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Coração de triatleta que ficou 2 meses internada em coma após atropelamento parou por 8 minutos

Luisa Baptista Brasil é campeã do triatlo no Pan de Lima — Foto: Wander Roberto/COB

A triatleta Luisa Baptista, que ficou em coma por dois meses após um grave atropelamento no interior de São Paulo, ficou com o coração parado por oito minutos. Apesar de não ter sofrido danos cerebrais, a triatleta teve fraturas em quase todo o lado direito do corpo — algumas expostas na mão e na perna.

Além disso, o pulmão foi perfurado pelas costelas. Um aparelho conhecido como ECMO (sigla em inglês para oxigenação por membrana extracorpórea), que funciona como um pulmão artificial, ajudou a triatleta a lutar pela vida.

“No caso de um pulmão doente, com sangramento, com problemas agudos, com inflamação, com infecção, o pulmão deixa de fazer a sua função, que é oxigenar e eliminar o gás carbônico produzido nessa troca”, explicou a cardiologista Ludhmila Hajjar.

A campeã Pan-Americana de 29 anos precisou do equipamento por cinco dias. Isso só foi possível porque o caso chamou a atenção da doutora Ludmilla Hajjar. A cardiologista conseguiu viabilizar o difícil acesso ao aparelho, que ainda não está disponível pelo sus.

“Foi muita sorte da doutora Ludmilla ter me achado”, disse Luisa.

“Eu montei uma equipe, um grupo de WhatsApp, porque eu tinha que pegar material, cânulas, material cirúrgico, a própria ECMO, as pessoas, organizar a UTI aérea. É um conjunto, é uma orquestra”, explicou a médica.

O acidente

Nayn José Sales, o motociclista sem habilitação que atropelou a atleta, havia ido a uma festa com bebida à vontade na noite anterior. Essa semana, ao Fantástico, ele disse que não ingeriu álcool, e que o acidente ocorreu quando estava a caminho do trabalho, mas não se lembra do momento da colisão.

“A nossa vida está parada. Enquanto ele está solto, ele está vivendo a vida dele”, lamentou a mãe de Luisa.

O Fantástico teve acesso à única câmera que mostra Luisa passando pela rodovia, a 350 metros do local do acidente. O vídeo não registra a moto, o que, segundo a defesa da vítima, reforça a tese de que o motociclista vinha no sentido contrário, invadiu a outra faixa, e atingiu a atleta na contramão. Os laudos da perícia ainda não estão concluídos.

Segundo delegado responsável pelo caso, o motociclista responde por lesão corporal na direção de veículo automotor. “A tipificação que está sendo apurada agora, mudar para uma tentativa de homicídio por dolo eventual”, contou a delegado.

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