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Irã acusa violação de cessar-fogo após ataques a ilhas e ameaça reagir

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian/AFP

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que a trégua com os Estados Unidos foi desrespeitada após ataques registrados em território iraniano nesta quarta-feira (8). Segundo ele, as ilhas de Lavan e Siri foram bombardeadas ao longo do dia, informação que já havia sido antecipada pela mídia local, que relatou explosões nas duas áreas. O governo iraniano não apontou a autoria das ações.

Em paralelo, Teerã voltou a interromper o tráfego no Estreito de Ormuz e indicou que poderá abandonar o cessar-fogo caso Israel mantenha ofensivas militares no Líbano.

No país vizinho, os bombardeios israelenses desta quarta deixaram ao menos 254 mortos, conforme o Ministério da Saúde libanês, com possibilidade de aumento no número de vítimas. A ofensiva é considerada a mais intensa desde o início do confronto com o Hezbollah.

Diante do cenário, o Irã prometeu “punir” Israel pelos “ataques ao Hezbollah que violaram a trégua” e afirmou que já está “identificando alvos para responder aos ataques desta quarta“. A escalada ocorre após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarar que o cessar-fogo não inclui o Líbano, contrariando a posição do Paquistão, mediador das negociações.

O governo libanês criticou os ataques, acusando Israel de atingir regiões densamente povoadas e ignorar esforços diplomáticos, além de pedir à população que libere as ruas de Beirute para facilitar o atendimento às vítimas. Com informações do portal g1.

Reunião sobre acordo entre EUA e Irã deve ocorrer ainda essa semana no Paquistão

Primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif/Aamir QURESHI / AFP

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o cessar-fogo de duas semanas na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, convidou as partes para conversas oficiais de paz após o acordo de trégua ainda nessa semana. A previsão é de que as delegações de ambos os lados devem se encontrar na sexta-feira (10) em Islamabad e o objetivo são discutir detalhes de propostas para um acordo definitivo e a busca por uma paz duradoura.

O regime de Teerã confirmou a presença na reunião, com relatos indicando que a delegação será liderada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Enquanto, a delegação norte-americana deve ser chefiada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, nas negociações presenciais.

O cessar-fogo de duas semanas foi aceito depois do presidente dos EUA, Donald Trump, suspender os ataques sob a condição de que o Irã garanta a abertura segura do Estreito de Ormuz e interrompa as agressões.

Mas, apesar de Teerã confirmar a participação, a cúpula ocorre em um momento de alta tensão, com o Irã expressando cautela e desconfiança em relação ao lado americano. “Não depositamos qualquer confiança na outra parte. As nossas forças militares se mantêm em estado de prontidão, mas, entretanto, partiremos para as negociações para ver até que ponto o outro lado está levando isto a sério“, disse o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini.

Mas, o Irã também já ameaçou hoje se retirar do acordo de cessar-fogo se os ataques ao Líbano continuarem, alegando que o fim da guerra em todas as frentes fazia parte do acordo de trégua com a Casa Branca. Além disso, a Marinha iraniana ameaçou destruir os navios que tentassem atravessar o Estreito de Ormuz sem a autorização de Teerã. “Os termos do cessar-fogo entre o Irã e os EUA são claros e explícitos: os EUA têm de escolher, cessar-fogo ou continuação da guerra através de Israel. Não podem ter as duas coisas. O mundo assiste aos massacres no Líbano. A bola está do lado dos EUA, e o mundo está atento para ver se o país cumprirá os seus compromissos“, disse Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã.

No entanto, há pouco o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o cessar-fogo com os EUA foi rompido dentro do território iraniano. Pezeshkian avisou que duas ilhas iranianas, as de Lavan e Siri, foram bombardeadas hoje, embora não tenha citado de onde teriam vindo os ataques.

Por outro lado, o presidente norte-americano, Donald Trump, apontou que os ataques israelenses contínuos ao Líbano como um “conflito à parte” com o Hezbollah e que não estava incluído no acordo. “Sim, não estavam incluídos no acordo. Por causa do Hezbollah. Isso também vai ser resolvido. Está tudo bem“, garantiu.

