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Austrália anuncia novas regras para coibir uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes

Diferentes modelos de vape são expostos em vitrine de Melbourne, na Austrália — Foto: Sandra Sanders/REUTERS

A Austrália disse nesta terça-feira (2) que vai por em práticas novas regras para coibir o uso recreativo de vapes e estreitar as leis sobre cigarros eletrônicos nessa que é a maior repressão à indústria do tabaco em mais de uma década.

O governo justifica que a medida é para tentar impedir um aumento alarmante do uso de vapes entre adolescentes.

O governo pretende proibir todos os vapes descartáveis (POD’s), que geralmente vêm em sabores frutados, proibir a importação de vapes sem receita e limitar os níveis de nicotina nos aparelhos, com o objetivo de limitar a venda e ajudar os fumantes a parar.

De acordo com as novas regras, os vapes serão vendidos apenas em farmácias e exigirão embalagens do tipo “farmacêutico”. Vapes descartáveis (POD’s) populares entre os jovens também serão banidos.

“Assim como fizeram com o fumo, a Big Tobacco pegou outro produto viciante, embrulhou-o em uma embalagem brilhante e adicionou sabores para criar uma nova geração de viciados em nicotina”, disse o ministro da Saúde, Mark Butler, em discurso no National Press Club.

Mike Pence, ex-vice de Donald Trump, presta depoimento na Justiça que pode complicar o ex-presidente

Ex-vice-presidente dos EUA, Mike Pence 19/10/2022 — Foto: REUTERS/Leah Millis

O ex-vice-presidente Mike Pence testemunhou na quinta-feira perante um grande júri federal que investiga a campanha do então presidente Donald Trump para anular os resultados da eleição presidencial de 2020, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

A presença de Pence perante um grande júri em Washington DC é um marco na investigação do Departamento de Justiça e provavelmente garante aos promotores um relato importante, em primeira pessoa, sobre conversas e eventos nas semanas anteriores ao ataque do 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o prédio do Congresso dos EUA.

O depoimento de Pence também tem implicações políticas significativas: Pence tem dado sinais de que vai entrar na corrida presidencial de 2024 e concorrer contra Trump, o favorito a vencer as prévias do Partido Republicano.

Trump não queria que Pence prestasse testemunho. O ex-presidente ainda tentou dar uma última cartada para evitar que isso acontecesse: houve um pedido feito a um tribunal federal para impedir o depoimento, mas a Justiça decidiu contra Trump.

Pence foi intimado a testemunhar no início deste ano, mas os advogados de Trump se opuseram, citando questões de privilégio executivo. Em março, um juiz recusou-se a impedir o comparecimento de Pence, embora tenha concordado com as reivindicações constitucionais do ex-vice-presidente de que ele não poderia ser forçado a responder a perguntas sobre qualquer coisa relacionada ao seu papel como presidente da certificação de votos do Senado em 6 de janeiro.

Violência de gangues se espalha no Haiti em ritmo ‘alarmante’, diz ONU

 (Foto: Richard Pierrin / AFP
)

Violência coletiva, menores afetados, atiradores nos telhados: o retrato de “terror” infligido pelas gangues à população haitiana “está se espalhando em um ritmo alarmante”, alertou a ONU nesta quarta-feira (26), pedindo o envio de uma “força internacional” ao país caribenho.

“A violência alarmante nas áreas onde as gangues atacam, como a violência sexual particularmente contra mulheres e meninas, é emblemática do terror que afeta grande parte da população haitiana”, onde metade, 5,2 milhões de pessoas, depende de ajuda humanitária, disse a enviada especial da ONU para o país, María Isabel Salvador, em uma reunião do Conselho de Segurança da entidade.

Os menores são vítimas dos “crimes mais atrozes”, como homicídios, sequestros e estupros. Nos últimos três meses, muitas escolas foram alvo de tiroteios e sequestros de alunos, por isso muitos estudantes não voltaram a frequentar os colégios desde o início das aulas em janeiro.

