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Ministério da Saúde intensificará mobilização contra dengue no Brasil

Brasília - 03/11/2025 -  Ministério da Saúde lança campanha nacional de combate às arboviroses. Foto: João Risi/MS

O Ministério da Saúde vai promover uma ação de mobilização nacional contra a dengue no próximo sábado (8). O objetivo é conscientizar gestores públicos, profissionais da saúde e a população em geral sobre a importância das medidas recomendadas para conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da doença.

“A gente age ao longo de todo o ano, mas agora é a oportunidade de voltarmos a chamar a atenção da população para evitarmos qualquer tipo de cenário, de crescimento do número de casos”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao anunciar a realização do Dia D contra a dengue. A iniciativa faz parte da campanha nacional “Não Dê Chance para Dengue, Zika e Chikungunya”, que o ministério lançou nesta segunda-feira (3).

“Agora é hora de organizar a assistência à saúde, reforçar as ações de prevenção e orientação e identificar os pontos estratégicos a atacar nas cidades”, acrescentou o ministro.

De acordo com o ministério, em 2025, foram registrados, até o momento, 1.611.826 casos prováveis de dengue e 1.688 mortes. Ainda segundo a pasta, os resultados são, respectivamente, 75% e 72% inferiores aos do mesmo período de 2024.

Mesmo com a redução dos números, o ministro considera a situação alarmante. Principalmente porque, historicamente, os números de casos de dengue, zika e chikungunya costumam aumentar entre novembro e maio, quando as condições climáticas são mais favoráveis à proliferação do mosquito.

Além disso, outro dado preocupa os técnicos do ministério: o aumento do número de municípios brasileiros em estado de alerta para a dengue. Uma pesquisa realizada em agosto e setembro apontou que ao menos 30% das cidades já se encontravam nesta situação.

“O cenário exige atenção redobrada nos locais em alerta”, comentou o secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, chamando a atenção para a importância da participação da população no enfrentamento ao mosquito.

Segundo Pimenta, mais de 80% das larvas do Aedes aegypti encontradas por agentes de combate a endemias que visitaram imóveis em 3,2 mil municípios estavam em ambientes domiciliares, em locais como vasos de plantas, pratinhos, garrafas usadas, bebedouros, pneus, entulho, lixo, sucata, caixas d´água, cisternas, filtros, barris, calhas, ralos, vasos sanitários sem uso, tanques em obras, piscinas, fontes ornamentais e até mesmo em folhas de bromélias, casas de coco e cavidades de árvores.

Até o momento, as cinco unidades da federação com maior número de casos prováveis de dengue são São Paulo (890 mil), Minas Gerais (159,3 mil), Paraná (107,1 mil), Goiás (96,4 mil) e Rio Grande do Sul (84,7 mil). De acordo com o ministério, o estado de São Paulo também tem o maior número de óbitos: 1.096, ou 64% das 1.688 mortes já confirmadas.

O ministério garante que medidas já estão sendo adotadas para, em conjunto com estados e municípios, preparar a rede de saúde para um eventual aumento do número de casos. Entre elas, o reforço na assistência, com equipes da Força Nacional de Saúde atuando em cidades com alta incidência da doença; instalação de centros de hidratação e a distribuição de insumos e equipamentos, incluindo larvicidas, testes e nebulizadores portáteis.

Estudo com teste do pezinho ajuda a diagnosticar doença grave em bebês de forma precoce

Estudo com teste do pezinho ajuda a diagnosticar doença grave em bebês — Foto: Reprodução

Um projeto-piloto feito com mais de 192 mil recém-nascidos em São Paulo conseguiu diagnosticar de forma precoce uma doença grave nos bebês e, assim, antecipar o tratamento.

Melissa nasceu com o tipo mais grave de atrofia muscular espinhal — uma doença rara e cruel que afeta os neurônios motores. A criança começa com fraqueza progressiva e pode acabar paralisada. Em alguns casos, é fatal.

“Você pensar no seu filho, uma criança acamada, você ter que ter seu filho num respirador…”, disse Ana Paula Lima, ajudante geral.
Mas não será esse o destino da Melissa. Na maternidade, ela e o irmão gêmeo foram selecionados para participar de um estudo inédito no Brasil. A coleta do teste do pezinho, feita na rede pública de São Paulo, foi usada para diagnóstico precoce da AME.

A partir de uma gota de sangue, os biólogos fazem a leitura em tempo real do DNA e pesquisam o gene SMN1, localizado no cromossomo 5. A AME é causada pela ausência ou mutação desse gene, que impede a produção de uma proteína essencial para os neurônios motores. Sem ela, os neurônios começam a morrer, o que causa o enfraquecimento e a possível paralisia dos músculos.

A bióloga geneticista Vanessa Romanelli trabalhou dois anos na coordenação do projeto do Instituto Jô Clemente — uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos.

“Quando a gente diagnostica precocemente essa criança, a gente tem a possibilidade de tratá-la precocemente, impedindo o avanço desses sintomas. Sabendo quais são todas as medidas terapêuticas que podem ser administradas, então você muda completamente a perspectiva e a qualidade de vida dessa pessoa”, afirma Vanessa Romanelli.

