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Juíza dos EUA bloqueia iniciativa do governo Trump de encerrar status legal de 8,4 mil imigrantes

Ao atacar a América Latina em temas como drogas e imigração, Trump fortalece sua base eleitoral, avalia especialista — Foto: Reuters

Uma juíza federal bloqueou a iniciativa do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que previa encerrar o status legal de mais de 8.400 familiares de cidadãos americanos e de portadores de green card oriundos de sete países da América Latina.

A juíza distrital Indira Talwani, de Boston, emitiu uma liminar preliminar na noite de sábado (24) que impede o Departamento de Segurança Interna de encerrar a entrada condicional humanitária concedida a milhares de pessoas de Cuba, Haiti, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala e Honduras.

Eles foram autorizados a se mudar para os EUA por meio de programas de entrada condicional de reunificação familiar que foram criados ou modernizados pelo governo do presidente democrata Joe Biden.

Desde que Trump voltou à presidência, o governo ampliou a fiscalização migratória e destinou US$ 170 bilhões às agências de imigração até setembro de 2029, o maior orçamento já registrado para a área.

Legalidade de imigrantes nos EUA

Pelos programas de reunificação familiar, cidadãos norte-americanos e residentes permanentes legais — portadores de green card — podiam se candidatar como patrocinadores de familiares em sete países, permitindo que eles residissem nos EUA enquanto aguardavam a liberação dos vistos de imigração.

Em 12 de dezembro, o Departamento de Segurança Interna anunciou o encerramento dos programas, alegando que eles não estavam alinhados às prioridades de fiscalização migratória do governo Trump e teriam sido usados de forma indevida para permitir que “estrangeiros mal examinados contornassem o processo tradicional de concessão de liberdade condicional”.

A rescisão estava originalmente programada para entrar em vigor em 14 de janeiro, mas Talwani emitiu uma ordem de restrição temporária bloqueando-a por 14 dias enquanto considerava se emitiria a liminar de longo prazo de sábado.

Talwani afirmou que o departamento, sob a liderança da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, não apresentou fundamentos para as alegações de fraude nem avaliou se os afetados teriam condições viáveis de retornar a seus países de origem, onde muitos venderam suas casas ou deixaram seus empregos.

A secretária não poderia fornecer uma explicação fundamentada da mudança de política da agência sem reconhecer esses interesses“, escreveu Talwani, que foi nomeada pelo presidente democrata Barack Obama. “Dessa forma, o fato de não ter feito isso foi arbitrário e caprichoso.”

O departamento não respondeu a um pedido de comentário.

A decisão foi tomada em uma ação coletiva movida por defensores dos direitos dos imigrantes que contestam a reversão mais ampla da entrada condicional temporária concedida pelo governo a centenas de milhares de imigrantes.

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