Trump acrescentou que Washington irá trabalhar em estreita colaboração com o Irã no âmbito do cessar-fogo de duas semanas e disse que será discutido o alívio de tarifas e de sanções contra o país, afirmando que já houve uma mudança de regime muito produtiva. Porém, anunciou tarifas imediatas de 50% a qualquer país que forneça armas militares aos iranianos. Trump também criticou em sua rede social Truth Social que “charlatões” estão divulgando informações falsas acerca do cessar-fogo. “Inúmeros acordos, listas e cartas estão sendo enviados por pessoas que não têm absolutamente nada a ver com a negociação EUA/Irã; em muitos casos, são charlatães. Existe apenas um conjunto de pontos relevantes que são aceitáveis para os Estados Unidos, e iremos discuti-los à porta fechada durante estas negociações. Estes são os PONTOS que constituíram a base sobre a qual concordamos com um CESSAR-FOGO. Trata-se de algo razoável e de que se pode facilmente prescindir“, escreveu.

Já o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Estreito de Ormuz está aberto e que as forças armadas dos EUA vão permanecer no Oriente Médio para assegurar que o Irã cumpre o acordo de trégua. Hegseth ainda disse que o Irã implorou por este cessar-fogo e que a operação Fúria Épica foi uma vitória histórica e esmagadora no campo de batalha. “Uma vitória militar com V maiúsculo, sob qualquer ponto de vista“, definiu.

Segundo publicação do jornal New York Times, o governo iraniano aceitou o cessar-fogo de duas semanas proposto pelo Paquistão, após uma intervenção de última hora da China, que pediu a Teerã para que demonstrasse flexibilidade e reduzisse as tensões.

Enquanto isso, o diplomata francês Jean Arnault, enviado pessoal do secretário-geral da ONU, António Guterres, chegou ao Irã para apoiar os esforços na solução do conflito.

Trump diz que EUA trabalharão com Irã e impõe tarifa de 50% a fornecedores de armas de Teerã

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/ Foto: ALEX BRANDON / POOL / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país “trabalhará em estreita colaboração com o Irã“, após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre as partes. Em publicação na Truth Social nesta quarta-feira, 8, Trump disse que Teerã passou por uma “mudança de regime muito produtiva” e indicou avanço nas negociações bilaterais.

O republicano também elevou o tom ao afirmar que qualquer país que forneça armas militares ao Irã será “imediatamente tarifado em 50% sobre todos os bens vendidos aos EUA“, sem exceções.

Segundo o republicano, não haverá enriquecimento de urânio por parte do Irã, um dos pontos centrais das tratativas. Ele acrescentou que Washington atuará junto aos iranianos para “remover toda a ‘poeira’ nuclear profundamente enterrada”, sob monitoramento rigoroso. “Nada foi tocado desde a data do ataque” disse, mencionando ainda vigilância por satélites da Força Espacial dos EUA.

Trump também declarou que Washington e Teerã estão discutindo alívio tarifário e de sanções. “Estamos, e estaremos, conversando sobre alívio de tarifas e sanções com o Irã. Muitos dos 15 pontos já foram acordados“, escreveu.

As declarações ocorrem após EUA e Irã anunciarem, na noite de terça-feira (7), um acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão. Pelo entendimento, Washington suspendeu imediatamente os ataques e garantiu que Israel faria o mesmo, enquanto Teerã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz. Apesar disso, ataques foram registrados após o anúncio do pacto. A trégua começou horas antes do fim do prazo dado por Trump para uma resposta iraniana.

Irã confirma cessar-fogo com EUA e reabertura de Ormuz por duas semanas

Estreito de Ormuz/Foto: SAHAR AL ATTAR / AFP

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, divulgou na noite desta terça-feira, 7, um comunicado confirmando uma trégua de duas semanas com os Estados Unidos e a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

Se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas poderosas Forças Armadas cessarão suas operações defensivas. Por um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível por meio de coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração das limitações técnicas“, diz o comunicado publicado por Araghchi em seu perfil no X.

O chanceler iraniano elogiou a mediação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif,

pelos esforços para acabar com a guerra no Oriente Médio e a disposição do governo dos EUA para negociações sobre a proposta de 10 pontos do Irã.

A resposta do Irã ocorre logo após o presidente americano, Donald Trump, anunciar que concordou em suspender o ataque e bombardeio ao Irã por duas semanas.

Irã suspende negociações com EUA e descarta participar de cessar-fogo, diz jornal

Fumaça sobe do local de um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel contra a capital iraniana, Teerã/ AFP

O Irã interrompeu as negociações com os Estados Unidos e informou ao Paquistão que não participará mais de conversas sobre um cessar-fogo, segundo informações de três altos funcionários iranianos concedidas ao jornal New York Times.

