reconciliação e a cura.

Que o exemplo de São Mateus nos inspire a responder com generosidade ao chamado de Jesus em nossas vidas. Que possamos, como ele, deixar tudo para seguir o Mestre, confiantes de que Ele sempre nos acolhe com amor e nos guia no caminho da salvação.

Por fim, a Igreja celebra São Mateus, Apóstolo e evangelista, que nos traz uma referência de como precisamos estar abertos a sermos, nos dias de hoje, apóstolos do céu, apesar dos nossos pecados, medos e incredulidade. Estejamos disponíveis para sermos instrumentos, pois, com sua misericórdia, Deus irá nos usar. Lembre-se que Cristo mesmo nos diz: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.”

Roga por nós, glorioso São Mateus, para que nos convertamos sempre ao Evangelho.


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

A Cruz é sinal de Salvação

Cor Litúrgica: Vermelha

Exaltação da Santa Cruz, Festa | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13 “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14 Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16 Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele

Caríssimos irmãos e irmãs,

O Evangelho de São João, em seu diálogo entre Jesus e Nicodemos, nos conduz a uma meditação profunda sobre o amor de Deus e o plano de salvação. Jesus, ao dizer: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem”, nos revela que Ele é o único que possui autoridade sobre as realidades celestiais, pois desceu do Pai para nos trazer a verdade e a vida.

Jesus, então, faz uma comparação que seus ouvintes judeus entenderiam claramente: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim será levantado o Filho do Homem, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna.” Isso nos remete ao episódio do Antigo Testamento, quando os israelitas, ao serem picados por serpentes venenosas, eram curados ao olhar para a serpente de bronze erguida por Moisés. De forma semelhante, ao olharmos para Jesus crucificado, encontramos salvação. A cruz, que parecia sinal de derrota, se transforma em símbolo de vitória.

O versículo 16 nos traz uma verdade fundamental: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” Este é o centro da nossa fé: Deus nos ama com um amor infinito, sem reservas, ao ponto de entregar Seu próprio Filho por nós. Esse amor é para todos, sem exceção, e a salvação é um dom gratuito, recebido pela fé.

O Evangelho também nos lembra que Deus não enviou Seu Filho para condenar o mundo, mas para salvá-lo. Jesus é o nosso Salvador, o que nos liberta do pecado e nos oferece uma nova vida. Ele nos chama a renovar nossa fé e a olhar para a cruz com confiança, sabendo que é nela que encontramos o maior testemunho do amor de Deus.

Ao celebrarmos a Exaltação da Santa Cruz, somos convidados a meditar sobre o profundo significado desse símbolo. Essa festa remonta à descoberta da verdadeira cruz por Santa Helena e à dedicação da Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém. A cruz, que era vista como um instrumento de vergonha e condenação, foi transformada por Cristo em sinal de glória e redenção. Nela, Jesus entregou sua vida por nós em um ato de amor total.

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é recordar que, mesmo nas tribulações da vida, a cruz é o caminho para a redenção e a vida eterna. Como cristãos, somos chamados a ver na cruz o sinal da nossa salvação. “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.” Que possamos viver à luz dessa verdade e anunciar ao mundo o amor de Deus revelado em Cristo crucificado.

Amém.


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

As leis de Deus estão a serviço da vida e do bem do ser humano, e não o contrário

COR LITÚRGICA: VERDE

22ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Num sábado, Jesus estava passando através de plantações de trigo. Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos.  Então alguns fariseus disseram: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?”  Jesus respondeu-lhes: “Acaso vós não lestes o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome?  Davi entrou na casa de Deus, pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, e ainda por cima os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães”.  E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”. (Lc 6,1-5).

Caríssimo irmão, caríssima irmã, no Evangelho de hoje, vemos Jesus e Seus discípulos passando pelos campos de trigo em um sábado. Os discípulos, com fome, colhem espigas de trigo e as comem, esfregando-as com as mãos. Os fariseus, ao observarem essa cena, criticam Jesus, dizendo que Seus discípulos estão fazendo o que não é permitido no sábado.

