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Ministério da Saúde recomenda que população evite bebida destilada

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha/Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou nesta quinta-feira, 2, que a população evite o consumo de bebidas alcoólicas destiladas. Até o momento, o Brasil tem 59 casos notificados de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica, sendo 11 confirmados.

“Na condição de ministro e como médico, a recomendação é que se evite ingerir produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tenha absoluta certeza da origem. Não estamos falando de um produto essencial para a vida das pessoas”, recomendou Padilha.” Não faz problema nenhum na vida de ninguém evitar o consumo.”

O ministro reforçou que a recomendação é sobre bebidas destiladas. Ele explicou que no caso da cerveja, por exemplo, é mais difícil adulterar pelas características da bebida, como gás tampa descartável, entre outros. “Já tivemos casos de intoxicação em cerveja quando teve uma falha na produção“, disse.

Agora, são 53 casos em São Paulo, 5 em Pernambuco e 1 no Distrito Federal. Até o momento, 1 óbito foi confirmado em São Paulo. Sete mortes estão em investigação: duas em Pernambuco (João Alfredo e Lajedo) e cinco em São Paulo (dois em São Bernardo do Campo e três na capital).

Padilha anunciou que o Ministério da Saúde vai ampliar os estoques do etanol farmacêutico, usado para tratar os pacientes, por meio da compra de 4.300 ampolas do insumo. A pasta vai adquirir ainda 5 mil tratamentos (que incluem 30 ampolas cada um).

O Ministério da Saúde pediu à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol, um outro antídoto utilizado em casos mais graves e que não tem registro no Brasil. Além disso, a pasta manifestou a intenção de compra de até 1000 tratamentos para constituir estoque no País.

Diante do aumento de casos considerados “fora do padrão”, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai oficiar dez agências reguladoras de referência ao redor do mundo para que elas acionem produtores de fomepizol.

Intoxicação por metanol: Sobe para 12 o número de casos confirmados

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha/Rafael Nascimento/MS

O número de casos de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol subiu para 12 no Brasil. Outros 47 seguem em investigação. O balanço foi divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (2).

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o 12º caso confirmado é o do rapper Hungria, que está internado em Brasília.

Pernambuco

O Ministério da Saúde aponta cinco casos em investigação em Pernambuco. A Secretaria de Saúde de Pernambuco, no entanto, contabiliza quatro, até o momento, sendo duas mortes.

Ministério da Saúde lança campanha nacional de vacinação para proteção de crianças e adolescentes de até 15 anos de idade

 /Walterson Rosa/MS

Crianças e adolescentes de todo o país devem atualizar a sua caderneta de vacinação. O Ministério da Saúde lançou, nesta quarta-feira (1), a Campanha Nacional de Multivacinação voltada para o público de até 15 anos de idade. Mais de 6,8 milhões de doses foram distribuídas para a ação que será realizada entre os dias 6 e 31 de outubro, com Dia D de mobilização marcado para o dia 18/10. Nesta data, um sábado, os postos de saúde ficarão abertos para proteger todas as famílias.

“Todos os dias são dias de vacinação nas Unidades Básicas de Saúde, mas o dia 18 de outubro será uma oportunidade estratégica para mobilizarmos, juntamente com estados e municípios, as localidades com maior concentração de crianças, garantindo que todas sejam protegidas durante o Dia D”, reforçou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O ministro também alertou para a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada e chamou atenção especial para a vacinação contra a covid-19, sobretudo entre o público idoso.

Além da divulgação das peças da campanha e mobilização nos estados e municípios, o Ministério da Saúde fará chamamento pelo Meu SUS Digital. Serão enviados alertas a todos os usuários do aplicativo, com expectativa de chegar a 40 milhões de pessoas. Quem ainda não tem o app, a ferramenta está disponível nas versões Web e em aplicativo iOS e Android. Para acessar o Meu SUS Digital, é necessário instalar o aplicativo no dispositivo móvel ou acessar pelo site. O login é realizado por meio da conta pessoal do Gov.br.

A Caderneta Digital de Saúde da Criança está disponível pelo aplicativo. Pelo Meu SUS Digital, pais e responsáveis podem acompanhar a situação vacinal de crianças e adolescentes, com a previsão de próximas doses, receber e alertas e lembretes, além de atualizar informações em tempo real pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Desde o lançamento, em abril deste ano, já foram registrados 1,8 milhão de acessos.

“Nós queremos consolidar de vez o Brasil como o país da vacinação que protege as suas crianças e que as pessoas da sua família, profissionais de saúde e escola assumam o compromisso de proteger nossas crianças”, afirmou Padilha.

Durante a campanha, todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação 2025 estarão disponíveis, incluindo imunizantes contra poliomielite e covid-19, contemplando os esquemas vacinais de crianças e adolescentes. Entre as prioridades, estão o resgate de não vacinados contra HPV, febre amarela e sarampo.

A vacinação seguirá a estratégia de microplanejamento, que permite organizar ações de acordo com a realidade de cada território, identificando áreas de risco, locais com baixa adesão e espaços estratégicos para vacinação. O Ministério da Saúde repassou R$ 150 milhões em apoio às gestões locais.