Em dois anos, passaram pelo laboratório amostras de material genético de mais de 192 mil recém-nascidos no estado de São Paulo. Quatorze foram diagnosticados com a doença. Todos receberam tratamento precoce — a maioria parte, antes dos primeiros sintomas — com grandes chances de levar uma vida sem limitações. O projeto-piloto pode servir de modelo para que esse tipo de triagem seja acessível a bebês de todo o país.

O Ministério da Saúde informou que, em junho, regulamentou a ampliação do teste do pezinho em todo o país, incluindo a AME, e que o estado de Minas Gerais e o Distrito Federal já realizam esse teste ampliado. O ministério disse ainda que vai investir R$ 130 milhões por ano para implementar, de forma escalonada, o rastreamento de 50 doenças.

“Quando o doutor falou para mim: ‘sua filha vai andar’… foi maravilhoso. Ela vai para a escolinha, ela brinca com as crianças, ela desenvolve até mais do que o irmão, que não tem AME — muito mais”, conta Ana Paula Lima.
A ciência mudou o futuro da Melissa e deu novo significado para a vida da pesquisadora, que tem o tipo mais brando da doença.

“Acho que é um sonho, literalmente um sonho. Eu acho que é você entender que pode fazer a diferença na vida das pessoas por meio da ciência, que é o que eu sempre quis fazer. É um dos propósitos do Instituto Jô Clemente: trazer a diferença para a vida das pessoas por meio da inclusão, da prevenção e da promoção à saúde. E é talvez entender que você não nasceu com AME por acaso, que existe um propósito por trás de tudo isso, e que você pode, literalmente, mudar a vida das pessoas”, diz Vanessa Romanelli.

Anvisa segue União Europeia e decide proibir substâncias usadas em esmaltes em gel por risco de câncer e infertilidade

As substâncias banidas são o TPO (óxido de difenil [2,4,6-trimetilbenzol] fosfina) e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina). — Foto: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (29) uma resolução que proíbe o uso de duas substâncias químicas em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. O objetivo é proteger consumidores e profissionais de beleza contra riscos de câncer e problemas reprodutivos.

As substâncias banidas são o TPO (óxido de difenil [2,4,6-trimetilbenzol] fosfina) e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também conhecido como dimetiltolilamina (DMTA). Elas são utilizadas em produtos para unhas artificiais em gel e esmaltes em gel, que precisam ser expostos à luz ultravioleta (UV) ou LED para endurecer.

De acordo com a agência, estudos internacionais em animais demonstraram que o DMPT é potencialmente cancerígeno, enquanto o TPO é tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade.

“Ainda que o risco ocupacional seja mais intenso, usuárias e usuários também estão sujeitos aos efeitos nocivos decorrentes da exposição. Cabe ao Estado atuar preventivamente, evitando a perpetuação de risco sabidamente evitável”, afirma a diretora da Anvisa Daniela Marreco, relatora do processo.

Com a decisão, o Brasil se alinha aos padrões de segurança da União Europeia, que recentemente também proibiu o uso dessas substâncias. A medida, segundo a Anvisa, impede a comercialização de produtos considerados inseguros em outros países.

Prazos definidos

A resolução determina regras imediatas e prazos para o mercado se adequar:

  • Imediatamente: estão proibidas a fabricação, importação e concessão de novos registros ou notificações de produtos contendo TPO ou DMPT.
  • Em até 90 dias: empresas e estabelecimentos devem encerrar a venda e o uso de itens que já estão nas prateleiras.
  • Após 90 dias: a Anvisa cancelará os registros e notificações existentes, e as empresas deverão recolher os produtos ainda disponíveis no comércio.

A agência reforça que a exposição ocasional a essas substâncias representa risco menor, mas o contato frequente ou prolongado, como ocorre com profissionais de salões, pode trazer efeitos nocivos acumulativos.

Com a medida, o Brasil dá mais um passo na atualização das normas de segurança em cosméticos, setor que movimenta bilhões de reais ao ano e emprega milhares de profissionais da beleza.

Anvisa proíbe lote falso de chá e suplementos inseguros para o consumo

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) /Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira (23) a apreensão de um lote falso do Chá Pronto Para Consumo Multi Extrato. Esse lote não foi produzido pela A&CL Indústria e Comércio de Produtos Naturais, que é a verdadeira fabricante do chá.

A decisão atinge apenas os produtos do lote 2306, com o número de registro ES000233-0.000043 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A partir da determinação, os produtos ficam proibidos de serem comercializados, distribuídos, fabricados, consumidos e divulgados.

“A medida foi motivada após uma denúncia informar que o produto era falsificado. Além disso, a A&CL Indústria e Comércio de Produtos Naturais confirmou que não produziu o lote citado, e o registro ES000233-0.000043, impresso no rótulo dos produtos, já foi cancelado pelo Mapa”, disse a Anvisa, em nota.