Em sua primeira semana no Haiti, Salvador – recém-nomeada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como enviada especial para aquele país – “conseguiu” circular por algumas ruas da capital Porto Príncipe.

“Senti a tensão e reconheci o medo que os haitianos vivem todos os dias”, disse, depois de recordar a “necessidade urgente de apoio internacional à polícia local” – com apenas 3.500 efetivos para garantir a segurança de todo o país – para enfrentar “a rápida deterioração da situação de segurança”.

O sentimento geral é de que “será difícil avançar sem abordar a insegurança desenfreada de forma eficaz”, lembrou.

Segundo dados da Polícia Nacional do Haiti e do Escritório Integrado da ONU no país, no primeiro trimestre de 2023 houve 1.647 ocorrências criminais – homicídios, estupros, sequestros e linchamentos -, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

Essa violência se explica em grande parte pela disputa pelo controle dos bairros, onde quase não há ou simplesmente não há presença policial, o que em muitos casos leva os moradores a fazerem justiça com as próprias mãos.

Há dois dias, um grupo de civis tirou 13 supostos membros de gangues da custódia da polícia e os linchou até a morte, depois queimou seus corpos, lembrou a enviada da ONU, que disse estar “profundamente impactada” pela presença de atiradores que “atacam civis indiscriminadamente”.

Em um relatório publicado na segunda-feira, Guterres estimou que a insegurança na capital haitiana alcançou níveis “comparáveis aos dos países em guerra”.

China promove a maior expansão de seu arsenal nuclear na história, dizem analistas

Mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear exibidos na Praça da Paz Celestial em Pequim, em outubro de 2019 — Foto: Greg Baker / AFP

A China está promovendo a maior expansão da história de seu arsenal nuclear, com a modernização de suas armas atômicas ante possíveis conflitos com os Estados Unidos, segundo analistas.

O Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI) calcula que a China tenha cerca de 350 ogivas nucleares. Ainda é um arsenal pequeno em comparação com os dos Estados Unidos e da Rússia.

No entanto, o arsenal tem crescido rapidamente e pode chegar a 1.500 ogivas até 2035, de acordo com uma projeção do Pentágono divulgada em novembro.

“Parece que a China não está mais satisfeita com algumas centenas de armas nucleares para sua segurança”, disse Matt Korda, da Federação de Cientistas dos EUA.

Modernização militar sob Xi Jinping
Desde seu primeiro teste nuclear em 1964, a China manteve um arsenal comparativamente modesto e afirma que nunca será a primeira a usar armas nucleares em conflitos.

Mas nos últimos anos, no governo do presidente Xi Jinping, iniciou uma grande modernização militar que inclui a atualização de suas armas nucleares, não apenas para dissuadir os rivais, mas para poder contra-atacar se a dissuasão falhar.

“A China está realizando a expansão e modernização mais significativas de suas forças nucleares na história do país”, disse David Logan, professor assistente do Colégio de Guerra Naval dos EUA

Isso inclui não apenas aumentar a produção de ogivas, mas melhorar a capacidade de lançá-las com a tríade nuclear: mísseis, aviões e submarinos.

As mudanças em curso ou já encaminhadas são muito significativas e a China deixará de ser um país com capacidade de resposta nuclear hoje para ser a terceira maior potência nuclear do mundo, disse Eric Heginbotham, principal pesquisador do Centro de Estudos Internacionais do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Argentina vai trocar dólar por yuan em relação comercial com a China

Argentina vai trocar dólares por yuans no pagamento de importações da China. — Foto: Divulgação/Governo da Argentina

O governo argentino informou nesta quarta-feira (26) que deixará de pagar em dólares as importações provenientes da China e passará a utilizar a moeda chinesa, yuan, nas relações com o país.

O objetivo, segundo o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, é preservar as reservas internacionais, em meio a uma corrida cambial enfrentada pelo país sul-americano.

