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Ciro pede tempo, e vice do PDT lembra: “Partido sempre esteve com PT no segundo turno”

O vice-presidente do PDT e deputado federal Pompeo de Mattos (RS) afirmou que o partido se reunirá nos próximos dias para decidir qual caminho trilhará no segundo turno da eleição à presidência, entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar lembrou, porém, que historicamente a sigla se une ao PT na reta final das corridas ao Palácio do Planalto.

A corrida será definida no próximo dia 30 de outubro, data do segundo turno. Lula terminou o primeiro turno com 48% dos votos e Bolsonaro, 43%. O candidato do PDT, Ciro Gomes, por sua vez, ficou em quarto lugar com apenas 3% da preferência dos eleitores.

“Temos que avaliar de maneira coletiva. Mas o PDT sempre esteve com o PT no segundo turno. Essa decisão, contudo, vai ser tomada coletivamente no início desta semana”, afirmou Pompeo.

O Globo apurou com outros nomes do partido que a tendência é formalização da aliança com Lula. A Executiva nacional da sigla deverá se reunir nesta segunda-feira em Brasília. Em 2018, os dirigentes pedetistas se reuniram ainda no domingo, horas após o primeiro turno, e anunciaram um “apoio crítico” ao PT, cujo candidato na época era o ex-ministro Fernando Haddad.

Enquanto o partido se articula para definir o que fazer no segundo turno, a posição de Ciro ainda é uma incógnita. Há uma pressão interna para que ele apoie Lula. Seus aliados acreditam que Ciro está mais inclinado a se manter neutro. Eles ponderam, no entanto, que Ciro combinou conversar com seus correligionários antes de bater martelo, o que indica que ele poderá endossar uma decisão coletiva.

Marília diz que vai conversar com Lula e que petista precisa de palanques sólidos nos estados

Horas depois de confirmar sua ida para o segundo turno das eleições na disputa pelo Governo do Estado, a candidata Marília Arraes, concedeu uma série de entrevistas na manhã desta segunda-feira (03).

Em todas as ocasiões, Marília falou sobre o recado que os pernambucanos deram nas urnas no último domingo. “Estou muito feliz por poder anunciar esses novos tempos que chegam para Pernambuco. O povo apontou o caminho. Os pernambucanos não querem mais o PSB. Termos derrotado o PSB é uma vitória de todos nós. Neste segundo turno é a hora de definir entre manter um projeto que é uma continuidade do desgoverno ou outro que é alinhado ao que defende o presidente Lula”, destacou.

A candidata também falou sobre a importância de eleger Lula presidente neste segundo turno. “Estamos vivendo um momento crucial para a Democracia brasileira. Quem está contra Lula está com Bolsonaro de alguma maneira. Temos que trazer essa discussão, afinal, quando a pessoa dia ‘tanto faz’, está sendo conivente com essa política fascista. Quem diz ‘tanto faz’ ajudou Bolsonaro a ir para o segundo turno”, sentenciou.

Marília também falou sobre a relação com o presidente Lula neste novo momento da campanha. “Vamos conversar sim. O presidente Lula vai precisar de palanques sólidos nos estados. E aqui em Pernambuco nós é que sempre estivemos ao lado de Lula e o povo de Lula está conosco “, comentou.

A candidata disse ainda que está preparando uma atualização de seu programa de governo, que deverá ser divulgada nas próximas semanas. “Uma de nossas prioridades é recuperar a Saúde do nosso Estado. Hoje, mais uma vez, uma parte do forro do teto do Hospital da Restauração caiu por causa do vazamento de água numa das enfermarias. O descaso com a Restauração é um reflexo de como a saúde está no nosso Estado.”

Governo de Pernambuco retoma autonomia do Porto de Suape após quase dez anos

O Porto de Suape está com sua autonomia recuperada. O anúncio foi feito pelo Governo de Pernambuco em uma publicação no Diário Oficial da União (DOU), assinada pelo Ministério da Infraestrutura. O documento determina até onde vai a atuação do Estado de Pernambuco no porto e o que cabe ao governo federal.

O Estado retoma a autonomia do Porto após quase 10 anos da Lei Nº 12.815 de 05 de junho de 2013, conhecida como Lei dos Portos, que transferiu para o âmbito federal a responsabilidade das licitações portuárias, tirando a autonomia dos atracadouros públicos brasileiros, como Suape. Agora, o convênio nº 50000.012 do ministério da Infraestrutura, através da Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ, foi assinado no último dia 27 de setembro e publicado no último sábado no Diário Oficial.

Sem a autonomia do Porto de Suape que foi determinada, Pernambuco perdeu a oportunidade de realizar licitações. Agora, recuperada essa gestão, o Estado voltará a poder organizar as normas, regime jurídico, definição, exploração, concessão, arrendamento, atividade portuária, porto, serviço portuário e trabalho de Suape.

Além disso, volta a ficar sob a responsabilidade do Estado a contratação de obras, serviço, dragagem, engenharia, manutenção, ampliação, zona portuária, hidrovia, navegação marítima e navegação fluvial.

A autonomia estabelece toda a operação para o Estado, enquanto a política portuária do País e o planejamento do setor ficam a cargo do governo federal.

“A autonomia vai dar mais celeridade aos processos, tornando Suape um porto ainda mais competitivo para atrair empresas e novas cargas, com impacto direto na economia do Estado e na geração de emprego e renda para o povo pernambucano”, disse o governador Paulo Câmara.

O diretor-presidente da estatal portuária, Roberto Gusmão, conta que o porto terá mais liberdade em conseguir novos arrendamentos no local. “Suape readquire a competência para a condução de estudos, elaboração de editais, realização dos procedimentos licitatórios e a celebração dos contratos relativos aos arrendamentos portuários com mais agilidade e menos burocracia. O complexo também passará a ser responsável pela aprovação das expansões e adensamento de áreas, além de prorrogações antecipadas de contratos em vigência e reequilíbrios contratuais”, afirmou.

De acordo com o diretor de gestão portuária de Suape, Francisco Martins, a decisão permitirá mais competitividade para o porto pernambucano. “Isso é o que chamamos de uma injeção de competitividade para Pernambuco e Suape em comparação com os demais portos. A medida vai agilizar o processo de trâmites, tudo vai ficar em Suape e ficará no porto, os arrendamentos não estarão apenas no Governo Federal. É uma economia de burocracia e torna Suape, que tem uma relação direta com os arrendatários como a única instância para os processos de arrendamento”, declarou.

Brasil registra 52 mortes por Covid e média móvel fica em estabilidade pelo terceiro dia

O Brasil registrou nesta segunda-feira (3) 52 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 686.421 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias é de 77. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de 5%, indicando tendência de estabilidade pelo terceiro dia seguido.

Brasil, 3 de outubro
Total de mortes: 686.421
Registro de mortes em 24 horas: 52
Média de mortes nos últimos 7 dias: 77 (variação em 14 dias: +5%)
Total de casos conhecidos confirmados: 34.726.506
Registro de casos conhecidos confirmados em 24 horas: 5.145
Média de novos casos nos últimos 7 dias: 6.468 (variação em 14 dias: -15%)

No total, o país registrou 5.145 novos diagnósticos de Covid-19 em 24 horas, completando 34.726.506 casos conhecidos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de casos nos últimos 7 dias foi de 6.468 . A variação foi de -15% em relação a duas semanas atrás.

Em seu pior momento, a média móvel superou a marca de 188 mil casos conhecidos diários, no dia 31 de janeiro deste ano.

Acre, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe não divulgaram seus boletins até às 20h desta segunda-feira.

Subindo (5 estados): SC, AL, SP, PE, PA
Em estabilidade (5 estados): RJ, RO, RR, GO, BA
Em queda (11 estados e o DF): TO, MT, MA, AP, PB, MG, MS, ES, PR, AM, DF, RS
Não divulgou (5 estados): AC, CE, PI, RN e SE

‘O eleitor está mais vacinado’, diz Moraes sobre fake news

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, afirmou que o eleitor brasileiro está “mais vacinado” em relação às fake news. Em entrevista à TV Globo nesta segunda-feira (3), o magistrado também destacou a redução de notícias falsas na comparação com o pleito de 2018.

“Sem dúvida, tivemos um número muito menor de fake news […] Não tivemos, eu diria, 10% da importância que as fake news tiveram nas eleições de 2018. Muito também pelo aprendizado do eleitor. O eleitor também está mais vacinado em relação a essas fake news”, disse Moraes.

Para o magistrado, a mudança de comportamento do eleitor diante das fake news ajudou no combate à desinformação. No domingo (2), o ministro já havia dito que o primeiro dia de votação das eleições de 2022 mostrou a “maturidade democrática” da sociedade.

“Chegamos ao final deste dia com a certeza que a Justiça Eleitoral cumpriu novamente a sua missão constitucional de garantir segurança e transparência nas eleições”, disse Moraes.

“A sociedade mostrou grande maturidade democrática. Eleitores e eleitoras escolheram em absoluta paz e segurança”, completou o presidente do TSE.

Segundo o magistrado, além da mudança de comportamento do eleitor, a Justiça Eleitoral enfrentou a desinformação com “rapidez no julgamento das ações” para retirar e impedir a circulação de conteúdos falsos. Essa postura, de acordo com Moraes, acabou contribuindo para reduzir a violência no 1º turno.

“A Justiça Eleitoral atuou de uma maneira mais rápida, mais célere para evitar a desinformação e, assim, garantir que o eleitor pudesse escolher sem [interferência] de falsas notícias, sem discurso de ódio. Pode ver que o discurso de ódio foi muito combatido no Tribunal Superior Eleitoral. Consequentemente, a violência diminuiu.”

O ministro informou que foram enviados mais de 20 mil alertas para as redes sociais avaliarem a retirada de conteúdos falsos. A atuação de robôs em disparos de mensagens em massa também foi relatada pelo tribunal às plataformas.

Observadores internacionais
Três missões de observadores internacionais – que acompanharam de perto todo o processo eleitoral – afirmaram que a eleição no Brasil ocorreu “normalmente” e de forma “transparente”. As entidades confirmaram ainda a segurança das urnas.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou, em relatório preliminar divulgado nesta segunda, que as “eleições se desenvolveram com ordem e normalidade”. O documento ressalta que o resultado do primeiro turno foi reconhecido “por todos os atores políticos”.

A missão informou que vai atuar também no segundo turno e convidou “os atores políticos a abandonar a polarização e os ataques pessoais, e aproveitar essa oportunidade prevista na Constituição brasileira para convencer o eleitorado com base em propostas e programas”.