Também foi determinado o recolhimento de todos os lotes dos suplementos Zeólita Clinoptilolita Standard e Zeólita Clinoptilolita Premium, comercializados pela empresa Zeoclin Ltda. A ação proibiu a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a divulgação e o consumo dos produtos.

“A determinação da Anvisa teve como causa a inclusão, nos suplementos em questão, de um ingrediente que não teve a segurança de uso e eficácia comprovada pela Agência. Além disso, a propaganda dos produtos associa o seu uso a propriedades terapêuticas, como a captura de poluentes e toxinas, prática não permitida a produtos classificados como alimentos”.

Senado aprova isenção de tributos para doação de medicamentos

Medicamentos/Joédson Alves/Agência Brasil

O Senado aprovou nesta terça-feira (21) o Projeto de Lei (PL) 4719/2020 que isenta do pagamento de diversos tributos as doações de medicamentos à União, aos estados, ao Distrito Federal, aos municípios, às santas casas de misericórdia, à Cruz Vermelha Brasileira e a entidades beneficentes da assistência social. O texto segue para a Câmara dos Deputados.

Uma emenda aprovada pelos senadores ampliou o rol de organizações que também poderão se beneficiar da medida. Agora, as Organizações Sociais, Organizações da Sociedade Civil e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público poderão receber as medicações.

Pela proposta, a doação de medicamentos fica isenta dos pagamentos da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Além disso, os medicamentos doados devem ter, no mínimo, seis meses de validade. Os remédios doados não poderão ter finalidade lucrativa e deverão ser usado em atividades assistenciais.

As doações não poderão ser realizadas para pessoas físicas, e o controle e a fiscalização das doações de medicamentos beneficiadas com a isenção do projeto ocorrerão segundo regulamento a ser editado pela Secretaria Especial da Receita Federal, do Ministério da Fazenda.

AVC mata uma pessoa a cada seis minutos no Brasil

Sintomas menos conhecidos de AVC que merecem atenção

O acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, figura atualmente como uma das principais causas de morte e incapacidade física no mundo. Dados da consultoria especializada em gestão de saúde e custos hospitalares Planisa indicam que, a cada 6,5 minutos, uma pessoa morre em razão do AVC no país.

Os números revelam ainda custos hospitalares relacionados ao tratamento do AVC no sistema de saúde brasileiro. Entre 2019 e setembro de 2024, foram contabilizadas 85.839 internações, com permanência média de 7,9 dias por paciente, resultando em mais de 680 mil diárias hospitalares.

Desse total de diárias, 25% foram em unidades de terapia intensiva (UTI) e 75% em enfermarias. No período analisado, os gastos acumulados chegaram a R$ 910,3 milhões, sendo R$ 417,9 milhões em diárias críticas e R$ 492,4 milhões em diárias não críticas. Apenas em 2024, até setembro, o montante já ultrapassava R$ 197 milhões.

O levantamento mostra que, ao longo dos anos, houve crescimento constante dos custos, que praticamente dobraram entre 2019 e 2023, passando de R$ 92,3 milhões para R$ 218,8 milhões. O aumento acompanha a alta no número de internações por AVC, que saltou de 8.380 em 2019 para 21.061 em 2023.

Entenda

De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. O quadro acomete mais homens e, quanto mais rápido for o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de recuperação.

A pasta classifica como primordial estar atento a sinais e sintomas como confusão mental; alteração da fala e da compreensão; alteração na visão (em um ou em ambos os olhos); dor de cabeça súbita, intensa e sem causa aparente; alteração do equilíbrio, tontura ou alteração no andar; e fraqueza ou formigamento em um lado do corpo.

O diagnóstico do AVC é feito por meio de exames de imagem que permitem identificar a área do cérebro afetada e o tipo do derrame cerebral – isquêmico ou hemorrágico. A tomografia computadorizada de crânio, segundo o ministério, é o método mais utilizado para a avaliação inicial, demonstrando sinais precoces de isquemia.

Os fatores de risco listados pela pasta incluem hipertensão; diabetes tipo 2; colesterol alto; sobrepeso; obesidade; tabagismo; uso excessivo de álcool; idade avançada; sedentarismo; uso de drogas ilícitas; e histórico familiar, além de ser do sexo masculino.

Brasil tem 46 casos confirmados de intoxicação por metanol



Bebida alcoólica  (Freepik )

O Ministério da Saúde divulgou, nesta sexta-feira (17), que o Brasil contabilizou, até o momento, 46 casos confirmados de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas. Ainda há 87 ocorrências em investigação.

Entre os casos confirmados, 38 foram em São Paulo, quatro no Paraná, três em Pernambuco e um no Rio Grande do Sul. Ao todo, 528 suspeitas foram descartadas.

Entre os casos ainda em investigação, a maior parte também está em São Paulo (44 notificações). As outras suspeitas estão em Pernambuco (23), Rio de Janeiro (6), Piauí (3), Mato Grosso do Sul (2), Goiás (2), Paraná (2) e Bahia (1), Espírito Santo (1), Minas Gerais (1), Paraíba (1) e Tocantins (1).

