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Vice de Trump, J.D. Vance diz que papa Leão XIV deveria ‘ter cuidado ao falar sobre questões de teologia’

J.D. Vance pediu para o papa ter cuidado ao falar sobre teologia. — Foto: Turning Point USA via Reuters

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, chamou atenção ao fazer uma fala sobre o papa Leão XIV, em um evento do Turning Point USA, nesta terça-feira (14). Segundo ele, o papa deveria “ter cuidado ao falar sobre questões de teologia”.

Certamente há coisas que o papa disse nos últimos meses das quais eu discordo. Vou dar um exemplo bem concreto relacionado a esse conflito no Irã. (…) Ele disse que Deus nunca está do lado daqueles que empunham a espada”, comentou.

Em seguida, o vice de Donald Trump fez uma série de perguntas: “como você pode dizer que Deus nunca está do lado daqueles que empunham a espada? Deus estava do lado dos americanos que libertaram a França dos nazistas? Deus estava do lado dos americanos que libertaram os campos do Holocausto e salvaram aquelas pessoas inocentes daqueles que sobreviveram ao Holocausto?”.

Acho que é muito, muito importante que o papa tenha cuidado ao falar sobre questões de teologia”, disse Vance, que se converteu ao catolicismo aos 35 anos, em 2019. “Uma das questões é que, se você vai opinar sobre temas de teologia, precisa ter cuidado, precisa garantir que isso esteja fundamentado na verdade“, continuou. “É algo que eu esperaria do clero, seja católico ou protestante”, comentou.

Em um momento de sua fala, Vance foi interrompido por uma pessoa da plateia que disse que “Jesus Cristo não apoia o genocídio”.

Vance respondeu defendendo a atuação do atual governo para garantir um cessar-fogo em Gaza.

As declarações ocorrem após o pontífice intensificar, nas últimas semanas, críticas à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. E ao mesmo tempo em que o presidente americano Donald Trump também aumentou o tom nas críticas contra o líder católico.

Na segunda-feira (13), o papa disse à Reuters que pretende continuar criticando o conflito, apesar das declarações do presidente Donald Trump.

Em carta divulgada na terça, o pontífice afirmou que a Igreja Católica ensina que o poder não deve ser visto como um fim em si mesmo, “mas como um meio orientado ao bem comum”.

Guerra no Sudão completa três anos com a pior crise humanitária do mundo

Esta foto aérea mostra o Rio Nilo na capital Cartum, em 15 de abril de 2026, no terceiro aniversário do início da guerra entre o exército e seus inimigos paramilitares. / AFP

Nesta quarta-feira (15), a guerra civil no Sudão entre Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF) completa três anos com a maior crise humanitária do mundo e o mais grave deslocamento populacional estimado em mais de 14 milhões de pessoas.

O atual conflito eclodiu devido a uma disputa de poder entre duas facções militares: as SAF, lideradas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, chefe do exército e atual governante do país após um golpe de Estado em 2021, e o seu ex-braço direito, Mohamed Hamdane Daglo, comandante do grupo paramilitar RSF. Os combates começaram na capital, Cartum, antes de se espalharem por outras regiões, como Darfur.

A situação no Sudão é descrita por organizações internacionais e líderes mundiais como catastrófica e a pior crise humanitária global da atualidade. Depois de três anos de guerra civil, o país esta mergulhado no caos e enfrenta uma combinação avassaladora de violência generalizada, miséria, fome severa e colapso de serviços básicos. A inação da comunidade internacional e a falta de financiamento substancial para ajuda humanitária agravou todas as condições do cenário dramático, que não apresenta ainda a possibilidade de uma solução pacífica.

O conflito já deixou milhares de mortos e feridos. As projeções mais recentes indicam que mais de 150 mil pessoas morreram devido o conflito direto e seus efeitos indiretos, como subnutrição, inanição e falta de assistência médica. Entretanto, algumas estimativas de enviados dos EUA já sugeriram que o número poderia ser ainda maior, aproximando-se de 400 mil em cenários de pior caso. Os relatórios apontam também mais de 40 mil feridos registrados, apesar de que este número seja considerado significativamente subnotificado por causa do colapso do sistema de saúde e bloqueios de comunicação.

Segundo o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na região, Luca Renda, provavelmente, cerca de 38% da população vivia na pobreza, antes de abril de 2023, e, agora, estima-se que o número seja por volta de 70%. Segundo Luca, as áreas mais complicadas são Kordofan do Sul, agora o principal campo de batalha, e Darfur do Norte.

