
Cabeças se viraram quando homens mascarados e armados com porretes desceram uma rua de Rafah. Eram integrantes de um grupo de segurança pública formado por vigilantes, criado por facções armadas de Gaza após a força policial civil entrar na clandestinidade dizendo que estava sendo visada pelos ataques israelenses.
Um grupo de nove homens, com bandanas dizendo “Comitês de Proteção Popular” e máscaras de esqui ou capuzes, passaram por um mercado nesta semana, após terem aparecido pela primeira vez em Rafah no fim do mês passado.
“Queremos controlar as ruas para garantir que haja segurança no país… Estamos presentes na rua para controlar as ruas de todas as fontes de perigo que existem nas ruas palestinas atualmente”, disse.
O grupo foi formado pelo Ministério do Interior, administrado pelo Hamas, junto com outras facções políticas com presença nas ruas de Gaza, e recebeu a tarefa de assegurar a ordem pública e impedir que aproveitadores do mercado aumentem os preços, disse.
A Reuters não conseguiu encontrar um porta-voz do Ministério do Interior de Gaza, que parou de operar normalmente desde o começo da guerra. Porta-vozes de Hamas, Jihad Islâmica e outra grande facção não responderam aos pedidos por comentários em um primeiro momento.
Quando os vigilantes apareceram pela primeira vez nos mercados, alguns portando fuzis, dezenas de jovens se reuniram para assobiar, bater palmas e gritar “Deus é Grande” em apoio, disseram testemunhas.
Mas, embora alguns moradores de Rafah pareçam receptivos aos Comitês de Proteção Popular para combater a ilegalidade e quem se aproveita da guerra para lucrar, outros pareceram preocupados com a ideia de homens armados e mascarados assumindo o policiamento.
“Talvez se tivéssemos policiais de verdade, sem máscaras, pessoas que são conhecidas do povo, seria mais organizado e mais confortável”, disse um pai de quatro crianças à Reuters em uma ligação telefônica em Rafah.