A campanha ocorre em um momento de atenção redobrada para a saúde pública. Embora o Brasil tenha eliminado doenças como poliomielite e sarampo, é fundamental manter altas coberturas vacinais para evitar que esses vírus voltem a circular.

Saiba quais sintomas de intoxicação por metanol e cuidados que precisam ser tomados, segundo Apevisa

Criança foi levada para o Hospital Mestre Vitalino (HMV). Foto: Rafael Martins/ DP/

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) informou, noite desta segunda-feira (30), que investiga a possibilidade de duas pessoas terem morrido devido à intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, no Agreste do estado. Em nota, o órgão alerta para os sintomas apresentados e os cuidados que a população precisa tomar.

Segundo a Apevisa, os sintomas iniciais de intoxicação podem ser confundidos com os da ingestão de bebidas alcoólicas sem adulteração, como náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. No entanto, entre 6h e 24h após o consumo, podem surgir sinais mais graves, como visão turva, fotofobia, cegueira, convulsões e até coma.

A nota reforça ainda a importância de verificar os sinais de adulteração, que é “essencial redobrar a atenção com drinques prontos e evitar produtos sem procedência ou com preços muito abaixo do mercado”.

A Agência destaca que “orienta a busca ativa de pessoas que possam ter consumido bebidas da mesma origem, além da capacitação das equipes de saúde para o manejo clínico adequado, incluindo uso de antídotos específicos e hemodiálise nos casos graves”.

Terceiro caso

As duas pessoas que morreram com suspeita de intoxicação por metanol estavam internadas no Hospital Mestre Vitalino de Caruaru, para onde também foi encaminhado um terceiro possível caso, que não chegou a falecer, mas perdeu a visão nos dois olhos.

Os três homens são residentes dos municípios de Lajedo e João Alfredo. As mortes ocorreram após quadro clínico compatível com envenenamento por metanol, substância inflamável, tóxica e de difícil identificação, apenas destinada à indústria, mas que tem sido usado para adulterar bebidas.

Governo do Brasil detalha plano de ação contra intoxicações por metanol

Ministros Lewandowski explicou que a atuação federal também envolve ampliar o volume de alertas com orientações aos Procons e enviar notas técnicas a estabelecimentos que comercializam as bebidas/José Cruz/Agência Brasil

Durante coletiva à imprensa na manhã desta terça, 30 de setembro, em Brasília (DF), o Governo do Brasil detalhou um plano de ação federal diante dos casos de intoxicação por metanol relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, situação detectada no estado de São Paulo.

A primeira providência foi a abertura de inquérito pela Polícia Federal, determinada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), para apurar a procedência do metanol e investigar uma possível rede de distribuição ilícita entre estados. Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor instaurou inquérito administrativo para acompanhar as ocorrências e avaliar medidas adicionais relativas à proteção dos consumidores.

Já o Ministério da Saúde determinou que todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) realizem a notificação imediata de casos suspeitos de intoxicação exógena por metanol. Uma nota técnica será publicada ainda nesta terça-feira (30/9), reforçando as orientações aos profissionais de saúde, em especial da rede de urgência e emergência, sobre protocolos de atendimento e registro.

A atuação federal envolve ainda ampliar o volume de alertas com orientações aos Procons de todo o país e enviar notas técnicas a estabelecimentos que comercializam as bebidas.

Participaram da coletiva os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Alexandre Padilha (Saúde) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além de secretários das pastas.

NOVO PADRÃO

Lewandowski explicou que os casos recentes em São Paulo apresentam padrão inédito e diverso aos que eram, até então, registrados. As ocorrências de intoxicação por metanol estavam, majoritariamente, associadas a pessoas em extrema vulnerabilidade ou em situação de rua, a partir de ingestão de álcool adulterado. Porém, a partir de setembro, pacientes intoxicados apresentaram histórico de ingestão de bebidas destiladas em cenas sociais de consumo alcoólico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida, como gin, whisky e vodka.

PROVIDÊNCIAS

“Desde sexta-feira estamos acompanhando isso com mais intensidade e temos o nosso sistema de alerta rápido, criado em fevereiro deste ano, para detectar, em todo o país, novas drogas, além das que tradicionalmente são conhecidas pela população, como maconha, cocaína, heroína e crack. É detectada a natureza da droga e imediatamente o sistema emite a informação nacionalmente, sobretudo para a rede de saúde pública, para que providências sejam tomadas para prevenir e tratar sintomas da ingestão desses tóxicos”, explicou Lewandowski.

INVESTIGAÇÃO

Diante do ineditismo da situação, o MJSP considera a possibilidade de existirem casos ainda não notificados, que seguem sob investigação e aguardam confirmação laboratorial. Lewandowski lembrou que a Secretaria de Defesa do Consumidor emitiu nota técnica para todos os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para que adotem os cuidados necessários para evitar novas intoxicações. “É essencial o cuidado para que possamos tomar outras providências no sentido de identificar a origem e o âmbito de distribuição deste produto”, disse Lewandowski.

SAÚDE

O ministro Alexandre Padilha explicou que todas as unidades de saúde, em especial a rede de urgência e emergência, devem seguir o protocolo de notificação para casos suspeitos. Segundo ele, está sendo registrado um número atípico de notificações de casos suspeitos de intoxicação por metanol, destoante do registrado na série histórica, o que desperta um alerta no Sistema Único de Saúde (SUS). “Temos, na nossa série histórica, cerca de 20 casos por ano de intoxicação por metanol, notificados pelos profissionais de saúde e enviados ao nosso Sistema Nacional. Para se ter ideia, a partir de setembro se notificou quase metade daquilo que se notificou ao longo de um ano”.