Mortes

Não houve nova confirmação do número de mortes causadas pela intoxicação por metanol desde a última quarta (15). São, ao todo, oito óbitos, que ocorreram no estado de São Paulo (seis pessoas) e em Pernambuco (duas).

Outros oito casos estão em investigação, sendo dois em São Paulo, três em Pernambuco, um no Mato Grosso do Sul, um em Minas Gerais e um no Parará. Ao todo, 26 suspeitas de mortes causadas por metanol foram descartadas.

Pesquisas brasileiras avançam no diagnóstico de Alzheimer

Estudos recentes feito por cientistas brasileiros confirmaram o potencial de um exame de sangue para o diagnóstico do Alzheimer (Foto: Louis Reed/Unsplash)

Estudos recentes feito por cientistas brasileiros confirmaram o potencial de um exame de sangue para o diagnóstico do Alzheimer. As análises apontam o bom desempenho da proteína p-tau217 como o principal biomarcador para distinguir, por meio desse exame, indivíduos saudáveis de pessoas com a doença. O objetivo das pesquisas, apoiadas pelo Instituto Serrapilheira, é levar os estudos para o Sistema Único de Saúde (SUS) para uso em larga escala.

Segundo Eduardo Zimmer, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apoiado pelo instituto, atualmente no Brasil existem dois exames capazes de identificar o Alzheimer: o exame de líquor, um procedimento invasivo no qual é feita uma punção lombar utilizando uma agulha bem fina; e o exame de imagem (tomografia). Antes disso, a única forma de detectar a possibilidade da doença era o exame clínico, normalmente feito por um neurologista que fazia diagnóstico baseado nos sintomas do paciente.

“Tanto o exame de líquor quanto a tomografia podem ser solicitados pelo médico para o diagnóstico da doença de Alzheimer assistido por biomarcadores. O problema é que quando pensamos num país como o Brasil, continental, com 160 milhões de pessoas que dependem do SUS, como vamos fazer esses exames em larga escala? Uma punção lombar necessita de infraestrutura, experiência e normalmente é o neurologista que faz. Já o exame de imagem é muito caro para usar no SUS em todo o país”, afirmou.

A pesquisa, assinada por 23 pesquisadores, incluindo oito brasileiros, analisou mais de 110 estudos sobre o tema com cerca de 30 mil pessoas, confirmando que o p-tau217 no sangue é o biomarcador mais promissor para identificar a doença de Alzheimer. Além de Zimmer, o estudo conta com Wagner Brum, aluno de doutorado e membro do grupo de pesquisa na UFRGS, como coautores.

Os resultados foram obtidos em análises de 59 pacientes e os testes foram comparados com o “padrão ouro”, o exame de líquor, apresentando alto nível de confiabilidade, acima de 90%, padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo Zimmer, ao mesmo tempo um grupo de pesquisadores do Instituto D’Or, no Rio de Janeiro, e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os professores Sérgio Ferreira, Fernanda De Felice e Fernanda Tovar-Moll, devolveram um estudo praticamente igual e com os mesmos resultados.

“São duas regiões diferentes do país, com genética e características socioculturais completamente diferente e o exame funcionou muito bem”, destacou.

Atualmente, o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer é considerado um dos principais desafios de saúde pública no mundo. De acordo com a OMS, aproximadamente 57 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de demência — dessas, pelo menos 60% têm o diagnóstico de Alzheimer. No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência, de 2024, estima cerca de 1,8 milhão de pessoas com a doença. A previsão é que o número pode triplicar até 2050.

Baixa escolaridade

No estudo, os cientistas identificaram que a baixa escolaridade parece acentuar mais a doença, reforçando a hipótese de que fatores socioeconômicos e educacionais impactam no envelhecimento do cérebro.

“A baixa escolaridade é um fator de risco muito importante para o declínio cognitivo, ficando acima de idade e sexo. Fizemos esse estudo no Brasil e o primeiro lugar disparado é a baixa escolaridade. No contexto biológico, a gente entende que o cérebro que é exposto a educação formal cria mais conexões. É como se a gente exercitasse o cérebro que fica mais resistente ao declínio cognitivo”, ressaltou o pesquisador.

SUS

O diagnóstico por exame de sangue já é uma realidade na rede privada. Testes realizados no exterior, como o americano PrecivityAD2, são oferecidos no Brasil a um custo que pode chegar a R$ 3,6 mil. Embora apresentem alta precisão, seu preço elevado reforça a importância de desenvolver uma alternativa nacional e gratuita.

O pesquisador explicou que, para que o exame chegue ao SUS, primeiro é preciso entender se ele vai ter a performance necessária. Em segundo lugar estabelecer a estratégia e a logística para a inclusão no SUS.

“Precisamos de várias avaliações para entender onde as análises serão feitas, quando esses exames vão ser utilizados, que população será beneficiada, se vai acelerar ou não o diagnóstico no SUS”, disse.

