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Bolsonaro soluçou por 36 horas seguidas e precisou aumentar dose de remédios, aponta relatório

Ex-presidente Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou um episódio de soluço (singulto) contínuo com duração aproximada de 36 horas, segundo relatório médico desta sexta-feira, 17.

O documento, assinado pelo médico Brasil Ramos Caiado, afirma que houve necessidade de doses extras de medicações, com resposta considerada satisfatória.

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar humanitária desde 27 de março de 2026, quando deixou o hospital após tratar um quadro de broncopneumonia.

De acordo com o relatório, o ex-presidente vinha apresentando quadro estável nas semanas anteriores. Há três dias, porém, passou a apresentar recorrência “forte e prolongada” de soluço. Por isso, foi necessário o reforço temporário no tratamento medicamentoso, segundo o documento.

O boletim aponta que Bolsonaro está estável do ponto de vista hemodinâmico – ou seja, sem alterações na circulação sanguínea – respiratório e cardiológico.

Ainda assim, o texto registra a persistência de efeitos colaterais ligados aos remédios. Entre eles, instabilidade crônica do equilíbrio corporal e sonolência.

O paciente segue em dieta rigorosa, fisioterapia e exercícios regulares, além de medidas preventivas voltadas a reduzir o risco de quedas e de refluxo.

Lula defende Pix após tarifa dos EUA: ‘É público, é de graça e vai continuar assim’

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do Pix nesta sexta-feira, 17, um dia depois de os Estados Unidos anunciarem a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, como resultado de uma investigação que aponta o sistema de pagamentos instantâneo do Brasil como uma prática ilegal de comércio digital.

Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix. É público, é de graça e vai continuar assim“, diz um card compartilhado pelo perfil do presidente da República nas redes sociais. “Nossa soberania não se negocia“, diz a legenda da imagem.

A nova tarifa sobre produtos brasileiros foi confirmada pelos EUA na noite de quarta-feira, 15, após a conclusão de uma investigação do Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O relatório do USTR acusa o Banco Central brasileiro de favorecer o Pix, em detrimento de outros meios de pagamento.

Na quinta-feira, 16, em uma entrevista coletiva sobre o tarifaço o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse considerar difícil compreender a posição dos EUA sobre o sistema de pagamentos, uma vez que a infraestrutura é aberta e produz concorrência. Hoje, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que classificar o Pix como prática desleal é um “completo absurdo”.

Moraes marca para 28 de julho depoimento de Flávio Bolsonaro à PF

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), preste depoimento à Polícia Federal (PF) em 28 de julho, às 14h, no caso em que é acusado de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na decisão, Moraes destacou que a defesa do parlamentar e pré-candidato à Presidência da República não indicou data e horário para a realização da oitava, conforme prerrogativa do cargo. Por esse motivo, o ministro resolveu ele próprio marcar o procedimento.

No início do mês, Moraes havia aberto prazo de 10 dias para que o ato fosse realizado, mas a defesa do senador pediu, em seguida, por mais tempo, alegando ser inviável compatibilizar a agenda de Flávio.

Impõe-se, portanto, a designação do ato por este Juízo, a fim de assegurar o regular prosseguimento das investigações”, escreveu o ministro na decisão desta sexta.

Entenda

O caso tem origem em uma postagem feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em que o senador fez uma associação entre Lula e o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro, que na época havia acabado de ser preso por forças dos Estados Unidos.

Na publicação, Flávio afirmou que Lula seria “delatado” por crimes como tráfico de drogas, apoio a terroristas, fraude eleitoral e lavagem de dinheiro.

Em relatório enviado ao Supremo no mês passado, a PF concluiu haver “indícios concretos” de que Flávio praticou calúnia contra Lula em decorrência de postagens feitas 3 de janeiro.

Em parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou ser de “especial relevância” que Flávio seja ouvido antes que eventual denúncia possa ou não ser apresentada.

Lula: “Enquanto Trump não falar de tarifaço, eu não falarei”

Presidente Lula criticou limitações impostas pela Justiça Eleitoral/Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (17) que não vai se manifestar sobre a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros enquanto o presidente americano, Donald Trump, não se manifestar sobre o tema.

Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei“, disse Lula, durante visita à Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

No Brasil, ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira“, complementou.

No seu discurso, Lula também disse que não falaria sobre o tarifaço porque “a notícia tem que ser o SUS, as nossas carretas da saúde da mulher, o tratamento das mulheres“. Ao citar possibilidades de tratamento no SUS, Lula afirmou que “não somos os melhores do mundo, mas nós temos que ter orgulho de sermos brasileiros.” “Ninguém ouse falar mal do Brasil“, frisou.

Flávio Bolsonaro propõe IA para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica

Flávio Bolsonaro atribuiu ao presidente Lula a responsabilidade pela decisão da Comissão Europeia de vetar a importação de carne brasileira/Saulo Cruz/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, propõe lançar uma assistente virtual para auxiliar mulheres, inclusive, durante situações de violência doméstica. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 16, durante live de lançamento do “Brasil Por Elas” – pacote de propostas voltadas a mulheres.

Em peça publicitária gerada por Inteligência Artificial, a pré-campanha anuncia a ferramenta “MarIA”. De acordo com o vídeo “as mulheres do Brasil vão ganhar uma amiga virtual, que irá acompanhar cada etapa da jornada de vida delas. Tanto nos momentos bons, como de dificuldade”.

Em seguida, o vídeo mostra uma mulher negra correndo e se trancando no banheiro. Ofegante, ela pega o celular enquanto alguém tenta arrombar a porta: “Socorro! Socorro! MarIA, me ajuda! Meu marido quer me bater! Socorro!”.

O vídeo ilustra outras situações de uso da ferramenta: uma mulher pede ajuda para abrir uma MEI, outra recebe confirmação de exame de mamografia agendado, e uma terceira pede indicação de creche para o filho.

Aguarde. Logo logo, todas as mulheres deste país vão ter uma nova amiga para tirar dúvidas, marcar exames, pedir proteção, abrir empresa, conseguir crédito para empreender e muito mais. Vem aí MarIA“, finaliza a peça.

Durante a live de lançamento do “Brasil por Elas”, Flávio explicou a origem do nome da assistente. “A gente chamou de MarIA porque é Maria e IA de inteligência artificial“, disse o senador. Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa que apresentou o pacote ao lado de Flávio, completou dizendo: “Maria é a mãe de todos”.

Segundo o pré-candidato, a ferramenta terá comunicação por voz, pensada para atender mulheres analfabetas. Ele disse ainda que a MarIA estará disponível para mais de 70 milhões de mulheres com acesso à internet garantido.

Ainda durante a live, Flávio voltou a defender que uma mulher ocupe a vaga de vice em sua chapa e citou os nomes de Daniella, Simone Marquetto (PP-SP) e da deputada federal Clarissa Tércio (PP-SP).

Como mostrou o Estadão, o “Brasil por Elas” prevê outras medidas voltadas às mulheres, como vouchers para creches privadas, microcrédito para empreendedorismo e a castração química de estupradores. O pacote também inclui uma caravana com Daniella, Fernanda Bolsonaro e Simone Marquetto, para apresentar as propostas pelo país.

O anúncio do pacote ocorre na esteira da crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Presidente do STF também se pronuncia sobre tarifaço imposto pelos EUA

Edson Fachin/ AFP

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse em nota que a Corte continuará exercendo sua função “com serenidade, independência e firmeza”, sem ceder a “qualquer influência, pressão ou condicionamento de natureza externa”. A nota foi divulgada em reação ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.

Ao anunciar a nova tarifa, o governo de Donald Trump citou decisão do ministro Dias Toffoli que anulou provas da Odebrecht e a renegociação de acordos de leniência da Lava Jato como justificativas para a sobretaxa, alegando falha no combate à corrupção.

