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Quênia investiga seita que incentivou jejum para ‘conhecer Jesus’; 47 morreram

Membros da seita teriam feito jejum até morrer. Corpos estavam em vala comum. — Foto: REUTERS/Stringer

Outros 26 corpos foram exumados no leste do Quênia neste domingo (23), elevando para 47 o número de cadáveres encontrados pela polícia em três dias, em uma investigação sobre a morte de seguidores de uma seita religiosa, informou a polícia à AFP.

“Hoje [domingo], exumamos 26 corpos, o que eleva o número total para 47”, declarou Charles Kamau, chefe de investigações criminais do subcomitê de Malindi (leste do País), que acrescentou que as buscas continuam.

Na semana passada, as autoridades encontraram os corpos de quatro adeptos da Igreja Internacional da Boa Nova (Good News International Church, em inglês), dirigida por Makenzie Nthenge, que teria incentivado seus seguidores a jejuar para “conhecer Jesus”.

Os investigadores chegaram à região após uma denúncia que apontava a existência de uma possível vala comum. Contudo, muitos adeptos da seita ainda estão escondidos em uma área de mata.

Uma mulher foi encontrada neste domingo (23) pelas autoridades com os olhos esbugalhados e recusando-se a ingerir alimentos, antes de ser transferida em uma ambulância.

Outros 11 fiéis, sete homens e quatro mulheres de entre 17 e 49 anos, foram hospitalizados na semana passada após receberem ajuda na região de mata conhecida como Shakahola.

O líder da seita, Makenzie Nthenge, compareceu à polícia em 15 de abril, antes de ser detido.

Uma fonte policial afirmou que Nthenge iniciou uma greve de fome e que “está orando e jejuando” enquanto permanece preso. Segundo a imprensa local, seis seguidores de Makenzie Nthenge também foram detidos.

Em um relatório, a polícia indicou que recebeu informações sobre várias pessoas “mortas de fome com o pretexto de conhecer Jesus depois que um suspeito, Makenzie Nthenge, pastor da Igreja Internacional da Boa Nova, fez nelas uma lavagem cerebral”.

De acordo com a mídia local, Makenzie Nthenge tinha sido detido e indiciado no mês passado depois que duas crianças morreram de fome enquanto estavam sendo cuidadas por seus pais. No entanto, ele pagou uma fiança de 100.000 xelins quenianos (cerca de R$ 3,7 mil) e foi liberado.

Ucranianos protestam contra Lula em frente à embaixada brasileira em Lisboa

Ucranianos protestam contra Lula em frente à embaixada brasileira em Lisboa

Agitando bandeiras e segurando fotografias do conflito, ucranianos se reuniram em frente à embaixada brasileira em Lisboa, nesta sexta-feira (21), para protestar contra comentários recentes sobre a guerra na Ucrânia feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula, que faz visita oficial de cinco dias em Portugal, causou polêmica nos EUA e na Europa, por sugerir que tanto a Ucrânia quanto a Rússia eram os culpados pelo conflito, que começou quando Moscou invadiu seu vizinho em fevereiro de 2022.

O presidente brasileiro disse no fim de semana passado que os Estados Unidos e os aliados europeus deveriam parar de fornecer armas à Ucrânia, dizendo que estavam prolongando a guerra.

Nos últimos dias, ele abrandou sua retórica, condenando a violação da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que pediu uma mediação para acabar com a guerra, em uma iniciativa de paz. O governo ucraniano criticou a atitude, por tratar “a vítima e o agressor” da mesma forma.

A refugiada ucraniana Yana Kolomiiets, que está em Portugal há quatro meses, participou do protesto em Lisboa, e disse ter se sentido “terrível” ao ouvir os comentários de Lula.

Isso me deixou tão chateado porque não sei como o presidente do Brasil pode apoiar Putin… esse assassino”, disse a jovem de 27 anos.

Duas autoridades brasileiras disseram à Reuters na quinta-feira (21) que Lula deve evitar críticas ao papel ocidental na Guerra da Ucrânia durante sua visita a Portugal. Ele se encontrará com o presidente e o primeiro-ministro português no sábado (22).

Do lado de fora da embaixada, os manifestantes seguravam cartazes dizendo: “A Rússia é um estado terrorista” e “Pare de matar nossos filhos”.