Entretanto, antes de chegar a essa etapa ainda há um caminho a ser percorrido, o que dificulta colocar uma estimativa dessa disponibilidade. Os resultados definitivos estarão disponíveis em cerca de dois anos. Apesar de a doença ser mais frequente em pessoas com 65 anos, serão iniciados estudos em pessoas com mais de 55 anos.

“Vamos começar os estudos com indivíduos com mais de 55 anos, porque sabemos que existe uma fase que a gente chama de pré-clínica da doença de Alzheimer, que é quando a doença começa a se instalar, mas o indivíduo ainda não tem sintomas. A ideia é conseguirmos mapear também a prevalência desses indivíduos”, acrescentou Zimmer.

De acordo com o Instituto Serrapilheira, a pesquisa foi publicada na revista Molecular Psychiatry, e os resultados foram reforçados em revisão internacional publicada em setembro, no periódico Lancet Neurology.

Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024

 — Foto: AdobeStock

Fazia sete anos que a operadora de caixa Jaqueline Chagas, então com 35 anos e hoje com 46, ouvia do ginecologista que o caroço que deformava seu seio era benigno. “Dava para sentir o nódulo no abraço”, relembra.

O que ela não sabia é que fazia parte de uma tendência crescente no Brasil e no mundo: o aumento de casos de câncer em pessoas de até 50 anos.

  • Entre 2013 e 2024, o número de diagnósticos nessa faixa etária cresceu quase quatro vezes (284%) no Sistema Único de Saúde (SUS) — de 45,5 mil para 174,9 mil casos, segundo um levantamento feito pelo g1 com dados do painel DataSUS.
  • Os tumores de mama, colorretal e fígado estão entre os que mais crescem nesse grupo.
  • O câncer de mama lidera os diagnósticos, com alta de 45% entre 2013 e 2024 e mais de 22 mil novos casos anuais de mulheres de até 50 anos registrados no SUS.

Foi durante uma mamografia de urgência que Jaqueline descobriu o diagnóstico.

“A médica que me examinava olhou para a colega dela e disse: ‘Mais uma jovem com câncer de mama, essa é a terceira hoje’. Foi assim que descobri que tinha câncer”, conta.

“Eu congelei. Primeiro, tive certeza de que morreria. Depois, pensei na minha mãe.“

Brasil tem lacuna de dados

O diagnóstico de Jaqueline foi carcinoma grau 3 localmente avançado. Vieram oito sessões de quimioterapia, uma mastectomia radical e complicações graves durante o tratamento no Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro.

Na sexta quimio, Jaqueline teve neutropenia (queda brusca dos leucócitos, responsáveis pela defesa do organismo) e sepse, uma infecção generalizada grave que, segundo os médicos, poderia ser fatal.

“Disseram ao meu marido que eu tinha poucos dias de vida. Lembro de pensar que não veria mais minha casa. Depois de uma semana, os leucócitos começaram a reagir”, diz.

Assim como Jaqueline, a maioria dos pacientes com diagnóstico precoce passa pela rede pública, onde estão concentrados os registros: 75% da população é atendida pelo SUS.

Especialistas ouvidos pelo g1, porém, alertam que o problema é ainda maior do que as estatísticas mostram: o Brasil não tem dados completos da saúde suplementar, e parte expressiva dos casos pode estar oculta nos planos privados, sem notificação oficial.

“Toda política de saúde depende de dados, e hoje eles são frágeis”, afirma Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation. “Na saúde suplementar, a notificação não é compulsória. Então o país subestima a real dimensão do problema.”

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou à reportagem que não é possível medir a incidência de câncer na rede privada, responsável por aproximadamente 25% da cobertura populacional, porque desde 2010 uma decisão judicial impede o uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) nas bases das operadoras.

O Ministério da Saúde tampouco possui dados que contemplem todo o sistema — apenas estimativas trienais.

Aumento do câncer colorretal

Entre os tumores que mais crescem na faixa de até 50 anos, o colorretal — que inclui os de cólon, reto e canal anal — é um dos que mais preocupam os médicos.

De acordo com dados do DataSUS, os diagnósticos passaram de 1.947 em 2013 para 5.064 em 2024, um crescimento de 160% no período.

“É uma doença de estilo de vida. Só 5% dos casos são hereditários; mais de 90% têm relação com alimentação, sedentarismo e obesidade”, explica Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center e diretor do programa de Residência Médica.

Segundo o médico, o aumento ocorre justamente em uma geração exposta desde a infância a dietas industrializadas, excesso de gordura corporal e pouco movimento físico.

Outro fator que justifica o boom é a baixa adesão ao rastreamento precoce, já que a colonoscopia, principal exame de detecção, ainda é pouco realizada antes dos 50 anos.

“Muitos pacientes jovens são diagnosticados em estágios avançados porque os sintomas são confundidos com hemorroidas ou alterações intestinais leves. Falta cultura de prevenção nessa faixa etária”, completa Aguiar.

O novo perfil dos pacientes

Os médicos observam, ainda, uma mudança geracional no padrão de risco.

Antes, os tumores eram mais frequentes em idosos e estavam ligados ao tabagismo ou à exposição ocupacional. Agora, predominam fatores cotidianos: alimentação rápida, estresse, sobrepeso e noites mal dormidas.