A resposta de Jesus nos leva a refletir sobre a essência da Lei de Deus. Ele recorda a história de Davi, que, em um momento de necessidade, comeu dos pães da proposição, que eram reservados somente para os sacerdotes. Jesus destaca que a Lei de Deus não é uma série de regras rígidas e frias; ela é, antes de tudo, um caminho de amor e misericórdia.

O sábado, para os judeus, era um dia sagrado, dedicado ao descanso e à contemplação de Deus. Porém, os fariseus, ao longo do tempo, haviam transformado essa lei em um fardo. Em vez de ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus, as regras minuciosas que criaram tornaram-se um obstáculo para a liberdade e para o encontro com o Senhor.

Jesus, ao dizer “O Filho do Homem é Senhor do sábado”, nos convida a refletir sobre o verdadeiro significado do descanso sabático e de todas as leis. Ele nos lembra que o próprio Deus é o Senhor do sábado, e que Ele deseja misericórdia e não sacrifício. O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Ou seja, as leis de Deus estão a serviço da vida e do bem do ser humano, e não o contrário.

Quantas vezes, em nossas comunidades, nos preocupamos mais com as regras do que com o amor que deve nortear nossas ações? Quantas vezes julgamos as ações dos outros sem saber o que realmente estão vivendo? Jesus nos convida a olhar além das aparências e a buscar a verdadeira intenção por trás da Lei: a promoção da vida, da caridade e da compaixão.

O Evangelho de hoje nos desafia a refletir sobre como vivemos nossa fé. Estamos focando nas regras ou na essência da mensagem de Jesus? Estamos sendo pessoas de misericórdia, de amor e de compaixão? Que possamos aprender com o Senhor que o amor está acima de tudo e que Ele, o Senhor do sábado, nos chama a viver a nossa fé de maneira profunda e verdadeira, sempre guiados pelo amor.

Hoje, enquanto celebramos o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, o Evangelho de São Lucas 6, 1-5 nos convida a uma profunda reflexão sobre liberdade e justiça. Somos chamados a recordar que a liberdade não é apenas uma conquista política ou social, mas uma realidade que deve tocar o coração de cada um de nós. No Evangelho, Jesus revela que Ele é “o Senhor do sábado”, mostrando que a Lei de Deus existe para promover a vida e a liberdade autêntica, e não para impor fardos pesados.

Assim como a independência do Brasil representou a busca por uma sociedade mais justa e livre, o Evangelho nos desafia a buscar uma liberdade que vai além das aparências, das leis e das convenções sociais. É uma liberdade que nasce do amor, da justiça e da misericórdia. Precisamos lembrar que o verdadeiro sentido da liberdade é servir uns aos outros com generosidade, sem nos prender a legalismos que aprisionam o coração.

Neste 7 de Setembro, que possamos nos inspirar em Jesus, que sempre colocou a dignidade humana acima de qualquer regra, e nos comprometermos a construir um Brasil onde a verdadeira liberdade e justiça sejam vividas. Que sejamos promotores de paz, respeito e fraternidade, seguindo o exemplo do Senhor, o verdadeiro libertador.

Por fim, a Igreja celebra hoje Santa Regina, padroeira da pobreza, das pastoras e das vítimas de tortura. Santa Regina foi uma santa virgem e mártir da Igreja Cristã pré-cisma. Um cheiro adocicado de incenso também foi relatado em sua presença.

Rogai por nós, Santa Regina, para que possamos viver livres das torturas sociais, verbais e políticas.

Santo e abençoado dia! Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Que possamos vim, ver e ser como Jesus

Cor Litúrgica: Vermelho

São Bartolomeu, Apóstolo, Festa | Sábado


Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. (Jo 1,45-51)

Caríssimo irmão, Caríssima irmã,

Hoje, o Evangelho nos apresenta um encontro profundamente significativo entre Jesus e Natanael, que nos oferece uma rica meditação sobre a busca pela verdade, a vocação e o reconhecimento de Jesus como o Filho de Deus.

