
O corpo de Elizabeth II deixou, nesta terça-feira (13), a Catedral de Saint Giles, em Edimburgo, onde por 24 horas os escoceses puderam se despedir de sua rainha, que faleceu na quinta-feira aos 96 anos, para realizar sua última viagem a Londres.
Oito pessoas carregaram o caixão, envolto com o estandarte real e uma coroa de flores brancas, sob os olhares de uma multidão reunida do lado de fora da catedral, onde permaneceu em uma capela ardente desde a tarde de segunda-feira.
O caixão, acompanhado pela filha da rainha, a princesa Anne, de 72 anos, será levado de avião para a capital britânica, onde passará a noite no Palácio de Buckingham rodeado por membros da família real, chefiada pelo novo monarca, Charles III.
Enquanto o país se despede de sua mãe, o rei de 73 anos se instala no trono que sua mãe ocupou por sete décadas, tornando-se símbolo de união e estabilidade.
Isso inclui uma viagem pelas quatro nações que compõem o país: Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte.
A etapa da Irlanda do Norte, que Charles III realizou nesta terça-feira (13), é considerada a mais delicada.
Desde que os britânicos mantiveram, em 1921, este pedaço da ilha após a independência da Irlanda, a região dividiu-se entre católicos e protestantes.
Profundamente devotados à rainha falecida, os unionistas da Irlanda do Norte, protestantes, temem que a sua causa seja enfraquecida num contexto político alterado pela saída da União Europeia, e pelo avanço dos nacionalistas republicanos e católicos, a favor da reunificação com a vizinha Irlanda.
“Assumo minhas novas tarefas determinado a buscar o bem-estar de todos os habitantes da Irlanda do Norte”, prometeu Charles III no Castelo de Hillsborough, no sul de Belfast, aos representantes políticos locais.
A visita de Elizabeth II à Irlanda em 2011 foi a primeira de um monarca britânico desde a independência e ajudou a selar a paz na região.
Se a rainha gozava de respeito de amplos setores em todas as regiões, Charles III tem o desafio de manter as costuras do reino após o Brexit.
A decisão de deixar a União Europeia foi percebida como inglesa e estimulou o sentimento anti-Londres entre os separatistas escoceses, galeses e norte-irlandeses.


