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Zelensky chega à França para reunião com Macron após ser condecorado pela UE na Alemanha

Zelensky se encontrou com o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, neste domingo antes de embarcar para Paris — Foto: Governo da Ucrânia/AFP

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, chegou a Paris neste domingo (14) para se reunir com seu par francês, Emmanuel Macron. Ele teve uma passagem pela Alemanha e recebeu apoio do país em um momento em que Kiev está finalizando os preparativos para sua contraofensiva contra as tropas russas.

“Com cada visita, as capacidades defensivas e ofensivas da Ucrânia se expandem”, escreveu Zelensky no Twitter ao chegar à noite na base aérea de Villacoublay, no sudoeste de Paris.

Em visita à Alemanha, ele se encontrou com o chefe de governo Olaf Scholz. “As relações com a Europa estão cada vez mais fortes e a pressão sobre a Rússia está aumentando”, acrescentou, poucas horas depois do encontro.

No sábado (13), Zelensky esteve na Itália, onde foi recebido pela primeira-ministra Giorgia Meloni e o papa Francisco.

Passa de 200 total de mortos por inanição em culto religioso no Quênia

 (Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP)

Subiu para 201 o número de pessoas mortas em práticas de jejum extremo promovidas por uma seita religiosa em uma floresta do Quênia, após a descoberta de mais 22 corpos – informou o prefeito regional, Rhoda Onyancha.

Segundo ele, 26 pessoas já foram detidas por envolvimento no massacre da floresta de Shakahola, incluindo o ex-taxista Paul Nthenge Mackenzie, um autoproclamado “pastor” da Igreja Internacional da Boa-Nova que incitava seus seguidores a se privarem de comida para “encontrar Jesus”.

Cessar-fogo Israel-Gaza entra em vigor neste sábado

 (Foto: AFP )

Israel e os grupos armados na Faixa de Gaza chegaram a um acordo sobre um cessar-fogo a partir das 16h (horário de Brasília) deste sábado (13) – disseram fontes egípcias e palestinas à AFP.

O acordo para pôr fim aos bombardeios que desde terça-feira deixaram 33 mortos no enclave palestino, e dois, em Israel, foi confirmado por um membro dos serviços de segurança do Egito, país que atuou como mediador, e por uma fonte palestina. Procurado pela AFP, um funcionário do governo israelense se recusou a comentar o assunto.

Ciclone Mocha obriga milhares a deixarem suas casas em Bangladesh e Mianmar

Campos de refugiados em Cox's Bazar, Bangladesh, em imagem de 24 de março de 2021. — Foto: Reuters/Mohammad Ponir Hossain

A aproximação do ciclone Mocha, que deve atingir o litoral de Bangladesh e de Mianmar neste domingo (14), fez milhares de pessoas deixarem suas casas. As fortes tempestades, com ventos de até 175 km/h, são esperadas para a costa leste dos dois países.

No caminho dos temporais, está a região de Cox’s Bazar, em Bangladesh, distrito fronteiriço que abriga um acampamento com cerca de um milhão de refugiados da etnia rohingya. A maioria fugiu de uma repressão liderada pelos militares em Mianmar, em 2017.

De acordo com o Departamento Meteorológico de Bangladesh, o ciclone Mocha deve se intensificar no domingo e atingir principalmente Cox’s Bazar, que fica na fronteira entre os dois países.

Fora dos campos de refugiados, pelo menos 5 mil pessoas já se mudaram para abrigos contra ciclones em Bangladesh. As autoridades do país também informaram que estão trabalhando para evacuar 500 mil pessoas que estariam no caminho do ciclone.

Categorizado como uma tempestade ciclônica muito severa, capaz de desencadear ondas do mar de até 3,66 metros, o ciclone Mocha também deve atingir o estado de Rakhine e a região noroeste de Mianmar, onde seis milhões de pessoas precisam de assistência humanitária e 1,2 milhão estão deslocadas, segundo o gabinete humanitário da ONU.