A Argentina poderá “programar um volume de importações em yuans por mais de US$ 1 bilhão [o equivalente a R$ 5 bilhões] a partir do mês que vem, que substituirão o uso de dólares na Argentina” nas operações com o gigante asiático, afirmou Massa.

A declaração foi feita ao lado do embaixador chinês em Buenos Aires, Zou Xiaoli, na sede do ministério da Economia.

Pequim e Buenos Aires já haviam implementado um mecanismo de “swap” ou intercâmbio de moedas ao qual o país sul-americano poderia recorrer em caso de necessidade.

Nesse contexto, Massa considerou que acionar essa possibilidade “melhora a perspectiva de reservas líquidas da Argentina”, e “permite manter o nível de atividade, o volume de importações, o ritmo de comércio entre Argentina e China e os níveis de funcionamento econômico que a Argentina necessita”.

Há vários dias, a Argentina vivencia uma forte corrida cambial, que alcançou seu ápice na segunda-feira, quando a cotação do dólar, que é de 228 pesos no câmbio oficial, chegou perto de 500 no mercado paralelo.

A demanda por dólares, em um contexto de controle cambial, corrói as reservas cada vez menores do Banco Central, que, nesta terça-feira (25), interveio no mercado depois que o dólar “blue” — como é conhecido o câmbio paralelo no mercado informal — era comercializado a 474 pesos, contra 495 do dia anterior.

Cessar-fogo de 72 horas no Sudão não é respeitado

 (Foto: SPA / AFP )

Um cessar-fogo de 72 horas entre os dois generais que disputam o poder no Sudão entrou oficialmente em vigor nesta terça-feira (25), mas testemunhos relataram novos bombardeios após dias de combates que deixaram centenas de mortos e provocaram uma fuga em larga escala de estrangeiros.

O Exército do general Abdel Fatah al Burhan bombardeou posições das paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR) nos arredores da capital Cartum, que responderam com tiros de metralhadoras, segundo testemunhos dados à AFP.

Outros testemunhos informaram de bombardeios contra veículos das FAR, comandadas pelo general Mohamed Hamdan Daglo, no norte de Cartum.

Em um vídeo, o grupo paramilitar afirma ter tomado o controle de uma refinaria e de uma central elétrica 70 km ao norte da capital, de cinco milhões de habitantes.

O Exército tinha alertado no Facebook para um “grande manobra [das FAR] na direção da refinaria com o objetivo de aproveitar a trégua” para tomar o local.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, havia anunciado na segunda-feira um cessar-fogo de três dias no Sudão após “negociações intensas” entre as partes.

Também observou-se um cessar-fogo na região norte de Darfur, no leste do país, há vários dias, informou a ONU.

Mas testemunhas disseram à AFP que viram confrontos entre o Exército e as FAR em Wad Banda, no Cordofão Ocidental, uma região fronteiriça mais ao sul.

Como aconteceu nos anúncios anteriores de cessar-fogo, os lados se acusam mutuamente de não respeitá-lo.

Os confrontos que explodiram em 15 de abril deixaram 450 mortos e mais de 4.000 feridos, de acordo com as agências da ONU.

Chefe do Estado Islâmico que planejou atentado com mais de 180 mortes no aeroporto de Cabul é morto, diz imprensa americana

Soldado do Talibã monta guarda em 27 de agosto de 2021 no local dos dois atentados suicidas que mataram dezenas de pessoas, incluindo 13 soldados americanos, no aeroporto internacional de Cabul em 26 de agosto de 2021 — Foto: Wakil Kohsar/AFP

O governo talibã matou o suposto mentor do atentado a bomba suicida ocorrido no aeroporto de Cabul durante a retirada das forças americanas em 2021, noticiou a imprensa americana nesta terça-feira (25).