A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões na região, sem indicação imediata de retomada do diálogo. Não foram divulgados detalhes sobre os motivos da suspensão nem sobre eventuais condições para reabrir as negociações.

Nesta terça-feira, 7, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou uma ameaça ao Irã afirmando que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”.

A declaração faz referência ao prazo final estabelecido por Washington para que Teerã feche um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, que se encerra às 21 horas (horário de Brasília).

Horas antes do término desse prazo, autoridades iranianas convocaram a população, especialmente jovens, a formar correntes humanas para proteger usinas de energia, consideradas infraestruturas estratégicas.

Em uma mensagem em vídeo, Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, pediu a mobilização de “jovens, atletas, artistas, estudantes, universitários e professores”. “As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”, afirmou.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também publicou no X que 14 milhões de iranianos responderam às campanhas da mídia estatal e de mensagens de texto que incentivavam as pessoas a se voluntariarem para lutar.

Eu também estive, estou e continuarei pronto para dar a minha vida pelo Irã“, escreveu Pezeshkian.

Rússia e China vetam no Conselho de Segurança da ONU intervenção no Estreito de Ormuz

Conselho de Segurança da ONU/LEONARDO MUNOZ/AFP

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas não aprovou a resolução apresentada pelo Bahrein, que contou com o apoio de outros países do Golfo Pérsico e dos Estados Unidos, sobre a proteção da navegação no Estreito de Ormuz.

A Rússia e a China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, vetaram a resolução que incentivava os países a coordenarem esforços para proteger a navegação comercial e estratégica no Estreito de Ormuz, praticamente bloqueada pelo Irã. Dos 15 países que compõem o Conselho de Segurança, 11 votaram a favor, dois contra e dois abstiveram-se.

A resolução rejeitada indicava que todos os navios desfrutariam do direito de passagem em trânsito pelo Estreito de Ormuz, e que esta não poderia ser impedida, em conformidade com o direito internacional, incluindo o disposto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Já a primeira versão da proposta do Bahrein inicialmente havia estabelecido que os países usassem todos os meios necessários, um termo da ONU que incluiria uma ação militar, para assegurar o trânsito através do estreito e impedir quaisquer bloqueios. Após a França, Rússia e China, que possuem poder de veto no Conselho de Segurança, terem se oposto à aprovação do uso da força, a resolução anterior foi revista e alterada para extinguir todas as referências a ações ofensivas.

Durante a sessão do Conselho de Segurança, o embaixador iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, também se manifestou e instou a comunidade internacional, antes que seja tarde demais, a denunciar a declaração de Donald Trump, de que toda uma civilização morrerá se o Irã não fechar um acordo. “O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais“, prometeu o diplomata, acrescentando que o cumprimento de tais ameaças constitui potencialmente um genocídio.

Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA, aconselhou nesta terça-feira (7) que todos os cidadãos norte-americanos no Bahrein permaneçam abrigados nos locais onde se encontram até nova ordem.

O presidente dos Estados Unidos reiterou suas ameaças ao Irã e disse que toda uma civilização morrerá esta noite, caso não reabra o estreito e não aceite um acordo para o fim da guerra. Trump disse que não quer que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá.

Em contrapartida, a Guarda Revolucionária do Irã já reagiu e ameaçou causar uma destruição global. A comunicação social iraniana ainda afirma que centenas de iranianos protestam e formam cadeias humanas junto às centrais energéticas e às pontes do país, após Trump ameaçar bombardear estas instalações.

Por sua vez, o Catar alertou hoje que a situação no Oriente Médio está quase fora de controle, horas antes de expirar o ultimato de Trump. “Estamos perto do ponto em que a situação na região ficará fora de controle. Não há vencedores se esta guerra continuar“, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, insistindo que o prolongamento das hostilidades não beneficia ninguém e na importância de normalizar a navegação no Estreito de Ormuz.

O porta-voz da chancelaria catari também destacou que os ataques às infraestruturas civis e energéticas por qualquer das partes não devem ser aceitas. “O Estreito de Ormuz é um estreito natural, não um canal, e todos os países da região têm o direito de utilizá-lo livremente“, sustentou Al-Ansari, em alusão ao grave impacto na economia mundial do bloqueio iraniano à rota de navegação que é um dos principais pontos do comércio global.

