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Comissão Interamericana de Direitos Humanos denuncia possível execução e massacre de manifestantes no Peru

Soldados entram em confronto com manifestantes anti-governo do lado de fora do aeroporto de Arequipa, no sul do Peru, em 20 de janeiro de 2023 — Foto: José Sotomayor/AP

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denunciou, nesta quarta-feira (3), a possível execução e massacre de manifestantes durante a repressão aos protestos contra a presidente do Peru, Dina Boluarte, que deixaram 50 mortos entre dezembro e fevereiro.

O organismo da Organização dos Estados Americanos (OEA) apresentou um relatório após a visita de uma representação ao país no início do ano, no qual aponta os agentes do Estado por sua suposta responsabilidade em “múltiplas” mortes de civis e pede à justiça peruana que “investigue, julgue e puna” os responsáveis.

A resposta dos agentes de segurança “não foi uniforme em todo o território nacional e houve graves episódios de uso excessivo da força em casos específicos”, afirmou a CIDH.

A comissão detalhou o que ocorreu na cidade de Ayacucho, onde morreram 10 manifestantes, oito deles durante a tentativa de tomada do aeroporto local em 15 de dezembro: “Ao se tratar de múltiplas privações do direito à vida, dadas as circunstâncias de modo, tempo e lugar, [as mortes] poderiam ser qualificadas como um massacre”, afirmou a comissão.

Segundo a CIDH, “por serem perpetradas por agentes do Estado, as mortes poderiam constituir execuções extrajudiciais”.

As vítimas receberam “impactos de armas de fogo, incluindo balas de borracha, na parte superior do corpo”.

Também foram atingidas pessoas alheias às manifestações que começaram em 7 de dezembro, após a destituição do presidente Pedro Castillo (julho de 2021-dezembro de 2022) após sua fracassada tentativa de dissolver o Congresso e governar por decreto.

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