A nota também diz que a Corte “respeita a autonomia das instituições de todas as nações e espera igual respeito às instituições” do Brasil. “Divergências entre Estados devem ser conduzidas pelos canais diplomáticos e pelos mecanismos próprios do Direito Internacional, jamais por iniciativas que possam ser interpretadas como forma de constrangimento ao exercício da jurisdição constitucional“, escreveu Fachin.

Fachin também destacou que o Supremo atua “exclusivamente por força da Constituição” brasileira. “Suas decisões são públicas, fundamentadas, submetidas unicamente ao império da Constituição e das leis brasileiras“, ressaltou.

Alckmin cita Lei de Reciprocidade e que a resposta do governo não deve ser chamada de retaliação

Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin/Júlio César Silva/MDIC

O vice-presidente da República Geraldo Alckmin afirmou nesta quinta-feira (16), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou que o governo federal mantivesse diálogo e negociação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) concluiu uma investigação alegando práticas comerciais desleais por parte do Brasil. A acusação do USTR resultou em tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros.

“Desde o início, o presidente Lula orientou o diálogo. Sempre foi o diálogo. E o diálogo é permanente. O diálogo é sempre. O Brasil está sempre aberto ao diálogo“, disse, durante entrevista coletiva sobre a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

O vice-presidenre disse que a resposta do governo federal não deve ser chamada de retaliação, pois é uma defesa de interesse diplomáticos e nacionais baseada na Lei de Reciprocidade, aprovada em 2025.

A lei não é retaliatória, não há retaliação. Existe uma lei defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira, que é a reciprocidade, e foi aprovada por unanimidade no Congresso. É um instrumento jurídico, legal, importante, que o governo analisará o momento e a forma de fazer.”

Além de Alckmin, participam da coletiva o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira e o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. A coletiva ocorre na sede do MDIC, em Brasília.

Quaest: maioria dos brasileiros vê responsabilidade de Flávio Bolsonaro no novo tarifaço

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência/Miguel Schincariol/AFP

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 16, sobre o novo tarifaço imposto ontem pelos Estados Unidos ao Brasil mostra que para 51% dos entrevistados, a responsabilidade por essa imposição é do senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.

A pergunta do instituto era com quem eles mais concordavam, se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que acusa Flávio de ter pedido o tarifaço, ou com o senador que argumentou que pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, para não impor tal medida. Na mostra, 51% disseram concordar com Lula (na pesquisa anterior, de junho eram 47%) e 30% com o senador do PL (na anterior eram 35%).

De acordo com a pesquisa, 42% dos entrevistados afirmaram que o novo tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula nessas eleições presidenciais, 27% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. Pela mostra, 62% disseram saber das novas tarifas impostas pelos EUA, enquanto 38% não sabem. Para 63%, as novas tarifas vão prejudicar a vida; 31% dizem que não.

A pesquisa indica ainda que 57% dos brasileiros afirmaram não saber da viagem de Flávio para os Estados Unidos, para pedir a Trump que não tarifasse o Brasil e em defesa do Pix. Dentre os que souberam dessa agenda do senador, 58% afirmaram que ele não tem força para convencer Trump a rever o tarifaço, enquanto 34% declararam confiar na força dele.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes dos EUA anunciarem o novo tarifaço, com 2.004 entrevistas em todo território nacional, a margem de erro é de 2 p.p., a pesquisa está registrada sob número BR-07181/2026.

Teresa Leitão associa tarifas dos EUA a Flávio Bolsonaro e defende soberania brasileira

Senadora Teresa Leitão (PT)/Rafael Viera/DP Foto

A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT), divulgou nota oficial sobre a imposição de tarifas unilaterais pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Na publicação, a parlamentar afirma que a decisão do governo norte-americano não possui justificativa técnica, classifica a medida como estritamente política, como também, acusa diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) de trabalhar contra os interesses do Brasil.

Ainda de acordo com a senadora, o Brasil esgotou os canais diplomáticos e demonstrou total disposição para dialogar com o governo norte-americano antes da aplicação das taxas.

