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Vaticano encerra visita a corpo de Bento 16 e se prepara para 100 mil pessoas no funeral

Uns fazem o sinal da cruz, outros filmam e se fotografam com o celular. Há quem demonstre um semblante mais consternado e tem os que parecem estar cumprindo mais uma etapa cultural-turística de Roma —é semana de férias escolares na Itália, e o dia na capital foi de um clima primaveril em pleno inverno, com sol e 15°C.

Mesmo assim, o ambiente era sóbrio dentro da Basílica de São Pedro, onde, por três dias, até a noite desta quarta (4), esteve exposto o corpo do papa emérito Bento 16, morto aos 95 anos. No total, cerca de 195 mil pessoas homenagearam o alemão, segundo o Vaticano. O funeral será celebrado nesta quinta (5), às 9h30 (5h30, no horário de Brasília), pelo papa Francisco.

Durante a tarde, o silêncio prevalecia mesmo com a multidão de fiéis e curiosos, tendo sido quebrado apenas pelas crianças pequenas, talvez entediadas pela longa fila formada para entrar na igreja. Os visitantes demoravam entre 40 e 60 minutos no percurso entre os postos de controle —ainda fora do Vaticano, nas ruas de Roma— e o corpo do religioso.

Era preciso passar por uma triagem visual de mochilas e bolsas, se desfazer de objetos como guarda-chuvas e garrafas com líquidos, e, mais adiante, se submeter a detectores de metal.

Dentro da basílica, a coisa andava rápido, já que agentes de segurança não permitiam que as pessoas se detivessem diante de Bento 16. Seu corpo, conservado com a técnica de tanatopraxia —a mesma usada em Pelé—, que retarda a decomposição natural, ficou bem acessível aos olhos do público. Mas, exceto autoridades, que tinham acesso a bancos, não era possível parar para se ajoelhar ou rezar. Uma mulher então segurou por toda a fila na igreja uma placa escrita à mão: “Benedetto XVI – santo subito!” ou “Bento 16 – santo já”.

“Ele foi um grande papa, à altura de João Paulo 2º. Estou certo de que será santo, um santo do nosso tempo”, disse à Folha José Atílio Vargas, 23, na saída da basílica. Nascido na Nicarágua e residente em Roma, onde estuda para se tornar sacerdote, Vargas elogiou o legado de Joseph Ratzinger, especialmente em relação a estudos teológicos e a decisões de seu papado. “Ele deixou livre a celebração da missa tradicional, e lamento que o papa atual tenha tirado essa experiência.”

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