Presidente do Cidadania, Roberto Freire diz que apoia Lula no 2º turno; partido vai se reunir na terça

O presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, afirmou nesta segunda-feira (3) em nota que apoiará o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

No texto, Freire ressalta que a executiva nacional do partido ainda se reunirá nesta terça (4) para deliberar sobre o assunto.

O segundo turno será disputado entre Lula (48,4% dos votos válidos no primeiro turno) e o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição pelo PL (43,2% dos válidos). A votação será no próximo dia 30.

No primeiro turno, Cidadania se coligou com MDB, Podemos e PSDB em torno da candidata Simone Tebet (MDB), que ficou em terceiro lugar com 4,16% dos votos válidos.

“Contra a descrença de muitos, nossa candidata, Simone Tebet, cumpriu o papel de discutir o Brasil e as soluções para os problemas que afligem os brasileiros: fome, desemprego, inflação alta, estagnação econômica, entre outros”, diz a nota divulgada por Freire.

“Informo ainda que encaminhei à Executiva Nacional, que se reúne nesta terça-feira, às 12h00, posicionamento a favor de que o partido declare apoio a Lula no 2º turno”, afirma Freire.

Simone deu prazo a partidos
Na noite deste domingo, quando Bolsonaro e Lula já tinham sido confirmados no segundo turno, Simone Tebet fez um pronunciamento breve e disse que não ficará neutra em relação à disputa.

A candidata, no entanto, não revelou qual candidato apoiará – e disse que esperaria 48 horas para que os partidos da coligação emitissem seus posicionamentos.

“Quero dizer, com todo o respeito, respeito o processo eleitoral, que não terminou agora porque agora é hora de os presidentes dos nossos partidos se posicionarem e se pronunciarem. Eu espero que o façam e o façam rapidamente para que depois eu possa, como candidata à Presidência que fui, nesse momento tão complexo, onde nós temos, sim, que analisar os resultados da urna, para que eu possa me posicionar”, afirmou a emedebista.

Busca por novos apoios
Nos próximos dias, a campanha de Lula ao Planalto espera reiniciar os movimentos feitos recentemente de declarações de apoio ao petista.

O ex-presidente disputou o primeiro turno em uma coligação com dez partidos (PT, PSB, PCdoB, PSOL, Rede, PV, Pros, Avante, Agir e Solidariedade), repetindo o recorde de alianças da candidatura de Dilma Rousseff nas eleições 2010. Para reforçar a imagem de uma “frente ampla” contra Bolsonaro, a campanha investiu na atração de políticos e setores que, em outras ocasiões, haviam se posicionado de forma contrária ao PT.

Para o primeiro turno, a construção teve início com o anúncio do ex-governador Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente. Depois, somaram-se à campanha ex-ministros dos governos Itamar Franco, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, artistas, religiosos e intelectuais.

A campanha de Jair Bolsonaro também se movimenta por novos apoios. Ainda no domingo, Bolsonaro disse que se reuniria nesta semana com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reeleito em primeiro turno. Felipe d’Avila, que era o candidato do Novo à presidência, ficou em sexto na eleição.

Nesta segunda, o PSC – que havia se mantido neutro no primeiro turno – declarou que apoia Jair Bolsonaro na segunda rodada de votação.

‘A partir de amanhã, é menos conversa entre nós e mais com os eleitores’, diz Lula

O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (3) que a campanha do 2º turno das eleições deverá focar naqueles que “parecem que não gostam da gente”, em referência ao partido ao qual é filiado.

A declaração foi dada durante reunião da coordenação da campanha Lula-Alckmin. Lula foi criticado por “pregar a convertidos” e, por isso, a campanha petista avalia que é preciso ampliar o leque de apoios para vencer no próximo dia 30 – quando os eleitores novamente vão às urnas para decidir o nome que assumirá o Palácio do Planalto.

“A partir de amanhã, é menos conversa entre nós e mais conversa com os eleitores. […] Precisamos conversar com aqueles que parecem que não gostam da gente”, disse.

O ex-presidente classificou o dia seguinte ao 1º turno como uma data de “reflexão”. Ele voltou a repetir que, embora não tenha alcançado a esperada vitória em primeiro turno, apenas retardou “um pouco” a vitória nas eleições.

“No segundo turno, acredito que as coisas serão mais organizadas. E a sociedade brasileira vai aprender com muita rapidez a diferença entre a nossa candidatura”, declarou.

O petista disse que pretende aproveitar a nova rodada da campanha para fazer o “debate que não foi possível fazer no primeiro turno”.

Ele defendeu ainda que o PT amplie as conversas com setores refratários ao partido e destacou que, nesta etapa, não há espaço para discussões ideológicas.

“Temos que conversar com todas as pessoas que não votaram conosco. Agora, a escolha não é ideológica. […] Agora nós vamos conversar com todas as forças políticas que têm voto. Para que a gente consiga somar em um bloco os democratas contra os que não são”, afirmou.

Apoio na reta final
A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta segunda-feira (3) que até quarta deve ter retorno do PSDB, PDT e da candidata Simone Tebet sobre possíveis apoios à candidatura de Lula no 2º turno.

Ainda sobre a campanha, o ex-presidente disse esperar percorrer estados do Brasil em que a disputa ao governo também foi para o 2º turno.

Ele também afirmou esperar que a candidatura aumente a vantagem de votos de Bolsonaro nos estados da região Nordeste e em Minas Gerais.