Quando não há justificativa técnica para uma decisão dessa natureza, resta evidente que ela é movida por razões políticas. Neste caso, é notório que a medida foi incentivada pela atuação sistemática e pública de Flávio Bolsonaro, que trabalha contra os interesses do próprio país, em uma tentativa de dispersar a atenção sobre suas condutas ilícitas, amplamente divulgadas pela imprensa brasileira“, diz trecho do comunicado.

No texto, a líder do governo defende a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “São 80 anos dedicados à vida pública e à defesa do povo brasileiro”, frisa. Teresa Leitão finaliza o pronunciamento, reafirmando que o Brasil manterá uma postura firme e soberana na proteção de sua economia, das empresas e dos trabalhadores diante de pressões externas.

Confira a nota na íntegra:

O governo brasileiro percorreu todo o caminho necessário para evitar as tarifas unilaterais dos Estados Unidos sobre produtos nacionais: demonstrou absoluta disposição para o diálogo, a negociação e a diplomacia.

Quando não há justificativa técnica para uma decisão dessa natureza, resta evidente que ela é movida por razões políticas. Neste caso, é notório que a medida foi incentivada pela atuação sistemática e pública de Flávio Bolsonaro, que trabalha contra os interesses do próprio país, em uma tentativa de dispersar a atenção sobre suas condutas ilícitas, amplamente divulgadas pela imprensa brasileira.

As alegações contra o Pix, as plataformas digitais e o desmatamento não se sustentam. O primeiro é uma inovação pública, segura e amplamente acessível, que reduziu custos e facilitou a vida de milhões de brasileiros. Na agenda ambiental, o país retomou o combate ao desmatamento e fortaleceu a fiscalização. Sobre o ambiente digital, o país exige que as empresas cumpram a legislação e respeitem as decisões de suas instituições.

Ressalto, ainda, que o filho de Bolsonaro agrega à sua falácia política um agressivo e desrespeitoso preconceito etário contra o presidente Lula. Liderança, carisma, capacidade de articulação, visão estratégica e compromisso com o povo são atributos construídos ao longo de uma trajetória política. É isso que marca a história do presidente Lula: 80 anos dedicados à vida pública e à defesa do povo brasileiro.

Ao Brasil cabe seguir defendendo, com firmeza e soberania, sua economia, seus trabalhadores, suas empresas e os interesses das famílias brasileiras.

Sob a liderança do presidente Lula, o Brasil é e seguirá soberano.

Teresa Leitão

Senadora da República

Líder do Governo no Senado

Ministro das Relações Exteriores diz que declarações de Marco Rubio são “inaceitáveis e ofensivas”

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira/NELSON ALMEIDA/AFP

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou à imprensa uma nota em resposta às declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. No documento, o chanceler afirma que as declarações sobre as tarifas impostas ao Brasil são “inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro”.

Vieira afirma que Rubio atacou, de forma “grosseira e arrogante”, o chefe de Estado de um país amigo. A manifestação do ministro ocorre após a publicação feita pelo secretário norte-americano na rede social X.

Após a oficialização da tarifa de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras pelos Estados Unidos, Marco Rubio usou a plataforma para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na publicação, Rubio atribuiu a adoção das barreiras comerciais diretamente à postura do governo brasileiro e ao que chamou de “ego” do presidente.

Não há dúvidas sobre o motivo (das tarifas): o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé. As políticas econômicas de Lula são ruins para os americanos e para os brasileiros. No último ano, Lula colocou o próprio ego acima da possibilidade de fechar um acordo em benefício do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço disso“, escreveu.

Na nota enviada aos veículos de comunicação, Mauro Vieira afirma que o que “claramente incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações“.

Além do documento, o Itamaraty divulgou uma nota sobre o assunto, em suas redes sociais.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos oficializou, na quarta-feira (15), a imposição de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida passa a valer em 22 de julho.

Segundo um funcionário de alto escalão do governo norte-americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida durante um ano pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avaliou as políticas comerciais adotadas pelo Brasil.