Paquistão pediu a Trump mais duas semanas de prazo para o Irã

Donald Trump / Foto: Anna Moneymaker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou nas rede social X que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para estender por duas semanas o prazo estabelecido para o Irã nas negociações para um acordo.

Os esforços diplomáticos para uma solução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão a progredir de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais num futuro próximo. Para permitir que a diplomacia siga o seu curso, solicito encarecidamente ao presidente Trump que prolongue o prazo por duas semanas“, avançou Sharif.

O premiê paquistanês exortou também todas as partes beligerantes a procurarem um cessar-fogo durante estas duas semanas, para permitir que a diplomacia alcance o fim definitivo da guerra, no interesse da paz e da estabilidade a longo prazo na região.

Para o regime de Teerã, Sharif apelou pela reabertura do Estreito de Ormuz durante o mesmo período, como um sinal de boa vontade.

Pedi aos irmãos iranianos para que reabram o Estreito de Ormuz durante o mesmo período, como gesto de boa vontade“, afirmou.

O diplomata francês Jean Arnault, enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, está a caminho de Teerã para reforçar os esforços diplomáticos. “Guterres está profundamente preocupado com declarações que sugerem que populações civis inteiras ou civilizações possam ser obrigadas a suportar as consequências de decisões políticas e militares”, disse o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric.

No entanto, segundo a agência de notícias iraniana TASNIM, o Irã ameaçou incluir na lista de potenciais alvos as instalações petrolíferas da Aramco, o oleoduto de Yanbu, na Arábia Saudita, e o oleoduto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, como retaliação contra um eventual ataque dos EUA.

Além disso, o Irã emitiu um alerta a todos os residentes e cidadãos que utilizam as várias pontes e estradas da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. De acordo com a imprensa local, o aviso indica que estas áreas serão consideradas como próximas de zonas militares hoje a partir das 23 horas no horário de Teerã.

Enquanto, o Ministério do Interior do Kuwait apelou a sua população para que não saiam de casa entre a meia-noite e as 06:00 (horas locais) de quarta-feira, como medida de precaução.

Irã convoca jovens para “corrente humana” em usinas de energia

O vice-ministro da Juventude e do Esporte do Irã convocou na segunda-feira (6) os jovens a formarem uma “corrente humana” ao redor das usinas de energia do país, após as ameaças do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos bombardeariam a infraestrutura pública do Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.

Convido todos os jovens, figuras culturais e artísticas, atletas e campeões para a campanha nacional “Corrente Humana da Juventude Iraniana por um Amanhã Brilhante””, escreveu Alireza Rahimi no X.

Amanhã, terça-feira, às 14h, ao lado de usinas elétricas em todo o país, com todas as crenças e opiniões, estaremos de mãos dadas para dizer: Atacar infraestrutura pública é um crime de guerra.”

Durante o fim de semana, Trump disse que o Irã tinha até terça-feira, às 20h (horário do leste dos EUA), para fechar um acordo.

Contexto: As autoridades iranianas têm um histórico de violações do direito internacional humanitário ao recrutar crianças-soldado, particularmente durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, na qual dezenas de milhares de crianças foram mortas.

No final do mês passado, a guarda revolucionária do país fez um apelo para que cidadãos “voluntários”, alguns com apenas 12 anos de idade, ajudassem no esforço de guerra, inclusive participando de patrulhas, segundo o grupo de direitos humanos Anistia Internacional.

Prazo para Irã fechar acordo com EUA acaba hoje (7); entenda o cenário

Silhueta do presidente dos EUA, Donald Trump, à frente de bandeira do Irã em foto de ilustração 17/04/2025

O prazo final estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã feche um acordo e abra o Estreito de Ormuz — ou será fortemente bombardeado e enfrentará o “inferno” — está se esgotando.

Trump definiu as 20h (horário do leste dos EUA), 21h em Brasília, desta terça-feira (7) (3h30 da manhã de quarta-feira (8), horário de Teerã) como o prazo final para um acordo.

No entanto, ele já fez ultimatos semelhantes em diversas ocasiões nas últimas semanas, adiando o prazo a cada vez. E a ameaça é altamente controversa, com muitos apontando que atacar infraestrutura civil configura crime de guerra.

Relembre o que Trump disse

O presidente estabeleceu o prazo em uma publicação na rede Truth Social no domingo (5), após divulgar uma mensagem repleta de palavrões, renovando as ameaças de bombardear infraestruturas iranianas importantes caso Teerã não abra o Estreito de Ormuz – um ponto de estrangulamento crucial no comércio global de energia.

Falando novamente na segunda-feira (6), Trump afirmou que os EUA têm um plano segundo o qual todas as pontes e usinas de energia do Irã poderiam ser destruídas até a meia-noite desta terça-feira. “Quero dizer, demolição completa até meia-noite“, disse o líder americano.

Ele já havia ameaçado atingir outras infraestruturas iranianas, incluindo poços de petróleo e usinas de dessalinização de água.

Resposta do Irã

Até o momento, Teerã respondeu publicamente com desafio, com um comandante militar classificando as ameaças de Trump como “infundadas” e “delirantes” nesta terça-feira.

“Se os ataques contra alvos não civis se repetirem, nossa resposta retaliatória será muito mais enérgica e em uma escala muito maior”, alertou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, utilizado pelas forças armadas iranianas.

Na segunda-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã instou os americanos a responsabilizarem seu governo pelo que descreveu como uma “guerra injusta e agressiva” contra o Irã.

Ameaça de Trump seria um crime de guerra?

Atacar infraestruturas civis críticas pode ser considerado um crime de guerra. Objetos indispensáveis ​​à sobrevivência de uma população – incluindo estações de tratamento de água – são proibidos como alvos militares pelas Convenções de Genebra.

A infraestrutura poderia ser considerada um alvo válido se tivesse dupla utilização pelas forças armadas do Irã. Mas Trump ameaçou não apenas explodir algumas usinas de energia do Irã; ele ameaçou explodir todas elas.

Há muitos ex-advogados militares e juristas que têm hesitado em afirmar que qualquer bombardeio contra infraestrutura civil constitui um crime de guerra, porque existem casos em que isso é permitido. Mas a retórica do presidente neste fim de semana, para mim e acredito que para muitos outros, mudou nossa opinião sobre isso”, disse Margaret Donovan, ex-advogada do Corpo Jurídico do Exército dos EUA.

Estamos testemunhando basicamente uma ameaça direta a algo que sabemos que será catastrófico para os civis.”

Diversos países entraram em contato com o governo Trump em caráter privado para alertá-los sobre tais ataques, mas a maioria até agora evitou repreender publicamente o presidente americano.

Entre eles, estão algumas nações do Golfo que agora temem que o Irã possa atacar sua infraestrutura civil em retaliação, segundo fontes regionais.

O governo Trump minimizou essas preocupações, com a Casa Branca afirmando na semana passada que os EUA “sempre” seguiriam o direito internacional.

Questionado sobre o assunto na segunda-feira (6), Trump disse que não estava preocupado e que o verdadeiro crime de guerra era “permitir que o Irã tivesse uma arma nuclear“.

Teerã já acusou os Estados Unidos e Israel de atacarem infraestrutura civil, com o bombardeio da importante ponte B1, nos arredores da capital iraniana, na sexta-feira (3), e a usina nuclear de Bushehr, no Irã, sendo atingida por projéteis diversas vezes nas últimas semanas.

Como estão as negociações?

Trump afirmou na segunda-feira que o Irã é um “participante ativo e disposto” nas negociações para um possível fim da guerra e que as conversas com os intermediários estão “indo bem”.

A CNN noticiou anteriormente, também na segunda-feira, que Paquistão, Egito e Turquia têm atuado como mediadores entre os EUA e o Irã, mas que as negociações indiretas foram interrompidas na semana passada e que os esforços para um encontro presencial parecem ter chegado ao fim.

Mas os esforços diplomáticos encontraram um grande obstáculo na segunda-feira, depois que nenhum dos lados concordou com uma proposta de última hora para um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, elaborada por países que trabalham para pôr fim à guerra.

Trump chamou a proposta de um “passo significativo”, mas disse que “não é suficiente”, acrescentando que ele é a única pessoa que pode determinar se haverá um cessar-fogo.

Enquanto isso, o Irã rejeitou a proposta, afirmando que uma pausa nos combates permitiria que os adversários se preparassem para a continuação do conflito.

Segundo a mídia estatal iraniana, Teerã enviou uma resposta de dez pontos, pedindo o fim permanente da guerra “de acordo com as considerações do Irã”.