“Os pacientes chegam ao consultório jovens, ativos, cuidando dos filhos, e de repente descobrem um câncer avançado. É um choque, não se viam no grupo de risco”, relata Stefani.

Esses novos hábitos também explicam por que a doença aparece mais cedo. A obesidade, por exemplo, funciona como um órgão inflamatório, produzindo substâncias que desregulam hormônios e estimulam o crescimento de células defeituosas.

O resultado é um organismo permanentemente inflamado, mais suscetível a mutações genéticas.

Prevenção e rastreamento

Médica nuclear pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) e coordenadora do PET/TC da Clínica Villela Pedras, Sumara Abdo reforça que o sistema ainda não está preparado para diagnosticar precocemente pacientes jovens.

“Os protocolos de rastreamento ainda são voltados para pessoas acima dos 50 anos. Mas a realidade mudou. Já temos evidências de que tumores como o de mama e o colorretal vêm aumentando muito antes dessa idade”, diz.

Sumara defende incluir pacientes jovens em programas de prevenção e diagnóstico precoce, com foco em histórico familiar, obesidade e sintomas persistentes.

“Precisamos parar de associar o câncer a idosos. O corpo fala, e o diagnóstico precoce salva. No INCA, vemos mulheres de 30 anos com tumores agressivos e sem histórico familiar.”

Entre as principais medidas preventivas estão:

  • manter alimentação rica em fibras, frutas e vegetais;
  • reduzir o consumo de ultraprocessados e bebidas alcoólicas;
  • praticar atividade física regularmente;
  • fazer exames de imagem ou endoscópicos conforme orientação médica.

Sistema não está preparado

Mesmo com avanços recentes — como a ampliação da mamografia a partir dos 40 anos no SUS, anunciada em 2025 —, especialistas dizem que o sistema ainda não acompanha o novo perfil da doença.

“A demora entre diagnóstico e início do tratamento segue um desafio. Muitos não começam dentro dos 60 dias previstos por lei”, afirma Isabella Drummond, oncologista e membro das sociedades Americana e Europeia de Oncologia.

Ela acrescenta que a oncologia de precisão — baseada em testes genéticos e terapias-alvo — avança no setor privado, mas ainda é inacessível à maioria dos pacientes do SUS.

“Sem políticas públicas de rastreamento e diagnóstico molecular, a desigualdade em câncer só vai aumentar”, diz.
É justamente essa diferença de acesso que Jaqueline vê todos os dias. Ao se recuperar, ela criou um grupo nas redes sociais chamado Unidas, onde mais de 500 mulheres com câncer de mama trocam experiências.

“Tem mulher que espera seis meses por um exame. Outras não conseguem voltar ao trabalho por falta de acompanhamento psicológico. A gente tenta se ajudar com informação e acolhimento, porque muitas ainda descobrem o câncer tarde demais”, conta.

Uma tendência global

O fenômeno não é exclusivo do Brasil.

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine (2022) mostra que a incidência de câncer em pessoas com menos de 50 anos vem crescendo em todos os continentes, especialmente em países urbanizados e de renda média.

As causas mais prováveis são o estilo de vida moderno, as mudanças na microbiota intestinal, o sono insuficiente e a exposição a poluentes desde cedo.

“O fenômeno é global, mas no Brasil ele é agravado por desigualdade e diagnóstico tardio”, resume Stefani.

A publicação alerta que, sem políticas públicas que integrem prevenção e acesso, o país pode repetir o padrão observado nos Estados Unidos e Reino Unido — onde os casos precoces já representam até 20% dos novos diagnósticos anuais.

Sinais de alerta

Nem todo câncer gera sintomas no estágio inicial, mas é importante ficar atento a alguns sinais:

  • Perda de peso inexplicável.
  • Sangue nas fezes ou urina.
  • Nódulos persistentes.
  • Mudança no hábito intestinal.
  • Cansaço extremo.
  • Sangramento anormal.

“O câncer diagnosticado cedo tem mais de 90% de chance de cura”, reforça Isabella. “Mas para isso, o paciente precisa ser ouvido e ter acesso rápido ao exame certo“, afirma.

Antídoto contra intoxicação por metanol está disponível em 9 estados

Ampolas /Ministério da Saúde

A segunda remessa de etanol farmacêutico, antídoto utilizado no tratamento de intoxicações por metanol, começou a ser enviada nesta terça-feira (7) a mais quatro estados. Com essa nova entrega, o total de frascos distribuídos pelo Ministério da Saúde chega a 1.125, alcançando nove estados:

– Acre: 30 ampolas
– Bahia: 90 ampolas
– Ceará: 120 ampolas
– Distrito Federal: 90 ampolas
– Goiás: 75 ampolas
– Mato Grosso do Sul: 60 ampolas
– Pernambuco: 240 ampolas
– Paraná: 360 ampolas
– Rio de Janeiro: 60 ampolas

As ampolas integram o estoque estruturado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), garantindo reposição e distribuição conforme a necessidade de estados e municípios. Outras 60 mil ampolas de etanol estão em processo de aquisição.