ORIENTAÇÃO

Padilha reforçou que a secretaria estadual de saúde é a responsável pelo atendimento dos casos e sublinhou a necessidade de fortalecer todas as unidades, com orientação e treinamento. “Temos uma parceria funcionando muito bem com a coordenação epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, com a Vigilância da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, mas também com o conjunto das secretarias estaduais e municipais de todo o país. Fazemos o alerta em relação a isso e para que profissionais conheçam os sistemas de vigilância e conheçam o protocolo do para intoxicações exógenas, que fornece detalhadamente o conjunto das ações”.

SINTOMAS

A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar ao óbito. Os principais sintomas são visão turva ou perda de visão e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese). Em caso de identificação dos sintomas, é essencial buscar imediatamente os serviços de emergência médica e entrar em contato com pelo menos uma das instituições a seguir:

• Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
• CIATox da sua cidade para orientação especializada
• Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país;

AVISE

É importante identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado.

Ministério da Saúde passa a recomendar mamografia a partir dos 40 anos

Imagem de arquivo mostra mulher fazendo mamografia — Foto: Daniel Viana/Semsa

O Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira (23) novas recomendações para a realização da mamografia como parte da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Pela primeira vez, o exame passa a ser recomendado “sob demanda” para mulheres de 40 a 49 anos, mediante vontade da paciente e indicação médica.

Segundo José Barreto, diretor do Departamento de Atenção ao Câncer da Pasta, as regras anteriores que dificultavam o acesso a esse grupo etário serão revogadas. “Nosso compromisso é consolidar a maior rede de prevenção de câncer do mundo”, afirma.

Como era e como fica

Até agora, o protocolo oficial do Sistema Único de Saúde (SUS) orientava a mamografia apenas para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, mesmo sem sinais ou sintomas. Com as mudanças, o Ministério passa a recomendar:

40 a 49 anos: acesso garantido ao exame, sem rastreamento obrigatório a cada dois anos;
50 a 74 anos: rastreamento populacional bienal;

Acima dos 74 anos: decisão individualizada, de acordo com comorbidades e expectativa de vida.

Barreto destacou que a expansão da faixa de rastreamento — antes restrita até 69 anos e agora até os 74 — é um “chamamento” para que mais mulheres façam o exame regularmente.

Exame essencial

A mamografia é considerada o principal exame de rastreamento do câncer de mama. Ela permite identificar alterações como nódulos, cistos e espessamentos do tecido antes de sinais clínicos. Quando há suspeita, pode ser indicada biópsia para confirmar o diagnóstico.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) já defendia a realização anual do exame a partir dos 40 anos. Em 2024, mais de 30% das mamografias realizadas no país foram em mulheres abaixo dos 50 anos, segundo o Ministério da Saúde.

Pressão de 12 por 8 é reclassificada como pré-hipertensão em nova diretriz

Pressão arterial de 12 por 8 passa a ser considerada pré-hipertensão

A pressão arterial considerada de risco no Brasil mudou de patamar. Uma nova diretriz endossada por três sociedades médicas passa a enquadrar como pré-hipertensão valores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica).

O documento foi divulgado nesta quinta-feira (18) no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia. Ele foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

Antes vistos como “normais limítrofes”, esses números agora exigem atenção médica. O objetivo da reclassificação é reforçar a prevenção: nessa fase, sem que a hipertensão esteja totalmente instalada, os médicos devem recomendar mudanças no estilo de vida e, dependendo do risco do paciente, podem até receitar o uso de medicamentos.

A mudança vai ao encontro de novas diretrizes internacionais divulgadas no Congresso Europeu de Cardiologia, em 2024. À época, a pressão 12 por 8 passou a ser classificada como “pressão arterial elevada” nos padrões europeus.

Planos de saúde: STF fixa regras para procedimentos que estão fora rol da ANS

Planos de saúde: STF fixa regras para procedimentos que 
estão fora rol da ANS/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (18) permitir que os planos de saúde sejam obrigados a cobrir procedimentos que não estão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos.

Com a decisão, a Corte considerou constitucional obrigar as operadoras a cobrir tratamentos ou procedimentos fora do rol da ANS.

Contudo, a cobertura de tratamentos fora do rol deverá levar em conta cinco parâmetros, que devem estar presentes cumulativamente nos casos que forem analisados.

Parâmetros para autorização

-Prescrição do tratamento por medico ou odontólogo habilitado;
-Inexistência de negativa expressa ou pendência de análise de atualização do rol da ANS;
-Inexistência de alternativa terapêutica que já esteja no rol da ANS;
-Comprovação de eficácia e segurança do tratamento conforme na medicina baseada em evidências;
-Existência de registro da Anvisa.

Decisões judiciais

Nas decisões judiciais envolvendo autorizações para tratamentos que não constam no rol da ANS, o Supremo entendeu que o juiz deverá fazer diversas verificações antes de decidir o caso. Se a orientação não for seguida, a decisão judicial poderá ser anulada.