Em Bangladesh, Mohammad Shamsud Douza, autoridade governamental responsável pelos refugiados, afirmou que os trabalhos estão concentrados em “salvar vidas”. “As pessoas que correm o risco de deslizamentos de terra serão retiradas”, disse.

Ainda segundo Shamsud Douza, milhares de trabalhadores comunitários e voluntários já foram mobilizados, juntamente com equipes médicas e de resgate que estão de prontidão.

Em Mianmar, pelo menos 10 mil pessoas deixaram suas casas no Estado de Rakhine, para áreas mais seguras, segundo a mídia local.

“Todo mundo está tentando deixar a cidade desde a tarde de ontem”, disse um morador da capital de Rakhine, Sittwe, que pediu para não ser identificado. “Poucas pessoas permanecem na minha rua, apenas minha família.”

Em Mianmar, o Programa Mundial de Alimentos disse que estava preparando suprimentos de emergência que poderiam ajudar mais de 400 mil pessoas em Rakhine e arredores por um mês.

Elon Musk anuncia nova CEO mulher do Twitter e confirma saída do cargo após 6 meses

Gestão de Musk ficou marcada por mudança na política de verificação e demissão de grande parte dos funcionários — Foto: Hannibal Hanschke/ Reuters

Seis meses depois de assumir a plataforma, o empresário Elon Musk anunciou nesta quinta-feira (11) que deixará o cargo de CEO do Twitter e que será substituído por uma mulher no cargo.

“Estou animado para anunciar que contratei um novo CEO para o X/Twitter. Ela vai começar em ~6 semanas”, escreveu o empresário, sem divulgar mais detalhes da nova diretora.

O empresário citou a plataforma como “X/Twitter” por conta da nova empresa que ele criou a partir da fusão da rede social, a X Corp.

“Minha função fará a transição para ser presidente executivo e CTO [diretor de tecnologia, em tradução do inglês], supervisionando produtos, software e sysops [operadores de sistema, em tradução do inglês]”, completou.

Saída anunciada por enquete
A decisão de deixar o cargo de CEO respeita o resultado de uma enquete que o próprio Musk criou no fim do ano passado.

O empresário abriu a pesquisa em meio a críticas por ter suspendido contas de jornalistas e de outras pessoas. A justificativa dele era de que compartilhavam dados que colocavam em risco sua segurança, ao revelar dados do rastreio de seus voos em tempo real.

No dia 20 de dezembro de 2022, após perder a enquete, ele anunciou que deixaria o posto de CEO da empresa assim que encontrasse alguém, nas palavras dele, “tolo o suficiente para assumir o cargo”.

“Vou renunciar ao cargo de CEO assim que encontrar alguém tolo o suficiente para aceitar o cargo! Depois, apenas comandarei as equipes de software e servidores”, escreveu na rede social.

Explosão no centro de Milão, na Itália, incendeia carros e gera forte cortina de fumaça

Densa fumaça se forma após explosão no centro de Milão, no norte da Itália, em 11 de maio de 2023.  — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Uma explosão no centro de Milão, na Itália, na manhã desta quinta-feira (11) incendiou dezenas de carros e deixou vários feridos, de acordo com a rede de TV local Sky TG24.

Segundo a rede, a explosão veio de uma van que estava parada no local, perto da Porta Romana, no centro histórico da cidade.

O jornal italiano “Corriere della Sera” afirma que a explosão foi causada por cilindros de oxigênio que a van transportava. A publicação ouviu pessoas que disseram ter visto os equipamentos médicos pegarem fogo antes da explode.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, descartou se tratar de um ato terrorista.

Segundo os bombeiros da cidade, uma pessoa ficou ferida e foi hospitalizada e uma creche e um prédio na rua do ocorrido foram isoladas.

O fogo, ainda segundo os bombeiros, foi controlado rapidamente, mas formou uma forte nuvem de fumaça que pode ser vista de diversos pontos da cidade.