De acordo com o relatório publicado pelo PNUD e pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla inglesa), quase sete milhões de pessoas caíram na extrema pobreza só em 2023, e os rendimentos médios baixaram para níveis de 1992. “Estes números não são abstratos, refletem famílias desfeitas, crianças fora da escola, meios de subsistência destruídos e uma geração cujas perspectivas estão diminuindo inexoravelmente”, declarou Luca Renda.

o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) comunicou que as Investigações da Missão Internacional Independente de Inquérito da ONU para o Sudão e da Missão de Inquérito da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR) da União Africana (UA) sobre a Situação dos Direitos Humanos no Sudão concluíram que as Forças Armadas Sudanesas e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido, assim como os seus aliados, são responsáveis por violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos de intensidade variável.

Entre as violações mencionadas estão assassinatos, detenções arbitrárias, tortura, violações sexuais e o uso generalizado de ofensivas indiscriminadas, incluindo ataques aéreos, bombardeios e ataques de drones em áreas densamente povoadas. Por outro lado, meios civis indispensáveis à sobrevivência, incluindo instalações médicas e mercados de alimentos, têm sido alvo constante de ataques, o que exacerba a crise humanitária já considerada catastrófica. Além disso, a ajuda humanitária vem sendo frequentemente alvo de ataque no país.

Ao fim de três anos de conflito no Sudão, violações graves e generalizadas do direito internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário continuam com intensidade e impunidade crescentes, cometidas pelas Forças de Apoio Rápido e pelas Forças Armadas Sudanesas, com a violência a atingir níveis profundamente alarmantes em todo o país“, alertou a agência da ONU.

O ACNUDH especificou que as violações cometidas pelas RSF são particularmente generalizadas e sistemáticas e incluem saques, violência sexual e perseguição étnica. “A Missão de Inquérito da ONU considerou que crimes internacionais foram cometidos no Sudão. Constatou também que as RSF cometeram outros crimes de guerra, como crimes contra a humanidade de violação generalizada e violência sexual, perseguição e extermínio através da privação de alimentos, medicamentos e assistência humanitária“, reforçou.

Relativamente à tomada de Al-Fashir em outubro de 2025, a Missão de Inquérito da ONU estabeleceu um padrão flagrante de ataques baseados na identidade pelas RSF contra membros das comunidades Zaghawa e Fur, num padrão que ostenta as marcas de genocídio“, condenou o ACNUDH.

Por sua vez, a missão da União Africana concluiu que estas violações graves equivalem a violações “do Direito à Vida, do Direito à Dignidade Humana, à Liberdade e Segurança da Pessoa, Liberdades Fundamentais, Liberdade de Movimento, Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, Violações contra Crianças, Violações de direitos coletivos dos povos (incluindo o direito à igualdade, à existência, à paz, segurança e desenvolvimento), Ataques a Grupos Vulneráveis e Violência Sexual Relacionada com Conflitos“, citou.

Ao longo desses três anos de guerra, cerca de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir, sendo que nove milhões permanecem deslocadas internamente e 4,4 milhões permanecem refugiadas em países vizinhos, segundo recentes dados da ONU.

Israel e Líbano realizaram hoje negociações diretas para acordo de cessar-fogo

Destruição no local de um ataque aéreo israelense que atingiu um prédio em Beirute, no Líbano/IBRAHIM AMRO/AFP

Nesta terça-feira (14), Israel e Líbano iniciaram as preliminares conversações diretas de paz, em Washington, com a mediação do Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. A reunião durou cerca de duas horas e o encontro direto entre autoridades dos países não aconteciam desde 1983.

Rubio disse que se tratou de uma oportunidade histórica e que as negociações não se esgotam apenas num dia. As delegações adiantaram que vão apresentar aos seus respectivos governos as diversas propostas e recomendações que decorreram no encontro e que depois as duas partes provavelmente retornarão a se reunir nas próximas semanas para continuar as discussões.

As autoridades israelenses visaram, sobretudo, o desarmamento do grupo xiita libanês Hezbollah, enquanto o Líbano queria a retirada das tropas e trégua imediata. Israel foi representado pelo seu embaixador nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, que declarou no final da reunião que o governo libanês deixou claro que não quer o Hezbollah no país. “Estamos unidos na luta para libertar o Líbano da força ocupante dominada pelo Irã, chamada Hezbollah. O Hezbollah está mais enfraquecido do que nunca. Os combates de Israel no Líbano enfraqueceram o Hezbollah a tal ponto que o governo libanês pode entrar numa nova era de paz“, indicou o diplomata.

Leiter sublinhou que Tel Aviv não pretende acabar a sua ofensiva contra o grupo e que o principal foco é a segurança dos residentes do seu país. “Vamos trabalhar com Beirute em questões de segurança e na frente civil. Na reunião, discutimos uma visão a longo prazo, onde haverá uma fronteira claramente definida entre os nossos países, e a única razão pela qual precisaremos de atravessar para o território um do outro será para tratar de negócios ou ir de férias” , pontuou.

O embaixador ainda destacou que os representantes dos três países descobriram hoje que estão do mesmo lado da equação, e que isso é o mais positivo que poderia ter acontecido. “O encontro representou uma vitória para o bom senso, para a responsabilidade e para a paz“, concluiu.

Já a embaixadora do Líbano nos Estados Unidos, Nada Hamadeh Moawad, foi à representante do seu país no encontro e garantiu que a reunião foi construtiva. “Solicitei um cessar-fogo e o regresso dos deslocados internos às suas casas. Solicitei também a adoção de medidas práticas para aliviar a grave crise humanitária que o Líbano continua a enfrentar em resultado do conflito em curso. Ressaltei a necessidade de preservar a nossa integridade territorial e soberania estatal e reafirmei a necessidade urgente da plena implementação do anúncio de cessação das hostilidades de novembro de 2024“, concluiu Moawad.

Os dois países chegaram a um cessar-fogo mediado pelos EUA em novembro de 2024, que previa o desarmamento do Hezbollah e a retirada israelense do território, porém esta trégua se mostrou frágil e com a acusações de várias violações por parte de Israel e, posteriormente retaliações do grupo xiita libanês. No contexto atual, fontes próximas ao governo de Benjamin Netanyahu adiantaram a mídia que agora o primeiro-ministro busca um acordo mais substancial que inclua compromissos libaneses mais firmes para desarmar o grupo xiita e uma melhoria mais ampla das relações.

No entanto, no governo de Netanyahu, muitos membros se opõem fortemente à suspensão dos combates e alguns ministros defendem a tomada permanente de uma zona de segurança no sul do Líbano. Mas, segundo as fontes, o premiê também deu inicio as negociações em resposta à pressão norte-americana.

Enquanto isso, o Hezbollah anunciou que hoje lançou uma série de ataques contra alvos do exército israelense, nas recém-instaladas artilharias na cidade de Bayyada.

Primeira-ministra da Itália diz que falas de Trump sobre papa são inaceitáveis

Papa e Meloni — Foto: Reprodução

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou, nesta segunda-feira (13), que as falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o papa Leão XIV são inaceitáveis.

Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra“, disse Meloni em um comunicado.

Neste domingo (12), Trump disse que o Papa Leão XIV é fraco e que sua postura prejudica a Igreja Católica. O republicano afirmou preferir o irmão do pontífice e que não quer “um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”.

O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (…) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, publicou Trump no Truth Social.

Apesar das falas do presidente dos EUA, não há registros de que o papa Leão XIV tenha consentido que o Irã tenha uma arma nuclear.

Mais cedo, o papa disse sentir-se próximo do “amado povo libanês” e pediu um cessar-fogo, com o conflito no Oriente Médio entrando em sua sétima semana.

Trump ainda disse que o papa só ocupa essa posição pois ele é o atual presidente dos EUA, e que Leão XIV deveria ser grato a isso.

Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.”

Além do texto do Truth Social, Trump também afirmou a repórteres no domingo que “não é um fã do papa Leão XIV. “Ele é muito liberal, não acredita em parar o crime, acredita que deveríamos brincar com um país que quer ter uma arma nuclear para que eles possam explodir o mundo“, disse.

Na publicação, Trump também reclamou de reuniões de papa Leão XIV “com simpatizantes de Obama, como David Axelrod, um PERDEDOR da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos.”

Por fim, Trump disse que o papa “deveria se recompor”. “Leão [XIV] deveria se recompor como Papa, usar o bom senso, parar de agradar a esquerda radical e focar em ser um grande Papa — não um político. Isso está prejudicando muito ele e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica.”

Alguns minutos depois da publicação, Trump publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial em que retrata ele com uma túnica branca abençoando um homem doente. A imagem ainda mostra a bandeira dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade, caças de guerra, uma aeronave espacial e gaviões.

Nesta segunda-feira (13), o papa Leão XIV afirmou que não tem “a intenção de entrar em um debate” com Donald Trump, em resposta às críticas do presidente dos Estados Unidos ao ser questionado por jornalistas a bordo do avião que o transportou para Argélia:

Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz”.

Trump adverte que eliminará qualquer ‘navio de ataque’ do Irã que romper bloqueio dos EUA

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/ALEX BRANDON / POOL / AFP

O presidente americano, Donald Trump, alertou que as forças americanas destruirão qualquer “navio de ataque” iraniano que se aproximar do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, que entrou em vigor nesta segunda-feira (13).

“Aviso: se algum desses navios se aproximar do nosso BLOQUEIO, será ELIMINADO imediatamente“, disse Trump em sua rede social Truth Social, acrescentando que o restante da Marinha iraniana foi “completamente aniquilado“.

Trump afirmou que as forças armadas americanas usarão “o mesmo sistema de eliminação” usado “contra traficantes de drogas em embarcações em alto-mar“, referindo-se aos ataques aéreos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico.