No início deste trecho, Filipe encontra Natanael e lhe diz: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José” (Jo 1,45). Filipe está cheio de entusiasmo, pois ele encontrou o Messias e deseja compartilhar esta boa nova com Natanael. Isso nos mostra a alegria e o desejo natural de evangelizar, de compartilhar com os outros aquilo que transforma nossas vidas. Filipe não guardou para si a descoberta de Jesus, mas imediatamente a compartilhou com seu amigo. Isso nos ensina e convida a partilhar, testemunhar o Cristo que também está em nós.

Contudo, a resposta de Natanael é intrigante, e ouso dizer: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Natanael expressa aqui um preconceito comum na época, subestimando Nazaré como um lugar insignificante. Este ceticismo de Natanael reflete muitas vezes a nossa própria atitude diante da vida e da fé. Quantas vezes deixamos que nossos preconceitos, dúvidas e experiências passadas obscureçam a possibilidade de encontrar algo novo e verdadeiro em Cristo? Todavia, Filipe não debate, não discute, mas simplesmente convida: “Vem e vê” (Jo 1,46). Essa é uma das respostas mais poderosas que podemos oferecer a alguém que busca a verdade ou que está em dúvida sobre a fé. “Vem e vê” é um convite à experiência pessoal, ao encontro com Jesus, onde cada um pode ver por si mesmo a verdade e a bondade de Deus.

Quando Natanael finalmente encontra Jesus, ele é surpreendido: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira” (Jo 1,48). Essa revelação demonstra que Jesus o conhecia profundamente, mesmo antes de Natanael saber quem Ele era. O conhecimento íntimo que Jesus tem de cada um de nós nos lembra que Deus nos conhece profundamente, em nossa totalidade, com todas as nossas fraquezas, dúvidas e esperanças.

Natanael então responde com uma confissão de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (Jo 1,49). Ao ouvir essas palavras, vemos que o ceticismo de Natanael transformou-se em fé viva. O encontro pessoal com Jesus, em que ele se sente conhecido e amado, o leva a essa declaração profunda de fé.

Jesus, por sua vez, promete a Natanael que ele verá coisas maiores: “Verás o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1,51). Esta é uma promessa de revelação contínua, de que aqueles que seguem a Cristo viverão experiências cada vez mais profundas e transformadoras. Rezem para ser dignos de ver essa linda imagem ao sermos recebidos no céu.

Queridos irmãos e irmãs, São João nos chama a refletir sobre nossa própria jornada de fé. Somos chamados a superar nossos preconceitos e dúvidas, a aceitar o convite de “vir e ver”, a procurar um encontro pessoal com Jesus que nos leve à verdadeira fé. E, como Filipe, somos convidados a compartilhar essa alegria com os outros, a convidar aqueles que estão ao nosso redor para encontrar o Cristo.

Que possamos, a cada dia, crescer em nossa fé e ser testemunhas vivas do amor e da verdade que encontramos em Jesus, o Filho de Deus, o Rei de Israel.

Celebra-se hoje, São Bartolomeu, Apóstolo, Padroeiro dos padeiros, dos alfaiates, dos sapateiros e dos mercadores, também chamado de Natanael, um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento e, mais especificamente, os quatro Evangelhos. O Papa Bento XVI, na audiência do dia 4 de outubro de 2006, disse estas palavras que concluem o ensinamento da vida de São Bartolomeu: “Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós é chamado a consagrar a vida e a morte”.

