
Em sua coletiva anual de imprensa, o presidente da Rússia sugeriu hoje um ‘duelo’ de mísseis com os Estados Unidos, argumentando que o experimento que iria demonstrar como o novo míssil balístico hipersônico russo, o Oreshnik, pode derrotar qualquer sistema de defesa antimíssil norte-americano. Além do mais, defendeu e reiterou que seu país terá direito de usar armas nucleares em caso de ameaça, uma vez que decidiu alterar a doutrina nuclear russa, e agora é autorizado aplicar esse arsenal.
“Se os peritos ocidentais pensam que conseguem, proponho como àqueles que, no Ocidente e nos EUA lhes pagam pelas suas análises, que realizem uma espécie de experiência tecnológica: um duelo de alta tecnologia do século XXI. Estamos prontos para essa experiência. O outro lado estará pronto? Que escolham um objeto qualquer, digamos em Kiev, concentrem aí todas as suas forças de defesa aérea e antimíssil e nós vamos atingi-lo com o Oreshnik e veremos o que acontece“, indicou Putin.
Recentemente, o líder russo também afirmou que iria iniciar a produção em série do Oreshnik, que segundo declarou, é a arma mais poderosa do seu país. Com capacidade de atingir dez vezes a velocidade do som e um alcance estimado de até 3 mil km, é presumível que o projétil pode ser equipado com até quatro ogivas nucleares. Em meados de novembro, Moscou lançou pela primeira vez o novo míssil Oreshnik contra uma fábrica na cidade de Dnipro, no sudeste da Ucrânia. A Rússia alegou que era a resposta ao uso de armas fornecidas pelo Ocidente, especificamente os mísseis ATACMS norte-americanos de longo alcance e Storm Shadow britânicos, contra o seu território.
Putin ainda assegurou estar pronto para se encontrar a qualquer momento com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu negociações entre Moscou e Kiev, além de acabar com o conflito. “Não sei quando que vou vê-lo. Trump não disse nada sobre isso. E também estarei pronto para me encontrar com ele se quiser. Se alguma vez me encontrar com o presidente eleito Trump, tenho a certeza que teremos muito que falar” disse.
O líder republicano tem prometido repetidamente conseguir a paz na Ucrânia “em 24 horas” e já apelou a um “cessar-fogo imediato”. Na última segunda-feira, Trump comentou que queria falar com Putin e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para pôr “fim à carnificina” da guerra na Ucrânia. Além disso, avançou que Kiev deverá esperar por menos ajuda de Washington e se opôs ao uso de mísseis ocidentais para atacar território russo.
A incógnita definição em torno do plano de Trump causa preocupação na Ucrânia, que não quer ser forçada a aceitar condições desfavoráveis ou ceder territórios anexados num eventual acordo de paz com a Rússia.


