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Macron ameaça impor sanções a Israel e diz que Estado palestino deve ser reconhecido

O presidente francês Emmanuel Macron /Ludovic MARIN/AFP

Nesta sexta-feira (30), o presidente da França, Emmanuel Macron, ameaçou impor sanções contra Israel se continuar a bloquear ou limitar a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

O bloqueio humanitário está criando uma situação insustentável no terreno. Se não houver resposta nos próximos dias que esteja à altura da situação humanitária que se apresenta, a Europa deve endurecer a nossa posição coletiva contra Israel. Neste momento, a Europa está dando carta-branca a Israel. No entanto, se continuarmos a darmos carta-branca a Israel, estaremos arruinando a nossa própria credibilidade. Temos de endurecer a nossa posição porque hoje é uma necessidade, mas ainda tenho esperança que o governo de Israel mude a sua e que finalmente tenhamos uma resposta humanitária“, afirmou.

Segundo Macron, no caso de não haver uma significativa mudança de Tel Aviv, a União Europeia deve aplicar as regras do bloco comunitário, que será pôr fim a processos que pressupõem o respeito pelos direitos humanos e aplicar sanções, se referindo ao acordo de associação entre os membros da UE e Israel que será reavaliado.

Mas, temos de trabalhar também para o reconhecimento de um Estado palestino. Não é apenas um dever moral, mas uma exigência política”, declarou, acrescentando que Paris está empenhada em trabalhar para uma solução política e reiterou o seu apoio a uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino.

Recentemente o presidente francês já admitiu que a França deverá reconhecer o Estado da Palestina, que Tel Aviv criticou e apontou como uma “recompensa ao terrorismo.

A França co-preside com a Arábia Saudita, entre 17 a 20 de junho, a conferência internacional nas Nações Unidas, em Nova Iorque, sobre a chamada solução dos dois Estados, israelense e palestino. Entretanto, o líder francês considerou que a criação do Estado da Palestina esta sujeito sob certas condições, entre eles, a libertação dos reféns, desmilitarização do Hamas e a não participação do grupo na liderança de um futuro Estado palestino, uma reforma da Autoridade Palestina, que administra a Cisjordânia ocupada, o reconhecimento, pelo futuro Estado, de Israel e do direito de viver em segurança além da criação de uma arquitetura de segurança em toda a região.

É isso que tentaremos consagrar num momento importante em 18 de junho, e eu estarei lá“, completou.

Em contrapartida, Israel acusou hoje Macron de empreender uma cruzada contra o Estado judeu. “Não há um bloqueio humanitário. Isso é uma mentira descarada. Quase 900 caminhões de ajuda humanitária já entraram em Gaza esta semana. Mas, ao invés de pressionar os terroristas jihadistas, Macron quer recompensá-los com um Estado palestino”, disse o Ministério das Relações Exteriores israelense.

Por outro lado, o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), assegura que Israel bloqueia a entrada em Gaza de quase toda a ajuda humanitária e que quase nenhum alimento entrou. O porta-voz da OCHA, Jens Laerke, descreveu Gaza como o lugar mais faminto do mundo e afirmou que apenas 600 dos 900 caminhões de ajuda foram autorizados a chegar à fronteira de Israel com o enclave e que, a partir daí, uma série de obstáculos burocráticos e de segurança tornaram praticamente impossível o transporte seguro de ajuda para a região. “O que temos conseguido trazer é farinha. 100% da população de Gaza está em risco de fome“, lastimou Larke.

Já o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Tommaso della Longa, acrescentou que metade das suas instalações médicas na região estão desativadas por falta de combustível ou de equipamento médico.

Enquanto isso, a Alemanha vai decidir se aprova ou não o envio de mais armas para Israel com base na situação humanitária em Gaza, informou Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores alemão dos Negócios Estrangeiros numa entrevista.

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