Rogai por nós, São Bartolomeu, ensina-nos a ver e ser como Jesus! Santo e abençoado dia! Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Corações e almas puras como crianças

Cor Litúrgica: Verde

19ª Semana do Tempo Comum | Sábado


Naquele tempo, levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. Então Jesus disse: “Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus”. E depois de impor as mãos sobre elas, Jesus partiu dali. (Mt 19,13-15)

Caríssimo irmão, caríssima irmã, São Mateus hoje nos apresenta uma cena simples, mas carregada de profundidade espiritual. Jesus está cercado por crianças que foram trazidas a ele para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. No entanto, os discípulos, talvez sem entender completamente o valor desse gesto, repreendem as pessoas que trazem as crianças. Mas, Jesus, com a sua infinita sabedoria e amor, diz: “Deixai as crianças e não as impeçais de vir a mim, porque delas é o Reino dos Céus”.

Essas poucas palavras nos oferecem uma lição poderosa sobre a simplicidade, a pureza, humildade e amor do coração e a confiança que devemos ter em Deus. As crianças, em sua inocência e dependência, representam a atitude ideal que todos devemos ter diante do Pai. Elas confiam plenamente, são abertas ao amor e prontas para receber o que lhes é oferecido.

Jesus valoriza a simplicidade das crianças. Ele não pede que sejamos teólogos ou que compreendamos todos os mistérios do Reino, mas que nos aproximemos de Deus com um coração puro e simples. Muitas vezes, somos tentados a complicar a nossa fé, a racionalizar demais, a exigir provas. Mas, como as crianças, somos chamados a confiar na bondade e na providência de Deus.

As crianças não têm pretensões, não buscam status ou reconhecimento. Elas simplesmente se aproximam de Jesus porque confiam nele. Esta humildade é essencial para quem deseja entrar no Reino dos Céus. Jesus nos ensina que não é pela força, pelo poder ou pelo conhecimento que nos aproximamos de Deus, mas pela humildade, reconhecendo nossa total dependência Dele.

As crianças são abertas ao amor, prontas para receber e também para dar. Elas não colocam barreiras ou condições. Jesus nos convida a sermos como elas, abrindo nosso coração para o Seu amor incondicional. Muitas vezes, nós, adultos, nos fechamos em nossas dores, mágoas e preconceitos, dificultando a ação do amor de Deus em nossas vidas.

Por fim, ao acolher as crianças, Jesus também nos lembra da responsabilidade que temos de cuidar dos pequenos, dos vulneráveis, dos que estão em situação de fragilidade. Não só as crianças, mas todos aqueles que, de alguma forma, dependem de nosso cuidado e atenção. Somos chamados a ser protetores, a oferecer um ambiente de segurança, amor e crescimento para aqueles que Deus coloca em nosso caminho.

Queridos irmãos e irmãs, que possamos aprender com as crianças a simplicidade, a humildade e a abertura ao amor de Deus. Que possamos também, como Jesus, ser instrumentos de acolhida, proteção e cuidado para os mais vulneráveis. E que, assim, vivendo esses valores, possamos nos aproximar cada vez mais do Reino dos Céus, onde reina o amor e a paz.

Celebramos hoje, Nossa Senhora de Assiute é o nome dado a uma série de aparições da Virgem Maria relatadas entre os anos 2000 e 2001 em Assiute, no Egito. Um dos relatos históricos dizem: Em 17 de agosto de 2000, quando uma mulher muçulmana que caminhava perto da Igreja Copta de São Marcos avistou sobre o telhado do templo a uma mulher. Em seguida, ela começou a caminhar entre os dois minaretes. Ela imaginou que era uma mulher comum tentando cometer suicídio, ou com o objetivo retirar a cruz fixada na cúpula do templo, motivando-a a correr imediatamente para avisar os oficiais, rapidamente formando uma multidão ao arredor da igreja para observar o que se concluiu ser uma aparição sobrenatural, identificada como sendo a Virgem Maria. Apenas o rosto de Maria era visto, enquanto seu corpo estava envolto em luz. Ela fazia gestos para a multidão, demonstrando estar abençoando os milhares de fiéis que a assistiam. A presença de um cheiro adocicado de incenso também foi relatado.