Forças Armadas dos EUA vão bloquear ‘todo o tráfego marítimo’ no Golfo de Omã e Mar Arábico, diz agência

Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. — Foto: Reuters

As Forças Armadas dos EUA anunciaram nesta segunda-feira (13) a navios no Oriente Médio que irão aplicar um bloqueio marítimo no Golfo de Omã e no Mar Arábico, a sudeste do Estreito de Ormuz, e que valerá para “todo o tráfego marítimo, independentemente da bandeira“. A agência de notícias Reuters teve acesso ao aviso.

As forças militares norte-americanas afirmaram no aviso que “qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita a interceptação, desvio e apreensão“, segundo a Reuters.

Os EUA avisaram ainda que o bloqueio não impedirá a passagem de embarcações chamadas de “neutras” e que não tenham portos iranianos como origem ou destino. No entanto, esses navios ainda podem estar sujeitos a inspeções para identificar contrabando, segundo o aviso.

Remessas humanitárias terão a passagem permitida, porém também estarão sujeitas a inspeções, segundo a Reuters.

A região do Golfo de Omã e do Mar Arábico é onde grande parte das forças militares dos EUA está posicionada desde o início da guerra contra o Irã. O Mar Arábico é o nome dado à parte do Oceano Índico que banha Omã, Paquistão, Índia e Somália. Na região norte desse mar está localizado o Golfo de Omã, rota de navios que têm como origem ou destino o Golfo Pérsico. O Estreito de Ormuz liga os dois golfos.

Já Ormuz é uma espécie de “artéria” da indústria petrolífera por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo. O seu fechamento durante o conflito teve forte impacto na economia global.

O bloqueio dos EUA na região, uma nova ferramenta de pressão do governo Trump contra o Irã em meio à guerra travada pelos dois países, está marcado para começar às 11h desta segunda, no horário de Brasília.

Em resposta, o Exército do Irã ameaçou retaliar portos nos Golfos Pérsico e de Omã caso o bloqueio naval norte-americano de fato seja posto em vigor. Isso porque o bloqueio é “ilegal” e representaria uma ameaça à segurança dos portos iranianos, segundo a pasta.

O Comando Central do Exército dos EUA já havia avisado em comunicado no domingo que todos os navios saindo ou chegando a portos iranianos serão bloqueados, assim como embarcações que tenham pago pedágio ao Irã — algo que o presidente Donald Trump chamou de “ilegal”. O governo Trump não mencionou de forma oficial, até a última atualização desta reportagem, detalhes similares aos revelados pela Reuters.

O bloqueio naval norte-americano em Ormuz representa uma nova escalada na guerra entre EUA, Israel e Irã, além de uma nova ameaça ao cessar-fogo no conflito. O movimento aumenta as chances de incidentes e, consequentemente, da retomada dos combates. A guerra, que começou em 28 de fevereiro, está na 7ª semana e até o momento não apresenta perspectivas de um fim definitivo.

Trump publica imagem com roupa semelhante à de Jesus após críticas ao papa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na plataforma Truth Social uma imagem que possivelmente foi gerada por inteligência artificial em que ele se veste semelhantemente a Jesus, no domingo (12).

Na foto é possível ver também a bandeira dos Estados Unidos, uma águia, que é símbolo do país, e a Estátua da Liberdade. Há também militares, caças e uma enfermeira.

Mais cedo no mesmo dia, o líder americano publicou um texto atacando o papa Leão XIV, o chamando de “fraco no combate e péssimo em política externa”.

Não quero um papa que ache normal o Irã ter armas nucleares. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela, um país que enviava quantidades enormes de drogas para os Estados Unidos e, pior ainda, esvaziava suas prisões, incluindo assassinos, traficantes e homicidas, para o nosso país“, declarou o presidente na Truth Social.

Leão deveria se comportar como papa, usar o bom senso, parar de ceder à esquerda radical e se concentrar em ser um grande papa, não um político. Isso está prejudicando-o muito e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica!”, acrescentou.

O papa Leão XIV respondeu aos comentários do líder americano nesta segunda-feira (13), afirmando que não teme a administração Trump.

Não tenho medo nem da administração Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do evangelho“, falou o pontífice aos jornalistas no avião, acrescentando que “essa é a mensagem que o mundo precisa ouvir hoje”.

As declarações foram feitas a bordo do voo papal para Argel, onde o primeiro papa americano inicia uma viagem de 10 dias por quatro países africanos.

Leão XIV também afirmou que continuará a se manifestar contra a guerra.

Irã considera bloqueio naval americano ‘ilegal’ e ato de ‘pirataria’

Bandeira do Irã/Arquivo/AFP

O Exército do Irã afirmou que o bloqueio naval-americano, que deve começar nesta segunda-feira (13), é “ilegal” e constitui um ato de “pirataria“, e advertiu que nenhum porto do Golfo estará a salvo em caso de ameaça aos portos do país.