O terrorista agiu no meio da multidão que lotava o perímetro do aeroporto tentando fugir do Afeganistão, em 26 de agosto de 2021. A explosão matou cerca de 170 afegãos e 13 soldados americanos que faziam a patrulha do aeroporto.

O atentado foi um dos mais sangrentos dos últimos anos no Afeganistão e gerou uma onda de críticas ao presidente Joe Biden por sua decisão de retirar as forças americanas do país, quase 20 anos após a invasão americana.

O chefe da célula do Estado Islâmico (EI) que planejou o ataque foi morto por autoridades talibãs nas últimas semanas, declarou um funcionário do alto escalão americano, que não quis ser identificado.

Segundo a fonte, os Estados Unidos não participaram da operação, cuja data não foi informada. Tampouco identificou o suposto membro do EI que foi morto, mas disse que o alvo “era alguém que continuava sendo um conspirador-chave, um supervisor da conspiração para o EI-K”, referindo-se ao Estado Islâmico Khorasan, braço do grupo que atua no Afeganistão e Paquistão.

A inteligência americana trabalha para confirmar o assassinato, indicou a fonte, e o governo Biden se absteve de anunciá-lo até serem comunicadas as famílias dos 13 soldados americanos.

Empresa japonesa tenta pouso lunar histórico, mas perde comunicação com a sonda

Simulação do pouso histórico na lua da sonda da empresa ispace — Foto: Reprodução/ispace

Uma sonda da empresa japonesa ispace tentou fazer um pouso histórico na Lua nesta terça-feira (25), mas perdeu a comunicação e não consegue confirmar o sucesso da missão.

Caso o pouso tivesse dado certo, a ispace se tornaria a primeira companhia privada a pousar uma sonda na Lua.

“Perdemos a comunicação, então temos que assumir que não conseguimos completar o pouso na superfície lunar”, disse o CEO da ispace, Takeshi Hakamada, em uma transmissão ao vivo da empresa.

O objetivo inicial da empresa é explorar a região lunar e, no futuro, trabalhar com o envio de cargas, inclusive da Nasa, a partir de 2025, segundo a agência Reuters.

A ispace não é a primeira empresa a não concluir uma missão lunar. Em abril de 2019, a israelense SpaceIL observou a queda de seu módulo na superfície da Lua.

O módulo Hakuto-R Mission já estava em órbita desde março e, por isso, não houve decolagem. Ele foi lançado em dezembro da Terra por um foguete Falcon 9, da SpaceX, do bilionário Elon Musk.

O módulo está transportando um automóvel, batizado de “Rashid”, que tem quatro rodas e foi produzido por uma empresa dos Emirados Árabes Unidos. Também foram enviados um robô lunar criado pela agência espacial japonesa, a JAXA. Ambos andarão por alguns dias na Lua.

Antes de perder a comunicação, a Sonda enviou imagens da Lua para a equipe.

Empresa japonesa tenta pouso lunar histórico, mas perde comunicação com a  sonda | Inovação | G1

Mortos em seita de jejum no Quênia chegam a 89

Membros da seita teriam feito jejum até morrer. Corpos estavam em vala comum. — Foto: REUTERS/Stringer

Subiu para 89 o número de mortos em uma seita do Quênia que incentivava os seguidores a jejuarem, afirmou o ministro do Interior do país, nesta terça-feira (25).

Ele acrescentou que mais três pessoas foram resgatadas com vida, elevando o número total de sobreviventes encontrados até agora para 34.

O número de mortos aumentou constantemente nos últimos dias, pois as autoridades realizaram exumações em uma área de 800 acres da floresta Shakahola, no leste do Quênia, onde a autoproclamada Igreja Internacional da Boa Nova estava baseada.

Os mortos faziam parte da Igreja Internacional das Boas Novas. O fundador da igreja, Makenzie Nthenge, incentivou os seguidores a fazerem jejum total “para conhecer Jesus”, segundo as investigações.

Nthenge foi preso há dez dias, mas seus seguidores seguem escondidos jejuando, segundo a polícia.