Irã ameaça atacar alvos energéticos e ampliar confronto além da região contra EUA e aliados

Bandeira do Irã/AHMAD AL-RUBAYE / AFP

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) elevou o tom contra os Estados Unidos e aliados ao alertar que poderá atingir infraestruturas energéticas e privar a região de petróleo e gás por anos, além de levar a resposta “além da região” caso Washington “cruze as linhas vermelhas“.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (7) via Telegram, o grupo paramilitar afirmou ter ampliado o alcance de seus ataques na chamada “onda 99” da operação denominada Promessa Verdadeira 4.

Segundo a IRGC, forças navais e aeroespaciais atingiram “bases e interesses dos EUA no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, além de centros militares e de comando em territórios palestinos ocupados“, em resposta a ataques contra instalações petroquímicas iranianas em Assaluyeh. A ofensiva teria incluído mísseis balísticos, de cruzeiro e drones.

Na primeira fase, o grupo afirma ter atingido complexos petroquímicos ligados a empresas americanas na Arábia Saudita, incluindo unidades associadas a ExxonMobil, Dow Chemical, Chevron Phillips e Sadra, nas regiões de Al-Jubail e Al-Juaymah.

O grupo também menciona o ataque a um navio porta-contêineres “ligado ao regime sionista” próximo ao porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, e diz que a posição do grupo de porta-aviões CVN-72 dos EUA, no Oceano Índico, foi alvo de mísseis de cruzeiro de longo alcance.

A Guarda afirmou que a destruição do navio serve como “alerta” a embarcações que cooperem com EUA e Israel e disse ter abandonado critérios de “contenção” adotados até então por boa vizinhança. Apesar disso, reiterou que não tem civis como alvo, embora prometa retaliar contra ataques a instalações civis iranianas.

O prazo concedido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã chegue a um acordo de cessar-fogo com os americanos se encerra às 21h (de Brasília) desta terça-feira.

Irã rejeita proposta de cessar-fogo e apresenta contraproposta

Presidente dos EUA, Donald Trump; Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei; e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu/AFP

Segundo publicado pelas agências de notícias estatais do Irã, o governo de Teerã não aceitou a proposta do plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão, que atua como mediador.

O Irã declarou que prefere negociar o fim permanente da guerra, ao invés de uma pausa temporária, que para o regime iraniano apenas ofereceria mais tempo para os inimigos prepararem uma nova leva de ataques. “Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição“, anunciou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

A agência estatal iraniana Irna ainda indicou que essa proposta previa um cessar-fogo imediato, seguido de um acordo mais amplo em até aproximadamente 20 dias com uma possível reabertura da rota marítima do Estreito de Ormuz. A agência, além disso, garante que Teerã já enviou uma contraproposta sem, no entanto, divulgar seu conteúdo.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje que o prazo de terça-feira (7) que estabeleceu para o Irã chegar a um acordo “é definitivo“. Trump já ameaçou destruir as infraestruturas do país caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.

Enquanto isso, dois complexos petroquímicos iranianos, incluindo a maior instalação de gás do país, South Pars, localizado em Asaluyeh, na costa do Golfo, onde a mídia local noticiou explosões, foram atacados nesta segunda-feira (6). Os meios de comunicação estatais de Teerã relataram também que a outra ofensiva ocorreu no complexo petroquímico iraniano de Marvdasht, alvo de um ataque israelense. A imprensa estatal iraniana reportou que o incêndio provocado pelos bombardeios esta sob controle e não foram registrados danos significativos.

Em meados de março, as forças de Israel já tinham atacado as instalações de South Pars, a maior reserva de gás natural conhecida do mundo, que se estende entre Irã e Catar.

Trump convoca imprensa para coletiva na Casa Branca nesta segunda (6)

Presidente Donald Trump participa de coletiva de imprensa da Casa Branca

O presidente Donald Trump responderá a perguntas de repórteres nesta segunda-feira (6), às 13h pelo horário de Washington (14h em Brasília), na sala de imprensa da Casa Branca.

O presidente aparecerá ao lado de autoridades militares para falar sobre o resgate de um aviador norte-americano que estava a bordo do caça F-15 abatido sobre o Irã.

Mais cedo hoje, Trump havia anunciado que realizaria a coletiva de imprensa no Salão Oval, o que significaria a presença de apenas um grupo menor de repórteres credenciados da Casa Branca.

