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Guerra entre Israel e Hamas deixou mais de 70.000 mortos em Gaza

Conteúdo gráfico / Palestinos carregam um corpo recuperado dos escombros de uma casa destruída em um ataque aéreo israelense durante a noite na Cidade de Gaza, em 29 de outubro de 2025.(Foto de Omar AL-QATTAA / AFP)/ AFP

Mais de 70.000 pessoas morreram na Faixa de Gaza durante a guerra entre Israel e Hamas, que começou há mais de dois anos, informou, neste sábado (29), o Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo movimento islamita.

A marca foi superada em meio a um frágil cessar-fogo mediado pelo governo dos Estados Unidos – com acusações dos dois lados de que a outra parte violou a trégua.

O ministério afirmou, em um comunicado, que o número de mortos na guerra chegou a 70.100. Também indicou que, desde o cessar-fogo, que entrou em vigor em 10 de outubro, 354 palestinos morreram vítimas de ações israelenses.

Dois corpos chegaram a hospitais da Faixa de Gaza nas últimas 48 horas, acrescentou o ministério. Um deles foi retirado dos escombros.

A pasta explicou que o aumento em relação ao número anterior aconteceu porque os dados relativos a 299 corpos foram processados e aprovados pelas autoridades.

Apesar do cessar-fogo, o território palestino continua afetado por uma profunda crise humanitária.

A guerra de Gaza começou com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.221 pessoas. Naquele dia, os integrantes do grupo islamista também sequestraram 251 pessoas e as levaram para Gaza.

No início do cessar-fogo mais recente, as milícias de Gaza mantinham 20 reféns vivos e 28 corpos de sequestrados que morreram em cativeiro.

Desde então, o Hamas libertou todos os sobreviventes e devolveu os restos mortais de 26 pessoas. Em troca, Israel libertou quase 2.000 prisioneiros palestinos e devolveu os corpos de centenas de palestinos.

Israel bombardeia Gaza e afirma que corpos recebidos não são de reféns

Destruição após ataque israelense na Faixa de Gaza /OMAR AL-QATTAA / AFP

O Exército israelense bombardeou a Faixa de Gaza novamente neste sábado (1º) e afirmou que os três corpos recebidos na sexta-feira não pertenciam a nenhum dos reféns capturados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

Segundo uma fonte do movimento islamista palestino, disparos e ataques aéreos do Exército israelense foram ouvidos nos arredores de Khan Yunis, na parte sul do território, neste sábado.

Um frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas está em vigor desde 10 de outubro, graças a um acordo de trégua impulsionado pelos Estados Unidos.

Israel, no entanto, já lançou dois bombardeios massivos contra Gaza, após acusar o movimento islamista de violar o acordo de cessar-fogo.

A vida não tem sentido“, disse Sumaya Dalul, de 27 anos, após os últimos ataques israelenses.

Não temos dinheiro, trabalho, comida, água, eletricidade ou internet”, acrescentou a mulher, que mora em Gaza com os pais.

Os ataques aéreos de 19 de outubro mataram pelo menos 45 pessoas ao longo da faixa costeira, segundo fontes palestinas. Os bombardeios de terça-feira deixaram 104 mortos, de acordo com as mesmas fontes.

Corpos não correspondentes

O acordo de cessar-fogo estipulava a devolução de todos os reféns — vivos e mortos — a Israel em troca da libertação de centenas de prisioneiros palestinos.

Após a implementação da trégua, o Hamas libertou os últimos 20 reféns sobreviventes mantidos em cativeiro em Gaza em 13 de outubro e iniciou o processo de devolução dos corpos dos reféns falecidos.

No entanto, sucessivos atrasos na entrega dos corpos irritaram o governo israelense, que acusou o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo. As famílias dos reféns também exigiram medidas mais enérgicas para forçar o grupo palestino a cumprir o acordo.

O movimento islamista já devolveu os restos mortais de 17 dos 28 reféns falecidos que concordou em entregar em virtude do acordo. Dez corpos de reféns sequestrados em 7 de outubro permanecem em Gaza, assim como o de um soldado morto durante uma guerra em 2014.

