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“Meu corpo não aguenta”: indianos relatam onda de calor sufocante

O motorista de riquixá Sagar Mandal disse que o calor não é normal, durante uma entrevista à CNN em Nova Delhi, Índia, em 20 de junho.

As noites na capital da Índia, Nova Délhi estão cada vez mais desconfortáveis e perigosamente quentes, uma vez que os habitantes da nação mais populosa do mundo sentem pouco alívio das temperaturas incontroláveis durante a noite.

O norte da Índia tem enfrentado um verão escaldante, e uma parte da capital, Nova Délhi, registrou a temperatura mais alta do país, 49,9°C, no início deste mês.

Contudo, o calor sufocante persiste mesmo depois que o sol intenso se põe.

A cidade tem esfriado apenas 8,5°C à noite, em comparação com 12,2°C nas áreas urbanas periféricas, segundo um relatório publicado pelo Centro de Ciência e Meio Ambiente (CSE) no mês passado, que rastreia o estresse térmico urbano em Délhi.

As noites mais quentes privam as pessoas do descanso e da recuperação após longas horas de exposição ao calor excessivo, principalmente para as pessoas sem acesso a ar condicionado.

O motorista de bicicleta-riquixá Sagar Mandal disse à CNN que tem recebido menos passageiros porque as pessoas optam por táxis com ar-condicionado em vez de transporte ao ar livre.

Meu corpo não aguenta, mas tenho que continuar pedalando. Estamos acostumados ao trabalho físico, não estamos reclamando disso. Mas esse calor não é normal, algo tem que mudar”, disse o homem de 39 anos, que leva as pessoas para pedalar pela cidade.

“Ninguém se importa se vivemos ou morremos, não importa em quem você vote, esse é um problema que ninguém pode resolver”, disse ele.

Nikhil Kumar, um motorista de tuk-tuk, disse que seus dias de trabalho estão ficando mais longos e mais difíceis em meio ao calor.

“Não melhora nada à noite, mesmo à noite estou suando, choveu um pouco ontem à noite, mas veja como está quente hoje, não há alívio”, disse o motorista de 26 anos.

Cientistas alertam que as noites mais quentes são uma consequência da crise climática, aumentando os riscos à saúde que são causados pelo estresse térmico.

Estudos demonstraram que temperaturas noturnas mais altas tornam mais difícil adormecer e reduzem as ondas profundas e o REM (movimento rápido dos olhos), ambos essenciais para que o corpo se repare e se refresque à noite.

Nos Estados Unidos, por exemplo, as noites estão esquentando mais rápido do que os dias na maior parte do país, segundo a Avaliação Climática Nacional de 2018.

Mandal, o motorista de bicicleta-riquixá, disse que tem dormido no telhado de sua casa para ter alguma esperança de ar mais fresco, mas apenas por algumas horas.

“Mal consigo dormir nesses dias”, disse ele.

De acordo com um estudo de 2019, a exposição a ondas de calor durante a gravidez também pode estar associada a resultados adversos, como parto prematuro. Adultos mais velhos podem apresentar frequências cardíacas mais altas e mais estresse fisiológico quando dormem em temperaturas mais quentes.

Um estudo australiano de 2008 descobriu até mesmo que as mortes por transtornos mentais e comportamentais aumentavam durante as ondas de calor, especialmente para adultos mais velhos.

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