
Neste domingo (4), um grupo de venezuelanos residentes no Recife se dirigiu à Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, para celebrar a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro após a intervenção militar liderada pelos Estados Unidos. Os manifestantes disseram que fugiram da crise econômica e política em seu país, expressaram apoio à ação internacional como um meio necessário para iniciar uma transição democrática na Venezuela, mesmo reconhecendo as incertezas e os interesses geopolíticos envolvidos.
O encontro, organizado de forma independente pela comunidade de imigrantes, reuniu pessoas que vivem no Brasil há anos. É o caso de Marioli Guerreiro, de 33 anos, professora de espanhol que mora no Recife há quase uma década. Ela relatou uma sensação de dever cumprido após anos de oposição. “A gente tentou todos os jeitos democráticos. Infelizmente, não tivemos a força ou o apoio dos militares. Para conseguir essa transição, a gente precisa dessa ajuda estrangeira”, afirmou.
Sobre a exploração do petróleo venezuelano, apontada por críticos como a verdadeira motivação da intervenção, os manifestantes adotam um tom pragmático.
“A Venezuela tem a maior reserva e ela não é atrativa só para os EUA. Rússia, China, Cuba, Irã… eles têm anos explorando nosso petróleo em troca de nada”, argumentou Marioli, defendendo uma “negociação justa” com um comprador que efetivamente pague pelo recurso.
A auxiliar administrativa Isabel Maneiro, 46, que deixou a Venezuela há sete anos após seu salário de professora se tornar insuficiente até mesmo para a alimentação básica, vê a intervenção norte-americana como um mal necessário. “É o preço que a gente tem que pagar por tantos anos de opressão”. A esperança, segundo ela, é que as coisas melhorem “quando chegar o presidente eleito”.
A questão do retorno à Venezuela, no entanto, ainda é delicada. “Tem que ter condições para a gente poder voltar”, ponderou Marioli. “Acho que o país precisa, por enquanto, de mais pessoas do exterior ajudando a estruturar o país”.



