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Em 19 de julho de 2020, poucos meses depois do início da pandemia que paralisou o mundo, um foguete subiu aos céus na base de lançamentos da ilha de Tanegashima, no sul do Japão.
A bordo do foguete, havia uma pequena espaçonave, com pouco mais de dois metros de largura e mais ou menos o peso de um automóvel Ford Focus. Ela incluía uma série de câmeras e espectrômetros vitais para sua missão iminente, que teria lugar depois de uma viagem de mais de 493 milhões de quilômetros a partir da Terra.
Empoleirada sobre sua estrutura dourada, havia uma grande antena de rádio preta, para enviar seus dados através do vasto e frio abismo no espaço, até os atentos controladores no centro de controle.
A espaçonave chama-se Hope (Esperança, em inglês). Ela não é americana, nem russa, chinesa ou europeia. Hope foi a primeira espaçonave da Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos (Uaesa, na sigla em inglês) a viajar além da órbita do nosso planeta.
Com sucesso, ela foi a primeira espaçonave de um país árabe a chegar a Marte. Os Emirados Árabes são agora a quinta nação do mundo a colocar com sucesso uma espaçonave em órbita do planeta vermelho.
Seis anos antes do lançamento, a Uaesa nem mesmo existia.
Mas, no momento em que os Emirados Árabes Unidos se preparavam para celebrar seu cinquentenário, a agência espacial do país apostou sua reputação colocando uma espaçonave em órbita de Marte na primeira tentativa, para transmitir detalhes sobre o clima marciano que nunca haviam sido observados antes.