Fomepizol

O Ministério da Saúde também adquiriu 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol de uma empresa japonesa, que também doou outras 100 unidades, totalizando 2,6 mil unidades do medicamento. A previsão é que o lote chegue ao Brasil ainda nesta semana e comece a ser distribuído aos estados, conforme as necessidades locais e o registro de casos.

Governo cria comitê de enfrentamento da crise do metanol

O objetivo do comitê é planejar tanto ações repressivas, quanto protetivas/Isaac Amorim/MJSP

O governo federal instituirá um comitê, em parceria com a sociedade civil, para enfrentar os problemas das bebidas contaminadas por metanol. A ideia é planejar tanto ações repressivas, contra aqueles que atuaram na adulteração das bebidas, quanto protetivas para o setor de bebidas que, segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é de grande importância para a economia brasileira.

O anúncio dessas medidas foi feito pelo ministro, após reunir-se com outras autoridades e com representantes do setor de bebidas, no ministério.

“Tivemos uma discussão bastante frutífera, e chegamos à conclusão de que seria importante montar um comitê de enfrentamento da crise do metanol”, disse Lewandowski.

Segundo ele, este será um comitê informal para troca de informações sobre boas práticas e anúncios das providências tomadas, tanto pelo setor público quanto pelo privado, visando a uma solução rápida para problema.

“Em um país continental como nosso, com 210 milhões de habitantes e de realidades tão distintas do ponto de vista regional, o governo precisa conjugar-se com a iniciativa privada e a sociedade civil para darmos contas dos problemas que enfrentamos”, argumentou.

Crise

Na avaliação do ministro, o problema das bebidas contaminadas pode ser entendido também como uma “crise econômica”, uma vez que se trata de um setor reconhecido por sua importância para a economia brasileira.

“É um setor que gera empregos, paga impostos e é responsável pelo desenvolvimento. Por isso, nossa preocupação é separar com bastante clareza aqueles que trabalham dentro da lei, atuando para fazer com que a economia brasileira avance, sem prejuízo de uma ação repressiva”, disse o ministro.

“Temos também uma ação repressiva, importante tanto do ponto de vista administrativo, como advertências ou sanções pecuniárias, chegando ao extremo do fechamento dos estabelecimentos”, complementou.

Brasil tem 209 casos suspeitos de intoxicação por metanol

Intoxicação por metanol: Brasil tem 16 casos confirmados e 209 suspeitos -  Agenda do Poder

O Brasil tem 209 casos em investigação de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde neste domingo (5). Em todo o país, são 16 casos confirmados – 14 em São Paulo e 2 no Paraná. As informações são enviadas pelos estados e consolidadas pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS).

O estado de São Paulo responde pela maioria das notificações, com 14 casos confirmados e 178 em investigação.

Ao todo, 13 estados tem casos notificados – Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rondônia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará. Os estados da Bahia e do Espírito Santo tiveram os casos registrados descartados. Já o Ceará notificou o primeiro caso suspeito.

Até o momento, o país tem 15 registros de óbitos, com duas mortes confirmadas no estado de São Paulo. As demais mortes (13) estão em investigação.

7, em São Paulo,
3, em Pernambuco,
1, no Mato Grosso do Sul,
1, em Paraíba,
1, no Ceará.

As informações consideram os registros enviados pelos estados até as 16h deste domingo (5) e estão sujeitas a atualizações locais.

Brasil já tem 127 casos suspeitos de intoxicação de metanol, diz ministro da Saúde

Número de intoxicações por metanol tem crescido em todo o país/Foto: Freepik

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou neste sábado, 4 que há 127 casos de intoxicação de metanol no País até o momento. Segundo ele, não houve crescimento no número de confirmados e, sim, de suspeitos. Já há casos em 12 Estados, segundo o ministro, que está em Teresina, no Piauí.

O ministro recomendou que a população evite bebidas alcoólicas nos próximos dias, principalmente que estejam em garrafas de destilados fechadas com roscas.

“Nossa recomendação é evitar bebidas destiladas, sobretudo aquelas que a garrafa é feita com a rosca”, disse Padilha, afirmando que ainda não foram identificados casos de adulteração em bebidas alcoólicas vendidas em latas ou em garrafas com tampas metálicas.

“É um produto de lazer, não faz parte da cesta básica, de necessidade. Então evite risco no seu momento de lazer.” Para ele, o “momento é de atenção e não de pânico”.

O ministro também anunciou medidas tomadas pelo governo para enfrentar os casos de intoxicação, que têm se espalhado pelo Brasil. Padilha afirmou que existem 604 farmácias de manipulação capazes de produzir o etanol farmacêutico, substância usada como antídoto nesses casos, com devida recomendação médica.

Ele afirmou que foram adquiridas 12 mil ampolas da substância pelo governo, que serão distribuídas para os Centros de Referência de Toxicologia espalhados pelo País.