“Morrem pessoas todos os dias na Ucrânia e precisamos de apoio internacional”, disse o presidente da Associação Ucraniana de Portugal, Pavlo Sadokha.

A associação de Sadokha entregou uma carta à embaixada brasileira para expressar seu descontentamento. O documento foi entregue ao embaixador do Brasil, Raimundo Carreiro, e ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Marcio Macedo.

“O Brasil e o presidente Lula têm vocação para a paz e o presidente vai trabalhar para unir outros países para buscar uma alternativa para acabar com esse conflito”, disse Macedo após receber a carta.

Na terça-feira (18), a Ucrânia convidou Lula para uma visita, um dia depois do presidente se encontrar com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Brasília.

Questionado se o presidente visitaria a Ucrânia, Macedo disse que o assessor de política externa de Lula, Celso Amorim, iria. Ainda não há uma data certa para isso ocorrer.

Suprema Corte dos Estados Unidos mantém acesso a pílulas abortivas

Caixas de mifrepristona, uma pílula abortiva usada em mais da metade dos abortos nos Estados Unidos.  — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters

A Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou, nesta sexta-feira (21), novas restrições impostas por tribunais a uma pílula abortiva amplamente utilizada, dando uma vitória ao presidente Joe Biden, defensor do amplo acesso ao medicamento na mais recente e feroz batalha legal pelos direitos reprodutivos no país.

Os juízes, em uma breve ordem, concederam pedidos de emergência do Departamento de Justiça e do fabricante da pílula, Danco Laboratories, para suspender uma liminar de 7 de abril emitida por um juiz distrital do Texas, Matthew Kacsmaryk.

O FDA, a agência dos EUA que garante a segurança de produtos alimentícios, medicamentos e dispositivos médicos, aprovou a mifepristona em 2000. O caso atual pode minar a autoridade reguladora federal sobre a segurança de medicamentos.

O governo de Biden está tentando defender a mifepristona diante das crescentes proibições e restrições ao aborto decretadas pelos estados liderados pelos republicanos desde que a Suprema Corte, em junho de 2022, anulou a histórica decisão Roe v. Wade de 1973 que legalizou o procedimento em todo o país. Samuel Alito foi o autor dessa decisão.

A Suprema Corte enfrentou um prazo auto-imposto para agir até 23h59 de sábado, antes que as restrições de acesso entrassem em vigor.

A mifepristona é tomada com outro medicamento chamado misoprostol para realizar o aborto medicamentoso, que representa mais da metade de todos os abortos nos EUA. A droga também tem outros usos, como o controle de abortos espontâneos.

Grupos antiaborto liderados pela recém-formada Alliance for Hippocratic Medicine e quatro médicos antiaborto processaram o FDA em novembro. Eles alegam que a agência usou um processo ilegal para aprovar a droga, que eles consideram perigosa.

O FDA considerou a mifepristona segura e eficaz, conforme demonstrado ao longo de décadas de uso por milhões de americanos, acrescentando que os efeitos adversos são extremamente raros.

Ex-ativista legal cristão, Kacsmaryk tinha um longo histórico de oposição ao aborto antes que o Senado dos EUA o confirmasse em 2019 para um cargo vitalício como juiz federal.

Desde a decisão da Suprema Corte do ano passado, 12 estados dos EUA estabeleceram proibições definitivas, enquanto muitos outros proíbem o aborto após um certo período de gravidez. A última ação liderada pelos republicanos ocorreu na Flórida, onde o governador Ron DeSantis assinou em 13 de abril uma nova lei que proíbe a maioria dos abortos após seis semanas de gravidez.

Vice-primeiro-ministro do Reino Unido renuncia após acusação de assédio moral

Homem branco de terno e gravata é visto deixando uma casa

O vice-premiê britânico Dominic Raab renunciou ao cargo nesta sexta (21), após o fim de uma apuração sobre denúncias de assédio moral, no mais recente escândalo na gestão do primeiro-ministro Rishi Sunak.

A queda do terceiro ministro em seis meses afeta os esforços para renovar o Partido Conservador –além de representar um constrangimento, já que Raab chegou a Downing Street sob promessas de integridade.

Oliver Dowden, ex-secretário de Cultura, Mídia e Esporte e parte do gabinete de Sunak, será o substituto, e o parlamentar Alex Chalk foi escolhido como ministro da Justiça, posto que Raab também ocupava.