Em Minas Gerais, estado que as campanhas disputam por ter peso para decidir disputas nacionais, Lula registrou 48,29% dos votos. Bolsonaro, 43,60%.

A diferença nominal – ou seja, em votos totais – foi menor que 600 mil votos. Por lá, o candidato apoiado pelo petista ao governo estadual, Alexandre Kalil (PSD), não foi eleito, e Romeu Zema (Novo), governador reeleito, já declarou que não pretende caminhar junto a Lula.

No estados do Nordeste, a folga entre Lula e Bolsonaro é mais confortável para o petista, girando em torno de 56 a 74%.

Brasil elege número recorde de mulheres e negros para a Câmara dos Deputados

O Brasil elegeu um número recorde de mulheres e negros (homens e mulheres) para a Câmara dos Deputados nas eleições deste domingo (3). A partir de 2023, quando os novos escolhidos assumirem os mandatos, a Câmara terá 91 deputadas federais e 135 parlamentares negros – pardos ou pretos, segundo a denominação do IBGE.

Será a maior representação da história, em ambos os casos. A cada grupo de seis parlamentares, em média, uma será mulher. Um em cada quatro deputados federais será negro.

Em ambos os casos, a representação segue bem abaixo da proporção verificada na população. O Brasil tem 56,1% de habitantes autodeclarados pardos e pretos, e 52,8% de mulheres.

Os dados de 2022 representam um crescimento de 18% em relação às 77 deputadas federais eleitas em 2018, e de 9% em relação aos 124 deputados e deputadas de cor preta e parda escolhidos há quatro anos.

O número de 135 parlamentares negros é composto por 108 deputados autodeclarados pardos e 27 declarados pretos.

Cruzando as duas listas, a quantidade de mulheres negras na Câmara dos Deputados vai mais que dobrar em quatro anos. Foram 29 eleitas em 2022, contra 13 em 2018. O número de homens negros recuou de 111 para 106 na mesma comparação.

Distribuição por partido
A distribuição dos candidatos negros pelos partidos segue, em certa medida, a lógica das bancadas totais. O PL, que terá a maior bancada na Câmara, elegeu 25 negros e negras este ano.

Em seguida, vêm o Republicanos (20 parlamentares negros), o União Brasil e o PT (16, cada).

A bancada feminina, por sua vez, terá maioria do PT (18 deputadas), seguida pelo PL (17). Juntos, os partidos concentram quase 40% das mulheres eleitas.

Amarelos e indígenas
A Câmara também registrou aumento na quantidade de deputados eleitos que se declaram “amarelos” – o termo do IBGE para quem tem ascendência asiática – e indígenas.

Em 2018, apenas a indígena Joênia Wapichana (Rede-RR) tinha sido eleita. Ela não conseguiu a reeleição, mas a Câmara terá cinco outros indígenas com mandato:

Célia Xakriabá (PSOL-MG)
Juliana Cardoso (PT-SP)
Paulo Guedes (PT-MG)
Silvia Waiãpi (PL-AP)
Sônia Guajajara (PSOL-SP)

Os três eleitos amarelos são homens: Kim Kataguiri (União-SP), Luiz Nishimori (PSD-PR) e Pedro Aihara (Patriota-MG). Os dois primeiros da lista foram reeleitos – e, em 2018, eram os únicos autodeclarados amarelos.

Mulheres trans
Pela primeira vez, a Câmara dos Deputados contará com duas mulheres trans entre os 513 deputados federais:

Erika Hilton (PSOL-SP), eleita com 256.903 votos; e
Duda Salabert (PDT-MG), eleita com 208.332 votos.

Bolsonaro teve só 1 voto em Cuba: veja destaques da eleição em todos os continentes no primeiro turno

Em Cuba, um dos países mais citados no bangue-bangue eleitoral brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) teve apenas 1 voto, ou 3,23% do total, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu com 28 votos, ou 90,32%.

Completam a modesta votação brasileira na ilha socialista Ciro Gomes (PDT), com 1 voto, e Luiz Felipe D’Avila (Novo), também com 1.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o ex-presidente petista foi o vencedor geral do primeiro turno entre os brasileiros que vivem no exterior.

Com 99,15% das urnas apuradas, Lula obteve 47,13% dos votos válidos lá fora, enquanto Bolsonaro, que busca a reeleição, 41,63%.

Em números absolutos, Lula teve mais de 137,6 mil votos no exterior, enquanto Bolsonaro, 121,6 mil.

Ciro Gomes foi o terceiro, com cerca de 13,2 mil votos e Simone Tebet (MDB), a quarta, com 13,05 mil.

Em Israel, cuja bandeira é uma das mais frequentes em manifestações de apoio ao presidente no Brasil, Bolsonaro ganhou com 45,98% em Tel Aviv, contra 39,37% para Lula.

Há 4 anos, no 1º turno, Bolsonaro alcançou 66,5% dos votos ali, enquanto Fernando Haddad teve só 6,8%.

De forma geral, o petista foi o preferido por brasileiros na Europa e Oceania. Bolsonaro venceu no Oriente Médio, EUA e Japão.

A disputa foi mais acirrada na América Latina, África e na Ásia.

Principais colégios eleitorais

No maior colégio eleitoral de brasileiros no exterior, Lisboa (Portugal), Lula venceu com 61,6% dos votos (contra 30,58% de Bolsonaro).

