Search

Com mais de 4 mil casos de dengue em 2025, Recife ultrapassa em 71% o número de ocorrências registradas no ano passado

Com relação aos números de Chikungunya, foram notificados 464 confirmações, número que representa uma redução de 37,72% em comparação a todo ano de 2024/Foto: Divulgação/Arquivo Agência Brasil

Apesar do ano de 2025 não ter terminado, o Recife já conseguiu ultrapassar em 71% o número de casos de dengue confirmados em relação a 2024. Segundo dados do último Boletim Epidemiológico, divulgado pela Secretaria de Saúde da capital pernambucana, a cidade notificou 4212 ocorrências de dengue até o dia 8 de novembro, data utilizada como referência pela gestão municipal.

Ainda conforme o boletim, em todo o ano de 2024, foram registrados 2463 casos de dengue. Segundo a gerente de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses do Recife, Vânia Nunes, esse aumento está relacionado à reintrodução do tipo 3 do vírus da dengue no Recife, que havia despertado pela última vez na cidade em 2003.

Quando você tem um tipo de vírus que passou um tempo ausente, toda a população que nasceu depois daquele período da entrada vai estar suscetível. Além disso, o vírus tipo 3 da dengue tem uma gravidade maior do que os tipos 1 e 2 que são mais comuns, pois ele provoca mais hospitalizações. Já registrados casos graves de crianças nas nossas unidades pediátricas, justamente aquela faixa etária mais suscetível ”, explicou.

Além disso, a questão climática também foi outro fator que ajudou, segundo Vânia, no aumento dos casos, principalmente porque em 2025 foi registrado um período maior de dias com chuvas intermitentes.

Recife é uma cidade propícia à proliferação do mosquito da dengue, pois a cidade tem uma temperatura alta, assim como a umidade. Juntos a isso, esse ano tivemos mais chuvas intermitentes, que são aquelas que duram um período maior de dias, do que as torrenciais. Isso faz com que a cidade fique ainda mais quente e úmida”, ressaltou Vânia Nunes.

Apesar desses números, esse quantitativo não coloca, segundo a gerente, o Recife em estado de epidemia. Com relação aos números de Chikungunya, foram notificados 464 confirmações, número que representa uma redução de 37,72% em comparação a todo ano de 2024, quando foram contabilizados 745 ocorrências. Já os números de Zika permanecem zerados assim como no ano passado.

Bairros com maior risco de infestação

Ainda conforme o Boletim Epidemiológico, quatro bairros do Recife estão atualmente com risco muito alto de infestação pelo Aedes aegypti, são eles: Vasco da Gama, na Zona Norte da capital; Brasília Teimosa, Ibura e Cohab, ambos na Zona Sul do Recife.

Com relação às localidades que apresentam risco alto de infestação, estão os bairros de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife; Ilha Joana Bezerra, na região central; Nova Descoberta, na Zona Norte; Várzea, Jardim São Paulo, ambos na Zona Oeste da Capital.

Essas classificações são atualizadas a cada dois meses, mas tem os bairros que se mantém por conta de sua infraestrutura. Por exemplo, a Cohab e o Ibura, são localidades que têm uma maior intermitência de água e é por isso que o nosso reforço é contínuo. Mesmo assim, bairros como Cohab, Ibura, Nova descoberta, Vasco da Gama e uma região específica de Santo Amaro ficam alternando entre risco muito alto e alto”, explicou Vânia.

Ainda conforme a gerente, o verão, que iniciará no dia 21 de dezembro, é considerado o período mais crítico de incidência de casos de dengue, por conta que o Recife ainda vive a realidade de racionamento de água, no qual pessoas fazem armazenamento de água de forma incorreta.

Incidências

O boletim também apontou que 17 bairros do Recife estão com alto coeficiente de incidência de casos, são eles: Ibura e Imbiribeira, na Zona Sul; São José, Joana Bezerra, Boa Vista e Santo Amaro; na região central; Campina do Barreto, Água Fria, Beberibe, Cajueiro, Nova Descoberta, Vasco da Gama, Alto Santa Terezinha, Alto José do Pinho, Alto do Mandu, Casa Amarela e Dois Irmãos, na Zona Norte.

Apesar da maioria desses bairros não apresentarem um quantitativo de focos e mosquitos circulando, a movimentação populacional, por se tratarem de áreas onde existe um comércio mais ativo, faz com que apresentem um número de incidência alto por cada 10 mil habitantes.

Campanha

Para o ano de 2026, a Prefeitura projeta ampliar as ações intensivas de prevenção e combate aos focos do mosquito.

A gente tem um trabalho contínuo de prevenção, no qual começamos desde 2021 com os plantões dos agentes de saúde ambiental nos finais de semana em áreas prioritárias eleitas a cada 2 meses”, explicou Vânia.

Ainda segundo ela, foram instaladas, em várias localidades do Recife, estações disseminadoras de larvicidas, que são armadilhas colocadas em locais propícios à proliferação do mosquito Aedes aegypti, em que a própria fêmea faz a distribuição de larvicida para os microcriadouros.

Esse quantitativo, segundo Vânia Nunes, deve aumentar com a instalação de 120 equipamentos dessa natureza em unidades de saúde municipais. Além disso, haverá ações de prevenção no período pré-carnaval, período em que o fluxo de pessoas circulando no Recife aumenta, além de outras atividades ao longo do ano.

A dengue é sempre preocupante por ser uma doença gravíssima que pode levar a óbito, principalmente com a população que tem maior vulnerabilidade, que são as crianças e os idosos”, alertou

Vânia também destacou a importância das pessoas que têm casas, terrenos ou imóveis desocupados, cuidarem desses locais que podem se tornar possíveis criadores.

Outro apelo de conscientização da população é que os síndicos de prédios possam autorizar a entrada dos agentes de saúde ambiental para que possam fazer as vistorias em áreas comuns.

Cuidados pessoais

O Ministério da Saúde orienta que a população tome alguns cuidados pessoais para se proteger do Aedes aegypti, como:

  • Elimine água parada: vasos, pratos de plantas, garrafas e pneus podem se tornar criadouros;
  • Mantenha calhas e ralos limpos para evitar o acúmulo de água em casa;
  • Proteja caixas d’água: tampe bem tonéis, barris e reservatórios;
  • Caso tenha piscina, mantenha a água tratada e coberta quando não usada;
  • Descarte o lixo corretamente, já que o acúmulo é fonte de água parada;
  • Use repelente e roupas que protejam, especialmente em áreas de risco;
  • Instale telas nas janelas em regiões de reconhecida transmissão;
  • Reporte possíveis focos de mosquito para a vigilância sanitária;
  • Receba os Agentes de Combate às Endemias em casa quando houver visita, eles são responsáveis por identificar e eliminar focos do mosquito;
  • Assegure a vacinação de crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 14 anos.
Compartilhe:

Deixe um comentário