Raab renunciou por meio de uma carta ao premiê antes de a decisão se tornar pública. “Solicitei o inquérito e me comprometi a renunciar caso fosse encontrado qualquer indício de intimidação”, escreveu.

Funcionários do governo fizeram oito denúncias formais sobre o comportamento do agora ex-vice-premiê quando ele ocupou os postos de ministro das Relações Exteriores, ministro do brexit e ministro da Justiça.

Foguete Starship da SpaceX explode após lançamento

Lançamento da Starchip da SpaceX — Foto: Go Nakamura/Reuters

O superfoguete Starship, da SpaceX , explodiu após o lançamento nesta quinta-feira (20), minutos depois de sair da base em Boca Chica, no estado americano do Texas. Não havia tripulação neste voo de teste.

O lançamento ocorreu às 10h33 (horário de Brasília), mas a nave mais poderosa da história não conseguiu atingir a órbita terrestre.

O propulsor (Super Heavy) estava programado para se separar da cápsula da Starship, mas isso não ocorreu. A missão terminou com o veículo explodindo no céu após três minutos da decolagem. Desde o início da operação, a empresa não esperava reutilizar o foguete.

O voo teria duração de 1h30 se o teste tivesse sido bem-sucedido. Nesse cenário, a Starship continuaria sua subida, completando uma volta quase completa em torno da Terra antes de cair no Oceano Pacífico.

O bilionário Elon Musk e os funcionários da SpaceX comemoraram por atingir o objetivo principal que seria tirar a espaçonave do solo, segundo a agência Reuters.

“Aprendi muito para o próximo lançamento de teste em alguns meses”, disse Musk.

A companhia afirmou nas redes sociais que as equipes continuarão os trabalhos de revisão, mas não disse as causas do incidente.

78 pessoas morrem em tumulto durante evento de caridade no Iêmen

Local onde acontecia o evento após o tumulto em Sanaa, Iêmen, quarta-feira, 19 de abril de 2023. — Foto: ANSAR ALLAH HOUTHI MEDIA OFFICE via AP

Pelo menos 78 pessoas morreram em um tumulto na capital do Iêmen, Sanaa, na manhã de quinta-feira (20), horário local. O Al Masirah TV, canal de notícias da televisão local, disse que várias outras pessoas ficaram feridas, incluindo 13 em situação crítica.

O porta-voz do Ministério do Interior disse em comunicado que a confusão ocorreu durante a distribuição de doações por comerciantes locais para celebrar o Ramadã. Centenas de pessoas estavam reunidas em uma escola para receber a ajuda, cerca de 5.000 riais iemenitas (R$ 45) por pessoa.

Segundo testemunhas, homens armados atiraram para o ar para tentar controlar a multidão e parecem ter acertado a fiação elétrica do local, causando uma explosão. Isso provocou pânico e as pessoas, incluindo muitas mulheres e crianças, começaram a correr.

Os dois comerciantes responsáveis pela organização do evento foram detidos e uma investigação está em andamento.

Guerra civil
Nos últimos 8 anos, o Iêmen é cenário de uma guerra civil que destruiu a economia, levou milhões à fome e já causou mais de 150 mil mortes.

O conflito começou em 2014, quando os houthis, apoiados pelo Irã, derrubaram o governo da capital. No ano seguinte, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio no país — desde então, a disputa é considerada uma guerra por procuração entre sauditas e iranianos.

Mais de 21 milhões de pessoas, ou dois terços da população, precisam de ajuda e proteção, de acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. Entre os necessitados, mais de 17 milhões são considerados particularmente vulneráveis.

Nas últimas semanas, contudo, as negociações de paz têm avançado na região.

Grupo paramilitar do Sudão diz que vai aderir a cessar-fogo

Um incêndio é visto perto de um hospital em Cartum, Sudão, no domingo, 16 de abril de 2023. — Foto: Planet Labs PBC via AP

A Força de Apoio Rápido do Sudão – o grupo paramilitar que desde sábado enfrenta o Exército pelo controle do país – anunciou nesta quarta-feira (19) que vai aderir ao cessar-fogo anunciado pelo governo do país.

A pausa nos conflitos – que tomaram a capital, Cartum, e já mataram mais de 200 – será de 24 horas a partir das 18h no horário local (13h no horário de Brasília).