-Verificar se houve requerimento prévio à operadora e se houve demora irrazoável ou omissão da operadora na autorização do tratamento;
-Analisar previamente informações do banco de dados do Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS) antes da decisão. O magistrado não poderá fundamentar sua decisão apenas na prescrição ou lado médico apresentado pelo usuário do plano.
-Em caso de concessão da liminar favorável ao usuário, o juiz deverá oficiar a ANS sobre a possibilidade de inclusão do tratamento no rol de procedimentos.

Os parâmetros foram estabelecidos pelo relator, ministro Luís Roberto Barroso, que foi seguido pelo ministro Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Os demais ministros também votaram pela validade da cobertura de procedimentos que não estão no rol, mas entenderam que a Corte não poderia estabelecer os parâmetros. Estão nessa situação os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Cármen Lúcia.

Entenda

A Corte julgou uma ação protocolada pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) contra trechos da Lei 14.454/2022.

A norma definiu que as operadoras devem custear tratamentos e exames que não estão previstos no chamado rol da ANS, a lista de procedimentos que devem ser cobertos obrigatoriamente pelos planos.

A lei foi sancionada após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que definiu, em junho de 2022, que as operadoras não são obrigadas a cobrir procedimentos médicos que não estão previstos no rol da ANS.

O STJ entendeu que o rol de procedimentos definidos pela agência é taxativo, ou seja, os usuários não têm direito a exames e tratamentos que estão fora da lista.

Após a entrada em vigor da legislação, o rol passou a ser exemplificativo, e não taxativo.

Além disso, a norma definiu que o rol é uma referência básica para os planos privados de assistência à saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999.

Dessa forma, os procedimentos que forem autorizados por médicos ou dentistas devem ser autorizados pelos planos, desde que exista comprovação da eficácia do tratamento ou sejam recomendados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Governo proíbe a venda de azeite da marca Los Nobles

Anvisa proíbe venda de mais um tipo de azeite; veja qual | CNN Brasil

O governo proibiu a venda de todos os lotes do azeite da marca Los Nobles. A decisão foi publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Diário Oficial da União, nesta terça-feira (16).

Na internet, o produto é apresentado como argentino. Segundo a Anvisa, porém, o azeite é considerado clandestino e não possui aprovação da Anmat (Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia da Argentina).

Com a medida, ficam proibidas a comercialização, a distribuição, a importação e a propaganda do azeite Los Nobles.

A Anvisa informou ainda que a empresa responsável e o CNPJ da distribuidora não são conhecidos. O g1 não conseguiu contato com a Los Nobles.

Justiça mantém patente das canetas emagrecedoras Victoza e Saxenda

Canetas emagrecedoras Victoza e Saxenda/Reprodução

A farmacêutica Novo Nordisk informou nesta quinta-feira (4) que a Justiça Federal no Distrito Federal concedeu uma liminar para manter a patente da liraglutida, princípio ativo das canetas emagrecedoras Victoza e Saxenda, produzidas pela empresa.

De acordo com a decisão, a patente, que estava expirada, ficará mantida pelo prazo de 8 anos, 5 meses e um dia.

A decisão foi tomada após a Justiça reconhecer as alegações de demora na concessão da patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que, segundo a empresa, demorou 13 anos para analisar o processo de registro de exclusividade.

Diante da demora, a Justiça decidiu recompor o prazo da patente para compensar o atraso.

Na avaliação da Novo Nordisk, a decisão representa segurança jurídica nos processos de patentes.

“Sem a garantia de que o direito à patente será respeitado e o exame ocorrerá em um prazo razoável, o Brasil corre o risco de ficar para trás no acesso a novas tecnologias em saúde”, declarou a empresa.

Após a decisão, a Novo Nordisk informou que também busca o mesmo entendimento para a patente da semaglutida, substância presente nos medicamentos injetáveis Wegovy e Ozempic, também produzidos pela farmacêutica.

Cabe recurso do INPI contra a decisão da Justiça Federal.

Mais Médicos: Ministro da Saúde critica sanções impostas pelos EUA a integrante da equipe

Por que Mais Médicos virou alvo do governo de Trump | A Gazeta

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, falou sobre as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao secretário da pasta, Mozart Sales, que é o braço-direito dele.

Padilha veio a Pernambuco para acompanhar as agendas do presidente Lula (PT).

A entrevista foi concedida em Goiana, na Zona da Mata Norte, durante a inauguração de uma unidade da Empresa Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás).

Segundo Padilha, ataques não vão fazer o Brasil desistir do PIX ou do programa Mais Médicos.

O Programa Mais Médicos, por sinal, foi uma das alegações do governo Trump para impor as sanções a Sales, na quarta (13).

“Nenhum ataque, seja no Brasil, muito menos de fora, vai fazer com que a gente abra a mão do PIX e do Mais Médicos. São patrimônio do povo brasileiro. Eu estou acostumado a sofrer muitos ataques de inimigos da saúde desde a criação do Mais Médicos”, declarou.

Ainda segundo o ministro,. Quem tem história de tacar a saúde é o presidente Trump e o governo dos Estados Unidos, que começou o ano perseguindo cientistas que desenvolvem vacinas e depois cancelando contratos com empresas americanas que as produzem.