Padilha também informou que o governo adquiriu 2.500 tratamentos de Fomepizol, outro antídoto para o metanol, por meio da Organização Pan-Americana de Saúde. Segundo ele, os medicamentos chegarão ao longo da próxima semana.

Aos profissionais de saúde da rede pública e privada, a recomendação do ministro é de que façam a notificação imediata já na primeira suspeita clínica de intoxicação. Ao registrar o caso, o Centro de Referência de Toxicologia do Estado passa a oferecer suporte técnico para a condução adequada, orientando sobre o cumprimento do protocolo do Ministério da Saúde.

Isso inclui checar acidose metabólica, garantir hidratação, monitorar a função cardíaca e iniciar todas as condutas indicadas, como o uso de etanol farmacêutico. A notificação precoce, mesmo em casos suspeitos, também é fundamental para rastrear onde a bebida foi consumida e identificar rapidamente o local de aquisição, auxiliando na resposta sanitária, explicou Padilha.

O metanol é usado como matéria-prima para combustíveis e é impróprio para consumo humano, mas estaria sendo utilizado na falsificação de bebidas alcoólicas. Em forma pura, ele tem gosto levemente adocicado e alcoólico, parecido com o etanol, e não tem odor forte característico. Em destilados com 30% ou 40% de teor alcoólico, não é perceptível no sabor.

Governo vai comprar 150 mil antídotos contra intoxicação por metanol

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha/Rafael Nascimento/MS

O Ministério da Saúde comprará, em caráter emergencial, antídotos contra intoxicações por metanol, a serem utilizados por estados e municípios para o tratamento de vítimas que tenham tomado bebidas alcoólicas adulteradas.

O governo pretende adquirir 150 mil ampolas de etanol farmacêutico, além da possibilidade de adquirir Fomepizol junto a produtores e agências internacionais. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, via redes sociais.

“Determinamos a compra emergencial de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico para reforçar estados e municípios no tratamento de vítimas. A Anvisa também acionou produtores e agências internacionais para adquirir Fomepizol, outro antídoto usado em casos de intoxicação”, postou o ministro.

Na quinta-feira (2), Padilha detalhou ações estratégicas de enfrentamento a esse tipo de intoxicação, durante reunião da sala de situação, criada pelo governo federal visando o monitoramento e a coordenação das iniciativas, em meio aos casos de suspeita e contaminação que vêm sendo identificados.

“O Ministério da Saúde estruturou, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), um estoque estratégico em hospitais universitários federais e serviços do SUS com 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico. Além disso, está em andamento a compra emergencial de mais 5 mil tratamentos (150 mil ampolas), garantindo a reposição e distribuição do produto conforme a necessidade de estados e municípios”, informou o ministério.

Chamada Pública

De acordo com a pasta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma chamada pública para identificar “fornecedores internacionais do fomepizol, medicamento específico para intoxicação por metanol, atualmente não disponível no Brasil”.

Esta ação vai mobilizar as 10 maiores agências reguladoras do mundo para que indiquem, em seus países, quais são os produtores do fomepizol.

O governo oficializou também um pedido à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol.

Anvisa aciona empresas internacionais para comprar antidoto para intoxicação com metanol

Fechada do Prédio da Agência de Vigilância Sanitária ANVISA, em Brasília/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um Edital de Chamamento Internacional para identificar fabricantes e distribuidores internacionais do medicamento Fomepizol, em ampolas de 1,5 ml e concentração de 1.000 mg/ml.

O medicamento é utilizado como antídoto em casos de intoxicação oral por metanol, condição que pode levar a graves complicações de saúde e risco de morte.

O Brasil notificou 59 casos de intoxicação por metanol e confirmou 11 deles. Desse total, quatro são em Pernambuco: dois em Lajedo e João Alfredo, no Agreste, e um de Olinda, no Grande Recife.

Segundo a Anvisa, Fomepizol não possui registro sanitário no Brasil, o que torna necessária a busca por fornecedores em outros países para atender à demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Ministério da Saúde, “há uma necessidade urgente de assegurar o abastecimento nacional do medicamento, garantindo a segurança assistencial em situações de emergência”.

No edital, publicado no Diário Oficial da União desta sexta (3), o Ministério da Saúde do Brasil informa a “urgente necessidade de garantir a segurança assistencial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e o abastecimento nacional do medicamento Fomepizol, utilizado como antídoto em casos de intoxicação oral por metanol”.

Considerando que não há registros desse medicamento, a agência diz que é “necessário identificar possíveis empresas fornecedoras em outros países”.

Veja o edital:

Meta

Este Edital de Chamamento Internacional visa identificar fabricantes e distribuidores internacionais de Fomepizol (Nome DCB/I: FOMEPIZOLE INJ) na concentração de 1000mg/ml em ampolas de 1,5ml, aptos a fornecer imediatamente ao Brasil.

Público

Empresas fabricantes e distribuidoras internacionais de Fomepizol.

Prazos

O prazo para contribuições é de 30 (trinta) dias à partir da data de publicação deste edital. Solicita-se que as informações sejam prestadas com a maior brevidade possível, preferencialmente no idioma inglês.