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Prisão de ex-vice-presidente acirra crise entre México e Equador

Crise Equador-México: mexicanos suspendem relações diplomáticas após prisão  em embaixada em Quito. Entenda - BBC News Brasil

A polícia do Equador invadiu na sexta-feira (6) à noite a embaixada do México e prendeu o ex-vice-presidente Jorge Glas. Ele é condenado por corrupção e tinha pedido asilo político na missão diplomática. O México reagiu e rompeu as relações com o governo equatoriano.

As imagens mostram o momento em que um carro da polícia do Equador sai da embaixada do México levando preso o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, que estava asilado no prédio.

O cônsul Roberto Canseco, que chefiava a embaixada, corre atrás do veículo, e é derrubado no chão pelos policiais.

Canseco disse que a ação policial foi “uma barbaridade. É impossível violar uma embaixada”.

A ministra das relações exteriores do México, Alicia Barcena, anunciou o “imediato rompimento de relações diplomáticas com o Equador” e que todo o pessoal diplomático do México no Equador está sendo retirado do país.

O México vai recorrer à Corte Internacional de Justiça da ONU, para denunciar o Equador por violação do Direito Internacional.

Pela Convenção de Viena, de 1961, os prédio de uma missão diplomática são invioláveis. 193 países assinaram o texto. Inclusive, Equador e México. Forças de Segurança do país anfitrião não podem entrar em embaixadas sem a permissão do chefe da missão.

Jorge Glas tem 54 anos. Na década passada, era um dos políticos mais poderosos do Equador.

Foi vice-presidente de Rafael Correia e, por um ano, vice de Lenin Moreno.

Em 2017, a Justiça o condenou por associação ilícita e suborno.

O Ministério Público o acusou de liderar uma rede de corrupção que negociava contribuições de empresas para o partido do presidente Rafael Correa e Lenin Moreno. Jorge Glas teria recebido 13,5 milhões de dólares da Odebrecht.

Passou cinco anos na cadeia. Em novembro de 2022, conseguiu um habeas-corpus. Mas em janeiro deste ano, a Justiça retomou a ordem de prisão. Um mês antes, Glas pediu asilo à embaixada mexicana em Quito, onde esperava conseguir um salvo-conduto para viajar para a Cidade do México.

Em vez disso, o presidente equatoriano Daniel Noboa ordenou sua captura.

A mais recente crise entre México e Equador começou na quarta-feira (3), quando o presidente mexicano Andrés Manuel Lopez Obrador declarou que o assassinato do candidato Fernando Villavicencio, em agosto do ano passado, pouco antes do primeiro turno, foi decisivo para a eleição de Daniel Noboa, dois meses depois.

Até aquele momento, o atual presidente não aparecia entre os primeiros nas pesquisas.

O governo Noboa considerou os comentários ofensivos e expulsou a embaixadora mexicana.

Sexta-feira (5) à noite, depois de ordenar a invasão da embaixada, o governo do Equador divulgou um comunicado.

O Equador declarou que as embaixadas têm a finalidade de servir como espaço diplomático para estreitar as relações entre países. Que nenhum criminoso pode ser considerado um perseguido político. Que Jorge Glas é um condenado com pena executória e teve mandado de prisão expedido pelas autoridades competentes.

No texto, o Equador afirma que o México abusou de imunidades e privilégios ao dar abrigo e asilo diplomático a Glas e contrariou o quadro jurídico convencional e que por isso a captura foi efetuada.

No fim, afirma que o Equador é um país soberano – e não vai permitir que delinquentes fiquem livres.

Nos últimos anos, autoridades mexicanas concedera asilo ou refúgio a políticos ligados ao ex-presidente Rafael Correia.

No sábado (6), o presidente do México, Manuel Lopez Obrador declarou que o ex-vice presidente equatoriano era um refugiado, que tinha pedido asilo por perseguição política.

Que o Equador violou o direito internacional e a lei mexicana. E que, por isso, o México suspendeu imediatamente as relações diplomáticas.

Nas imagens de sábado (6) de manhã em Quito, vê-se o momento em que um carro blindado saía de um centro de detenção levando preso o ex-vice-presidente Jorge Glas, transferido para uma prisão de segurança máxima no porto de Guayaquil, onde estão presos os chefes do narcotráfico no Equador.

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