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José Antonio Kast, candidato de direita, adotou tom apaziguador em seu primeiro discurso após ser eleito como novo presidente do Chile, neste domingo (14). Ele conseguiu mais de 58% dos votos, de acordo com o Serviço Eleitoral (Servel) do país.
“É um dia incrível”, afirmou o vencedor da eleição ao subir no palco na noite deste domingo. Após agradecer os eleitores e sua família, ele afirmou que precisava pedir “um pouco mais” de todos.
“Ajudem-me, todos, para que nestes quatro anos consigamos fazer o bem. Assim como temos mantidos nossa unidade, peço esse sacrifício adicional que me sigam acompanhando na Presidência da República.”
No segundo turno, ele superou a candidata de esquerda, Jeanette Jara, que ficou em primeiro lugar no primeiro turno.
“Quero lhes pedir algo muito especial. Quero pedir um momento de profundo respeito e silêncio. Um governo tem partidários e tem oposição. Isso é normal. É legítimo. Claramente, com Jeannette Jara, temos profundas diferenças”, afirmou ele. Ao receber vaias do público, pediu novamente respeito.
“Respeito e silêncio vão marcar nossa gestão de governo. Podemos ter diferenças, e duras, podemos acreditar em coisas muito diferentes para a nossa sociedade, porém se estimamos a violência, se estimamos os gritos exagerados, é muito difícil que saiamos à frente.”
Kast disse que um de seus filhos lhe perguntou se o mundo seria melhor se todos fossem de direita. “Não necessariamente”, disse o presidente eleito do Chile.
“Os temas que afetam as pessoas não têm cor política. Há pessoas que se comportam bem na esquerda e na direita. Há pessoas que se comportam mal na esquerda e na direita.”
“Se vamos combater o crime organizado, precisamos de vocês também”, disse Kast, dirigindo-se à oposição. “Serei o presidente de todos os chilenos.”
Ele afirmou ainda que o Estado “não é um espólio e, por isso, queremos fazer um governo de unidade” também no âmbito parlamentar. “Por isso dissemos que queremos impulsionar um acordo nacional; embora digam que não somos bons para acordos, vamos surpreendê-los.”
Ele também prometeu endurecer leis e combater a criminalidade. “Para esses delinquentes, a vida vai mudar.”
Desde 2010, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile a cada eleição.
Jara é ex-ministra do Trabalho do atual governo do presidente Gabriel Boric, que representa uma coalizão de centro-esquerda. Ela venceu o primeiro turno, mas a soma dos votos da direita superou 50%, impulsionada por propostas de segurança pública.
Embora o Chile esteja entre os países mais seguros da região, 63% da população apontam a criminalidade como principal preocupação, segundo o Ipsos. Os homicídios cresceram 140% em dez anos, e o país registrou 868 sequestros em 2024, uma alta de 76% em relação a 2021.
