
Quando o grupo radical islâmico Hamas rompeu a cerca de Gaza para promover um ataque surpresa e sem precedentes a Israel, o kibutz de Mefalsim – a menos de três quilômetros da fronteira – estava na linha da frente. Carregando rifles AK-47 e lançadores de granadas, um grupo de extremistas se dirigiu aos portões da comunidade, enquanto outro se moveu para destruir seu gerador, de acordo com vídeos de segurança e moradores locais.
Essa precisão, dizem os agentes de segurança israelitas locais, não foi acidental: os combatentes pareciam saber exatamente para onde ir.
A CNN analisou documentos que as autoridades israelenses dizem ser planos de ataques terroristas, e eles sugerem que o Hamas levantou uma quantidade robusta de informações sobre seus alvos. Nenhum dos ataques, contudo, correu conforme o planeado, graças em parte a guardas voluntários que defenderam seus vizinhos em tiroteios dramáticos.
Fotos do plano para atacar Mefalsim foram publicadas online por um grupo de socorristas israelense, que alega tê-lo recuperado do corpo de um extremista morto. Dois agentes de segurança locais disseram à CNN ter visto imagens do plano de forma independente e que ele correspondia perfeitamente às táticas empregadas durante o atentado.
Codificado por cores, o documento inclui informações detalhadas sobre a equipe de segurança do kibutz. Orienta um grupo de extremistas a romper a cerca da comunidade, enquanto outros deveriam “capturar soldados e civis e manter reféns” para negociação.
Yarden Reskin, membro da força de segurança voluntária de Mefalsim que passou horas trocando tiros com militantes – e ajudou a evitar mortes dentro da comunidade – se disse “chocado” com o nível de detalhamento.
“Eles sabiam de tudo”
Assim Reskin descreve as informações encontradas. “Eles sabiam onde estavam os portões, geradores e o arsenal. Sabiam basicamente quantos de nós havia na equipe de segurança. Eles tinham informações muito, muito boas”.
Outro suposto documento do Hamas que apresenta planos para atacar o kibutz vizinho de Sa’ad, obtido pela CNN, foi ainda mais assustador. Ele listou o objetivo dos radicais como “atingir o máximo possível de baixas humanas”.
Tal como em Mefalsim, os planos não se concretizaram: um grupo de socorristas e um residente local relataram à CNN que nenhum residente foi morto dentro de Sa’ad.
A diferença entre os planos detalhados e o que ocorreu na prática é um sinal do caos que se espalhou durante o ataque, uma vez que os combatentes do Hamas encontraram muito menos resistência por parte dos militares israelenses do que esperavam. Apesar dos milhões de dólares investidos pelo governo de Israel na segurança da sua fronteira e no desenvolvimento de uma das operações de inteligência mais renomadas do mundo, sua inteligência foi apanhada de surpresa.
A CNN traduziu os documentos, mas não verificou de forma independente a sua origem. Vários porta-vozes do grupo extremista não responderam substancialmente às mensagens que pediam comentários ou confirmação sobre os planos.