Em Miami (EUA), segundo maior colégio, Bolsonaro ganhou com 74,3%, contra 16,24% de Lula.

Boston (EUA) abriga a terceira maior comunidade de eleitores brasileiros. Por lá, Bolsonaro teve 69,89% e Lula teve 23,04%.

Em Tóquio, no Japão, Bolsonaro ganhou com 66,94% dos votos. Em Nagoia, o atual presidente teve 75,47% dos votos. Em Hamamatsu, terceiro e últimos posto de votação no Japão, Lula teve apenas 11,59% dos votos, enquanto Bolsonaro ganhou 75,37%.

Na Itália, quarto país em número de brasileiros votando, Lula venceu com 50,18% dos votos em Milão e 54,76% em Roma.

Lula ganhou nos três locais de votação na Alemanha, quinto maior colégio eleitoral: em Berlim, teve 79,65% dos votos (contra 11,14% para Bolsonaro). Em Frankfurt, Lula teve 64%, ante 22,84%. E em Munique, o petista registrou 60,16% contra 24,73.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mais de 697 mil eleitores estavam aptos a votar no exterior neste ano – um aumento de 39,21% em relação a 2018.

Com 58,54%, mulheres são a maioria do eleitorado cadastrado no exterior. A maior parte dos eleitores brasileiros que vivem fora tem entre 35 e 44 anos. A votação estava prevista para ocorrer em 181 cidades em todo o mundo.

Europa
No continente europeu, Lula foi o mais votado em países como Portugal, Espanha, Holanda, França, Alemanha, Reino Unido e Irlanda.

A exceção foi a Grécia, onde Bolsonaro venceu com 46,9% dos votos.

Em Portugal, Lula teve 60,5% dos votos no Porto, 61,6% em Lisboa e 49,1% em Faro.

No Reino Unido, onde a votação foi realizada apenas em Londres, Lula ganhou com 55,18% dos votos contra 34,94% de Bolsonaro.

Na Espanha, Lula venceu com 52,27% em Madri e 70,2% em Barcelona. Na França, o petista teve 77,23% dos votos.

Na Hungria, liderada pelo aliado de Bolsonaro Viktor Orbán, Lula teve 80,89% dos votos contra 11,86% de Bolsonaro.

Na Rússia, o petista teve 53,57% contra 33,33% de Lula. Não houve votação em Kiev, na Ucrânia.

África
Já em países africanos, o ex-presidente ganhou em mais países, incluindo Angola, Costa do Marfim, Gana, Guiné-Bissau, Quênia, Cabo Verde, Marrocos, Senegal, Egito e Tunísia.

Mas a votação de Bolsonaro foi expressiva no maior colégio eleitoral brasileiro no continente: Pretória, na África do Sul, com 63,7% dos votos.

Bolsonaro também venceu em Moçambique, com 51,55% dos votos contra 40,21% de Lula. Na República Democrática do Congo, Bolsonaro venceu com 82,35% dos votos.

Em Angola, Lula teve 52,54% dos votos contra 39,41% de Bolsonaro.

No Marrocos, Lula venceu com 64,5% dos votos. Na Costa do Marfim, o petista ganhou com 45,65% dos votos.

Na Tanzânia, Lula ganhou com 75% dos votos.

América Latina e Caribe
Entre os vizinhos latino-americanos, Lula ganhou na Argentina, Colômbia, Chile, Cuba, Jamaica, México e Nicarágua.

Já Bolsonaro venceu em Paraguai, Equador, Bolívia, Peru, Guiana, Suriname, Honduras, Rep Dominicana, Haiti, Bahamas e El Salvador.

Na Argentina, Lula ganhou com 64,68%. Já na Bolívia, terra de Evo Morales, aliado histórico de Lula, Bolsonaro ganhou em todas as cidades.

O petista venceu no Chile, com 44,86%, O resultado também foi positivo para Lula na Colômbia, com 52,82%.

No Equador, Bolsonaro teve vitória expressiva, com 60,31% dos votos contra 28,72% de Lula.

A disputa no México foi mais equilibrada, mas Lula venceu por 44,2% contra 42,84%.

Já no Paraguai, Bolsonaro teve 67,54% dos contos, contra 22,4 de Lula.

Ásia
Na Ásia, Bolsonaro ganhou no Japão, onde teve votação expressiva em todas as cidades japonesas aonde brasileiros foram votar.

Em Pequim, na China, Lula venceu por 63,16%. Já em Hong Kong, Bolsonaro ganhou por 48,31%, contra 30,9% de Lula.

Bolsonaro também teve mais votos nas Filipinas (55,56% contra 31,75%) e Indonésia (60% contra 32%), e venceu em Taiwan e Timor Leste.

Mas em outra grande economia do continente, Lula teve vitória expressiva na Índia, com 65,85% contra 29,27% de Bolsonaro em Nova Déli e 75% contra 16,67% em Mumbai.

O petista também ganhou em locais como Coreia do Sul (62,8% contra 25,6%), Malásia (47,37% contra 42,11%), Singapura (46,67% contra 24,87%), Tailândia (43,81% x Bolsonaro 40%) e Vietnã (65% contra 20% de Bolsonaro).

Oceania
Na Oceania, o petista foi o mais bem votado na Austrália e na Nova Zelândia.