Os confrontos no Sudão, que chamaram a atenção do mundo este fim de semana, começaram após uma ruptura entre o Exército e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) – em outubro de 2021, os dois grupos se juntaram para dar um golpe que tirou os civis do poder, mas agora romperam e brigam pelo controle do país.

Nós confirmamos nosso comprometimento com um cessar-fogo completo, e esperamos que a outra parte também se comprometa com o horário anunciado”, disse a FAR em um comunicado.

Na terça, o general do Exército Shams El Din Kabbashi disse também se comprometer com a pausa nos conflitos.

Apesar de o Sudão ter um histórico de conflitos internos, a capital Cartum sempre foi poupada e vivia uma relativa paz. Desta vez, no entanto, Cartum é o centro dos enfrentamentos.

Nesta terça, o número de mortos no conflito passou de 200, segundo o chefe da missão da ONU no país, Volker Perthes. Outras 1.800 pessoas ficaram feridas.

Pelo menos dois hospitais da capital tiveram de ser esvaziados após serem atingidos por foguetes e balas. Médicos alegam ter ficado sem bolsas de sangue e material para cuidar dos feridos.

Desde sábado, a capital do país, Cartum, de onde sobem colunas de fumaça, está envolta por um cheiro de pólvora. Seus habitantes estão entrincheirados em suas casas, a maioria sem água encanada ou eletricidade.

Associações do Brasil, França e Alemanha vão recorrer da decisão que inocentou Air France e Airbus

Homem protesta no julgamento do voo 447 em Paris: 'Justiça francesa, 13 anos, tarde demais'

O presidente da Associação dos Familiares de Vítimas do Voo 447, Nelson Faria Marinho, informou que vai recorrer da decisão que absolveu a companhia área Air France e a fabricante Airbus, envolvidas na tragédia com o voo 447. Nesta segunda-feira, a Justiça francesa divulgou a sentença que inocentou as empresas da acusação de homicídio culposo no acidente que matou 228 pessoas em 2009.

“As associações de familiares das vítimas do Brasil, da França e da Alemanha vão entrar com recurso em uma ação conjunta. Essa decisão foi vergonhosa. Está todo mundo indignado. Temos esperança de reverter a sentença. Esse avião tem defeito de fabricação e faltou manutenção adequada” revela Nelson, que é pai de uma das vítimas do acidente aéreo.

Em entrevista ao Globo, o advogado que representa parte dos membros da Associação Brasileira dos Familiares de Vítimas do Voo 447, Steven C. Marcs, informou que é, sim, possível recorrer da decisão da Justiça francesa em instâncias superiores.

“Existe a possibilidade de uma nova revisão no Tribunal de Apelação e, em seguida, na Corte de Cassação, o mais alto tribunal da França. No entanto, é improvável que isso influa nas conclusões dos tribunais de primeira instância, uma vez que as provas obtidas até o momento não sustentam uma conclusão (pela culpabilidade das empresas)” informou Steven.

Ao longo do processo foram ouvidos peritos, pilotos, policiais, autoridades de controle aéreo e familiares das vítimas. O tribunal considerou que, apesar de cometerem “falhas”, era “impossível demonstrar” sua culpabilidade. As duas empresas enfrentaram a acusação de homicídio culposo.

Entenda a decisão:
A Justiça francesa absolveu a Air France e a Airbus pelo acidente com o voo 447, ocorrido em 2009.

O caso foi arquivado pelos juízes de instrução em 2019, no entanto, as famílias das vítimas e os sindicatos de pilotos apresentaram recurso.

Em maio de 2021, a justiça determinou o julgamento das duas empresas por homicídios culposos, quando não há intenção de matar, no qual enfrentavam agora.

O acidente, que aconteceu há 14 anos, deixou 228 mortos.

Este é o caso com maior número de mortos da história das companhias aéreas francesas.

O tribunal considerou que, apesar de cometerem “falhas”, não se “pôde demostrar (…) nenhuma relação de causalidade segura” com o acidente.

Para o tribunal, a Airbus cometeu “quatro imprudências ou negligências” por não ter mandado substituir os modelos das sondas Pitot ditas “AA” e pelo fato de ter evidências de “retenção de informações” das empresas.