Na manhã de sábado, um laboratório forense confirmou que os três corpos entregues no dia anterior pelo Hamas, por meio da Cruz Vermelha, não pertenciam aos reféns, segundo um porta-voz do Exército israelense.

As Brigadas Ezedin al-Qassam, o braço armado do Hamas, explicaram em um comunicado que “propuseram entregar [a Israel] três amostras de um certo número de restos mortais não identificados“. No entanto, “o inimigo se recusou a aceitar as amostras e exigiu os corpos para examiná-los”.

Disparos em Khan Yunis

Em Gaza, a situação humanitária e de segurança continua alarmante.

Ontem à noite ouvi disparos das forças de ocupação várias vezes. Não temos comida nem água para beber ou para nos lavar. A situação é crítica. O cessar-fogo começou, mas a guerra não acabou“, disse Hisham al-Bardai, um pai de 37 anos, à AFP.

O acordo de cessar-fogo prevê a mobilização de uma força internacional de estabilização no território palestino, composta principalmente por países árabes e muçulmanos, para supervisionar a segurança durante a retirada do Exército israelense.

Essa força também tem a missão de treinar e apoiar policiais palestinos com a assistência do Egito e da Jordânia, além de garantir a segurança das áreas de fronteira e impedir o contrabando de armas para o Hamas.

Neste sábado, o Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) anunciou que o Centro de Coordenação Militar-Civil (CMCC, responsável por monitorar o cessar-fogo e preparar a transição em Gaza) “observou suspeitos de serem agentes do Hamas saqueando um caminhão de ajuda humanitária” que fazia parte de um comboio humanitário com destino ao norte de Khan Yunis.

A Turquia sediará uma reunião de ministros das Relações Exteriores de vários países muçulmanos em Istambul na segunda-feira para apoiar e desenvolver o plano dos Estados Unidos para Gaza.

A guerra foi desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.221 pessoas do lado israelense, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais. Os combatentes também sequestraram 250 pessoas.

A ofensiva israelense de retaliação deixou 68.858 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas.

Israel anuncia retomada do cessar-fogo em Gaza após matar mais de 100 em bombardeios

Palestinos recuperam corpo sob os escombros de uma casa atingida em um ataque israelense durante a noite, na Cidade de Gaza, em 29 de outubro de 2025. — Foto: Dawoud Abu Alkas/Reuters

O Exército israelense anunciou na manhã desta quarta-feira (29) que retomou o cessar-fogo na guerra em Gaza contra o grupo terrorista Hamas após realizar bombardeios que mataram mais de 100 palestinos.

De acordo com a diretriz da liderança política e após uma série de ataques, nos quais dezenas de alvos terroristas e terroristas foram atingidos, as Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram a retomada da aplicação do cessar-fogo em resposta às violações do Hamas. As IDF continuarão a manter o acordo de cessar-fogo e responderão firmemente a qualquer violação dele“, afirmou o Exército israelense em comunicado.

O Exército israelense, “mais de 30 terroristas que ocupavam posições de comando dentro das organizações terroristas que operam em Gaza” foram atingidos durante os ataques. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que “não haverá imunidade para nenhuma liderança do Hamas“, referindo-se a terroristas em Gaza e negociadores no Catar.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou nesta quarta que 104 palestinos morreram e outros 253 ficaram feridos em bombardeios israelenses desde terça-feira, quando o premiê Benjamin Netanyahu ordenou novos ataques à Gaza pelo que chamou de violações do grupo terrorista. Dos mortos, mais da metade (66) são mulheres ou crianças, segundo a pasta.

O governo de Israel ordenou na tarde de terça-feira, no horário de Brasília, novos bombardeios imediatos e poderosos em Gaza, apesar do cessar-fogo em vigor assinado com o Hamas e mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O americano, inclusive, disse que o cessar-fogo não está em risco e que “o Hamas precisa se comportar“.