As restrições impostas pelos criminosos Estados Unidos à navegação marítima e ao trânsito em águas internacionais são ilegais e constituem um exemplo de pirataria”, declarou o comandante das Forças Armadas iranianas, Khatam al Anbiya, em um comunicado lido na televisão estatal.

Se a segurança dos portos da República Islâmica nas águas do Golfo Pérsico e do Mar da Arábia for ameaçada, nenhum porto do Golfo Pérsico nem do mar da Arábia estará a salvo“, acrescentou.

Líderes europeus reagem à derrota de Viktor Orbán nas eleições na Hungria

O partido de oposição de centro-direita da Hungria, o Tisza, deve conquistar a maioria de dois terços do parlamento, segundo os resultados parciais da eleição, encerrando 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán.

Veja as reações dos líderes europeus:

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia: “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Um país recupera o seu caminho europeu. A União fica mais forte. O coração da Europa bate mais forte esta noite na Hungria.”

Emmanuel Macron, presidente da França: “Acabei de falar com Peter Magyar para parabenizá-lo pela sua vitória na Hungria! A França saúda o que foi uma vitória em termos de participação das pessoas no processo democrático, e uma vitória que mostra o apego do povo húngaro aos valores da União Europeia e ao papel da Hungria na Europa.”

Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido: “Parabéns, Peter Magyar, pela sua vitória eleitoral. Este é um momento histórico, não só para a Hungria, mas para a democracia europeia. Estou ansioso para trabalhar com vocês para a segurança e a prosperidade de ambos os nossos países.”

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha: “O povo húngaro decidiu. Meus sinceros parabéns pelo seu sucesso eleitoral, querido Peter Magyar. Estou ansioso por trabalharmos juntos. Vamos unir forças para uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida. Gratulálok, kedves Magyar Péter!”

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia: “Parabéns ao Peter Magyar e ao partido TISZA pela sua vitória retumbante. É importante quando a abordagem construtiva prevalece. A Ucrânia sempre procurou boas relações de vizinhança com todos na Europa e estamos prontos para avançar a nossa cooperação com a Hungria. A Europa e todas as nações europeias devem ficar mais fortes e milhões de europeus procuram cooperação e estabilidade. Estamos prontos para reuniões e trabalho construtivo conjunto em benefício de ambas as nações, bem como da paz, segurança e estabilidade na Europa.”

Jonas Gahr Støre, primeiro-ministro da Noruega: “Felicito Peter Magyar e o Tisza pela sua vitória nas eleições parlamentares húngaras – um resultado de grande importância para toda a Europa. Aguardo com expectativa uma cooperação estreita e construtiva na busca da paz e da estabilidade, da democracia e do Estado de direito no nosso continente.”

Petteri Orpo, primeiro-ministro da Finlândia: “Nas eleições democráticas, o povo húngaro demonstrou a sua forte vontade de ser um membro ativo da União Europeia e da Otan. O resultado das eleições dá à Hungria a oportunidade de voltar à nossa comunidade de valores e segurança como um ator construtivo.”

Trump ordena que Marinha dos EUA bloqueie a navegação pelo Estreito de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump  /MANDEL NGAN / AFP

O presidente Donald Trump ordenou neste domingo (12) um bloqueio naval dos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz em resposta à recusa “inflexível” do Irã em abandonar suas ambições nucleares durante as negociações de paz em Islamabad.

Embora reconheça que as negociações no Paquistão tenham corrido “bem” e que “um acordo havia sido alcançado na maioria dos pontos“, o presidente americano afirmou que Teerã se recusa a ceder na questão de seu programa nuclear.

Peru vai às urnas com 35 candidatos presidenciais e resultado incerto

Local de votação em Lima, no Peru/CONNIE FRANCE / AFP

A eleição geral desse domingo (12) no Peru marca mais um capítulo da permanente crise política do país vizinho, que deve escolher o décimo presidente em apenas 10 anos, devido a uma sucessão de renúncias e impeachments.

A expectativa é que os resultados da eleição comecem a ser divulgados à meia-noite de hoje.

Os 27 milhões de eleitores peruanos vão eleger, além do presidente e do vice, 130 deputados e 60 senadores para os próximos cinco anos. A eleição marca ainda a reabertura do Senado peruano, após 33 anos fechado. Em 2024, o Congresso retomou o sistema bicameral, mesmo com a população tendo rejeitado a medida em plebiscito em 2018.

Com 35 candidatos presidenciais na disputa, o resultado é imprevisível. Havia ainda um 36º candidato, que morreu em acidente de carro durante a campanha.