A lista de exceções inclui produtos como carne bovina, café e algumas peças de aeronaves, além de outros bens que não são produzidos nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro acusa Lula pelas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil: “Avião sem piloto”

Senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)/Carlos Moura/Agência Senado

O senador e pré-candidato às eleições gerais do Brasil, Flávio Bolsonaro, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não está em condições” de exercer o cargo, depois que o governo dos Estados Unidos o acusou de não ter negociado “de boa-fé” as tarifas de 25% que Washington decidiu, por fim, aplicar às exportações brasileiras.

Lula já não está em condições de ser o presidente do Brasil. Estamos em um avião sem piloto“, disse o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, aludindo às críticas do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para justificar esse aumento das tarifas sobre os produtos brasileiros.

Flávio se referiu a Lula da Silva como “o Biden brasileiro“, em referência ao ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, e o definiu como um “resmungão, irresponsável“, que “se tornou um perigo” para o país.

Quem olha para Lula não vê futuro. Vê passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança. Chega! O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!“, afirmou o ainda pré-candidato às eleições de outubro.

Nas últimas horas, Rubio declarou que o motivo do governo dos Estados Unidos para impor essas tarifas de 25% às exportações brasileiras é a suposta teimosia do presidente Lula e de seu gabinete em negociar.

Que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros“, afirmou Rubio, que acusou o presidente de ter colocado seu ego à frente da busca por um acordo.

Por sua vez, o governo brasileiro afirmou que “não há justificativa alguma” para que Washington decida impor essas medidas “unilaterais“, que, além disso, não contam com o respaldo das “normas multilaterais de comércio“.

Moraes dá 5 dias para PGR opinar se Bolsonaro descumpriu cautelar em carta

O ministro Alexandre de Moraes./Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinar se Jair Bolsonaro (PL) descumpriu medidas cautelares após o seu filho, Flávio Bolsonaro, ler uma carta do ex-presidente nas redes sociais. O despacho foi publicado na tarde desta quarta-feira (15).

Em prisão domiciliar, Bolsonaro está proibido de utilizar redes sociais, seja diretamente ou por meio de terceiros. Na última segunda-feira (13), Moraes proibiu visitas de Flávio a Jair Bolsonaro por 90 dias.

Em manifestação enviada a Moraes nesta quarta-feira, a defesa de Jair Bolsonaro alegou que o ex-presidente “jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”.

Mandante da morte de Marielle, Domingos Brazão perde cargo no TCE-RJ

Ex-deputado por cinco mandatos consecutivos, Domingos Brazão era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro/Alerj/Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) oficializou nesta quarta-feira (15) no Diário Oficial, a perda do cargo do conselheiro do tribunal Domingos Inácio Brazão.

Os efeitos passam a contar a partir do dia 9 deste mês, em cumprimento à decisão transitada em julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Domingos Brazão foi condenado a 76 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do STF, como um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora de Marielle, Fernanda Chaves. O crime aconteceu em 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro.

Com a publicação da medida, o TCE vai comunicar à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), responsável pela indicação do novo conselheiro.

Penas dos envolvidos

O irmão de Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, também foi condenado a 76 anos e três meses de reclusão. Os dois foram acusados de organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado.

Os ex-policiais Ronnie Lessa, autor dos disparos, e Élcio de Queiroz, que dirigia o carro usado na emboscada, foram condenados a 78 anos, 9 meses e 30 dias e a 59 anos, 8 meses e 10 dias de prisão, respectivamente.

Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado a 56 anos de prisão por participação no assassinato, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a 18 anos por obstrução da Justiça e corrupção passiva.

Emendas: MP pede que TCU investigue Valdemar e Cunha por repasses irregulares

Valdemar Costa Neto, presidente do PL/Foto: Beto Barata/PL/Divulgação

O Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a Corte investigue o esquema apontado pela Polícia Federal (PF) em que os ex-deputados Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, são apontados como envolvidos em direcionamento irregular de emendas parlamentares.

O MP pede que o TCU apure a existência de estrutura paralela na Câmara dos Deputados para viabilizar a destinação, operacionalização e a aplicação de recursos de emendas sob interesses privados ou político-pessoais.