Segundo Netanyahu, a ação foi uma retaliação a duas violações do acordo pelo grupo terrorista:

  • Ataques a tropas israelenses que estavam posicionadas na nova linha de controle em Gaza estabelecida pelo acordo de cessar-fogo;
  • Demora pela entrega dos 13 corpos restantes de reféns israelenses —o Hamas alega dificuldades para chegar aos cadáveres, porém Israel acusa o grupo terrorista de estar mentindo.

O Hamas rejeita ambas as acusações e acusa Israel de violações ao cessar-fogo, tal como os bombardeios das últimas horas.

Esta foi a segunda vez que Israel rompeu brevemente o cessar-fogo para fazer bombardeios em Gaza desde o anúncio do fim da guerra, na primeira quinzena de outubro. A primeira vez foi no dia 19, em que ataques deixaram dezenas de mortos, e o cessar-fogo também foi retomado horas depois.

Exército de Israel diz que retomou aplicação do cessar-fogo em Gaza



Membro das forças de segurança israelenses ( AFP)

O Exército israelense afirmou neste domingo (19) que retomou a aplicação do cessar-fogo na Faixa de Gaza depois de lançar bolsas de bombardeios contra alvos do movimento islâmico palestino Hamas no território.

“De acordo com a diretriz do nível político, e após uma série de ataques significativos em resposta às manifestadas do Hamas, as IDF [Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês] obtiveram a aplicação de novo o cessar-fogo”, anunciou o Exército israelense em comunicado.

“As IDF continuarão a cumprir o acordo de cessar-fogo e responderão firmemente a qualquer violação do mesmo”, acrescentou.

Israel anuncia novos ataques em Gaza após acusar Hamas de violar cessar-fogo

Gaza/AFP

O Exército israelense anunciou neste domingo (19) que lançou novos bombardeios contra alvos do movimento islamista palestino Hamas no sul da Faixa de Gaza.

“Em resposta à flagrante violação do acordo de cessar-fogo mais cedo hoje, as FDI (forças militares) iniciaram uma série de ataques contra alvos terroristas do Hamas no sul da Faixa de Gaza”, afirmou o Exército em um comunicado.

Pontos de passagem, por onde deveria entrar ajuda humanitária, também foram fechados. “A transferência de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza foi suspensa até novo aviso devido à flagrante violação do acordo por parte do Hamas”, disse a fonte das forças de segurança de Israel.

Segundo o Exército de Israel, o major Yaniv Kula, de 26 anos, e o sargento-chefe Itay Yavetz, 21 anos, morreram em combates durante a série de ataques no sul de Gaza. Estas são as primeiras mortes de militares israelenses no território palestino desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 10 de outubro.

Violações do cessar-fogo

Os ataques acontecem após trocas de acusações sobre a violação do cessar-fogo em Gaza, onde o aumento da violência no sul do território palestino ameaçava a trégua em vigor há nove dias.

Neste domingo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciou uma “violação do cessar-fogo” e ordenou ao Exército agir “com força” contra os alvos “terroristas”.

or sua vez, o Hamas reafirmou o compromisso de respeitar o cessar-fogo, mas advertiu que o agravamento da tensão “prejudicaria as operações de busca e recuperação dos corpos”. Pouco depois, o movimento islamista palestino anunciou que encontrou o corpo de mais um refém israelense, que será devolvido nas próximas horas.

Sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a trégua entrou em vigor em 10 de outubro, após dois anos de uma guerra devastadora no território palestino, desencadeada por um ataque sem precedentes do Hamas em 7 de outubro de 2023 em Israel.

Como estipulado pela primeira fase do acordo, na última segunda-feira (13), o grupo islamista entregou 20 reféns, em troca de quase 2 mil prisioneiros palestinos, e começou a devolver os restos mortais dos sequestrados que faleceram em cativeiro.

“Os terroristas lançaram mísseis antitanque e abriram fogo contra as forças Tsahal (as tropas israelenses), que atuavam para destruir infraestruturas terroristas na zona de Rafah, segundo as condições do acordo”, afirmou o Exército israelense em um comunicado.