Rogai por nós, Nossa Senhora de Assiute, passar a visitar nossos corações. Santo e Abençoado dia! Paz e Bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Servir é um caminho para ter honra diante de Cristo

Cor Litúrgica: Vermelho

São Lourenço, diácono e mártir | Sábado


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”. (Jo 12,24-26)

Caríssimo irmão, Caríssima irmã,

São João nos apresenta uma passagem profunda do Evangelho, e como ele, o Senhor nos convida a refletir sobre o verdadeiro sentido da vida e do seguimento a Cristo. Jesus nos diz:

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perde-a; mas quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai o honrará.”

Essas palavras de Jesus são, ao mesmo tempo, um convite e um desafio. Elas nos mostram que o caminho do discípulo é um caminho de doação, de entrega, de morte para si mesmo, para que a vida de Cristo possa crescer em nós e, através de nós, no mundo.

O grão de trigo, que cai na terra e morre, é uma imagem poderosa da nossa vocação como cristãos. Assim como o grão de trigo, somos chamados a “cair na terra”, ou seja, a nos inserir plenamente na realidade deste mundo, mas com uma disposição interior de nos entregar por completo, como Cristo se entregou por nós. Essa entrega não é fácil; exige desapego, renúncia, e muitas vezes, sofrimento. Mas é através dessa entrega que encontramos a verdadeira vida.

Jesus nos ensina que “quem ama a sua vida, perde-a”. Isso não significa que devemos desprezar a vida que Deus nos deu, mas sim que não devemos nos apegar a ela de maneira egoísta. O apego excessivo à nossa própria vontade, aos nossos próprios desejos, nos impede de viver plenamente a vida que Deus quer nos dar. O segredo da vida cristã está em “odiar a nossa vida neste mundo”, no sentido de rejeitar tudo o que nos afasta de Deus e abraçar a cruz, que é o sinal do amor total.

O fruto dessa entrega é a vida eterna. Quando nos desapegamos de nós mesmos e seguimos a Cristo, não apenas encontramos a verdadeira vida, mas também nos tornamos instrumentos de vida para os outros. A nossa vida, unida à de Cristo, torna-se fecunda, dando frutos de amor, de paz, de justiça e de santidade no mundo.

Por fim, Jesus nos faz uma promessa consoladora: “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo”. Servir a Cristo não é apenas cumprir deveres ou obedecer a mandamentos; é seguir os Seus passos, viver como Ele viveu, amar como Ele amou. E a recompensa por esse serviço é estar com Ele, agora e por toda a eternidade. Não há honra maior do que essa: ser honrado pelo próprio Deus Pai, que nos acolhe como Seus filhos e filhas, e nos dá a vida eterna.

Que possamos, meus irmãos e irmãs, responder com generosidade a este chamado de Cristo. Que sejamos grãos de trigo dispostos a cair na terra e morrer, para que, através de nós, o mundo possa conhecer o amor e a vida que Jesus nos oferece. Que Ele nos dê a graça de seguir o Seu caminho com coragem e fidelidade, sabendo que, onde Ele estiver, ali estaremos também, em comunhão com Ele e com todos os santos.

Celebramos hoje Santa Filomena, santa virgem e mártir, cuja veneração pela Igreja Católica Apostólica Romana iniciou-se em meados do século XIX. O pouco que se sabe de sua vida chegou à Igreja através de revelações privadas, que teriam sido recebidas pela Serva de Deus Maria Luisa de Jesus, na cidade de Nápoles. Essas revelações, por obediência ao seu diretor espiritual, foram transcritas e a veracidade de seus escritos foi atestada pelo Santo Ofício (atual Congregação para a Doutrina da Fé). A devoção a Santa Filomena espalhou-se pelo mundo principalmente através do grande fenômeno que foi a Emigração italiana de fins do século XIX e começo do século XX, cujos imigrantes levaram as suas devoções para os países onde se estabeleceram.

Rogai por nós, Santa Filomena.

Santo e abençoado dia! Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB