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Após 10 anos, tratamento contra insuficiência cardíaca em testes na USP avança rumo à fase decisiva

Cientistas da USP desenvolvem forma de amenizar a insuficiência cardíaca |  VEJA

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão às vésperas de começar a última etapa do desenvolvimento de uma molécula sintética capaz de melhorar quadros de insuficiência cardíaca. O atual status do estudo, feito em parceria com a empresa Foresee Pharmaceuticals, foi publicado na revista acadêmica European Heart Journal.

A pesquisa realizou experimentos para testar se a molécula chamada de AD-9308 conseguiria restaurar as funções de uma proteína presente na mitocôndria. Essa organela gera energia para as células e seu mau funcionamento pode causar problemas como a insuficiência cardíaca.

De acordo com Julio Cesar Batista Ferreira, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP) e coordenador da pesquisa, o estudo tinha como objetivo detalhar um novo mecanismo responsável pela evolução da insuficiência cardíaca, além de entender o potencial da molécula para tratar a doença.

“O grande problema é que os remédios disponíveis no mercado atualmente retardam a progressão da insuficiência cardíaca, mas o coração segue se degenerando” segundo Julio Cesar Batista Ferreira, professor do ICB e coordenador da pesquisa

Trabalhos anteriores desenvolvidos também pelo ICB já mostraram que, quando a mitocôndria não trabalha normalmente, ela acaba intoxicando a célula. Nesse processo, funções como o processamento de microRNAs são interrompidas, o que acarreta distúrbios como câncer e doenças neurodegenerativas e cardiovasculares.

Aval para testes com pacientes
O estudo do ICB vinha sendo desenvolvido há mais de dez anos. Ao longo desse período, foram realizada melhorias na molécula para que aumentassem as chances de sucesso no tratamento.

De acordo com o pesquisador, os testes clínicos de segurança já foram finalizados. Os resultados mostram que a molécula é bem tolerado por indivíduos saudáveis. A inclusão desse tratamento, aliado a terapias que já existem, deve aumentar a chance de frear a progressão da doença.

A empresa e os pesquisadores devem submeter um pedido ao FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, para a realização de testes da terapia em humanos com insuficiência cardíaca. Essa fase irá indicar para qual estágio da doença o tratamento pode ser indicado.

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