
Em encontro com a Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), nesta quarta-feira (8), no Recife, o pré-candidato ao governo pela Frente Popular de Pernambuco João Campos (PSB) fez paralelos entre a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) e sua atuação à frente da Prefeitura do Recife. Para o ex-prefeito, o estado perdeu espaço e competitividade no setor de negócios e tem apresentado um enfraquecimento do ensino médio público.
“Pernambuco perdeu 28 mil vagas de ensino integral. É o único estado que reduziu vertiginosamente o número de vagas”, declarou João Campos, em oposição à expansão de vagas de creches no Recife, que saltaram, segundo ele, de 6,5 mil para 13 mil vagas na capital pernambucana. “Se você não faz o dever como merenda, não chega nem no debate pedagógico. A sensação é de que a gente tem um horizonte de reconstrução de áreas estratégicas pela frente.”
O comentário vem na esteira das críticas a uma das principais promessas da campanha de 2022 de Raquel Lyra: a construção de 250 creches novas e 60 mil vagas a serem disponibilizadas à população. Na última quinta (2), a governadora inaugurou o segundo Centro de Educação Infantil (CEI) Tia Manu, em Igarassu, que se tornou a 11ª unidade escolar inaugurada em sua gestão.
João Campos disse que, em 30 anos, o governo atual é o primeiro que não construiu uma escola técnica estadual (ETE). “A gente já teve a rede que mais crescia em educação técnica. Isso tem que ser um caminho permanente, tem que expandir, crescer e gerar oportunidade”, disse, ao afirmar que Pernambuco foi ultrapassado pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Bahia. “Pernambuco só está à frente de Sergipe”, afirmou.
“É assim que a gente vai gerar oportunidade para a juventude, ganhar competitividade, atrair grandes empresas, multinacionais, gerar um ciclo de desenvolvimento?”, provocou o ex-prefeito do Recife, antes de evocar o Embarque Digital, parceria firmada com o Porto Digital que oferece graduação e tecnólogos no setor tecnológico aos recifenses. Segundo ele, metade das inscrições não é analisada, pois são de pessoas do interior de Pernambuco. “A gente precisa levar essas oportunidades para outros lugares”, disse.
Apesar disso, Campos manteve majoritariamente um discurso menos combativo, optando por destacar números da sua atuação como gestor, como a ampliação da atenção básica — com a inserção, segundo ele, de 300 mil pessoas cadastradas na Saúde da Família e mais de 5 mil profissionais do setor. “Se a gente fizer o dever de casa de crescer a economia, trazer empresas e gerar mais de 10 mil empregos, se o orçamento crescer, a gente vai destinar o recurso público para quem precisa”, concluiu.





