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Recife registrou 66 mil famílias inadimplentes em dezembro de 2024

 (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Recife ainda tem 66 mil famílias que estão inadimplentes e em dezembro de 2024 registrou 82% no índice de famílias endividadas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (24), no recorte local realizado pela Fecomércio-PE, da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o levantamento da Fecomércio-PE, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024 foi marcado por melhorias no mercado de trabalho e mudanças no perfil do endividamento. No período, o índice de famílias endividadas apresentou estabilidade, de 83% em janeiro de 2023 para 82% em dezembro de 2024.

De acordo com o economista David Batista, essa estabilidade no percentual de famílias endividadas pode indicar uma série de fatores. “Por um lado, pode indicar que as famílias estão se adaptando à sua situação financeira, talvez priorizando pagamentos de dívidas ou ajustando também o orçamento. Por outro lado, isso pode sugerir que a economia está em estado de estagnação, porque a gente tem uma alta taxa de juros e uma estagnação econômica, onde as melhorias de fato são mais lentas e as famílias continuam enfrentando dificuldades para sair do ciclo de endividamento”, destaca.

Inadimplência recuou 16,5%

Apesar da estabilidade no endividamento, foi registrada uma queda de 16,5% na inadimplência, que passou de 79 mil para 66 mil famílias no mesmo período. A expectativa de inadimplência também diminuiu, passando de 155 mil para 137 mil famílias, o menor nível em dois anos.

Essas mudanças ocorreram em paralelo à redução da taxa de desocupação em Pernambuco, que caiu de 14,1% no primeiro trimestre de 2023 para 10,5% no terceiro trimestre de 2024. Ainda diante desse cenário, a informalidade cresceu no estado, passando de 48,9% para 50% no mesmo período.

Mesmo com mais pessoas ocupando postos de trabalho no estado, o alto número de inadimplentes ainda se destaca na capital. Para o economista é importante verificar a realidade das condições de trabalho no Recife.

“Embora mais pessoas estejam empregadas, é essencial considerar também a qualidade desses empregos, por exemplo, os salários que são oferecidos para eles. Por exemplo, existem empregos que pagam salários mais adequados e oferecem certa segurança jurídica para a família. Isso é fundamental para que as famílias consigam se manter em dia com suas obrigações financeiras”, aponta David.

Ainda de acordo com ele, a alta da inflação também acaba afetando a população, aumentando o custo de vida e a dificuldade da população de equilibrar suas finanças.

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