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Uma mulher comete suicídio por dia no Afeganistão dois anos após tomada do Talibã, aponta ONU

Mulheres afegãs esperam para receber doações num ponto de distribuição do Programa Mundial de Alimentos, em Cabul, Afeganistão, 20 de novembro de 2021 — Foto: AP - Petros Giannakouris

No Afeganistão, pelo menos uma mulher comete suicídio por dia, segundo a ONU. As afegãs lutam há anos por mais direitos, mas a situação se agravou com a ascensão do Talibã ao poder, que completa dois anos nesta terça-feira (15).

Estamos alarmados com os problemas de saúde mental generalizados e os relatos de suicídios crescentes entre mulheres e meninas”, escreveram Dorothy Estrada-Tanck e Richard Bennett, pesquisadores da ONU, em um relatório divulgado em maio sobre a situação no país. “Esta situação extrema de discriminação institucionalizada com base em gênero no Afeganistão não tem paralelo em qualquer lugar do mundo.”

Em todo o mundo, suicídios são duas vezes mais comuns entre homens que entre mulheres, mostram dados da OMS. No Afeganistão, entretanto, o cenário é bem diferente: 80% das pessoas que tiram a própria vida no país são do sexo feminino.

Uma análise publicada em outubro de 2022 no periódico “The Lancet” explica que a mortalidade por suicídio já era alta antes da tomada do poder pelo Talibã, mas o número cresceu, principalmente entre as mulheres, após a ascensão do grupo em 2021.

“Os fatores mais importantes para esta disparidade são a violência contra as mulheres, os casamentos forçados, a falta de consciência dos direitos das mulheres, o impacto da guerra, algumas práticas tradicionais (…) e a violência familiar”, escreveram os autores do artigo.

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