“Para neutralizar a ameaça, Israel efetuou ataques aéreos e disparos de artilharia na zona de Rafah”, acrescenta a nota militar, que classifica o incidente como uma “violação flagrante do cessar-fogo”.

ONU e Cruz Vermelha pedem abertura de todas as passagens fronteiriças em Gaza

Palestinos se reúnem enquanto funcionários da Prefeitura de Gaza se reúnem antes de usar escavadeiras para remover escombros de edifícios dos principais eixos e ruas da Cidade de Gaza, em meio a um cessar-fogo entre Israel e facções palestinas, em 14 de outubro de 2025. (Foto da AFP)/ AFP

A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) exigiram, nesta terça-feira (14), a abertura de todas as passagens fronteiriças da Faixa de Gaza para permitir o envio de mais ajuda humanitária, após a entrada em vigor da trégua.

“Pelo que sei, nem todas as passagens fronteiriças de Gaza estão abertas para a ajuda humanitária. Esse é o principal problema neste momento e é o que as organizações humanitárias, incluindo o CICV, reivindicaram nas últimas horas”, declarou o porta-voz do CICV, Christian Cardon, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Essa abertura deve ser efetiva “em caráter de urgência”, disse.

“Pedimos que todas as passagens fronteiriças sejam abertas”, insistiu ao seu lado Jens Laerke, porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).

Laerke também solicitou que sejam reparadas e abertas as passagens fronteiriças destruídas durante os dois anos de guerra no território, após a implementação na sexta-feira de um cessar-fogo entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.

O porta-voz do Ocha instou a aumentar o envio da ajuda destinada a Gaza, destacando que isso não dependia dos trabalhadores humanitários.

“Temos 190.000 toneladas prontas para enviar na região”, especialmente na Jordânia e no Egito, explicou.

A ofensiva aérea e terrestre lançada por Israel em retaliação ao ataque de 7 de outubro perpetrado pelo Hamas no sul de seu território causou dezenas de milhares de mortes entre a população civil de Gaza, dizimando famílias inteiras.

A ajuda humanitária chegou a conta-gotas, já que o bloqueio imposto à Faixa no início de março por Israel foi levantado dois meses depois, mas apenas parcialmente.

Especialistas associados às Nações Unidas confirmaram em agosto que havia fome em parte do território palestino. No entanto, Israel nega e acusou o Hamas de saquear a ajuda fornecida na zona.

‘Temos paz no Oriente Médio’, declara Trump na cúpula sobre Gaza no Egito

Presidente dos EUA, Donald Trump /EVAN VUCCI / POOL / AFP

Donald Trump proclamou nesta segunda-feira (13) a “paz no Oriente Médio” após assinar, junto com os dirigentes de Egito, Catar e Turquia, uma declaração para garantir o acordo entre Israel e Hamas para acabar com a guerra em Gaza.

O presidente americano, Donald Trump, começou o dia com uma visita a Israel, onde elogiou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em um discurso no parlamento antes de voar para o Egito para a cúpula sobre Gaza ao término do que classificou de “dia tremendo para o Oriente Médio”.

Acabou o “longo e doloroso pesadelo” da guerra em Gaza, afirmou em Israel o presidente americano, autor de um plano de 20 pontos que possibilitou o cessar-fogo entre Israel e o Hamas e a troca de 20 reféns israelenses vivos por quase 2 mil prisioneiros palestinos em prisões israelenses.

Trump recebeu uma ovação de vários minutos no Parlamento israelense, em um dia de júbilo pela libertação dos últimos reféns, capturados nos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Einav Zangauker abraçou com força seu filho Matan, de 25 anos, em um hospital israelense.

“Matan, meu amor, acabou a guerra”, disse a mulher, que se tornou um dos rostos do sofrimento dos familiares dos reféns.

“Você é minha vida […] é meu herói”, exclamou entre lágrimas, segundo as imagens de um vídeo difundido pelo Exército israelense.

Também houve celebrações e abraços em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, e em Khan Younis, na Faixa de Gaza, quando chegaram os primeiros ônibus com os prisioneiros palestinos libertados.