Padilha lembrou também que Trump cortou recursos da Organização Mundial de Saúde para compra de medicamentos para o HIV, para vacinas.

“Agora, ele faz um ataque a um programa internacionalmente reconhecido, que é o Mais Médicos”, acrescentou.

Padilha sobre o evento

“A partir de hoje, o Brasil consolida a sua soberania para a produção de medicamentos, que são os medicamentos mais modernos e mais procurados no mundo, que são todos medicamentos que derivados do sangue humano. Nós estamos consolidando hoje a entrega de um fator, de um tipo de medicamento recombinante, fruto de engenharia genética”

“Toda a entrega que está sendo feita, já certificada pela Anvisa, certificada internacionalmente, do fator recombinante que é uma tecnologia de engenharia genética que pode ser utilizada para outros produtos sendo feito aqui na Hemobras, não apenas os medicamentos para coagulação, para quem sofre de problemas de coagulação, como os hemofílicos. Mas a fábrica que nós estamos entregando hoje permite produzir outros tipos de medicamentos que saem do sangue. Medicamentos que são utilizados em UTIs, que são utilizados para a defesa do corpo diante de tratamentos do câncer, de várias doenças. A Hemobras, além de entregar esses dois produtos, passa a deter toda a tecnologia”

“Isso só acontece por decisão de dois pernambucanos que se juntaram lá em 2003, o presidente Lula e o então ministro da Saúde, senador Humberto Costa, que tomaram a decisão de trazer essa fábrica, a produção para cá. Quem é de Pernambuco sabe, durante todos esses anos, muita gente tentou tirar essa fábrica de Pernambuco, do Nordeste brasileiro, e ela só não saiu por conta da luta dos pernambucanos, da bancada federal, da bancada do Senado, e por conta da volta do presidente Lula”.

Decisão de Trump ameaça vacinas contra câncer, HIV e pode atrasar avanços para futuras pandemias

As vacinas vão usar a tecnologia de mRNA, a mesma utilizada em alguns imunizantes contra covid-19 — Foto: GETTY IMAGES via BBC

A decisão do governo dos Estados Unidos de encerrar o financiamento a vacinas de RNA mensageiro (mRNA) gerou forte reação da comunidade científica e preocupa pesquisadores de diversas áreas, da infectologia à oncologia. O corte foi anunciado pela gestão de Donald Trump como parte de uma mudança de foco para “plataformas mais seguras”, como as vacinas de vírus inativado — tecnologia mais antiga e considerada ultrapassada por muitos especialistas.

A medida pode atrasar ou interromper dezenas de pesquisas promissoras contra doenças como câncer, HIV, Zika e o vírus sincicial respiratório, além de representar um golpe à preparação global para novas pandemias.

“É um retrocesso. As vacinas de vírus inativado não podem ser aplicadas em pessoas imunodeprimidas, idosos ou gestantes — justamente os grupos mais vulneráveis”, explica Jean Gorinchteyn, infectologista e secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP).

Trump quer retorno a vacinas de vírus inativado

As vacinas de vírus inativado são produzidas a partir do vírus real, que é cultivado em laboratório e posteriormente “morto” por processos químicos ou físicos. Esse método, usado em imunizantes como o da febre amarela e da poliomielite, tem a vantagem de ser mais barato e fácil de armazenar. No entanto, gera uma resposta imunológica mais fraca e exige doses de reforço frequentes.

Já as vacinas de RNA mensageiro representam um salto tecnológico. Elas não contêm o vírus, mas sim uma sequência de RNA com instruções para que o organismo produza uma proteína semelhante à do patógeno, ativando o sistema imunológico.

“É como entregar ao corpo um bilhete com a receita de como combater o inimigo, sem expor a pessoa ao risco de infecção”, explica a infectologista Luana Araújo.

Além de mais eficazes, as vacinas mRNA são consideradas mais seguras, especialmente para pacientes vulneráveis. E oferecem outra vantagem: a possibilidade de personalização, o que abre caminho para aplicações além das doenças infecciosas — como o câncer.

“Com a tecnologia mRNA, conseguimos desenvolver vacinas terapêuticas personalizadas. Isso seria impensável com vírus inativado”, afirma Fernando de Moura, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Vacinas de mRNA foram decisivas no controle da covid-19

Durante a pandemia de covid-19, as vacinas de mRNA, como as desenvolvidas pelas farmacêuticas Pfizer e Moderna, permitiram uma resposta rápida e eficaz à emergência sanitária. Elas foram produzidas em tempo recorde, tiveram alto índice de eficácia e ajudaram a reduzir hospitalizações e mortes em todo o mundo.

“Saímos da tragédia de 2020 por causa da vacina. E ela foi possível graças à tecnologia mRNA”, diz Moura.

Mesmo com esse histórico, o governo Trump insiste em alegações sobre a segurança dos imunizantes — o que, para especialistas, reflete uma agenda política alinhada ao movimento antivacina e não baseada em evidências científicas.

Vacinas contra câncer em risco: mais de 120 estudos podem ser afetados

A decisão afeta diretamente uma das frentes mais promissoras da medicina: as vacinas terapêuticas contra o câncer. Segundo Stephen Stefani, oncologista da Oncoclínicas e da membro Americas Health Fundation, há mais de 120 estudos clínicos em andamento com mRNA para tratar tumores como:

  • Melanoma.
  • Câncer de pulmão.
  • Glioblastoma.
  • Próstata.
  • Pâncreas.