Parte dos corpos estava em uma vala comum em uma floresta na região, onde o grupo costuma se reunir para realizar cultos. Mas o chefe das investigações local, Charles Kamau, afirmou que a polícia ainda busca por desaparecidos – alguns fiéis estão escondidos, ainda de acordo com as investigações, para que possam seguir jejuando.

Na semana passada, as autoridades encontraram os corpos de quatro adeptos da igreja. Os investigadores chegaram à região após uma denúncia que apontava a existência de uma possível vala comum. Muitos adeptos da seita ainda estão escondidos em uma área de mata para fazer o jejum.

Uma mulher que se recusava a ingerir alimentos e com sinais de fraqueza foi encontrada no domingo (23). Ela foi então levada por autoridades a um hospital. Outros 11 fiéis, sete homens e quatro mulheres de entre 17 e 49 anos, foram hospitalizados na semana passada após também serem encontrados na floresta, conhecida como Shakahola.

Uma fonte policial afirmou que Nthenge iniciou uma greve de fome e que “está orando e jejuando” enquanto permanece preso. Segundo a imprensa local, seis seguidores de Makenzie Nthenge também foram detidos.

Jornal britânico pagou príncipe William para silenciar denúncia por grampo telefônico, dizem documentos judiciais

Principe William durante visita ao Palácio de Sandringham — Foto: Marko Djurica/REUTERS

O príncipe William recebeu “uma grande quantia” do jornal britânico “The Sun” para não levar adiante uma batalha judicial por grampo telefônico por parte da publicação, de acordo com documentos de advogados do prícinpe Harry entregues nesta terça-feira (25) à Justiça de Londres.

A documentação foi incluída no processo que Harry trava atualmente contra o “The Sun”.

Segundo adefesa de Harry, a News Corp, grupo do magnata Rupert Mordoch que controla o “The Sun”, pagou a William para que ele não processasse o grupo em 2020. Na ocasião, o Palácio de Buckingham descobriu que o jornal havia grampeado o telefone de membros da casa real.

Com o acordo secreto, William então teria desistido de denunciar o grupo à Justiça, segundo os documentos da defesa de Harry.

O Palácio de Buckingham e a News Corp ainda não haviam se manifestado sobre a denúncia da defesa de Harry até a última atualização desta notícia.

Ainda segundo os advogados de Harry, a rainha Elizabeth II deu aval ao caçula do rei Charles III para que ele levasse adiante o processo contra o “The Sun” por invasão de privacidade.

Harry volta nesta terça-feira a tribunal de Londres para prestar novo depoimento dentro do caso.

Bolsonaro teve a rara fineza de não sujar meu prêmio, diz Chico Buarque ao receber Prêmio Camões

Chico Buarque recebe o Prêmio Camões, em Portugal — Foto: REUTERS/Rodrigo Antunes

O cantor, compositor e escritor Chico Buarque, de 78 anos, recebeu o prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa, em uma cerimônia em Sintra, em Portugal, nesta segunda-feira (24).

Chico recebeu o prêmio quatro anos depois de tê-lo ganhado, em 2019. A demora se deveu à recusa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em assinar a documentação necessária para que o artista recebesse o diploma.

“Conforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu prêmio Camões, deixando espaço para a assinatura do nosso presidente Lula”, afirmou o cantor.

“Recebo esse prêmio menos como honraria pessoal e mais como desagravo a tantos autores e artistas humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo.”

Em seu discurso, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, comparou o artista brasileiro a Bob Dylan, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2016. Segundo ele, Dylan é celebrado, mas sua obra é principalmente musical. Já Chico Buarque, além da música, também fez obras elogiadas na literatura e no teatro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também discursou. “Hoje, para mim, é uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos. Digo isso porque esse prêmio deveria ter sido entregue em 2019 e não foi. Todos nós sabemos por quê”, declarou Lula.

