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Guerra no Sudão: milhares fogem para campos superlotados após massacre de grupo paramilitar

Foto divulgada pelo Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) mostra mulheres e crianças deslocadas de El Fasher para um campo de refúgio em Tawila, no Sudão — Foto: NRC via AP

 

Dezenas de milhares de pessoas no Sudão fugiram para campos de refúgio superlotados para escapar dos rebeldes das Forças de Apoio Rápido (RSF), relatou um grupo de ajuda humanitária neste sábado (8).

O grupo paramilitar, em guerra civil contra o Exército sudanês, tomou a cidade de El Fasher no último dia 26 de outubro após um longo cerco de 18 meses. Esta era a última grande cidade da região de Darfur que ainda não estava sob o domínio das forças rebeldes.

No último dia 30, o RSF matou mais de 460 civis somente em um hospital na cidade. Ao longo de três anos do conflito, estima-se que o número de vítimas possa ter passado de 40 mil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS); observatórios da guerra falam em 150 mil mortos.

O RSF negou ter matado pessoas no hospital, mas depoimentos de sobreviventes e vídeos divulgados nas redes sociais mostram um cenário apocalíptico do ataque. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o ataque e apontou “o aumento do risco de atrocidades de grande escala, incluindo as de motivação étnica”.

Os campos de refúgio em Tawila, a cerca de 70 quilômetros de El Fasher, estão recebendo a maior parte dos civis que fogem do RSF. O alojamento está localizado em uma região árida, com infraestrutura precária — muitas das tendas foram improvisadas com lonas e lençóis remendados.

Estima-se que, ao todo, 82 mil civis fugiram de El Fasher até o dia 4 de novembro em direção a locais mais seguros. Mais de 16.200 pessoas fugiram somente para os campos de Tawila desde que o RSF tomou a cidade, segundo o porta-voz do grupo de ajuda humanitária, Adam Rojal.

Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, 300 pessoas chegaram a Tawila apenas na quinta-feira (6), fugindo de El Fasher. As equipes relataram “níveis extremamente altos de desnutrição entre crianças e adultos”.

Em um vídeo publicado pelo grupo Sudan’s IDPs and Refugee Camps (campos de refugiados e migrantes internos do Sudão) mostra crianças correndo pelo local enquanto adultos carregam uma grande panela de comida para alimentar a crescente multidão do campo.

De acordo com um dos diretores no hospital de Tawila, Abu Bakr Hammad, a unidade de saúde recebeu pelo menos 1.500 pessoas que fugiram de El Fasher, algumas delas com fraturas graves.

O RSF e o exército sudanês estão em guerra desde abril de 2023, após tensões crescentes pelo controle do terceiro maior país da África. Cerca de 12 milhões de pessoas foram deslocadas no país, e quase metade da população enfrenta grave insegurança alimentar.

O país africano é comandando pelo general Abdel Fatah al Burhan, desde que suas forças comandaram um golpe de Estado que derrubou o então governo, em 2021.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, alertou que aqueles que permaneceram em El Fasher correm perigo. “Hoje, civis traumatizados ainda estão presos dentro de El Fasher e estão sendo impedidos de sair”, disse ele na sexta-feira em Genebra.
“Temo que atrocidades abomináveis, como execuções sumárias, estupros e violência motivada por etnia, estejam continuando dentro da cidade”, acrescentou.

“E para aqueles que conseguem fugir, a violência não termina, pois as rotas de fuga também têm sido palco de crueldades inimagináveis.”

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