Ao contrário das vacinas tradicionais, essas são aplicadas após o diagnóstico, como parte do tratamento. Elas identificam mutações específicas do tumor e ensinam o sistema imunológico do paciente a combatê-lo de forma personalizada.

“Muitos pacientes que já falharam em tratamentos convencionais enxergam nessas vacinas a última esperança. Se esses estudos forem interrompidos, o impacto será devastador”, alerta Moura.

Impacto global e abertura para outros países

O corte nos EUA pode abrir espaço para que países como China, Índia e Brasil invistam em suas próprias plataformas de mRNA, fortalecendo a indústria local de biotecnologia. Mas esse movimento leva tempo e exige estrutura.

“A decisão enfraquece a ciência global. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade para que outros países assumam o protagonismo e invistam no desenvolvimento dessa tecnologia”, avalia Gorinchteyn.

Para Luana Araújo, a medida é sintoma de uma “aliança entre ignorância e ideologia”, que nega avanços científicos comprovados e coloca em risco a saúde pública.

“É uma decisão criminosa do ponto de vista sanitário. Nega os dados, o histórico da pandemia e o futuro das descobertas científicas”, afirma.

Avanço do negacionismo e da hesitação vacinal

Outro temor dos especialistas é que a decisão alimente ainda mais o movimento antivacina, que já vinha ganhando força nos EUA nos últimos anos.

“Quando a hesitação parte de um líder de Estado, o impacto é muito maior. Isso gera medo, insegurança e afasta investidores”, afirma Stefani.

A alegação do governo de que vacinas mRNA seriam “instáveis” ou “inseguras” já foi refutada por diversas agências de saúde, incluindo a FDA (agência reguladora dos EUA), a OMS e estudos revisados por pares.

“Não existe nenhuma comprovação científica de que essas vacinas causaram doenças graves. Isso é fake news”, reforça Moura.
O que pode acontecer agora?

Ainda não se sabe se os estudos em andamento serão imediatamente interrompidos ou se o corte afetará apenas novos projetos. Mas o risco existe — e preocupa.

“Se um paciente está com a doença controlada e o centro de pesquisa perde o financiamento, o tratamento pode ser suspenso”, alerta Moura.

“Vamos levar o dobro do tempo para alcançar resultados que estavam próximos. E o sofrimento adicional dos pacientes estará nas costas de quem tomou essa decisão”, conclui Luana Araújo.

Fibromialgia é mais comum em mulheres com 30 a 60 anos

Segundo Helena Carneiro Leão, o tratamento exige uma abordagem multidisciplinar./Francisco Silva/DP Foto

Dor generalizada em diferentes partes do corpo, fadiga crônica, falta de energia, insônia, dificuldade de concentração e raciocínio, depressão e ansiedade. Essas são algumas das manifestações da fibromialgia, uma doença considerada “invisível” para muitos dos seus portadores e que afeta apenas a 3% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). A partir de 2026, a síndrome, que não tem cura e é mais comum entre mulheres de 30 a 60 anos, poderá ser caracterizada como uma deficiência em casos incapacitantes.

A fibromialgia é uma condição complexa e dolorosa que reúne características reumatológicas e neurológicas. As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas segundo a especialista do Hospital Jayme da Fonte, Helena Carneiro Leão, a combinação de fatores genéticos, neurológicos, psicológicos e imunológicos são possíveis influências no desenvolvimento do quadro.

“Os sintomas podem variar de paciente para paciente, mas existem critérios para o diagnóstico, como os do Colégio Americano de Reumatologia, que são utilizados e atualizados periodicamente”, explica a especialista. A doença atinge majoritariamente mulheres, entre 80% e 90% dos casos. Apesar de não existir uma cura para a fibromialgia, existem terapias que ajudam a melhorar a qualidade de vida dos portadores.

O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar, que inclui o uso de medicamentos, acompanhamento psicológico e a prática regular de atividades físicas adequadas. A combinação tem o objetivo de aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e promover o bem-estar geral do paciente, respeitando sempre suas individualidades e necessidades específicas.

Para Helena Carneiro Leão, a Lei nº 15.176 traz uma nova abordagem ao prever um programa nacional de proteção aos direitos de pessoas com fibromialgia, fadiga crônica, dor regional complexa e doenças correlatas. “No caso da fibromialgia, haverá uma avaliação multiprofissional e interdisciplinar para caracterização da condição de pessoa com deficiência. A SBR já emitiu nota para orientações aos médicos reumatologistas e às equipes multiprofissionais. Essa abordagem interdisciplinar é essencial e imprescindível para as avaliações”, finaliza.

Com 70 anos de atuação no polo de saúde Pernambuco, o HJF é referência no atendimento das áreas de reumatologia e neurologia. A unidade conta com um centro de diagnóstico por imagem, urgência e emergência 24h em diversas especialidades, além de consultas ambulatoriais e um moderno centro cirúrgico.