Ainda segundo o tribunal, a Air France cometeu “imprudência culposa”, relacionada com os métodos de distribuição de uma nota informativa dirigida aos seus pilotos sobre a falha das sondas.

Mesmo com estes pontos, o tribunal entendeu que, na área penal, “um provável nexo de causalidade não é suficiente para caracterizar um crime. Neste caso, quanto às faltas, não pôde ser demonstrado certo nexo de causalidade com o acidente”.

O processo ocorreu de 10 de outubro a 8 de dezembro do ano passado.

Foram ouvidos peritos, pilotos, policiais, autoridades de controle aéreo e familiares das vítimas.

Durante o processo, procurou-se entender as reações da tripulação na cabine de pilotagem, bem como os perigos decorrentes de falhas da sonda.

Houve o congelamento das sondas de velocidade no momento em que o avião sobrevoava o Oceano Atlântico.

Após o acidente, o modelo da sonda foi substituído em todo o mundo.

Ao longo do julgamento, os representantes da Airbus e da Air France defenderam que as empresas não cometeram nenhum crime.

Ao final do processo, ambas as companhias foram absolvidas, ao considerar que era “impossível demonstrar” sua culpabilidade.

Índia passará China e se tornará nação mais populosa do mundo no meio do ano, diz ONU

Índia deve ultrapassar a China como país mais populoso em 2023, diz  relatório da ONU

A Índia ultrapassará a China em número de população e se tornará o país mais populoso do mundo na metade este ano, afirmou na quarta-feira (19) a Organização das Nações Unidas.

Será a primeira vez que a população chinesa será ultrapassada por algum outro país.

Com base em estimativas populacionais, o Fundo de População da ONU estimou que, no meio de 2023, a Índia terá 1,4286 bilhão de pessoas, contra 1,4257 bilhão na China – uma diferença de cerca de 3 milhões de pessoas. Juntos, os dois países respondem por mais de um terço da população mundial – de 8 bilhões de pessoas.

Já o terceiro lugar seguirá ocupado pelos Estados Unidos, com população estimada em 340 milhões de pessoas – uma diferença bem maior que os dois primeiros colocados.

As informações estão no “Relatório do Estado da População Mundial”, divulgado pela agência das Nações Unidas nesta quarta.

População em queda
Embora China e Índia ainda sejam de longe os mais populosos do mundo, o crescimento populacional em ambos os países está diminuindo, segundo mostra o relatório da ONU. Na China, esse movimento é ainda mais acelerado.

No ano passado, a população da China caiu pela primeira vez em seis décadas, o que indica a tendência de um longo período de declínio no número de cidadãos.

Já o crescimento populacional anual da Índia tem uma média de 1,2% desde 2011, abaixo dos 1,7% da década anterior, mostram dados do governo.

O relatório mostra ainda que a percepção em países como a Índia, a China e o Brasil é que a população de seus países vem crescendo de forma muito rápida. Mas o diretor da agência da ONU de população na Índia, Andrea Wojnar, disse que trata-se de uma sensação equivocada.

“Os números da população não devem provocar ansiedade ou alarme. Em vez disso, devem ser vistos como um símbolo de progresso, desenvolvimento e aspirações se os direitos e escolhas individuais estiverem sendo respeitados”, declarou.

No caso da Índia, o governo precisa garantir a liberdade de grupos como as mulheres, que ainda casam à força no país, afirma o gerente do grupo voluntário Population Foundation of India, Poonam Muttreja.

“Precisamos garantir que meninas e mulheres não sejam forçadas a se casar e engravidar precocemente, o que limita suas aspirações”, disse ela em um comunicado.

Bebê ‘invade’ Casa Branca e é contido por serviço secreto

Menino que passou por grande de ferro e 'invadiu' Casa Branca é levado para fora do local por agentes do serviço secreto dos EUA, em 18 de abril de 2023. — Foto: Nancy Benac/ AP

Um bebê ganhou na terça-feira (18) o título de um dos menores intrusos da Casa Branca após conseguir se espremer pela cerca de metal e invadir o lado norte da residência oficial do presidente dos Estados Unidos.

O menino teve de ser “resgatado” por homens do serviço secreto norte-americano. Durante a “operação”, o acesso ao complexo da Casa Branca chegou a ser brevemente restrito.

