Search

Em 1º discurso, Kast diz que será presidente de todos os chilenos e pede ajuda da oposição para combater o crime organizado

José Antonio Kast e sua esposa, María Pía Adriasola, na comemoração após eleição presidencial do Chile — Foto: Reprodução/YouTube/José Antonio Kast

José Antonio Kast, candidato de direita, adotou tom apaziguador em seu primeiro discurso após ser eleito como novo presidente do Chile, neste domingo (14). Ele conseguiu mais de 58% dos votos, de acordo com o Serviço Eleitoral (Servel) do país.

“É um dia incrível”, afirmou o vencedor da eleição ao subir no palco na noite deste domingo. Após agradecer os eleitores e sua família, ele afirmou que precisava pedir “um pouco mais” de todos.

“Ajudem-me, todos, para que nestes quatro anos consigamos fazer o bem. Assim como temos mantidos nossa unidade, peço esse sacrifício adicional que me sigam acompanhando na Presidência da República.”

No segundo turno, ele superou a candidata de esquerda, Jeanette Jara, que ficou em primeiro lugar no primeiro turno.

“Quero lhes pedir algo muito especial. Quero pedir um momento de profundo respeito e silêncio. Um governo tem partidários e tem oposição. Isso é normal. É legítimo. Claramente, com Jeannette Jara, temos profundas diferenças”, afirmou ele. Ao receber vaias do público, pediu novamente respeito.

“Respeito e silêncio vão marcar nossa gestão de governo. Podemos ter diferenças, e duras, podemos acreditar em coisas muito diferentes para a nossa sociedade, porém se estimamos a violência, se estimamos os gritos exagerados, é muito difícil que saiamos à frente.”

Kast disse que um de seus filhos lhe perguntou se o mundo seria melhor se todos fossem de direita. “Não necessariamente”, disse o presidente eleito do Chile.

“Os temas que afetam as pessoas não têm cor política. Há pessoas que se comportam bem na esquerda e na direita. Há pessoas que se comportam mal na esquerda e na direita.”

“Se vamos combater o crime organizado, precisamos de vocês também”, disse Kast, dirigindo-se à oposição. “Serei o presidente de todos os chilenos.”

Ele afirmou ainda que o Estado “não é um espólio e, por isso, queremos fazer um governo de unidade” também no âmbito parlamentar. “Por isso dissemos que queremos impulsionar um acordo nacional; embora digam que não somos bons para acordos, vamos surpreendê-los.”

Ele também prometeu endurecer leis e combater a criminalidade. “Para esses delinquentes, a vida vai mudar.”

Desde 2010, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile a cada eleição.

Jara é ex-ministra do Trabalho do atual governo do presidente Gabriel Boric, que representa uma coalizão de centro-esquerda. Ela venceu o primeiro turno, mas a soma dos votos da direita superou 50%, impulsionada por propostas de segurança pública.

Embora o Chile esteja entre os países mais seguros da região, 63% da população apontam a criminalidade como principal preocupação, segundo o Ipsos. Os homicídios cresceram 140% em dez anos, e o país registrou 868 sequestros em 2024, uma alta de 76% em relação a 2021.

Compartilhe:

Deixe um comentário