Em Sydney, Lula teve 54,35% dos votos contra 29,42% de Bolsonaro. Na capital Canberra, Lula teve 56,01% e Bolsonaro teve 27,24%.

Na Nova Zelândia, Lula teve 72,95% e Bolsonaro teve 15,74%.

Oriente Médio
No Oriente Médio, Bolsonaro venceu nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar, Kuwait e Israel.

Já Lula obteve mais votos no Líbano, Jordânia, Árabia Saudita e territórios palestinos.

EUA e Canadá

Na América do Norte, a votação foi dividida.

Como esperado, Bolsonaro ganhou nos Estados Unidos, com votação expressiva em Miami e Boston, mas teve menos votos que Lula em algumas cidades americanas: na capital Washington (45,33% contra 41,7%), Chicago (51,44% contra 33,69%), Los Angeles (45,53% contra 42,43%) e San Francisco (53,95% contra 33,35%).

Lula foi o mais bem votado no Canadá, com 60,73% dos votos em Montreal, 50,86% em Ottawa, 50,56% em Toronto e 55,29% em Vancouver.

Lula tem 25,6 milhões de votos a mais que Haddad em 2018; Bolsonaro ganha 1,7 milhão de votos

O número de votos obtidos pelo ex-presidente Lula (PT) na eleição deste domingo (2) foi insuficiente para ganhar a disputa no primeiro turno, mas o petista teve o melhor desempenho da história de um candidato em primeiro turno: foram mais de 57 milhões de votos.

Jair Bolsonaro (PL) teve o segundo melhor desempenho da história para um primeiro turno, com mais de 51 milhões de votos.

Confira no gráfico abaixo as maiores votações já registradas no Brasil por um candidato a presidente, na história.

Em relação a 2018, quando o candidato do PT era Fernando Haddad (PT), Lula aumentou os votos do partido em mais de 25 milhões. O ex-ministro da Educação, que tenta se eleger governador de São Paulo, teve 31,3 milhões de votos na eleição passada, ante 57 milhões de Lula neste ano.

Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) teve um desempenho melhor que o de 2018: aumentou sua votação em 1,7 milhão de votos — teve 49,3 milhões em 2018 e 51 milhões neste ano. Com isso, registrou a segunda maior votação em um primeiro turno da história.

A votação maior ocorre em meio a uma diminuição nos votos brancos e nulos que atingiu, neste ano, o menor percentual desde 1994: 4,41%. A abstenção, por sua vez, foi de 20,3% do total, maior percentual desde 1998.

IBGE adia fim de coleta do Censo por falta de recenseadores

O diretor de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Cimar Azeredo, anunciou nesta segunda-feira (3) o adiamento do fim da coleta de dados do Censo Demográfico de 2022 por causa da falta de recenseadores. A previsão anterior era de encerrar no final deste mês. Agora, a previsão de encerramento é dezembro.

O número de recenseadores atualmente está em 95.448, o que corresponde a apenas 52,2% do total de vagas disponíveis e previstas para a operação.

Até esta segunda-feira, já foram contados 104,4 milhões de habitantes, o que corresponde a 48% da população estimada (215 milhões de pessoas). O ritmo é bem mais lento que o do Censo 2010. Naquele ano, após 57 dias de coleta de dados, tinham sido recenseadas 154 milhões de brasileiros.

“A operação está atrasada. Diante do cenário de atraso e da dificuldade de contratar recenseador, a gente vai prorrogar a coleta de dados para o início de dezembro. Queremos entregar ainda este ano os primeiros dados para cumprir a exigência do Tribunal de Contas do Município, por causa do Fundo de Participação dos Municípios”, afirmou ele.

Azeredo atribuiu ao mercado de trabalho aquecido a dificuldade de contratar recenseadores e minimizou a influência dos atrasos nos pagamentos dos trabalhadores temporários que foram contratados. Ele argumentou que o atraso de pagamentos foi pontual e reflete um problema operacional e não falta de recursos.

“Não é porque a gente não tenha recursos, temos todos os recursos centralizados no IBGE. Nossa diretoria operacional está trabalhando no sentido de reduzir esse atraso no pagamento de recenseadores, mesmo que seja pontual”, disse.

O diretor de pesquisas do IBGE admitiu, no entanto, que “provavelmente” serão necessários mais recursos para completar a operação. O orçamento do Censo Demográfico é de R$ 2,3 bilhões, o mesmo valor nominal previsto desde 2019. Isso significa que não houve nenhuma atualização do valor para descontar a inflação registrada em mais de dois anos.

Ibovespa opera em forte alta após 1º turno das eleições

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em forte alta nesta segunda-feira (3), com agentes financeiros avaliando resultados do primeiro turno das eleições no país, tendo como pano de fundo o forte aumento dos preços do petróleo no exterior.

Às 13h27, o Ibovespa subia 4,49%, a 114.979 pontos. Veja mais cotações.

As ações da Petrobras subiam mais de 7%, com a alta dos preços do petróleo.

Na sexta-feira, o Ibovespa subiu 2,20%, a 110.037 pontos. Com o resultado, o índice acumulou queda de 1,49% na semana. No mês, a alta é de 0,48% e, no ano, de 4,99%.

O que está mexendo com os mercados?
Por aqui, os mercados repercutem os resultados das eleições do primeiro turno.

O resultado mais apertado do que as pesquisas apontavam na disputa presidencial e as composições do Congresso, mais alinhadas à direita, foram vistos como positivos por agentes do mercado, destaca o Valor Online.