Japão pretende instalar escritório da Otan, diz chanceler

Bandeiras da Finlândia e da Otan no Ministério das Relações Exteriores finlandês, em Helsinque, Finlândia

O Japão está em negociações para abrir um “escritório de ligação” da Otan, o primeiro de seu tipo na Ásia, disse o ministro das Relações Exteriores do país à CNN em uma entrevista exclusiva na quarta-feira (10), dizendo que a invasão russa da Ucrânia tornou o mundo menos estável.

“Já estamos em discussões, mas nenhum detalhe (foi) finalizado ainda”, disse o ministro das Relações Exteriores, Yoshimasa Hayashi, na quarta-feira, falando uma semana antes da cúpula do Grupo dos Sete, organizada este ano pelo Japão em Hiroshima.

Hayashi citou especificamente a invasão da Ucrânia pela Rússia no ano passado como um evento com repercussões muito além das fronteiras da Europa que forçou o Japão a repensar a segurança regional.

“A razão pela qual estamos discutindo sobre isso é que, desde a agressão da Rússia à Ucrânia, o mundo se tornou mais instável”, disse ele.

“Algo que está acontecendo no Leste Europeu não se limita apenas à questão do Leste Europeu, e isso afeta diretamente a situação aqui no Pacífico. É por isso que uma cooperação entre nós no Leste Asiático e a Otan (está) se tornando… cada vez mais importante.”

Ele acrescentou que o Japão não é um membro do tratado da Otan, que significa Organização do Tratado do Atlântico Norte – mas que o movimento envia uma mensagem de que os parceiros do bloco na Ásia-Pacífico estão “se engajando de maneira muito constante” com a Otan.

A abertura de um escritório de ligação da Otan no Japão marcaria um desenvolvimento significativo para a aliança ocidental em meio ao aprofundamento das falhas geopolíticas e provavelmente atrairá críticas do governo chinês, que já alertou contra tal movimento.

O Nikkei Asia relatou pela primeira vez planos para abrir o escritório no Japão na última quarta-feira, citando oficiais japoneses e da OTAN não identificados.

A Otan tem escritórios de ligação semelhantes em outros lugares, incluindo a Ucrânia e Viena. O escritório de ligação no Japão permitirá discussões com os parceiros de segurança da Otan, como Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, sobre desafios geopolíticos, tecnologias emergentes e disruptivas e ameaças cibernéticas, informou o Nikkei na semana passada.

Naufrágio na Nigéria mata 15 crianças e deixa 25 desaparecidos

 (Foto: AFP)

Quinze crianças morreram afogadas e 25 estão desaparecidas após o naufrágio na terça-feira (9) da embarcação em que viajavam em um rio no estado de Sokoto, noroeste da Nigéria, informou uma autoridade local nesta quarta-feira.

As crianças, do vilarejo de Dundeji, pretendiam buscar lenha do outro lado do rio Shagari quando a embarcação superlotada virou, afirmou Aliyu Abubakar, administrador do distrito.

“Quinze corpos, 13 meninas e dois meninos, foram encontrados pelas equipes de resgate locais e sepultados no vilarejo”, declarou à AFP Abubakar, que supervisionou a operação de resgate.

Os mergulhadores trabalham para encontrar os corpos das 25 crianças desaparecidos, informou o funcionário do distrito de Shagari.

“Eles nos disseram que havia 40 crianças a bordo, então 25 ainda estão desaparecidas”, acrescentou Abubakar.

As crianças estão acostumadas a atravessar o rio todas as manhãs para buscar lenha e revender o material no vilarejo e nas comunidades vizinhas para contribuir com o pequena renda de suas famílias, explicou.

O estado de Sokoto é uma região rural remota do noroeste da Nigéria e uma das mais pobres.

Os acidentes com barcos são frequentes na Nigéria, provocados pela superlotação, excesso de velocidade, falta de manutenção ou violação das normas de navegação.

Justiça civil dos EUA condena Trump em caso de abuso sexual e difamação

E. Jean Carroll e Donald Trump — Foto: Reprodução

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi considerado culpado nesta terça-feira (9) em um processo civil por ter abusado sexualmente da jornalista E. Jean Carroll, em 1995 ou 1996, e, posteriormente, difamado a vítima.

