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Frustração, medo e escassez em Gaza: o relato dos brasileiros após quatro semanas de espera

Frustração, medo e escassez em Gaza: o relato dos brasileiros após quatro  semanas de espera | Jornal Hoje | G1

A angústia dos brasileiros em Gaza começou há mais de quatro semanas. Alguns tinham viajado para a região para visitar parentes e não conseguiram mais sair depois que começou o contra-ataque de Israel à ação terrorista do Hamas, no dia 7 de outubro.

Desde então, eles registraram explosões em prédios próximos e enfrentaram dificuldades para conseguir água, comida e remédios.

O governo brasileiro começou a organizar o resgate na primeira semana do conflito. Nos dias 12 e 13 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores reuniu 19 brasileiros numa escola católica no Norte da Faixa de Gaza, enquanto negociava a retirada deles da região – 11 deles, crianças.

Bader, de 11 anos, estava com os pais e os irmãos Rose, de 9 anos, e Mohammed, que tem 4 anos. O local fica a uma distância de cerca de 40 quilômetros da cidade de Rafah, o ponto de saída para a Península do Sinai, no Egito.

“Eu estou muito feliz porque eu estou nessa escola. Essa escola, eu senti muita segurança, porque aqui a gente não pode morrer, aqui o chão é limpo. Tudo é limpo”, disse o menino.

Enquanto isso, outras famílias preferiram aguardar o resgate nas próprias casas, na cidade de Khan Younis, mais ao Sul.

Escassez em Khan Younes
Em Khan Younes, ao longo de quase quatro semanas, registraram as dificuldades na região.

“A gente está passando grande dificuldade de achar comida. Pão faz três dias. A gente não consegue pão. A comida, a gente está fazendo o máximo possível para economizar. Água desde o começo desses ataques e conflito, a gente está sem água para tomar banho, lavar. Só temos água bem salgada para beber”, contou o comerciante Hasan Rabee em um áudio, na época.

A esperança se renovava quando o Itamaraty conseguia enviar mantimentos e dinheiro para o mercado. “Estava louco para beber água boa”, celebrou Hasan, em 17 de outubro.

Mas a sensação de alívio era interrompida por bombardeios frequentes. “Acabaram de jogar um bombardeio bem aqui atrás de nós. Hoje, agora. Nesse segundo. Nesse exato segundo”, relatou Shahed, em 19 de outubro.

Frustração e desistência
O número de brasileiros que sairiam pela fronteira foi mudando ao longo dos dias. Sem parentes ou estrutura no Brasil, uma das famílias, por exemplo, chegou a desistir de voltar.

Mãe e quatro filhos com dupla nacionalidade e um pai palestino. A casa deles foi destruída num bombardeio.

A família mudou de ideia após saber que vai receber ajuda do governo federal. No dia 18 de outubro, o Ministério da Justiça anunciou que todos os repatriados terão abrigo e alimentação, apoio para regularizar os documentos e cuidados médicos.

Ao todo, o governo já repatriou mais de 1,4 mil cidadãos. Ao menos 1.413 vieram de Israel em oito voos e 32 vieram do território da Cisjordânia.

Desde que a fronteira com o Egito foi aberta pela primeira vez, em 1º de novembro, o grupo de brasileiros na Faixa de Gaza esperou 10 dias para entrar na lista de nomes autorizados a sair.

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