O porta-voz do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi, disse que os policiais “encontraram um jovem visitante curioso ao longo da cerca norte da Casa Branca, que entrou brevemente nos terrenos da Casa Branca”.

Oficiais da Divisão Uniformizada do Serviço Secreto dos EUA, responsáveis ​​pela segurança na Casa Branca, correram para recuperar o menino e devolvê-lo a seus pais, que estavam do lado de fora. Eles foram brevemente interrogados por policiais no próprio local e liberados em seguida.

Segundo Guglielmi, alarmes foram ativados quando o menino entrou no terreno presidencial.

“Os sistemas de segurança da Casa Branca acionaram instantaneamente os agentes do Serviço Secreto, e a criança e os pais se reuniram rapidamente”, disse ele em um comunicado.

Esta pode ser a primeira intrusão bem-sucedida no complexo desde que a cerca da Casa Branca dobrou de altura, para cerca de 3,96 metros, após uma série de violações de segurança nos últimos anos.

Embora mais alta, a nova cerca tem uma polegada adicional de espaço entre as estacas, de cerca de 12,7 centímetros) entre os postes – o menino entrou por esse vão.

As crianças mais velhas às vezes ficam presas na barreira, que também já serviu para que manifestantes se acorrentassem a ela.

Ex-vendedor de cachorro-quente, amigo de Putin, procurado pelo FBI e conhecido pela crueldade

Cartaz do FBI sobre Yevgeny Prigozhin — Foto: Reprodução/FBI

Oligarca russo; ex-vendedor de cachorro-quente; próximo de Vladimir Putin; chefe de um grupo mercenário conhecido por sua crueldade e táticas brutais no campo de batalha; e procurado pelo FBI. Este é Yevgeny Prigozhin, 61 anos, careca, branco e de olhos castanhos, segundo a descrição da ficha de procurados da polícia investigativa dos EUA. A recompensa para quem tiver informações concretas sobre ele? 250 mil dólares.

Prigozhin, dono do Grupo Wagner, surpreendeu o mundo na última sexta-feira (14) ao defender o fim da invasão russa na Ucrânia, no que é considerada a primeira proposta pública do tipo feita por alguém próximo do de Putin.

“Para as autoridades [russas] e a sociedade em geral, é necessário pôr um ponto final na operação militar especial”, escreveu Prigozhin num artigo divulgado no Telegram, em referência ao modo como a Rússia chama a guerra na Ucrânia. O ideal, nas suas palavras, seria “anunciar que a Rússia alcançou os resultados que buscava e, de certa forma, nós conseguimos”.

Grupo Wagner
O Grupo Wagner é uma empresa paramilitar contratada pelo Kremlin que está atuando ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia. Atualmente, os mercenários estão focados, principalmente, no combate por Bakhmut, no leste do país, e reivindicam o controle da maior parte da cidade, embora as forças ucranianas contestem o avanço do grupo.

O grupo foi fundado em 2014 e uma de suas primeiras missões conhecidas foi na península ucraniana da Crimeia, naquele mesmo ano, quando mercenários ajudaram forças separatistas apoiadas pela Rússia a tomar a região.

O grupo também é notório por sua crueldade e táticas brutais no campo de batalha. Também demonstrou violência em vídeos de supostas execuções de mercenários desertores. “A morte de um cachorro por um cachorro”, disse Prigozhin ao endossar um vídeo que mostra um desertor que aparentemente havia sido devolvido pelos ucranianos em uma troca de prisioneiros, sendo assassinado de forma cruel, em novembro do ano passado.

Segundo a BBC, Prigozhin é figura controversa e teve uma ascensão surpreendente no establishment russo. A reportagem da BBC também descreve Prigozhin como um profundo conhecedor das prisões da Rússia, onde recrutou criminosos para o grupo Wagner, não importando quão graves fossem os crimes dos condenados.

FBI

Segundo o site do FBI, Prigozhin é procurado por seu envolvimento em uma conspiração para fraudar as eleições presidenciais de 2016 nos EUA. Ele foi o principal financiador da Internet Research Agency (IRA), com sede em São Petersburgo. Ele supervisionou e aprovou operações de interferência política e eleitoral nos Estados Unidos, incluindo a compra de espaço de servidor de computador americano; a criação de centenas de perfis falsos e o uso de identidades roubadas de americanos.