Chico lançou seu primeiro livro de ficção, “Fazenda Modelo”, em 1974. Três anos mais tarde, publicou o livro infantil “Chapeuzinho Amarelo”. O primeiro romance, “Estorvo”, foi lançado em 1991. Ele também escreveu “Benjamin”, em 1995. Nos anos 2000, o artista lançou “Budapeste” (2003) e “Leite derramado” (2009). Seu último romance foi “Irmão Alemão”, de 2014.

Para o teatro, Chico escreveu as peças “Roda Viva” (1968); “Calabar” (1972); “Gota D’Água” (1974), e “Ópera do Malandro” (1978).

Prêmio Camões
O prêmio Camões é uma parceria entre os governos de Portugal e do Brasil, criado em 1988. A premiação é considerada a mais importante da língua portuguesa. Entre os brasileiros que já foram laureados, estão Raduan Nassar (2016), Ferreira Gullar (2010), Lygia Fagundes Telles (2005) e Jorge Amado (1994).

O escritor homenageado recebe 100 mil euros (R$ 555 mil), sendo metade desse valor subsidiado pela Fundação Biblioteca Nacional, entidade vinculada ao Ministério da Cultura, e a outra metade é paga pelo governo português.

Além de Chico Buarque, ainda devem receber o prêmio o escritor português Vitor Manuel de Aguiar e Silva (escolhido em 2020), a moçambicana Paulina Chiziane (2021) e o brasileiro Silviano Santiago (2022).

Facções no Sudão concordaram com cessar-fogo enquanto estrangeiros são retirados do país, dizem EUA

Fumaça na capital do Sudão, Cartum — Foto: Maheen S via AP

Os EUA disseram nesta segunda-feira (24) que as facções em conflito no Sudão concordaram com um cessar-fogo de 72 horas, enquanto países ocidentais, árabes e asiáticos se mobilizam retirar seus cidadãos do país africano.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, disse que o acordo foi fechado após dois dias de intensas negociações e começará na terça-feira (25). Os dois lados não cumpriram vários acordos temporários de trégua ao longo da última semana.

O conflito entre as Forças Armadas do Sudão (SAF, na sigla em inglês) e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) já deixou ao menos 427 pessoas desde o dia 15 de abril.

“Durante esse período, os EUA pedem que a SAF e o RSF cumpram completa e imediatamente o cessar-fogo”, disse Blinken, em um comunicado.

Ele disse que os EUA coordenarão, com parceiros regionais e internacionais e com as partes civis interessadas do Sudão, a criação de um comitê que supervisionaria um cessar-fogo permanente.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a violência em um país que flanqueia as regiões do Mar Vermelho, do Chifre da África e do Sahel “representa o risco de uma conflagração catastrófica que pode envolver toda a região e além”.

Dezenas de milhares de pessoas, incluindo sudaneses e cidadãos de países vizinhos, fugiram nos últimos dias para Egito, Chade e Sudão do Sul, apesar da instabilidade e das condições de vida difíceis nesses lugares.

Fox News anuncia saída de Tucker Carlson, apresentador do programa de maior audiência do canal americano

O apresentador da 'Fox News' Tucker Carlson, que se posicionou fortemente contra a vacina da Covid-19 e veio ao Brasil entrevistar Jair Bolsonaro para um documentário. — Foto: AP

O apresentador da Fox News Tucker Carlson deixou o canal de televisão após apresentar seu último programa na sexta-feira (21). A informação foi publicada pelo canal nesta segunda-feira (24).

Em nota divulgada à imprensa, o canal de televisão afirmou: “A Fox News Media e Tucker Carlson concordaram em se separar. Agradecemos a ele por seu serviço à rede como host e, antes disso, como colaborador”.

Carlson apresentava o programa de maior audiência da TV a cabo americana. Ele frequentemente atacava supostas elites dos EUA para atrair um público conservador.

