
“Saúde e Soberania”. O mote da inauguração da fábrica da Hemobras em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, na manhã desta quinta-feira (14), foi também o tom dos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus aliados.
Lula apostou naquilo que vem o ajudando a recuperar a sua popularidade: a narrativa do “nós contra eles” – em referência ao tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
“Nós vamos ajudar nossas empresas, não iremos deixar elas morrerem. E também não vamos ficar chorando porque ele [Trump] parou de comprar. Vamos vender para a China, Índia, Rússia, Alemanha, para qualquer lugar” disparou Lula. A ideia era reforçar que o Brasil “não depende de forças externas para crescer” e teve como alvo o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Ele também acusou Trump de prejudicar as boas relações que Brasil e EUA mantém há décadas, e de querer “mandar no mundo”. Tanto o presidente quanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), fizeram questão de exaltar o Brasil como um país que tem capacidade de cuidar da saúde do seu próprio povo sem depender de importação, e de acusar o governo Trump de “perseguir cientistas e profissionais da saúde, e descredibilizar as vacinas”.
“Quem tem histórico de atacar a saúde é Trump, que começou o ano perseguindo cientistas que desenvolvem vacinas nos Estados Unidos, depois cancelando contratos com empresas americanas que produzem vacinas, cortando os recursos para desenvolvimento de vacinas. E, agora, faz um ataque a um programa internacionalmente reconhecido que é o Mais Médicos”, afirmou Padilha.
“O ‘S’ da saúde é o ‘S’ da soberania para aqueles que acreditam que o Brasil é com ‘S’. Brasil com ‘Z’ não faz uma fábrica como essa, no interior de Pernambuco”, disse o ministro.
Um dos alvos das sanções dos EUA foi o braço direito de Padilha no ministério, Mozart Sales, um dos nomes por trás do programa Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos para atuar no Brasil, lançado durante o governo de Dilma Rousseff (PT). O envolvimento com Cuba teria sido o motivo da cessação do visto de Mozart. Ele foi defendido por Lula e Padilha em diversos momentos ao longo da manhã. “Não se preocupe com o visto Mozart. Tem muito chão no Brasil pra você andar”, ironizou Lula.