Devido à grande demanda da imprensa, a coletiva de imprensa do presidente Trump amanhã agora acontecerá na Sala de Imprensa da Casa Branca, às 13h”, disse a porta voz da Casa Branca Karoline Leavitt.

Trump já apareceu na sala de imprensa antes, mais recentemente realizando uma coletiva improvisada no início deste ano, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar suas tarifas de emergência.

Irã diz que ataques à infraestrutura terão consequências globais

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse nesta segunda-feira (6) ao seu colega francês que os ataques à infraestrutura iraniana terão consequências que vão além do país e da região.

Essa ameaça equivale à normalização de crimes de guerra e genocídio”, afirmou Araghchi ao ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, durante conversa por telefone, referindo-se às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar usinas de energia e outras instalações civis iranianas.

As consequências de uma situação como essa não se limitarão ao Irã e à região, mas também terão efeitos destrutivos sobre a energia global e a economia, pelos quais a responsabilidade recairá exclusivamente sobre autoridades americanas e os agressores”, acrescentou Abbas Araghchi.

Ele ainda afirmou que, caso algum ataque aconteça, será respondido com “uma retaliação decisiva e abrangente” das forças armadas iranianas.

Irã e EUA recebem proposta de cessar-fogo de 45 dias e reabertura do Estreito de Ormuz

Representantes da mídia se reúnem em torno do prédio danificado da Universidade Shahid Beheshti após uma greve, em Teerã, em 4 de abril de 2026/AFP

Irã e Estados Unidos receberam, no fim da noite de domingo, 5, uma minuta de proposta que prevê um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, segundo duas autoridades do Oriente Médio, que falaram sob condição de anonimato.

A proposta partiu de mediadores do Egito, do Paquistão e da Turquia, que esperam que a janela de 45 dias dê tempo suficiente para que as negociações avancem rumo a um cessar-fogo permanente. Segundo os funcionários, Irã e EUA ainda não responderam ao texto, que foi encaminhado ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e ao enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

Morte do chefe de inteligência

O chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã – força paramilitar do país – foi morto nesta segunda-feira em um ataque direcionado contra ele, de acordo com a mídia estatal iraniana.

Ataques contra cidades em todo o Irã mataram mais de 25 pessoas entre domingo e segunda. Em Haifa, no norte de Israel, duas pessoas foram encontradas mortas e outras duas permaneciam desaparecidas sob os escombros, um dia após um ataque iraniano.

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom e ameaçou atingir duramente a infraestrutura crítica do Irã caso o governo não reabra o Estreito de Ormuz até o prazo estipulado por ele para terça-feira.

Trump reforçou a ameaça com palavrões em uma publicação nas redes sociais, afirmando que terça-feira (7) será o “Dia da Usina e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã”.

A guerra começou com ataques conjuntos de EUA e Israel em 28 de fevereiro e já deixou milhares de mortos, abalou os mercados globais, interrompeu rotas marítimas essenciais e elevou os preços dos combustíveis. Ambos os lados ameaçaram e atingiram alvos civis, o que motivou alertas sobre possíveis crimes de guerra por parte da ONU e de especialistas em direito internacional. Fonte: Associated Press.

*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Israel mata chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária do Irã

Chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, Majid Khademi. — Foto: Divulgação/TV estatal do Irã

O chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária do Irã foi morto nesta segunda-feira (6) em um bombardeio israelense, segundo a força militar iraniana e o Exército de Israel.

“O general Majid Khademi, poderoso e experiente dirigente da Organização de Inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, morreu como mártir no ataque terrorista criminoso do inimigo americano-sionista (…) hoje ao amanhecer”, afirmou a Guarda Revolucionária em seu canal no Telegram.

Horas depois, o Exército de Israel confirmou que matou Khademi em um bombardeio de precisão em Teerã, capital do Irã. Ainda não se sabe se outras pessoas foram mortas ou feridas no ataque aéreo.

Khademi era uma autoridade veterana no regime iraniano. Era um veterano e serviu a Guarda Revolucionária durante cerca de 50 anos, segundo Teerã. Israel chamou ele de “um dos comandantes mais graduados” da Guarda, com “ampla experiência militar” acumulada ao longo de “muitos anos”. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que Khademi era “uma das três autoridades de mais alto escalão da Guarda Revolucionária do Irã”.