
Os bancos brasileiros decidiram aumentar o rigor na abertura de crédito para frigoríficos.
Nas regras aprovadas pela Federação Brasileira de Bancos, as principais instituições financeiras públicas e privadas vão passar a negar empréstimos e financiamentos a frigoríficos e matadouros que compram gado de abate criado em áreas de desmatamento ilegal da Amazônia e do Maranhão. A medida atinge propriedades com mais de 100 hectares.
Para conquistar o crédito, os frigoríficos vão ter que criar um sistema de rastreabilidade até o fim de 2025, com informações como:
documentos de compra do gado;
se há embargos do Ibama;
se o local de criação do gado está dentro de áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação;
se CAR (Cadastro Ambiental Rural) das propriedades está em dia;
e se o empregador submeteu trabalhadores a condições análogas à escravidão.
A Febraban acredita que o protocolo pode facilitar a venda da carne brasileira diante das exigências do mercado externo.
“A ideia aqui é a gente também estar alinhado às melhores práticas de mercado, a outras jurisdições. A União Europeia, por exemplo, já tem uma regra aprovada que vai restringir as importações brasileiras caso não se comprove que essa exportação é livre de desmatamento ilegal. E também atende ao anseio de consumidores, de investidores e de acionistas dos bancos que estão preocupados com a agenda ambiental, com o impacto climático e estão cada vez mais engajados nessa agenda ESG”, explica Amaury Oliva diretor de sustentabilidade Febraban.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes disse que apoia iniciativas que aumentem os padrões de sustentabilidade em todos os elos da pecuária, mas defende que a medida seja estendida a outros setores.
“A Abiec considera que é uma medida positiva. Porque, na verdade, nosso setor já vem implementando essas medidas de monitoramento do desmatamento desde 2009. Nosso entendimento é só que não isso pode ser só um esforço do setor frigorifico. A gente precisa de outros setores da economia participando, inclusive o setor financeiro, e de um esforço muito grande de governo para conter ilegalidade na Amazônia”, diz Fernando Sampaio, diretor de sustentabilidade Abiec.
A Febraban diz que desde 2014 tem uma autorregulação para tratar da responsabilidade socioambiental, aplicável a qualquer tipo de operação e cliente; e que vai continuar conversando com autoridades, mercado e sociedade para implementar uma agenda verde.
A cadeia de produção de carne é estratégica para a economia brasileira. Nesse setor, o Brasil é o maior exportador do mundo; negocia com centenas de países e exporta 28% da carne bovina produzida no país.
Na análise do MapBiomas, que acompanha o desmatamento, a medida da Febraban aumenta o controle de toda a cadeia produtiva ao fazer com que o dinheiro chegue onde a pecuária é feita de forma sustentável.
“Você não precisa mais desmatar para ter uma pecuária de qualidade. Você pode aumentar a produtividade tendo mais animais por hectare e aproveitando melhor as áreas. Evitar que você tenha crédito indo para a abertura de novas áreas na Amazônia é um caminho muito importante para a gente diminuir e, eventualmente, acabar com o desmatamento na Amazônia até 2030, que é nossa meta no país”, afirma Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.




