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“Movimentação do governo precisa ir além do enfrentamento simbólico”, diz economista


Lula e Trump Colagem/Evaristo Sa e Andrew Caballero-Reynolds/AFP

O presidente Lula oficializou nesta segunda-feira (14) a criação do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, como resposta às tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.

O grupo será responsável por formular estratégias de defesa comercial e terá como base legal a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei 15.122/2025), regulamentada por decreto também assinado nesta segunda.

O comitê será presidido pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e reunirá ainda os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

A primeira missão do grupo será ouvir os setores da indústria e do agronegócio, em reuniões marcadas para esta terça-feira (15). Segundo o governo, o objetivo é avaliar os impactos da tarifa norte-americana e construir alternativas comerciais para mitigar os danos à economia.

Para o economista Tiago Monteiro, a reação brasileira é válida, mas o cenário exige cautela. Segundo ele, a ofensiva tarifária de Trump tem menos a ver com regulação comercial e mais com questões geopolíticas. “Estamos diante de um conflito político-ideológico, não apenas econômico. A movimentação do governo precisa ir além do enfrentamento simbólico, porque o impacto pode ser grande no curto prazo”, avalia.

Monteiro lembra que os Estados Unidos ainda representam um dos principais destinos das exportações brasileiras. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, em 2024, cada bilhão de dólares exportado ao país gerou cerca de 24 mil empregos no Brasil. “Se essa tarifa for implementada, o efeito será direto sobre inflação, juros e câmbio. Há projeções de queda de até 0,6% no PIB”, acrescenta.

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