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Lula: “Se Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar; se Mendonça é culpado, tem que pagar”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu nesta quinta-feira (10) a abertura completa dos sigilos relacionados às investigações do caso Banco Master. Segundo ele, a medida é necessária diante do que chamou de vazamentos seletivos e da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, o chefe do Palácio do Planalto elogiou o presidente do STF, Edson Fachin, por “colocar ordem na Casa” — numa referência às últimas decisões do ministro.

Não se pode brincar com as pessoas, mentir sobre as pessoas. Já que vai haver vazamentos seletivos, tem que fazer a abertura de sigilo de todo mundo, para ver se a Corte recupera sua credibilidade”, disse em sabatina do SBT Brasil.

Lula afirmou que o caso deve ser apurado de forma ampla e que todas as informações relevantes precisam ser divulgadas, “doa a quem doer”. Em seguida, o petista citou especificamente as últimas decisões de Fachin.

“Eu estou satisfeito que o Fachin começou a colocar ordem na casa”, disse. “Ainda falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei acima de tudo e a verdade soberana”, emendou.

Entenda a crise no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise interna que começou após a divulgação de mensagens do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o ministro Alexandre de Moraes.

As conversas foram divulgadas quando o também ministro do STF André Mendonça retirou o sigilo do processo que continha informações extraídas do celular de Vorcaro, incluindo mensagens enviadas a um contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”, atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça encaminhou o relatório à PGR e defendeu que o caso fosse analisado pelo plenário do Supremo.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também mencionado nas conversas, pediu a anulação do documento e questionou a forma como Mendonça conduziu o procedimento. No dia seguinte, veio a público que o próprio Mendonça havia se encontrado com Vorcaro em março de 2025. O ministro confirmou o encontro, realizado no Instituto Iter, entidade fundada por ele, mas defendeu sua isenção nas investigações.

A tensão aumentou quando Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Moraes acusou o colega de direcionar investigações por razões pessoais e políticas e de determinar a produção ilegal de provas contra ele. Mendonça, por sua vez, passou a questionar a atuação da Polícia Federal e afirmou ter sido monitorado ilegalmente pela corporação.

A crise chegou ao comando da PF em 8 de setembro, quando Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. No dia seguinte, Flávio Dino suspendeu os afastamentos e questionou a possibilidade de Mendonça decidir sozinho sobre documentos nos quais ele próprio era mencionado.

Diante das decisões conflitantes, o presidente do STF, Edson Fachin, interveio. Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino, manteve os dois dirigentes da PF nos cargos e convocou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro. Também determinou que procedimentos com potencial para investigar ministros do Supremo sejam previamente encaminhados à Presidência da Corte.

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