“Os prisioneiros vivem da esperança […] Voltar para casa, para nossa terra, vale todo o ouro do mundo”, contou Samer al Halabiyeh um dos palestinos libertados.

Em discurso no Knesset, o parlamento israelense, Trump exaltou o cessar-fogo como um “triunfo incrível” que não apenas representa o fim da guerra, mas “o amanhecer histórico de um novo Oriente Médio”.

Em seu discurso, Trump também instou os palestinos a “se distanciarem para sempre do caminho do terrorismo e da violência”.

Israel anunciou que já libertou 1.968 prisioneiros palestinos e o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al Qassam, publicou nesta segunda-feira os nomes de quatro reféns falecidos cujos restos mortais foram posteriormente entregues à Cruz Vermelha para serem levados a Israel.

Na concentração na Praça dos Reféns de Tel Aviv, Ronny Edry, um professor de 54 anos, disse: “É um dia lindo que esperávamos há dois anos”.

Mas também mencionou “a tristeza por aqueles que não voltam e os quase 2 mil mortos da guerra” do lado israelense.

EUA, Egito, Catar e Turquia assinam declaração do acordo sobre Gaza

 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exibe um documento assinado durante uma cúpula sobre Gaza em Sharm el-Sheikh/SAUL LOEB / AFP

Os Estados Unidos, o Egito, o Catar e a Turquia assinaram uma declaração sobre Gaza nesta segunda-feira, durante uma breve cerimônia realizada em Sharm el-Sheikh, após o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

“O documento vai detalhar as regras, as disposições e muitas outras coisas”, declarou Trump, antes de assiná-lo, repetindo duas vezes que “vai perdurar”, mas sem dar mais detalhes sobre o texto assinado durante a breve cúpula internacional sobre Gaza.

Hamas diz que libertará reféns nesta segunda (13) e não governará Gaza depois da guerra

Membros da força de segurança ligada ao Hamas em Nuseirat, Gaza/EYAD BABA / AFP

O Hamas libertará os reféns ainda mantidos em Gaza na segunda-feira (13) e não participará do futuro governo do território após a guerra, informou o movimento islamista palestino à AFP neste domingo (12), terceiro dia do cessar-fogo com Israel.

“Segundo o acordo assinado, a troca de prisioneiros começará na manhã de segunda-feira”, disse à AFP Osama Hamdan, alto funcionário do grupo islamista que governa Gaza desde 2007.

O acordo de trégua entre Israel e o Hamas, que entrou em vigor na sexta-feira, inclui a troca dos últimos reféns — vivos e mortos — restantes em Gaza por quase 2.000 palestinos detidos em prisões israelenses, incluindo 250 detidos “por razões de segurança nacional”.

Os dois lados devem agora negociar a implementação do plano de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra. O plano prevê que o grupo palestino se desarme e renuncie ao controle de Gaza após o fim do conflito.

No terceiro dia de cessar-fogo, alguns caminhões com ajuda humanitária cruzaram para Gaza neste domingo, mas moradores de Khan Yunis, no sul, relataram que alguns foram saqueados por pessoas famintas.

“Não queremos viver na selva. Exigimos que a ajuda seja garantida e distribuída respeitosamente”, disse Mohamed Zarab. “Vejam a comida no chão”, acrescentou.

O plano de paz também prevê a substituição do exército israelense, em sua retirada de Gaza, por uma força multinacional composta por Egito, Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos, coordenada por um centro de comando liderado pelos Estados Unidos em Israel.

“Para o Hamas, governar a Faixa de Gaza é um assunto encerrado. O Hamas não participará de forma alguma da fase de transição, o que significa que abriu mão do controle da Faixa, mas continua sendo uma parte fundamental do tecido social palestino”, confirmou à AFP uma fonte do movimento islamista próxima às negociações, que falou sob condição de anonimato.

Seus comentários foram feitos um dia antes de uma cúpula de paz em Gaza no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh. Tanto Trump quanto seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, presidirão a reunião, que contará com a presença de cerca de 20 líderes mundiais, incluindo o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

No entanto, Trump viajará primeiro para Israel, onde se encontrará com as famílias dos reféns capturados pelo Hamas durante seu ataque no sul do país em outubro de 2023. O ataque desencadeou uma ofensiva israelense implacável e uma guerra devastadora no território palestino.