Os nove jurados decidiram que ela deverá receber US$ 5 milhões (cerca de R$ 25 milhões) em compensações e ressarcimentos por danos. Esse não é um caso criminal, mas, sim, civil, então não há possibilidade de que Trump seja condenado a ir para a prisão.

O grupo de jurados demorou apenas três horas para deliberar. Eles tiveram que responder se Trump estuprou, abusou sexualmente ou forçou contato com Carroll, e decidiram que ele abusou sexualmente dela, mas não a estuprou.

Trump sempre negou que tivesse abusado sexualmente de Carroll.

Steven Cheung, um porta-voz de Trump, afirmou que o ex-presidente vai recorrer. Até uma decisão de instância superior, ele não precisará pagar os US$ 5 milhões.

Entenda o processo
E. Jean Carroll, de 79 anos, processou Trump em 2022, alegando que ele a estuprou no vestiário da loja de luxo Bergdorf Goodman, em Nova York, em 1995 ou 1996.

Ex-colunista da revista Elle, ela também afirma que Trump a difamou depois que ela tornou pública sua acusação em um livro que ela publicou em 2019, “Para que precisamos de homens? Uma proposta modesta”.

A escritora disse, durante o julgamento, que não tinha ido nem à polícia nem ao hospital após o caso. Ela afirmou também que publicou a história no livro inspirada no movimento Me Too, de denúncias contra abusos sexuais.

“Levei muito tempo para perceber que ficar em silêncio não funciona”, disse ela.

Reação de Trump
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse nesta terça-feira (9) que a sentença de um tribunal de Nova York que o declarou responsável de abuso sexual é uma vergonha (para a Justiça, não para ele).

“Não tenho absolutamente nenhuma ideia de quem é esta mulher”, afirmou ele em sua rede Truth Social, ao se referir à acusadora, a ex-jornalista E. Jean Carroll. “Este veredicto é uma vergonha”, disse.

Congresso do Equador vai votar impeachment do presidente Guillermo Lasso

Imagem de abril de 2022 do presidente Guillerme Lasso — Foto: Karen Toro/Reuters

O Congresso do Equador decidiu, em uma votação nesta terça-feira (9), abrir um processo de impeachment contra o presidente Guillerme Lasso por suspeita de corrupção.

Foram 88 votos favoráveis de um total de 116 congressistas presentes. Outros 23 deputados votaram contra o julgamento, e cinco se abstiveram.

No Congresso, os aliados do ex–presidente Rafael Correa têm o maior número de assentos, 50, enquanto o partido governista Criando Oportunidades (CREO) tem cerca de uma dezena.

A oposição é liderada pelo movimento de esquerda Revolução Cidadã, do ex-presidente Correa.

Entenda a acusação
Lasso é acusado de cometer peculato na gestão da estatal Frota Petroleira Equatoriana (Flopec), mediante contratos celebrados entre 2018 e 2020.

O presidente é acusado de não ter determinado o encerramento de um contrato entre a Flopec e o grupo internacional Amazonas Tanker, que inclui companhias russas, apesar de lesar os interesses estatais, ao provocar perdas de mais de US$ 6 milhões à empresa equatoriana.

Lasso ameaça com a ‘morte cruzada’
Lasso, de 67 anos, já afirmou que assistirá ao julgamento, também avalizado pela Corte Constitucional, porque é sua “obrigação pôr a cara frente ao povo”.

No entanto, também advertiu que entre suas faculdades constitucionais está a de dissolver a Assembleia Nacional por uma única vez e em seus primeiros três anos de mandato, para a realização de eleições-gerais antecipadas a fim de completar o período de quatro anos, o que é chamado de morte cruzada.

“Não gostaria de que se escreva nas páginas de História que determinei uma morte cruzada para evitar um julgamento político. Não evito o julgamento político, vou para a Assembleia”, afirmou em abril.

Mais cedo, o Ministério do Governo (Casa Civil) afirmou que o processo legislativo carecia de validade.

