Search

Seguir-me! E Anunciar-me és o desejo do Pai

Cor Litúrgica: Branco

Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja, Memória | Sábado


Naquele tempo, 35 Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36 Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37 “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1 E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6 “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! (Mt 9,35-10,1.6-8)

Caríssimo irmão, caríssima irmã,
Hoje, o Evangelho nos apresenta uma provocação cristã, uma cena profundamente tocante e cheia de ensinamentos para a nossa missão como discípulos de Jesus. Ele nos revela o coração de Cristo, repleto de compaixão, e nos convida a participar ativamente da construção do Reino de Deus.

Jesus percorria cidades e povoados, ensinando, curando e proclamando a Boa Nova do Reino. Ele via as multidões e sentia compaixão, pois estavam como ovelhas sem pastor. Essa compaixão não era apenas um sentimento de pena, mas uma força que movia Jesus a agir, acolher e libertar.

No mundo contemporâneo, quantas pessoas vivem como ovelhas sem pastor? Vivemos em uma sociedade marcada pelo individualismo, solidão e busca desenfreada por respostas em lugares que, muitas vezes, apenas aumentam o vazio. Hoje, somos chamados a assumir o olhar de Jesus: um olhar que vê além das aparências, que reconhece as dores e necessidades do próximo.

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”

Essa frase de Jesus é um apelo atemporal. O mundo carece de testemunhas autênticas do Evangelho. Não basta admirar Cristo; é necessário segui-lo, envolver-se e comprometer-se. O chamado para trabalhar na messe não é exclusivo dos padres, religiosos ou catequistas. Cada batizado é chamado a ser luz no seu contexto: na família, no trabalho, na escola, nos círculos de amizade.

Quantas vezes nos acomodamos na fé, esperando que outros sejam os “trabalhadores” enviados? Jesus nos chama hoje a arregaçar as mangas, a sair da nossa zona de conforto e a seguir o discipulado. A Igreja, em sua sucessão apostólica, exemplifica essa ligação com a missão: uma missão de saída e encontro.

Jesus deu aos seus discípulos autoridade para curar os doentes, libertar os oprimidos e anunciar a proximidade do Reino. Ele nos lembra: “De graça recebestes, de graça deveis dar”.

No mundo moderno, “curar” pode significar escutar com paciência quem sofre, oferecer palavras de esperança a quem está desanimado ou ajudar concretamente quem enfrenta necessidades materiais. Libertar os oprimidos pode significar lutar contra estruturas de injustiça ou estender a mão àqueles presos em suas próprias limitações, como vícios ou medos.

Anunciar o Reino no mundo digital

No mundo globalizado, “anunciar o Reino” ganha uma nova dimensão. Que tipo de mensagem compartilhamos? Somos promotores de esperança e verdade, ou repetimos divisões e superficialidades?

A frase “De graça recebestes, de graça deveis dar” nos desafia a sermos generosos com os dons que Deus nos confiou. Quantos talentos, recursos e habilidades mantemos guardados por medo, preguiça ou egoísmo? Tudo o que temos e somos deve estar a serviço da edificação do Reino.

Hoje, Jesus nos envia como discípulos. O lugar da missão pode ser o supermercado, a escola, a vizinhança ou qualquer ambiente em que vivemos. Ele nos envia para sermos sinais de sua compaixão, agentes de sua paz e testemunhas de sua esperança.

Amados irmãos e irmãs, deixemo-nos transformar pela compaixão de Cristo. Reconheçamos a messe ao nosso redor e sejamos trabalhadores dedicados, que, com pequenos gestos, ajudam a tornar o Reino de Deus visível no mundo.

Que o Senhor nos conceda um coração compassivo, mãos generosas e pés dispostos a caminhar para onde Ele nos enviar. Assim, juntos, sejamos verdadeiros discípulos missionários, instrumentos vivos de sua graça.

Finalizo com uma pergunta:
Como filho de Deus, Ele pode contar contigo para a missão? Para anunciá-lo através do Santo Evangelho?

Por fim, a Liturgia de hoje nos recorda Santo Ambrósio, padroeiro das abelhas, apicultores, fabricantes de velas e animais domésticos. Santo Ambrósio, arcebispo de Milão no século IV, foi um dos mais influentes membros do clero de sua época. A ele se atribui a promoção do canto antifonal e a composição do hino natalino Veni redemptor gentium.

Rogai por nós, Santo Ambrósio.

Santo e abençoado dia. Paz e bem!


Luiz Guilherme

Pregador do grupo Sangue e Água e membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia Nossa Senhora do Livramento/PB

Compartilhe:

Deixe um comentário