“Mais importante que a análise da disputa presidencial foi a montagem da Câmara e do Senado, em grande parte, formada por aliados do atual presidente”, comenta, ao Valor Online, Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, destacando que as novas formações possuem um alinhamento mais liberal.

“Uma agenda liberal é uma agenda mais pró-mercado. Mesmo se o Lula ganhar, ele vai ter mais dificuldade para aprovar qualquer medida que envolva gasto público ou algum tipo de estatização por causa dessa montagem de cadeiras do Congresso e do Senado”, diz.

Velloni acrescenta que, com a nova composição do legislativo, uma eventual reeleição de Bolsonaro também é bem vista pelo mercado. “Se o atual presidente passar também gera a expectativa de que ele consiga também evoluir com essa agenda mais liberal que o mercado financeiro vê com bons olhos”, diz.

A Capital Econômica compartilha visão semelhante. “Parece que o Congresso pode agir como um obstáculo importante para algumas políticas de Lula, por exemplo, ao limitar as possibilidades de aumento dos gastos públicos”. Mesmo assim, a consultoria não acredita que isso evitaria a relação entre dívida e PIB de subir nos próximos anos.

“Independente de quem vencer a disputa presidencial, a principal preocupação dos investidores para o próximo governo segue sendo a agenda fiscal e a trajetória dos gastos públicos… Os dois principais candidatos fizeram campanha por mais gastos e o presidente eleito terá esse desafio à frente, de como equilibrar as contas públicas e a trajetória futura da dívida”, disse à Reuters Pedro Patrão, economista e sócio da HCI Invest.

Além disso, os economistas do mercado financeiro reduziram de 5,88% para 5,74% a estimativa de inflação para este ano. Os economistas também projetam uma alta maior do PIB e estabilidade da taxa de juros até o fim de 2022.

No cenário externo, os preços do petróleo subiam mais de US$ 3, à medida que a Opep+ considera reduzir a produção em mais de 1 milhão de barris por dia (bpd), como forma de sustentar os preços com o que seria seu maior corte desde o início da pandemia.

Os contratos futuros de petróleo Brent ganhavam US$ 3,56, ou 4,18%, a US$ 88,70 por barril. O petróleo dos EUA (WTI) subia 4,52%, ou US$ 3,59, para US$ 83,08.

Equipe de Lula vê Bolsonaro ‘forte’ para disputa do 2º turno e decide buscar apoio de Tebet e do PDT

Concluído o primeiro turno da eleição presidencial, integrantes da equipe do ex-presidente Lula (PT) avaliaram ao blog que o presidente Jair Bolsonaro (PL) chega “forte” para a disputa no segundo turno, o que vai exigir “muito mais” dos aliados do petista na campanha a partir de agora.

Com 99,99% das urnas apuradas em todo o país até as 10h desta segunda-feira (3), Lula obteve 48,43% dos votos, e Bolsonaro, 43,2%. O segundo turno está marcado para o próximo dia 30.

“O bolsonarismo é maior que o Bolsonaro. É um fenômeno político que exigirá muito de nós para derrotá-lo”, resumiu um coordenador da campanha de Lula.

Outro coordenador disse ao blog avaliar que o segundo turno vai ser “muito mais difícil” que o esperado.

“Houve uma onda final bolsonarista, forte, que a gente não estava esperando. Confiamos que Lula segue favorito, mas o cenário mudou para esse início de segundo turno”, avaliou.

Em São Paulo, por exemplo, embora as pesquisas apontassem Fernando Haddad (PT) em primeiro lugar, o candidato bolsonarista Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) ficou em primeiro lugar. Tarcísio e Haddad disputarão o segundo turno.

Em busca de mais votos no segundo turno, Lula buscará imediatamente o apoio de Simone Tebet (MDB) e do PDT. Tebet obteve 4,9 milhões de votos no primeiro turno (4,1%).

A candidata emedebista já sinalizou que vai apoiar o petista, mas o MDB está dividido, e um grupo defende que os integrantes sejam liberados a apoiar quem quiserem.

“Acreditamos que os eleitores de Ciro virão para nós e boa parte da Simone também, mas isso não vem pela gravidade, teremos de falar para esses eleitores para atraí-los de fato”, avaliou um coordenador da campanha de Lula.

Comitê de Bolsonaro
No comitê de Bolsonaro, a avaliação é que o presidente da República terá condições de empatar com Lula já na primeira semana do segundo turno, ajudado pelo cenário econômico.

Um assessor direto do presidente avalia que a queda dos preços “está chegando nas prateleiras” dos supermercados e que isso vai contribuir para que ele continue subindo nas pesquisas de intenção de voto.

Bolsonaro vai focar a estratégia em três estados: São Paulo, Minas e Bahia.

Em São Paulo, os assessores do presidente avaliam que a onda conservadora paulista vai ser decisiva no segundo turno. Em Minas, Bolsonaro já adiantou que vai buscar o apoio do governador reeleito Romeu Zema (Novo) e, na Bahia, o de ACM Neto. De favorito, Neto terminou atrás do candidato de Lula e, no segundo turno, não poderá ficar neutro.

Bolsonaro recebe aliados no Planalto para definir estratégia no segundo turno

O presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputa a reeleição, recebeu aliados nesta nesta segunda-feira (3) para definir as estratégias para o segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto, marcado para o próximo dia 30.