Antes restrita à Amazônia, febre oropouche se espalha pelo país

A febre oropouche é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, mais conhecido como maruim/Fiocruz/Divulgação

Até 2023, a febre oropouche era uma doença quase exclusiva dos estados da Região Amazônica, mas este ano, o Espírito Santo, a quase 3 mil km de distância se tornou recordista de casos com 6.318 registros. Pesquisadores tentam entender o que levou a doença a se espalhar pelo Brasil, e gestores de saúde pensam estratégias para controlar a oropouche em meio a uma população sem nenhuma imunidade prévia.

Este ano, infecções por oropouche já foram confirmadas em 18 estados mais o Distrito Federal, somando 11.805 casos. Cinco pessoas morreram pela doença, 4 no Rio de Janeiro e 1 no Espírito Santo e há duas mortes sendo investigadas. Em praticamente todas as semanas, os casos deste ano superam os do ano passado, e a expectativa é que que a soma de 2025 seja superior a quantia de 13.856 registrada em 2024. O número de mortos já é superior. No ano passado, foram quatro: 2 na Bahia, 1 no Espírito Santo e 1 em Santa Catarina.

A febre oropouche é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, mais conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, incidente em todo o país. Ela causa sintomas semelhantes aos de outras doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya, principalmente febre e dor na cabeça, músculos e articulações.

A infecção também pode causar complicações na gravidez, incluindo microcefalia, malformações e óbito do feto, assim como o Zika virus. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que as gestantes que vivem em áreas com registros da doença reforcem a proteção contra os mosquitos. Apesar da transmissão do vírus por via sexual ainda não ter sido comprovada, pessoas com sintomas também devem usar preservativo durante as relações sexuais como medida preventiva.

Novo vírus

De acordo com o chefe do Laboratório de Arbovírus e Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz, Felipe Naveca, estudos genéticos mostram que os casos que se proliferam no Brasil foram causados por uma nova linhagem do vírus, que surgiu no Amazonas, circulou pela Região Norte e depois se espalhou.

“E nós também conseguimos mostrar que esse cenário está muito relacionado com algumas áreas de desmatamento recente, principalmente no sul do Amazonas e no norte de Rondônia, que serviram como pontos cruciais para dispersão desse vírus. Aí pessoas infectadas acabaram levando para fora da Região, porque depois que ela é infectada pelo vírus, leva um tempo até manifestar os sintomas“, complementa Naveca.

O maruim existe em todo país, mas precisa de ambientes úmidos e com matéria orgânica em decomposição para se reproduzir, por isso, é mais incidente em áreas florestais e de plantações, especialmente nas lavouras de banana. Os surtos têm ocorrido principalmente em regiões periurbanas, de transição entre ambientes rurais e de mata e áreas habitadas por humanos. Apenas as fêmeas transmitem o vírus da febre oropouche, que também podem ser inoculados em animais.

Segundo Naveca, as mudanças ambientais também têm um papel na proliferação da doença. “Todas as vezes que você tem eventos mais extremos, seja de seca ou cheia dos rios, isso afeta a população não só do vetor, mas também dos animais que o mosquito se alimenta. Então, isso modifica todo esse ecossistema. Os nossos dados mostram que a população do vírus, aumentava justamente nos períodos de chuva na Região Amazônica.”

Estudo

Um estudo internacional recente analisou dados de seis países sulamericanos, incluindo o Brasil, e identificou que as variáveis climáticas, como as mudanças de padrão da temperatura e da chuva, foram os principais fatores de influência para a disseminação da oropouche, contribuindo com 60%. Por isso, os pesquisadores acreditam que eventos climáticos extremos, como o El Niño, provavelmente tiveram um papel fundamental no surto iniciado em 2023.

O Ministério da Saúde reforçou o monitoramento dos casos de Oropouche e tem feito reuniões periódicas e visitas técnicas aos estados, para orientar as autoridades locais sobre as formas corretas de notificar, investigar e encerrar os casos suspeitos.

“Em parceria com a Fiocruz e a Embrapa, a pasta realiza estudos sobre o uso de inseticidas para o controle do vetor, com resultados preliminares promissores. As evidências apoiam a definição de estratégias de enfrentamento da doença, especialmente durante surtos, e a redução de seu impacto na população. A prevenção inclui o uso de roupas compridas, sapatos fechados, telas de malha fina nas janelas e eliminação de matéria orgânica acumulada“, declarou o Ministério em nota.

Espírito Santo

As autoridades de saúde do Espírito Santo também estão em alerta já que o pequeno estado com pouco mais de 4 milhões de habitantes se tornou o recordista de casos no ano passado e este ano. O subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, explica que boa parte dos 78 municípios capixabas têm características periurbanas, com muitas áreas de plantação, o que facilita a reprodução do maruim. Com mosquitos em abundância, e uma população sem imunidade prévia, o vírus encontrou as condições ideais para se disseminar.

“Nós identificamos também que os primeiros casos ocorreram na época da colheita do café, que é um período que circulam muitas pessoas que vêm de outros estados para trabalhar nas lavouras. Isso acaba sendo um momento favorável para a transmissão, ainda porque os trabalhadores passam uma semana em uma cidade, depois seguem para outra…” complementa Cardoso.

Enquanto os pesquisadores trabalham para mapear as áreas de maior incidência do maruim, a secretaria reforça o treinamento dos profissionais de saúde.