Keiko Fujimori lidera as pesquisas com cerca de 15% das intenções de voto. Ela é a candidata mais provável de chegar ao segundo turno, marcado para o dia 7 de junho.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, Keiko perdeu no segundo turno nas últimas três eleições, de 2011, 2016 e 2021. A alta rejeição a seu nome sugere um teto de votos que não tem conseguido ultrapassar.

Quem deve chegar ao lado da Keiko Fujimori no segundo turno é uma grande incógnita, já que as pesquisas não apontam um outro favorito, com os demais candidatos em um enorme empate técnico.

Disputa comercial

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, avalia que essa eleição tem repercussões na disputa comercial travada entre China e EUA na América Latina.

Essa eleição é decisiva do ponto de vista das correntes políticas da direita para conter esse avanço chinês no fluxo comercial com diferentes países na América do Sul”, avaliou o também professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Menon acrescentou que o comércio chinês por meio do porto de Chancay, no Peru, tem cada vez mais conectado o país andino com as correntes de comércio na Ásia e Pacífico. Ao mesmo tempo, o especialista destacou as sinalizações de Fujimori para uma aproximação maior com os EUA em meio a política de Trump de entender “a América Latina como uma região de sua histórica influência”.

Trump tem firmado acordos militares com países latino-americanos alinhados com Washington na tentativa de conter as relações comerciais entre a China e os países da região.

Outros candidatos

No campo da direita, além da Fujimori, tem se destacado o candidato Rafael López Aliaga, o “Porky”. Ex-prefeito de Lima, capital do país, Porky costuma ser comparado com Donald Trump ou o presidente argentino Javier Milei, ao combinar discurso ultraconservador com defesa radical do livre mercado.

Outro candidato da direita que aparece mais a frente nas pesquisas é o humorista Carlos Álvarez.

No campo da esquerda, o cenário é ainda mais fragmentado, com os candidatos pontuando em torno dos 5% das intenções de votos. Um dos destaques é o deputado Roberto Sánchez, que recebeu o apoio do ex-presidente Pedro Castillo e foi seu ministro do Comércio Exterior e Turismo.

O partido que elegeu Castillo, o Peru Livre, por sua vez, inscreveu na disputa Vladimir Cerrón, que rompeu com o ex-presidente ainda no início do mandato de Castillo.

Outros nomes que aparecem entre os favoritos desse campo são Ricardo Belmont, que foi prefeito de Lima entre 1990 e 1995, e o economista Alfonso López-Chau, que foi diretor do Banco Central entre 2006 e 2012.

Porém, como todos estão empatados dentro da margem de erro, torna-se uma incógnita o resultado dessa eleição presidencial, avalia o professor Gustavo Menon.

O risco é que essa fragmentação política inviabilize, em grande medida, a governabilidade do novo presidente que está para ser eleito. Podemos apenas cravar que, para o segundo turno, pode ir qualquer um”, completou.

Crise política

Na última eleição, em 2021, venceu o candidato Pedro Castillo, professor rural de centro-esquerda, considerado uma surpresa eleitoral por não figurar entre os mais bem colocados na época. Porém, Castillo acabou afastado e preso após tentar dissolver o Parlamento, tendo sido condenado, em novembro de 2025, a mais de 11 anos de prisão por “rebelião”.

Assumiu no lugar a vice Dina Boluarte, que reprimiu com violência as manifestações contra a destituição de Castillo, com um saldo de 49 pessoas mortas, segundo cálculo da Anistia Internacional.

Com baixíssima aprovação popular, Boluarte acabou destituída pelo Congresso no dia 10 de outubro de 2025.

No lugar, assumiu o presidente do Parlamento no Peru, José Jerí, em uma gestão que não durou muito. Em 17 de fevereiro do mesmo ano, o Congresso destituiu Jerí, vindo a assumir o cargo interinamente José María Balcázar Zelada por eleição indireta do poderoso Parlamento peruano, apontado como o poder de fato no país andino.

Porta-voz do Irã critica mídia dos EUA e ameaças a negociadores

Porta-voz do Irã, Esmaeil Baghaei, critica mídia dos EUA e ameaças a negociadores
/Foto: ATTA KENARE / AFP

Em uma publicação nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, tece críticas à mídia americana. “Enquanto autoridades americanas acusam o Irã de falta de boa-fé e de praticar extorsão, elementos dentro da esfera política dos EUA recomendam abertamente o assassinato de negociadores iranianos, caso as negociações fracassem“, afirmou.

Na publicação, Baghaei faz referência a um artigo de opinião publicado pelo The Washington Post, no qual o autor afirma que os líderes do Irã “precisam entender que suas vidas dependem literalmente de se chegar a um acordo que agrade a Trump”.

Isso não seria, na prática, uma estratégia política“, questiona Baghaei.