O subprocurador-geral, Lucas Furtado, argumenta que os fatos revelados pela investigação indicam possíveis irregularidades na gestão e fiscalização de recursos públicos federais, matéria sujeita à competência do TCU. Por isso, pede que a Corte avalie eventual responsabilidade de agentes públicos e privados envolvidos no caso, além da existência de dano ao erário decorrente da destinação das verbas.

No sábado (11) e no domingo (12), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou bens dos ex-deputados por entender que a dupla agia como influência “irregular” sobre verbas em 2025 por não exercerem mandato parlamentar no momento em que teria “decidido” o direcionamento dos recursos.

Segundo os investigadores na Operação Transparência, da PF, Valdemar e Cunha se valiam da estrutura administrativa da Câmara e de registros formais em nome de parlamentares para direcionar os recursos de acordo com seus interesses.

A suspeita é que os dois utilizavam a mesma operadora dentro da Casa para viabilizar o esquema: Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), conhecida como “Tuca”.

A defesa de Valdemar Costa Neto classificou a decisão como baseada em “premissas frágeis, inferências subjetivas e em uma indevida criminalização da atividade político-partidária”.

Já a defesa de Eduardo Cunha disse ter tomado conhecimento da decisão pela imprensa, sem ter sido previamente intimada ou ouvida no âmbito da investigação. Os advogados sustentam que o ex-deputado não apresentou nem formalizou nenhuma das emendas citadas, já que elas foram oficialmente indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados.

A representação do MP junto ao TCU também pede que a Câmara dos Deputados seja oficiada para prestar esclarecimentos sobre os mecanismos de controle interno relacionados à tramitação e ao acompanhamento das emendas citadas na investigação, bem como sobre a atuação dos servidores mencionados pela PF.

Quaest: 69% dos eleitores são a favor do fim da escala de trabalho 6×1; 22% são contra

Carteira de Trabalho/Tony Winston/Agência Brasília.

Pesquisa do instituto Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira 15, mostra que 69% dos eleitores são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1. Os que dizem ser contrários à redução da jornada de trabalho são 22%. Outros 4% não possuem opinião formada e 5% não souberam, ou não quiseram, responder.

Questionados sobre como aproveitariam uma eventual redução da jornada de trabalho, 53% disseram que pretendem descansar e passar mais tempo com familiares. Outros 13% afirmaram que buscariam outra fonte de renda no tempo livre e 12% declararam que usariam o tempo para estudos.

Os que acham que vão trabalhar menos horas semanais em caso de aprovação do fim da escala 6×1 são 50%, enquanto 45% discordam. Outros 5% não souberam ou não quiseram responder.

Desenrola 2.0

A Genial/Quaest também buscou avaliar os impactos do Desenrola 2.0. Os que conhecem o programa lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em maio são 66%%, enquanto 34% desconhecem.

Os que consideram a medida uma boa ideia são 55%, enquanto 21% avaliam como uma má ideia e 20% como “uma ideia que ajuda um pouco”.

A maioria absoluta (87%) afirma que o Desenrola 2.0 não beneficiou as suas famílias, com apenas 12% declarando que sim.

Entre os que disseram ter sido beneficiados, 35% dizem que a renda aumentou significativamente com o Novo Desenrola, enquanto 33% dizem não ter notado diferença. Para 31% a renda aumentou, mas não muito.

Entre os eleitores, 47% disseram ter poucas dívidas e 21%, muitas. Já os que disseram não ter débitos são 31%. Não soube ou não quis responder 1%.

Isenção do imposto de renda

A maioria absoluta (65%) dos eleitores afirma que não foi beneficiada com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Já quem diz ter sido abraçado pela medida do governo Lula são 32%. Outros 3% não souberam ou não quiseram responder.

Entre os beneficiados, os que disseram não ter sentido diferença na renda com a isenção do IR são 39%. Para outros 35%, a renda aumentou, mas não muito. Já para 24%, houve um aumento significativo. Não souberam ou não quiseram responder 2%.

A Genial/Quaest ouviu 2.004 entrevistados, com 16 anos ou mais, entre 10 a 13 de julho. A margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.