Bolsonaro ficou em segundo lugar no primeiro turno, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (48,4% a 43,2%), porém conseguiu votação acima do que previam os institutos de pesquisas e evitou a vitória imediata do petista.

Nesta segunda, Bolsonaro deixou a residência oficial do Palácio da Alvorada por volta das 8h e seguiu até o Palácio do Planalto, onde se reuniu com auxiliares e políticos aliados, como a deputada reeleita Bia Kicis (PL-DF), e o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará o segundo turno do governo de São Paulo contra Fernando Haddad (PT).

Após o encontro com o presidente, Kicis afirmou que se colocou à disposição para, ao lado da senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF) e da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, ajudar a melhorar o desempenho de Bolsonaro no eleitorado feminino. A deputada diz acreditar que pode auxiliar na virada da corrida presidencial.

“A única coisa que foi falado é que nesse momento vou trabalhar junto com a senadora Damares e com a primeira-dama para a gente levar a voz da mulher pelo Brasil. Uma voz cristã também, eu como católica, a gente sabe que tanto a senadora como a primeira-dama são evangélicas, falam muito bem para público evangélico, eu quero falar pro público católico também, trabalhar para buscar voto que é o que importa agora”, disse a parlamentar.

Apoios nos estados
O ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, integrante da campanha à reeleição, também esteve no Planalto e afirmou que vai desenhar a estratégia do segundo turno. Ministros do governo, a exemplo de Ciro Nogueira (Casa Civil) e Fábio Faria (Comunicações), também auxiliam neste trabalho.

A campanha de Bolsonaro aposta que terá ainda nesta semana o apoio declarado do governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que no primeiro turno não esteve no palanque do presidente. Lula venceu a eleição em Minas Gerais.

Bolsonaro quer o empenho no Rio de Janeiro do governador reeleito Cláudio Castro (PL), e a campanha confia que presença de Tarcísio no segundo turno em São Paulo poderá ampliar a votação do presidente no maior colégio eleitoral do país.

A campanha também acredita que será possível fazer uma aliança com ACM Neto na Bahia (União Brasil), que disputará o segundo turno contra Jerônimo Rodrigues (PT). A intenção é reduzir a vantagem de Lula na Bahia.

QG de Lula quer ‘carta aos brasileiros’ para conservadores; Bolsonaro vai reforçar guerra ideológica e prometer 13º do Auxílio Brasil para mulheres

Depois dos resultados da votação de domingo (2), aliados do ex-presidente Lula (PT) estão traçando estratégias para a campanha no 2º turno. Uma das iniciativas pensadas pelo QG do petista é uma “carta aos brasileiros” dirigida aos conservadores.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, vai buscar articulação com Eduardo Leite, candidato a governador do RS, e de Rodrigo Garcia, derrotado na disputa pelo governo de SP. Ela também buscou os partidos de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) para tentar uma aliança para o segundo turno.

Outra linha de ação é a agenda religiosa. A avaliação da campanha é que a fake news de que Lula fecharia igrejas pode contribuído nos últimos dias para o crescimento de Jair Bolsonaro (PL) em relação ao que indicavam as pesquisas eleitorais. Nessa frente, aliados querem a participação ativa de Geraldo Alckmin (PSDB) e – especialmente – de Marina Silva (Rede), que entrou no fim da campanha lulista e tem muita credibilidade junto a esse público.

A ideia é articular não apenas na esfera política, mas ampliando a atuação para outros nichos.

Camilo Santana (PT), ex-governador do Ceará e eleito senador, vai reforçar a coordenação da campanha, cujos integrantes devem se reunir na tarde desta segunda (3).

Na opinião dos aliados do ex-presidente, a expressiva votação de candidatos bolsonaristas para a Câmara dos Deputados e para o Senado tem relação com o orçamento secreto; segundo eles, Bolsonaro usou o que podia e não podia com a máquina para garantir apoio.

Já no caso da disputa pelo governo de São Paulo, a avaliação é que o partido precisa ir para o enfrentamento; para Gleisi, Haddad precisa “ir para cima” de Tarcísio Freitas, seu opositor.

Guerra ideológica e Auxílio Brasil
Na campanha do 2º turno, a estratégia de Jair Bolsonaro será reforçar a guerra ideológica – a linha Carluxo. O presidente deixou isso claro no discurso que fez ontem após a confirmação de que ele irá para novo embate com Lula em 30 de outubro.

A ala política dos aliados de Bolsonaro quer uma campanha diferente na televisão, mas Carlos Bolsonaro insiste que a estratégia dele, de focar em questões ideológicas, é o que reforça o conservadorismo e desequilibra o jogo.

A nova fase da campanha deve ter mais participação de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente, além de apoio das bancadas conservadoras, com aliados como Damares Alves e Ricardo Salles, eleitos para o Senado e a Câmara dos Deputados, respectivamente.

Também haverá um movimento forte pelo apoio de ACM Neto, que disputará o 2º turno para governador na Bahia, e de Romeu Zema, eleito para o governo mineiro no 1º turno.

Além disso, o presidente vai continuar a tentar tirar frutos eleitorais do Auxílio Brasil. Segundo Fabio Wajgarten, um dos integrantes da campanha de Bolsonaro, ele vai prometer uma 13ª do Auxílio Brasil para as mulheres a partir de 2023.