“Como era uma doença desconhecida, eles começaram a entender agora o que está acontecendo, para saber identificar e agir diante de um caso de Oropouche. Então nós estamos fazendo a qualificação das equipes municipais, para fazer o reconhecimento clínico, principalmente diferenciar a oropouche da dengue e das outras arboviroses e estamos treinando também os agentes comunitários de saúde“, garante o subsecretário estadual de Vigilância em Saúde.

Nordeste

A febre oropouche também se tornou uma novidade indesejável em alguns estados da Região Nordeste, com destaque para o Ceará, que registrou 674 casos este ano. De acordo com o Secretário Executivo de Vigilância em Saúde do estado, Antonio Lima Neto, os casos no Ceará também começaram em áreas de plantio, principalmente de banana, mas também de cacau e mandioca.

“No primeiro ano, nós tivemos 255 casos, que se concentraram em distritos rurais, com pequenos povoados, todos localizados na região Serrana do Ceará, conhecida como Maciço de Baturité. Em 2025, quando a doença retornou, ocorreu algo diferente que foi uma transição da doença para a principal cidade da região, que é Baturité. Onde, ao invés de você ter 500 moradores, você tem 20.000 pessoas“, complementa.

De acordo com o secretário executivo, o estado também está investindo em ações de manejo clínico e vigilância laboratorial, para diagnosticar corretamente a doença, especialmente em gestantes. O Ceará foi um dos estados que registrou a morte de um feto, após a infecção da mãe por oropouche. No ano passado, pelo menos cinco casos de óbito fetal e um caso de anomalia congênita foram registrados no Brasil, causados pelo vírus.

“O controle vetorial de um mosquito domiciliado, ele tem um fundamento central, que é a eliminação de criadores, como no caso do Aedes Aegypt. Você eliminar os locais onde ele se reproduz, você renovar a água, cuidar do lixo doméstico… Com o mosquito-pólvora, você teria que fazer uma barreira química entre as plantações e as áreas onde as pessoas vivem,. O Ministério da Saúde tem realizados testes em busca de produtos eficientes, mas não é algo trivial”, afirma Antonio Lima Neto.

Anvisa suspende venda de remédio de até R$ 20 milhões após EUA investigar morte no Brasil

Remédio é voltado ao tratamento de distrofia muscular de Duchenne, uma doença rara/Rafael Paiva/Fiocruz

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu temporariamente o uso, a distribuição e a venda no Brasil do remédio Elevidys, terapia genética da farmacêutica Sarepta Therapeutics para distrofia muscular de Duchenne, uma doença rara. O preço do produto pode chegar a R$ 20 milhões.

A decisão foi tomada após a Administração de Alimentos e Medicamentos americana (FDA, equivalente à Anvisa) divulgar dados sobre três mortes associadas a terapias genéticas dessa tecnologia. Um dos óbitos, de um criança, foi reportado no Brasil.

A Roche, responsável pela comercialização do produto no Brasil, afirma que o médico avaliou que o caso não teve elo com o uso do remédio.

A farmacêutica ainda diz não houve mortes ligadas ao tratamento entre os cerca de 760 pacientes deambuladores (que conseguem andar) que já receberam a terapia e que, com base nos dados atuais, o benefício-risco segue positivo. Diz ainda dialogar com a Anvisa e autoridades globais.

A Anvisa, por sua vez, destaca que todas mortes estavam ligadas a indicações não autorizadas por aqui.

No País, o remédio foi autorizado em dezembro de 2024, em caráter excepcional, exclusivamente para pacientes pediátricos que conseguem caminhar, na faixa etária de 4 a 7 anos, com mutação confirmada no gene DMD.

Ainda assim, a suspensão foi tomada “de forma prudente e preventiva”, enquanto novas análises de segurança são conduzidas em parceria com reguladores internacionais.

FDA

Segundo o comunicado do FDA na sexta-feira, 25, a investigação mais recente envolve a morte de uma criança de oito anos, ocorrida no dia 7 de junho. O órgão pediu a suspensão voluntária da distribuição do produto enquanto investiga se há problemas com segurança do produto. Houve outras duas mortes – de um adulto e de uma criança.

Conforme o FDA, os três relatos de falência hepática aguda com morte envolvendo terapias genéticas da Sarepta baseadas no vetor AAVrh74 são em dois meninos não deambuladores (não caminham) com Duchenne e tratados com Elevidys e de um adulto com Distrofia Muscular de Cinturas que participava de ensaio clínico com terapia experimental.

Em nota, a farmacêutica Sarepta Therapeutics, desenvolvedora do produto, ressalta que a segurança dos pacientes é sua prioridade e disse colaborar com a agência reguladora, reforçando a importância da Elevidys como a única terapia gênica aprovada para a distrofia muscular de Duchenne.

A Elevidys é uma terapia genética administrada em dose única intravenosa. A distrofia muscular de Duchenne é uma condição genética rara caracterizada por fraqueza muscular progressiva e ocorre devido a um gene defeituoso.

Em outro desdobramento, o Comitê de Medicamentos para Uso Humano (CHMP), ligado à Agência Europeia de Medicamentos (EMA), recomendou não conceder autorização de comercialização para a Elevidys, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira. A Roche lamentou a decisão. A substância foi aprovada pelo FDA em junho de 2023.