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Somos também guias insensatos e cegos?

Cor Litúrgica: Verde

21ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus: 13 “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós fechais o Reino dos Céus aos homens. Vós, porém, não entrais, nem deixais entrar aqueles que o desejam. 15 Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando o conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós. 16 Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo Templo, não vale; mas, se alguém jura pelo ouro do Templo, então vale!’ 17 Insensatos e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18 Vós dizeis também: ‘Se alguém jura pelo altar, não vale; mas, se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, então vale!’ 19 Cegos! O que vale mais: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? 20 Com efeito, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. 21 E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. 22 E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado”. (Mt 23,13-22).

Irmãos e irmãs em Cristo!
No Evangelho de hoje, Jesus dirige-se com firmeza aos mestres da Lei e fariseus, chamando-os de hipócritas e condenando a forma como se relacionam com a espiritualidade e a prática religiosa. Essa repreensão é um convite para refletirmos profundamente sobre a verdadeira natureza do Reino de Deus e sobre a autenticidade da nossa prática espiritual.

Os fariseus e mestres da Lei eram conhecidos por sua adesão rígida às leis e tradições, mas Jesus revela que sua religião era mais uma fachada do que uma verdadeira expressão de fé. Eles se preocupavam mais com a aparência externa e com a manutenção de normas cerimoniais do que com a essência do que essas normas representavam. A crítica de Jesus vai além da simples reprovação às práticas; ela expõe a desconexão entre a religiosidade e a verdadeira vivência do Reino.

O Reino de Deus não pode ser reduzido a regras e tradições externas. É uma realidade que se manifesta na profundidade da transformação interior e na prática do amor genuíno. Ao condenar aqueles que fecham o Reino dos Céus diante dos homens, Jesus nos desafia a questionar se, de alguma forma, também estamos contribuindo para que outros se sintam excluídos ou desencorajados na sua busca espiritual.

Neste Evangelho, Jesus abre os olhos de todos os que se propõem a difundir o Reino de Deus, mas agem com hipocrisia e discriminação. Ele admoesta os guias, aquelas pessoas que estão à frente de projetos de edificação do Reino, mas estão longe de fazer a vontade de Deus e não usam de misericórdia.

Nós também podemos refletir se não somos guias cegos quando queremos atrair alguém para seguir a Jesus, mas, depois que conseguimos, colocamos obstáculos para o seu crescimento espiritual por causa de formalismos, leis e outras exigências.

Quando dizemos que somos evangelizadores e anunciadores da Palavra de Deus, mas impedimos que outras pessoas assumam papel importante na edificação do Reino porque não queremos perder posição, estamos vivendo o mesmo erro criticado por Cristo.

Que possamos sempre lembrar que o Reino de Deus se revela na profundidade do nosso coração e na sinceridade das nossas ações, e que o verdadeiro poder da nossa fé está em vivê-la de maneira autêntica e inclusiva. Que nossa prática religiosa seja um reflexo verdadeiro da transformação interior que Deus deseja em cada um de nós.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

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