“Não é admissível que se queira violar o devido processo, ao submeter a julgamento político sem um relatório motivado”, já que a comissão parlamentar de Fiscalização – responsável pelo processo – não pôde aprovar no sábado uma recomendação sobre se procedia ou não o julgamento contra o governante, afirmou a pasta pelo Twitter.

Na Ucrânia, Alemanha ainda busca restos mortais de soldados da 2º Guerra Mundial

Trabalhadores da Comissão VDK retiraram os restos mortais de soldados alemães de cemitério em Sopiv, na Ucrânia — Foto: Volksbund

A indicação foi dada pelo pastor do vilarejo de Sopiv, no oeste da Ucrânia: um avião de resgate alemão caiu nas proximidades do vilarejo, que fica no oblast de Ivano-Frankivsk, durante a Segunda Guerra Mundial .

Os moradores do local teriam recolhido os cadáveres, na maioria de soldados feridos que estavam sendo evacuados, e os enterrado num cemitério atrás da igreja. Depois da independência da Ucrânia, em 1991, moradores teriam colocado cruzes sobre os túmulos improvisados.

Em abril, em meio à guerra na Ucrânia, os restos mortais desses 41 soldados da antiga Wehrmacht, as forças armadas do regime nazista, foram desenterrados por especialistas da Comissão Alemã de Túmulos de Guerra (VdK, em alemão) para serem sepultados formalmente em cemitérios militares mantidos pela organização.

Os horrores da Segunda Guerra Mundial voltaram à lembrança com a atual guerra na Ucrânia. Em especial depois de uma outra descoberta, no norte da capital, Kiev, já no início da invasão russa.

Lá, perto da cidade de Vyshhorod, nas proximidades de uma represa do rio Danápris, militares ucranianos encontraram os restos mortais de dois soldados alemães da Segunda Guerra Mundial durante as escavações de uma trincheira. Chapas metálicas permitiram a identificação.

Isso aconteceu em abril de 2022, ainda no início da invasão russa da Ucrânia. Naquela época, um comboio militar russo de 40 quilômetros de extensão estava parado perto de Vyshhorod, a caminho de Kiev.

Os soldados ucranianos comunicaram o achado a Vladimir Ioseliani, o responsável pela seção da Ucrânia na VdK. À época, a comissão havia suspendido seus trabalhos nas regiões conflituosas da Ucrânia e se concentrado no oeste e no centro do país.

Cerca de 3 milhões de soldados alemães que serviram na Segunda Guerra Mundial morreram no leste europeu, onde ocorreram as batalhas mais sangrentas.

Na maioria das vezes, as condições não permitiam que os mortos fossem enterrados em túmulos identificáveis. Centenas de milhares ficaram em covas coletivas. Nas últimas décadas, a VdF vem atuando para localizar os corpos e enterrá-los em cemitérios militares. A comissão normalmente usa testemunhos e antigos registros militares no seu trabalho.

Direita ultraconservadora vai comandar novo projeto de Constituição no Chile

Direita ultraconservadora vai comandar novo projeto de Constituição no Chile

A direita ultraconservadora do Chile venceu com ampla margem a eleição de domingo (7) dos 50 membros do conselho que redigirá uma nova proposta de Constituição para substituir a herdada da ditadura de Augusto Pinochet.

Com 99% das urnas apuradas, o Partido Republicano, que sempre foi contrário à mudança constitucional, venceu o pleito com 35% dos votos e 22 cadeiras no Conselho Constitucional, anunciou o Serviço Eleitoral (Servel). O resultado dos conservadores fica ainda maior quando somados os votos obtidos pela direita tradicional, 21%, o que garantiu 11 conselheiros.

A coalizão de esquerda do presidente Gabriel Boric recebeu 29% dos votos e conseguiu a eleição de 11 representantes.

“Isto é muito mais do que qualquer previsão apontava”, declarou à AFP Claudia Heiss, diretora do curso de Ciências Políticas da Universidade do Chile, ao comentar o resultado obtido pela direita ultraconservadora.