Em novembro do ano passado, Prigozhin admitiu a intervenção e disse que continuaria fazendo isso no futuro. “Interferimos, estamos interferindo e continuaremos interferindo. Com cuidado, precisão, cirurgicamente e à nossa maneira, como sabemos fazer. Durante nossas operações pontuais, removeremos os rins e o fígado de uma só vez”, disse.

Pelo menos 13 pessoas morrem de insolação na Índia após cerimônia de premiação do governo

Mais de 1 milhão de pessoas compareceram à cerimônia de premiação do estado no domingo, onde ocorreram as mortes.

Pelo menos 13 pessoas morreram de insolação no estado de Maharashtra, no oeste da Índia, depois de participarem de uma cerimônia de premiação estadual no domingo (16), na qual um alto funcionário do governo estava presente, confirmaram policiais.

Em Navi Mumbai, cidade onde decorreu a cerimónia, entre 50 a 60 pessoas foram hospitalizadas, segundo um responsável da polícia municipal, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a falar com a comunicação social.

Acredita-se que o número total de pessoas afetadas pelas altas temperaturas no evento seja muito maior, pois muitos podem ter procurado atendimento médico em seu distrito local.

O oficial da polícia disse à CNN nesta terça-feira (18) que mais de 1 milhão de pessoas compareceram à cerimônia do Maharashtra Bhushan, um prêmio civil concedido pelo governo do estado.

O governo do estado fornecerá 500 mil rúpias (cerca de R$ 30.290) em compensação às famílias dos falecidos e cobrirá as despesas médicas daqueles em tratamento, de acordo com um comunicado do gabinete do ministro-chefe de Maharashtra, Eknath Shinde, divulgado no domingo.

No comunicado, Shinde descreveu as mortes após a cerimônia como “muito dolorosas e infelizes”. Durante o evento, o convidado de honra, o Ministro do Interior Amit Shah, elogiou a multidão por enfrentar as temperaturas de 42°C para participar da cerimônia ao ar livre.

As temperaturas no estado devem permanecer altas esta semana, de acordo com o Departamento de Meteorologia da Índia, embora o departamento não tenha emitido um alerta de onda de calor para Maharashtra na segunda-feira (17).

As ondas de calor na Índia geralmente ocorrem entre março e julho, mas nos últimos anos essas ondas de calor se tornaram mais intensas, mais frequentes e mais longas.

No ano passado, a Índia experimentou uma onda de calor escaldante, onde partes do país atingiram mais de 49°C. Em julho, a Índia registrou 24 mortes por ondas de calor, informou a Reuters, citando dados fornecidos pelo ministro de ciência e tecnologia e ciências da terra da Índia, Jitendra Singh.

EUA alertam Rússia para se afastar de tecnologia americana em usina ucraniana

Rosatom administra Zaporizhzhia, embora a usina ainda seja fisicamente operada por funcionários ucranianos

Os EUA têm tecnologia nuclear sensível em uma usina nuclear dentro da Ucrânia e estão alertando a Rússia para não tocá-la, de acordo com uma carta que o Departamento de Energia dos EUA enviou à empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom no mês passado.

Na carta, que foi revisada pela CNN e datada de 17 de março de 2023, a diretora do Escritório de Política de Não-Proliferação do Departamento de Energia, Andrea Ferkile, disse ao diretor-geral da Rosatom que a Usina Nuclear de Zaporizhzhia em Enerhodar, Ucrânia “contém dados técnicos nucleares cuja exportação é controlada pelo governo dos Estados Unidos”.

Bens, software e tecnologia estão sujeitos aos controles de exportação dos EUA quando é possível que sejam usados de forma a prejudicar os interesses de segurança nacional dos EUA.

A carta do Departamento de Energia chega enquanto as forças russas continuam a controlar Zaporizhzhia, que é a maior usina nuclear da Europa e fica em uma parte da região que a Rússia ocupou após a invasão da Ucrânia em fevereiro passado.

A usina foi frequentemente desconectada da rede elétrica da Ucrânia devido ao intenso bombardeio russo na área, aumentando o medo de um acidente nuclear em toda a Europa.

Embora a fábrica ainda seja fisicamente operada por funcionários ucranianos, a Rosatom a administra. O Departamento de Energia alertou a agência na carta que é “ilegal” para qualquer cidadão ou entidade russa lidar com a tecnologia dos EUA.