Mais de 500 mil pessoas retornaram à Cidade de Gaza após o cessar-fogo, diz Defesa Civil

Palestinos seguem pela estrada Al-Rashid em direção à Cidade de Gaza, partindo de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, em 10 de outubro de 2025. As forças israelenses declararam um cessar-fogo e se retiraram de algumas posições em Gaza no dia 10, enquanto milhares de palestinos deslocados começaram a retornar para casa e as famílias dos reféns de 7 de outubro aguardavam notícias. O gabinete do primeiro-ministro de Israel afirmou que o governo

Mais de 500 mil pessoas retornaram à Cidade de Gaza após a entrada em vigor do cessar-fogo entre Israel e o Hamas na sexta-feira, informou a Defesa Civil do território palestino neste sábado (11).

“Mais de 500.000 pessoas” retornaram à Cidade de Gaza entre sexta-feira e sábado, disse Mahmoud Basal, porta-voz da agência de ajuda que opera sob a autoridade do grupo islamista palestino Hamas.

O Exército israelense alertou que algumas áreas no norte do território permanecem “extremamente perigosas” para a população civil.

Dirigente do Hamas diz que libertação dos reféns começará na segunda-feira (13)

Após o retorno dos cativos de Gaza, Israel procederá à libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos/Foto: MENAHEM KAHANA / AFP

Um alto dirigente do Hamas declarou neste sábado (11) à AFP que a libertação de 48 reféns, em sua maioria israelenses, mantidos por milicianos palestinos em Gaza, começará na manhã de segunda-feira.

“De acordo com o acordo assinado, a troca de prisioneiros começará na manhã de segunda-feira, conforme acordado, e não há novidades a esse respeito”, afirmou Osama Hamdan em entrevista à AFP.

Após o retorno dos cativos de Gaza, Israel procederá à libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, segundo os termos da primeira fase do acordo de cessar-fogo assinado por ambas as partes com base em uma proposta dos Estados Unidos.

Israel encerra ofensiva em Gaza e palestinos começam a retornar às suas casas

 Palestinos a caminho da Cidade de Gaza/EYAD BABA / AFP

Israel anunciou nesta sexta-feira (10) a entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza após o acordo com o Hamas, e milhares de palestinos deslocados começaram a retornar às suas casas em meio a um cenário de destruição.

O acordo com o movimento islamista palestino Hamas também deve permitir a libertação dos reféns israelenses mantidos em Gaza dentro de um prazo de 72 horas.

Com a entrada em vigor do cessar-fogo anunciado pelo Exército israelense às 09h GMT (06h em Brasília), milhares de palestinos deslocados iniciaram uma marcha do sul da Faixa de Gaza para o norte, retornando às suas casas.

Outros retornaram às suas casas em Khan Yunis, no sul de Gaza, e encontraram suas residências completamente destruídas, segundo imagens divulgadas pela AFP.

Israel lançou uma ofensiva terrestre e aérea especialmente intensa nas últimas semanas para tomar Cidade de Gaza, a maior cidade do território palestino, com o objetivo de aniquilar o Hamas.

O Exército israelense anunciou que suas tropas começaram a se posicionar ao longo das “linhas de retirada, em preparação para o acordo de cessar-fogo e retorno dos reféns”.

Mas advertiu que algumas áreas continuam sendo “extremamente perigosas”.

Em um comunicado conjunto, os dirigentes da Alemanha, Reino Unido e França pediram ao Conselho de Segurança da ONU que dê “apoio total” ao plano de paz em Gaza promovido pelos Estados Unidos.

72 horas

O Pentágono “confirmou que o Exército de Israel completou a primeira fase de sua retirada para a linha amarela às 12h locais”, disse o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, no X.

“O período de 72 horas para a liberação de reféns começou”, acrescentou.