Após a rejeição de um primeiro texto em setembro, que era defendido pelo governo e seus aliados, os chilenos optaram desta vez pelas forças conservadora, em uma nova tentativa de renovar as bases constitucionais depois dos violentos distúrbios sociais de 2019, que evidenciaram uma sociedade desigual e fraturada.

O conselho eleito no domingo receberá, para sua revisão e ajustes, um projeto previamente elaborado por especialistas com 12 princípios essenciais que não poderão ser modificados, como por exemplo, o que consagra o Chile como uma economia de mercado com participação estatal e privada.

“Não nos escolheram somente pelas nossas ideias, mas também pelo nosso compromisso e coerência. E por nossa ligação com os problemas do dia a dia. Triunfaram as ideias de senso comum”, disse o líder do Partido Republicano, José Antonio Kast, que foi derrotado por Boric no segundo turno da eleição presidencial de dezembro de 2021.

O conselho constituinte, que iniciará as sessões em junho, deve entregar o projeto de Carta Política para ser submetido a um plebiscito de ratificação em 17 de dezembro.

Contra o politicamente correto
Partidos tradicionais da esquerda chilena, como o Partido Radical, a Democracia Cristã ou o Partido pela Democracia – que dominaram o cenário político após o retorno à democracia depois de Pinochet (1973-1990) – ficaram fora do Conselho. O populista Partido da Gente também não conseguiu nenhuma cadeira.

O mapuche Alihuen Antileo conseguiu uma vaga indígena supranumerária, o que significa que o conselho será integrado por 51 membros. No processo anterior, com cadeiras reservadas, os indígenas chegaram a 11% da Assembleia, com 17 deputados (de 155 membros).

Com 22 conselheiros, o Partido Republicano, que é contrário ao aborto e tem um discurso anti-imigração, “não precisa negociar com ninguém, pode escrever a Constituição que desejar e tem o poder de veto a qualquer modificação”, explica Claudia Heiss.

O avanço desta força política “é muito parecido a um fenômeno que está acontecendo em outros países do mundo, com a ascensão dos partidos de direita, que se autodenominam partidos sem o politicamente correto, sem medo e sem hesitações”, destaca Miguel Ángel Fernández, acadêmico da Faculdade de Governo da Universidade do Desenvolvimento.

“Sabedoria e temperança”
Em meio à crescente preocupação com a insegurança, o Chile busca há dois anos substituir a Constituição herdada da ditadura e que recebeu diversas emendas ao longo dos anos, a mais importante delas em 2005.

“Voltamos a ter a oportunidade de construir, com diálogo e encontro, uma nova Carta Magna”, disse o presidente Boric em um discurso no palácio de La Moneda após a divulgação dos resultados.

Boric pediu aos constituintes eleitos que atuem com “com sabedoria e temperança”. Também pediu que evitem cometer os mesmos erros que provocaram o fracasso da primeira tentativa de mudança constitucional, com uma Assembleia que daquela vez era dominada pela esquerda.

“O processo anterior fracassou, entre outras coisas, porque não soubemos ouvir uns aos outros entre os que pensavam diferente”, disse o chefe de Estado, que pediu a construção de um novo processo sem “vinganças”.

O projeto da nova Constituição foi rejeitado por 62% dos votos em um referendo no dia 4 de setembro do ano passado.

Mais de 15,1 milhões de chilenos estavam registrados para comparecer às urnas no domingo e eleger, entre 350 aspirantes, os integrantes do Conselho Constitucional. A campanha foi marcada por uma grande apatia, mas a votação registrou 80% de taxa de participação.

Inundações na República do Congo deixam mais de 390 mortos

 (Foto: Eric Thayer / Getty Images / AFP)

Quase 400 corpos foram encontrados no leste da República Democrática do Congo após as inundações e deslizamentos de terra provocados pelas fortes chuvas de quinta-feira (4), segundo um balanço divulgado por uma autoridade local neste domingo (7).

“Encontramos mais de 390 corpos”, disse Thomas Bakenga, administrador do território de Kalehe, onde ficam as as localidades afetadas.

