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Dólar sobe e passa dos R$ 5,20; risco de recessão nos EUA e discurso de Lula estão no radar

Dólar opera em alta nesta quinta-feira — Foto: Alexander Mils/Pexels

O dólar operava em alta nesta quinta-feira (19), estendendo o movimento positivo do dia anterior na medida em que investidores repercutem a entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedida à Natuza Nery para a Globonews.

No cenário externo, o mercado continua de olho nas sinalizações sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), após falas de dirigentes do BC norte-americano aumentarem as expectativas de que a maior economia do mundo passe por um período de recessão.

Às 13h08, a moeda norte-americana subia 1,21%, cotada a R$ 5,2238. Veja mais cotações.

Na véspera, o dólar subiu 1,10% e fechou o dia vendido a R$ 5,1615. Com o resultado, a moeda acumula queda de 3,27% no ano.

Risco de recessão nos EUA
No exterior, o destaque do dia permanece com os Estados Unidos. Ontem, o Fed publicou o Livro Bege, um documento que traz informações sobre a economia nos 12 distritos do banco central. O órgão relatou que os preços desaceleraram na maioria dos distritos, ao passo que o mercado de trabalho apertado segue pressionando os salários nos EUA.

Na seara inflacionária, a avaliação geral é que os altos preços seguem impactando o poder de compra dos consumidores americanos mesmo após a desaceleração da inflação. Ainda assim, os gastos com consumo ganharam força impulsionados pelas compras durante o recesso de fim de ano.

Ao contrário da inflação, o mercado de trabalho ainda não mostra sinais de arrefecimento e permanece apertado, relata o documento. Desta forma, ainda há “elevada pressão salarial” no país.

O Livro Bege informa que o emprego continuou subindo na maioria dos 12 distritos do Fed e as empresas seguem com dificuldade para preencher vagas abertas, mesmo diante do aumento da oferta de trabalho em algumas regiões dos EUA.

Na sequência da divulgação, dirigentes do Fed discursaram e sinalizaram a necessidade do banco central de continuar adotando uma política monetária mais restritiva, com a manutenção dos juros em patamares elevados. Atualmente, as taxas americanas estão entre 4,25% e 4,50% ao ano e as expectativas são de novas altas.

Juros mais altos nos Estados Unidos elevam a rentabilidade dos títulos públicos do país, que são considerados os mais seguros do mundo. Assim, investidores migram para tais aplicações, em detrimento de ativos de risco, como o mercado de ações e moedas de países divergentes – o que ajuda a explicar a desvalorização do real frente o dólar.

Com pressão inflacionária e juros mais altos, crescem, também, a percepção de risco de que os Estados Unidos enfrentem uma recessão econômica.

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