Novo líder supremo do Irã teve o rosto desfigurado e está lúcido, diz agência

Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, em foto de outubro de 2024 — Foto: Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está lúcido, mas ficou com o rosto desfigurado e ainda se recupera de ferimentos graves sofridos no ataque que matou o pai no início da guerra. As informações foram obtidas pela Reuters com três pessoas próximas ao círculo interno do líder.

Segundo as fontes, além dos ferimentos graves no rosto, Khamenei também sofreu uma lesão significativa em uma ou nas duas pernas. Ele se machucou durante o bombardeio ao complexo do líder supremo do Irã, no centro de Teerã, em 28 de fevereiro.

Apesar dos ferimentos, o líder de 56 anos participa ativamente das decisões de governo, afirmaram as fontes, que pediram anonimato. Ele tem participado de reuniões com autoridades por áudio e segue envolvido em decisões sobre a guerra e nas negociações com Washington.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as informações. A missão do Irã nas Nações Unidas não respondeu aos questionamentos sobre a gravidade dos ferimentos nem sobre o motivo da ausência de imagens públicas do líder.

As dúvidas sobre a capacidade de Khamenei de governar surgem em um dos momentos mais críticos do Irã em décadas. Negociações de paz com os Estados Unidos começaram neste sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão.

O paradeiro, a condição física e a capacidade de governar de Mojtaba permanecem em grande parte desconhecidos pelo público. Nenhuma foto, vídeo ou gravação de áudio foi divulgada desde o ataque aéreo e a nomeação dele como sucessor do pai, Ali Khamenei.

Não houve comunicado oficial iraniano sobre a extensão dos ferimentos. Após a nomeação, porém, um apresentador da TV estatal descreveu o líder como “janbaz”, termo usado para pessoas gravemente feridas em guerra.

Os relatos coincidem com declaração do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que afirmou em 13 de março que Khamenei estava “ferido e provavelmente desfigurado”. Uma fonte familiarizada com avaliações da inteligência americana disse à Reuters que o líder teria perdido uma perna.

Alex Vatanka, pesquisador do Middle East Institute, afirmou que, independentemente da gravidade dos ferimentos, é improvável que o novo líder exerça o mesmo nível de poder do pai. Segundo ele, Mojtaba representa continuidade política, mas pode levar anos até consolidar autoridade semelhante.

“Ele será uma voz importante, mas não necessariamente decisiva”, disse. “Ele precisa provar que é uma voz confiável, forte e dominante. O regime como um todo terá de decidir qual caminho pretende seguir.”

Uma das fontes próximas ao círculo do líder afirmou que imagens de Khamenei podem ser divulgadas em um ou dois meses e que ele poderá aparecer em público quando as condições de saúde e segurança permitirem.

Negociação entre EUA e Irã entra na “fase de nível de especialistas”

As negociações entre o Irã e os Estados Unidos entraram na “fase de nível de especialistas”, em que comitês especializados em questões econômicas, militares, legais e nucleares se reúnem, informou o governo do Irã no X neste sábado (11).

As negociações continuam “finalizando os detalhes técnicos”, acrescentou o post.

A delegação do Irã é composta por 71 pessoas, incluindo negociadores, especialistas, representantes da mídia e de segurança, informou a agência estatal Tasnim, enquanto os EUA também trouxeram um “conjunto completo de especialistas em áreas relevantes“, disse um alto funcionário da Casa Branca. “Especialistas adicionais” estão oferecendo apoio a partir de Washington, acrescentou o oficial.

“Cara a Cara”

As conversas de paz de deste sábado (11) entre os EUA e o Irã estão acontecendo “cara a cara”, disseram fontes iranianas à CNN.

Anteriormente, a CNN informou que as negociações em Islamabad estavam em andamento, sem saber ao certo se elas seriam conduzidas através de intermediários ou não.

Um funcionário dos EUA e uma fonte regional disseram à CNN na sexta-feira (10) que as negociações de alto risco seriam indiretas e diretas.

Essas serão as conversas de mais alto nível entre EUA e Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 e as primeiras negociações oficiais presenciais entre os dois lados desde 2015, quando chegaram a um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Há um clima de tensão e incerteza para as negociações. Isso porque o Irã insiste que Israel deve parar com os ataques no Líbano, pontuando que isso faz parte do acordo para suspensão dos combates. Além disso, o principal negociador iraniano destacou que há “boa vontade” de Teerã, mas que não confia nos EUA.

Já Israel e os Estados Unidos afirmam que o conflito no Líbano não faz parte do acordo. As forças israelenses fizeram os maiores ataques ao país vizinho desde o início da guerra nesta semana, matando mais de 350 pessoas.