De acordo com o “New York Times”, em seus programas, ele tentava descrever os EUA como uma “civilização sitiada por manifestantes violentos do Black Lives Matter nas cidades americanas, por migrantes doentes na fronteira do sul do país, por refugiados que importam culturas estrangeiras e por empresas de tecnologia e elites culturais que os silenciarão ou dirão que eles racistas”.

Rede CNN dos EUA demite Don Lemon, um de seus principais apresentadores

Don Lemon em outubro de 2019 — Foto: Mike Blake/Reuters

A rede internacional CNN demitiu um dos seus principais âncoras de jornal, Don Lemon, nesta segunda-feira (24). A história foi inicialmente publicada pelo jornal “The New York Times”, mas depois confirmada pelo próprio Lemon.

O apresentador publicou um texto no Twitter em que diz estar chocado: “Eu fui informado nesta manhã pelo meu agente que eu fui demitido pela CNN. Eu estou chocado. Depois de 17 nos na CNN, eu imaginaria que alguém da diretoria teria a decência de me comunicar diretamente. Em nenhum momento foi dada nenhuma indicação que eu não poderia continuar a fazer o trabalho que eu amo na rede. Está claro que há temas mais abrangentes em ação. Dito isso, quero agradecer meus colegas e minha equipe”.

Segundo o “New York Times”, em fevereiro, ele fez um comentário que foi interpretado como ofensivo às mulheres. Ao discorrer sobre a política Nikki Haley, de 51 anos, uma das pré-candidatas à presidência dos EUA pelo Partido Republicano, ele afirmou o seguinte: “Ela não está no auge, desculpe. Considera-se que uma mulher está no auge entre 20 e 30 anos, talvez 40 anos”. As co-apresentadoras discordaram dos comentários, e ele, então, afirmou “só estou dizendo quais são os fatos, pesquisem isso no Google”.

Posteriormente, ele pediu desculpas.

Situação hoje é “mais perigosa” que durante a Guerra Fria, diz chanceler russo

Pronunciamento de Lavrov na ONU foi alvo de forte controvérsia e atraiu críticas do líder da ONU

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ao Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta segunda-feira (24) que o mundo chegou a uma situação mais perigosa do que durante a Guerra Fria.

Lavrov liderou uma reunião sobre multilateralismo e a Carta fundadora da ONU porque a Rússia detém a presidência rotativa mensal do órgão de 15 membros em abril.

“Como foi o caso na Guerra Fria, atingimos o limite perigoso, possivelmente ainda mais perigoso”, disse ele. “A situação se agrava com a perda de confiança no multilateralismo.”

A declaração, partindo de um representante diplomático de uma potência militar, mostra que o risco de um confronto direto entre as nações com arsenal nuclear, embora não seja provável no momento, não pode ser descartado.

Críticas
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres disse, na segunda-feira, que a invasão da Ucrânia por Moscou está “causando enorme sofrimento e devastação ao país e seu povo” e alimentando “deslocamento econômico global desencadeado pela pandemia do COVID-19. “

“As tensões entre as grandes potências estão em alta histórica. Assim como os riscos de conflito, por desventura ou erro de cálculo”, disse Guterres durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, sentado ao lado de Lavrov na mesa em forma de ferradura.

Lavrov presidiu a reunião sobre multilateralismo e a Carta fundadora da ONU porque a Rússia detém a presidência rotativa mensal do órgão de 15 membros em abril.

“Como durante a Guerra Fria, atingimos o limite perigoso, possivelmente ainda mais perigoso”, disse Lavrov ao conselho.

Enquanto as Nações Unidas buscam salvar um acordo que permite a exportação segura de grãos da Ucrânia para o Mar Negro, que pode expirar em 18 de maio, Guterres também pediu a continuação da implementação desse acordo e de um pacto relacionado no qual as Nações Unidas se comprometeram a ajudar a facilitar a própria Rússia. exportação de grãos e fertilizantes.