“Desde quinta-feira, encontramos corpos a cada minuto e os enterramos”, acrescentou.

Um balanço oficial provisório divulgado na sexta-feira à noite pelas autoridades da província de Kivu do Sul citava 176 mortos.

Na noite anterior, os rios Nyamukubi e Chishova transbordaram por causa das tempestades e a enxurrada levou tudo que estava pelo caminho.

Os desabrigados precisam de tudo. Bakenga disse que “o governo provincial enviou um barco repleto de alimentos, lonas e medicamentos”.

O governo central anunciou o envio de uma “missão governamental para apoiar a administração provincial na gestão da catástrofe” e decretou um dia de luto nacional na segunda-feira (8).

A Organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou o envio de uma equipe de emergência no sábado.

A catástrofe aconteceu dois dias depois das inundações que deixaram pelo menos 131 mortos e destruíram milhares de casas na vizinha Ruanda.

No sábado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse em visita ao Burundi que as tragédias são uma nova “mostra da aceleração da mudança climática e suas consequências dramáticas para países que não são responsáveis pelo aquecimento” do planeta.

Liga Árabe readmite a Síria depois de 11 anos

Liga Árabe readmite a Síria após 11 anos de suspensão - ISTOÉ Independente

Os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe decidiram reintegrar a Síria à organização após 11 anos de suspensão. O anúncio foi feito neste domingo (7).

“As delegações do governo da República Árabe Síria voltarão a participar nas reuniões da Liga Árabe”, afirma o texto aprovado por unanimidade pelos ministros em uma reunião a portas fechadas na sede da organização no Cairo.

A entidade de 22 países membros suspendeu Damasco após uma violenta repressão aos protestos de rua contra o presidente Bashar al-Assad que levaram a uma guerra civil devastadora. O conflito provocou 500 mil mortes, o deslocamento de milhões de pessoas e a destruição das infraestruturas e da indústria do país.

Apesar de uma redução nos combates, ao menos em sua maior parte, grandes áreas do norte do país continuam fora do controle do governo e ainda uma solução política para o conflito de 12 anos ainda não foi alcançada.

Conflitos étnicos deixam 55 mortos e 23.000 deslocados em Manipur, na Índia

Imphal, capital do estado indiano de Manipur, tem sido palco de conflitos étnicos

Pelo menos 55 pessoas morreram e outras 260 foram hospitalizadas desde o início dos conflitos entre os membros dos grupos étnicos Kuki e Meitei no início desta semana, disseram funcionários do hospital na cidade de Imphal neste domingo (7).

Os militares indianos, por sua vez, disseram que 23.000 civis fugiram dos combates, tendo os deslocados sido alojados em bases militares e guarnições no estado.

Os dois grupos étnicos têm se confrontado nas ruas de Imphal, no leste da Índia, e em outros lugares.

Os ferimentos à bala são os casos mais comuns, de acordo com funcionários dos hospitais Imphal — Instituto Regional de Ciências Médicas, Instituto Jawaharlal Nehru de Ciências Médicas e do Hospital Distrital de Churachandpur.

A maioria dos pacientes chega com ferimentos graves de bala ou foi atingido na cabeça com lathis [madeiras]”, disse à CNN o Dr. Mang Hatzow, do Hospital Distrital de Churachandpur, em Manipur.

Vídeos e fotos transmitidos pela televisão local mostraram veículos e prédios incendiados, com uma espessa fumaça negra saindo das ruas.

Tropas do exército indiano foram enviadas para as ruas e um blecaute de cinco dias na internet móvel está em vigor.

Um jovem líder que trabalha em Imphal disse à CNN que sua casa foi vandalizada e saqueada em 4 de maio e que, desde então, ele estava em um acampamento do exército.

“O que estamos testemunhando aqui, infelizmente, é que parece haver uma série de ataques muito sistemáticos e bem planejados. A execução é quase clínica e eles sabem exatamente as casas onde residem as pessoas das comunidades”, disse o líder, que pediu para não ser identificado por temer por sua segurança.