O cessar-fogo e a liberação dos reféns estão previstos no acordo aprovado na quinta-feira após quatro dias de negociações indiretas no Egito entre o Hamas e Israel.

O acordo baseia-se em um plano de 20 pontos anunciado no final de setembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O pacto busca pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, um conflito que começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 em território israelense, que resultou em 1.219 mortos, na sua maioria civis, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.

O acordo estipula o retorno a Israel de todos os reféns feitos em Gaza desde o ataque.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que dos 48 reféns que permanecem detidos em Gaza, 20 estão vivos e 28 morreram.

A família de Alon Ohel, um dos reféns, declarou que estão “tomados pela emoção” e esperam ansiosamente pelo seu retorno.

Exército israelense anuncia início do cessar-fogo em Gaza

Soldados israelenses realizam manutenção em seus veículos blindados em uma posição ao longo da cerca da fronteira entre Israel e Gaza, em 10 de outubro de 2025. (Foto de Jack GUEZ / AFP)/ AFP

O Exército israelense anunciou nesta sexta-feira (10) que o cessar-fogo em Gaza entrou em vigor às 9h GMT (6h em Brasília), após o acordo com o movimento islamista palestino Hamas.

Desde este meio-dia (locais), as tropas começaram a se posicionar ao longo das (…) linhas de retirada, em preparação para o acordo de cessar-fogo e para o retorno dos reféns“, informou o Exército em um comunicado.

O texto especificou que “as tropas do Comando Sul (…) continuarão eliminando toda ameaça imediata“.

Hamas diz que recebeu garantias sobre fim da guerra com Israel

Jovens palestinos comemoram perto do hospital Shuhada al-Aqsa, em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza/AFP

O chefe da delegação negociadora do Hamas, Khalil al-Hayya, afirmou nesta quinta-feira, 9, que o grupo recebeu “garantias dos irmãos mediadores e do governo americano, todos confirmando que a guerra terminou completamente”. Em discurso, ele anunciou a conclusão de um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza que inclui “o início da implementação de um cessar-fogo permanente, a retirada das forças de ocupação Israel, a entrada de ajuda humanitária e a reabertura da passagem de Rafah nos dois sentidos”.

Segundo al-Hayya, o acordo também prevê a troca de prisioneiros, “com a libertação de 250 condenados à prisão perpétua e de 1.700 detidos da Faixa de Gaza que foram presos após 7 de outubro”, além da libertação de todas as crianças e mulheres.

O dirigente acrescentou que o Hamas seguirá trabalhando com as forças nacionais e islâmicas para “completar as etapas restantes garantir os interesses do nosso povo palestino, permitir que ele decida seu próprio destino e conquistar seus direitos até o estabelecimento de seu Estado independente, com Jerusalém como capital”.

Faixa de Gaza: forças israelenses iniciam preparativos para operação de retorno de reféns

Um veículo blindado militar israelense é transportado na caçamba de um caminhão ao longo da fronteira entre Israel e Gaza, em 9 de outubro de 2025. Israel e o Hamas concordaram, em 9 de outubro, com um acordo de cessar-fogo em Gaza para libertar os reféns restantes, em um passo importante para encerrar uma guerra que matou dezenas de milhares de pessoas e desencadeou uma catástrofe humanitária. (Foto de Ahmad GHARABLI / AFP)/ AFP

As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram nesta quinta-feira, 9, em publicação na rede social X, que começaram os preparativos operacionais para colocar em prática o acordo que prevê a libertação dos reféns em poder do Hamas na Faixa de Gaza. Os militares disseram que realizam “ajustes de posicionamento e revisões de protocolos de combate para a nova fase“.

Segundo as forças israelenses, o chefe do Estado-Maior orientou as tropas a reforçarem as defesas e a manterem prontidão “para qualquer cenário“. As movimentações devem ocorrer de forma gradual, seguindo as etapas do acordo e com atenção à segurança dos soldados.

A IDF informou ainda que se prepara para conduzir a operação de retorno dos reféns “com sensibilidade e profissionalismo” e que continuará atuando para cumprir os objetivos da guerra e proteger os cidadãos de Israel.