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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou neste domingo (23) que ferramentas de inteligência artificial (IA) apresentam “potencialidades ótimas”, mas que a possibilidade de “massificação da desinformação” por meio da tecnologia é uma das principais preocupações e pode comprometer a democracia.
O magistrado deu as declarações durante participação em um debate sobre inteligência artificial organizado por estudantes brasileiros da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
“Há o risco da massificação da desinformação, e essa preocupação, do ponto de vista de um juiz preocupado com a democracia, é uma das principais preocupações, o uso das fake news e da deepfake, alguém me colocar aqui dizendo coisas que eu nunca disse, sem que seja possível identificar a distinção e o real”, afirmou o presidente do STF.
“Nós todos somos ensinados a acreditar no que vemos e ouvimos. O dia em que nós não pudermos acreditar no que vemos e ouvimos a liberdade de expressão terá perdido o sentido. Portanto, essa é uma preocupação grande para quem se preocupa com a democracia”, completou Barroso.
O ministro também externou outras preocupações em relação à IA, como o impacto no mercado de trabalho. Barroso disse que algumas profissões podem ser extintas e que isso demandará a criação de redes de proteção social por parte do Poder Público. “Vai ter um gap [intervalo]. O motorista de ônibus não vai virar programador da noite para o dia”, declarou.
Ele também vê riscos com o uso da IA para fins bélicos e, também, à privacidade e aos direitos autorais. O ministro afirmou ainda ter receio com a possibilidade de os algoritmos reforçarem a discriminação contra grupos vulneráveis da sociedade.
Para o ministro, o “maior pesadelo” em relação à inteligência artificial é o risco de os computadores movidos a IA desenvolverem consciência e vontade própria. “Se isso acontecer, vão dominar o mundo”, declarou.


