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Um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurar a Ponte da Integração Jaime Lerner, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, sem a presença do presidente do Paraguai, Santiago Peña, o governo paraguaio realizou, neste sábado (20), uma cerimônia própria do outro lado da fronteira, em Presidente Franco.
O episódio, segundo especialista, evidenciou ruídos diplomáticos entre os dois países às vésperas da Cúpula do Mercosul, que ocorre na cidade paranaense.
A inauguração brasileira ocorreu na sexta-feira (19). Durante o evento, Lula explicou a ausência do presidente paraguaio e afirmou que a decisão de realizar cerimônias separadas foi uma solução para evitar novo adiamento.
“Eu quero explicar porque não estou aqui com o Santiago Peña. Ele não podia hoje, por um problema familiar em Assunção, e eu não podia amanhã à tarde, porque termino o Mercosul e preciso voltar a Brasília. Então eu inauguro o lado brasileiro, ele inaugura o lado paraguaio, e ganha o Brasil e ganha o Paraguai”, disse o presidente.
A Cúpula do Mercosul acontece neste sábado (20), também em Foz do Iguaçu, e marca o encerramento da presidência temporária do Brasil à frente do bloco. Lula preside a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, com a presença de autoridades da região.
🔎 Fundado em 1991, o Mercosul é o principal bloco econômico da América do Sul. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai são membros fundadores, e a Bolívia tornou-se Estado Parte em 2024. Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o bloco recebeu, em 2024, 42,1% dos investimentos estrangeiros diretos da América Latina, sendo o Brasil responsável por mais de 85% desse volume.
Para o professor Aníbal Orué Pozzo, coordenador da pós-graduação Integração Paraguai-Brasil, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a ausência de Peña tem peso político e simbólico dentro do bloco.
“O Paraguai está com uma política externa muito fraca e indecidida […] A não presença do Santiago Penha, como presidente do Paraguai, enfraquece e reorienta as relações do Paraguai para outras áreas e não para o Mercosul. Eu acho que enfraquece o Mercosul, porque o Mercosul funciona com consenso”, afirma Pozzo.