Autoridades dos EUA e do Irã se encontram para negociações de paz em clima de desconfiança mútua

Vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance/Foto por JACQUELYN MARTIN / POOL / AFP

Irã e Estados Unidos se encontram neste sábado (11), no Paquistão, para negociações de paz às quais ambas as partes chegam com desconfiança e com posições ainda distantes sobre como pôr fim a seis semanas de conflito.

O vice-presidente americano, JD Vance, encontra-se em Islamabad à frente de uma delegação que inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

A primeira delegação a chegar ao Paquistão foi a iraniana, com mais de 70 pessoas e chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador, recebeu tanto a delegação iraniana como o vice-presidente Vance e manifestou a sua intenção de acompanhar as duas partes para “avançar rumo a uma paz sustentável na região”.

Apesar da trégua anunciada na terça-feira, a desconfiança é mútua após seis semanas de confronto em que os Estados Unidos e Israel bombardearam centenas de alvos no Irã e mataram, entre outros, o seu líder supremo, Ali Khamenei, ao mesmo tempo que Teerã atacou em represália Israel e as monarquias árabes do Golfo.

Temos boas intenções, mas não confiamos“, declarou Ghalibaf, citado pela televisão iraniana em sua chegada à capital do Paquistão. “Nossa experiência em negociar com os americanos sempre enfrentou fracassos e promessas não cumpridas”, afirmou.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que também faz parte da delegação, disse ao seu homólogo alemão, em um telefonema neste sábado, que “o Irã entra nas negociações com total desconfiança devido às repetidas violações de compromissos e traições por parte dos Estados Unidos”, informou a agência Tasnim.

O vice-presidente JD Vance também se mostrou desconfiado antes de partir de Washington. “Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, nós, certamente, estaremos dispostos a estender a mão”, afirmou Vance.

Se tentarem brincar conosco, verão que a equipe de negociação não será tão receptiva“, acrescentou Vance antes da sua partida.

“Nada de arma nuclear”

O Irã exige que a trégua anunciada na terça-feira com os Estados Unidos seja estendida ao Líbano, onde seu movimento aliado, o Hezbollah, trava uma nova guerra com Israel. Também pede o descongelamento de seus bens, mas nenhuma de suas reivindicações se concretizou.

Trump exige a reabertura total do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio mundial de petróleo, praticamente bloqueada pelo Irã em represália aos ataques israelenses-americanos iniciados em 28 de fevereiro.

Segundo Trump, o Irã também está interessado em reabrir essa rota marítima, por onde passa um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, porque, caso contrário, “não tem receita”. “Vamos reabri-lo muito em breve“, insistiu.

Mas sua prioridade em Islamabad é garantir que a República Islâmica do Irã nunca tenha uma arma nuclear. Teerã nega que esse seja seu objetivo e insiste em que suas ambições nucleares são puramente civis. “Nada de arma nuclear. Isso é 99%” da negociação, afirmou Trump.

Foi anunciado um cessar-fogo temporário, mas agora vem uma etapa ainda mais difícil: alcançar um cessar-fogo duradouro, resolver questões complicadas por meio de negociações“, havia declarado anteriormente o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

Frente libanesa

Entretanto, Israel continuou na sexta-feira seus bombardeios no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apesar da exigência de Teerã de que os interrompa imediatamente.

Israel insiste que o cessar-fogo não abrange o Líbano. O embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, disse que seu país conversará com o governo libanês em Washington, mas que não discutirá uma trégua com o Hezbollah.

Israel lançou ataques intensos e uma incursão terrestre no Líbano depois que, em 2 de março, o Hezbollah se somou ao conflito disparando projéteis contra Israel.

A Presidência libanesa confirmou que o diálogo com Israel será realizado na terça-feira em Washington, depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu luz verde às “negociações diretas“.

O Hezbollah rejeitou as conversas e pediu ao Líbano que não faça “concessões gratuitas a Israel”. Um deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, reafirmou neste sábado a rejeição do movimento a qualquer negociação direta entre o Líbano e Israel.

Essas negociações representam “uma violação flagrante” da Constituição e “agravam as divisões internas em um momento em que o Líbano precisa mais do que nunca de solidariedade e unidade interna para enfrentar a agressão israelense”, declarou o deputado em um comunicado.

As autoridades libanesas afirmam que as semanas de hostilidades deixaram mais de 1.950 mortos. Só na quarta-feira, 350 pessoas morreram nos ataques israelenses, o primeiro dia da trégua entre os Estados Unidos e o Irã.

Em Islamabad, todas as vias de acesso ao Hotel Serena, local previsto para as negociações, foram fechadas com segurança reforçada, enquanto uma enorme faixa e letreiros digitais ao longo da rua anunciam os “Diálogos de Islamabad”.

Em Teerã, um habitante de 30 anos declarou à AFP que se sente cético em relação às negociações e considerou que quase tudo o que Trump diz é “puro barulho e absurdo“.