A CNN entrou em contato com a Rosatom para comentar.

“É ilegal sob a lei dos Estados Unidos que pessoas não autorizadas, incluindo, mas não se limitando a, cidadãos russos e entidades russas”, diz a carta, “como a Rosatom e suas subsidiárias, acessem, possuam, controlem, exportar, armazenar, apreender, revisar, reexportar, enviar, transferir, copiar, manipular tal tecnologia ou dados técnicos, ou dirigir ou autorizar outros a fazer o mesmo, sem que tais entidades russas se tornem destinatários autorizados pelo Secretário do Departamento dos EUA de energia.”

Não está claro se a Rosatom respondeu à carta. A Administração Nacional de Segurança Nuclear do Departamento de Energia disse à CNN em um comunicado que a carta é autêntica.

Rússia diz que plano do Brasil para mediar guerra merece atenção

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira (d), recebe o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (e), para encontro no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF), na manhã desta segunda-feira, 17 de abril de 2023. Lavrov participará de reuniões no mais alto nível político, as primeiras desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro do ano passado. — Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

A Rússia disse nesta terça-feira (18) que a proposta do Brasil para mediar a guerra na Ucrânia “merece atenção”.

No domingo (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um “G20 para a paz”, um grupo de países para mediar o conflito.

“Qualquer ideia que leve em conta os interesses da Rússia merece atenção e certamente precisa ser ouvida”, declarou nesta terça o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao ser questionado sobre a sugestão de Lula.

A proposta de Lula irritou o governo da Ucrânia, que, também nesta terça-feira, convidou o presidente brasileiro a visitar Kiev para que “compreenda a realidade da agressão russa”.

O porta-voz da diplomacia ucraniana, Oleg Nikolenko, criticou o presidente brasileiro por colocar “a vítima e o agressor no mesmo nível” e por atacar os aliados da Ucrânia que a ajudam a “proteger-se de uma agressão assassina”.

Lula recebeu na segunda-feira (17) em Brasília o chanceler russo, Sergei Lavrov, para promover uma mediação internacional na guerra da Ucrânia. No domingo, ele também afirmou que o Ocidente está contribuindo para a continuidade do conflito, o que gerou fortes críticas por parte dos Estados Unidos e de países europeus.

Washington acusou o Brasil de estar “papagueando a propaganda russa e chinesa sem observar os fatos em absoluto”.

Para Casa Branca, Brasil ‘papagueia propaganda russa e chinesa’ sobre a Ucrânia

John Kirby durante entrevista coletiva na Casa Branca em 17 de abril de 2023 — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

A Casa Branca criticou duramente o Brasil, nesta segunda-feira (17), depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante viagem à China, que os Estados Unidos estão encorajando a guerra na Ucrânia.

“Neste caso, o Brasil está papagueando a propaganda russa e chinesa sem observar os fatos em absoluto”, disse a jornalistas o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kirby.

Kirby afirmou que uma das falas de Lula, que disse domingo, que os EUA e a Europa prolongam a guerra, é “profundamente problemática”.

Washington não tem “nenhuma objeção a qualquer país que queira tentar pôr fim à guerra”, respondeu Kirby.

“Obviamente queremos que a guerra acabe”, disse Kirby. “Isso poderia acontecer agora, hoje, se o senhor (presidente russo Vladimir) Putin parasse de atacar a Ucrânia e retirasse suas tropas.”

Últimas declarações de Lula
O presidente Lula (PT) deu a declaração de que os EUA e a Europa prolongam a guerra na Ucrânia em Abu Dhabi. Ele também defendeu a criação de uma espécie de “G20 pela paz”.

“A paz está muito difícil. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não toma iniciativa de paz, o [presidente da Ucrânia], Volodymyr Zelensky, não toma iniciativa de paz. A Europa e os EUA terminam dando a contribuição para a continuidade desta guerra”, afirmou Lula, durante uma coletiva de imprensa no fim de sua viagem aos Emirados Árabes Unidos.

O presidente também voltou a acusar a Ucrânia, que foi atacada e invadida pela Rússia, de ter participação no início do conflito. “A construção da guerra foi mais fácil do que será a saída da guerra, porque a decisão da guerra foi tomada por dois países”, disse Lula.