Search

Pernambuco já recebeu em 2026 cerca de 22 mil trotes para Polícia Civil, Militar e Bombeiros

Preços de chamadas de telefone fixo cairão a partir de 25 de fevereiro. Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil/

Mesmo com legislação estadual atualizada em 2020, prevendo multa de R$ 1 mil e suspensão de linhas telefônicas, a quantidade de ligações falsas para os números de emergência, popularmente conhecidas como trotes, registrou um aumento, no início de 2026, em Pernambuco, em relação ao ano passado.

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), nos três primeiros meses de 2026 foram registrados uma média de 22 mil trotes para os números 190, que corresponde a ocorrências policiais, e 193, destinado a casos que necessitam de atendimento do Corpo de Bombeiros Militares de Pernambuco (CBMPE).

No mesmo período de 2025, os trotes chegaram a 14,5 mil. Segundo o gerente-geral do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods) da SDS, coronel Alexandre Tavares, houve um aumento de 2,3 mil casos por mês.

No ano passado, a média mensal era de 5 mil casos durante o primeiro semestre.

Redução

O coronel Alexandre Tavares lembra que, apesar do aumento neste início de 2026, o número ainda é bem inferior ao registrado em 2023: 166 mil trotes recebidos, o percentual mais expressivo dos últimos tempos.

Conforme informou a SDS, em 2024, foram cerca de 92 mil ligações falsas, enquanto que em todo 2025 foram registradas 54 mil.

Uma das explicações para essa redução nos últimos anos está relacionado a campanhas de conscientização desenvolvidas, que visam trazer um maior entendimento sobre a gravidade dos trotes, mas também a diminuição no número de ligações recebidas pela SDS-PE.

“Em 2024, a gente teve cerca de 2,5 milhões e, em 2025, esse número baixou para 1,8 milhão”, adiantou o coronel.

“Já no primeiro trimestre de 2026, temos cerca de 500 mil ligações, que se seguir a mesma lógica, chegará a 2 milhões no final do ano, por isso esse aumento nos primeiros três meses”, explicou.

“Se formos observar a redução nos últimos três anos, isso está relacionado às campanhas de conscientização que fizemos em 2024. Também tivemos operações sobre essa temática. A gente também acredita que essa operação realizada pela Polícia Civil também teve um reflexo nessa questão da conscientização e da própria parte pedagógica para as pessoas entenderem que realmente o trote por si só, ele causa muito dano para o serviço público”, complementou.

Perfis das pessoas que realizam trotes

De acordo com o coronel Alexandre Tavares, boa parte dos perfis das pessoas que praticam trotes são adultos, alguns com saúde mental prejudicada. Além disso, tem o público infantil que acabam realizando essa prática por não terem consciência do dano causado por essa ação.

Questionado sobre essa parcela de casos envolvendo adultos tem relação com alguns organizações criminosas, o gerente-geral da Ciods afirma que não descarta a possibilidade, mas que na maioria dos perfis analisados são adultos ociosos, isolados ou com características atípicas.

Além disso, existem indivíduos que realizam os trotes para assediar os teleatendentes da SDS-PE.

Danos para o funcionamento dos órgão de emergências

Apesar dos teleatendentes da SDS-PE conseguirem identificar os trotes logo no primeiro contato com a pessoa que ligou, minimizando os danos dessa prática, ainda chega a acontecer o deslocamento de efetivo para os locais informados na ligação falsa.

“Já aconteceu um caso com uma mulher que fez a ligação informando que estava dando a luz a uma criança. Uma equipe dos Bombeiros foi acionada para ir ap local e, quando chegaram lá, perceberam que a ocorrência não existia”, relembrou Alexandre Tavares.

Solicitação de contatos nos números de emergência

Além dos trotes, outra questão observada pelo gerente-geral do Ciods, é que muitas pessoas, por falta de instrução, ligam para os números de emergência solicitando contatos de órgãos de diversas esferas federais, estaduais e municipais que não estão relacionados a casos de emergências.

Segundo Alexandre Tavares, essas ligações chegam a superar a quantidade de trotes recebidos pela SDS-PE.

Legislação

Apesar de serem considerados “delitos de menor potencial ofensivo”, não sendo previsto a aplicação de prisão ou detenção, existem leis que visam punir esse tipo de prática.

Em Pernambuco, por exemplo, a Lei 16.878/2020 prevê aplicação de multa de, no mínimo, R$ 1 mil por ligação indevida, com valor dobrado a partir de cada reincidência.

Além disso, essa legislação, que substituiu a antiga legislação de 2012, prevê suspensão da linha telefônica e do direito de adquirir linhas fixas ou móveis pelo prazo mínimo de dois anos e suspensão e impedimento de acessar qualquer programa ou benefício fiscal ou social patrocinado pelo Governo do Estado de Pernambuco pelo prazo mínimo de dois anos.

Segundo essa legislação, que é de autoria do ex-deputado Isaltino Nascimento, trote é toda e qualquer forma de acionamento dos órgãos de emergência que se revele frustrado por inexistência do evento noticiado.

“Os casos confirmados de trote serão repassados a todos os órgãos da administração pública estadual e ficarão também à disposição para consulta dos demais membros da federação, para serem utilizados na apuração de investigação social destinada à classificação em concursos públicos, pelo prazo de 10 anos). Os valores arrecadados com as multas constituirão fundo para custear campanhas educativas de combate aos trotes”, destaca um dos trechos da Lei 16.878/2020.

A prática também pode se enquadrar no artigo 340 do código penal, falsa comunicação de crime ou contravenção, com pena de até 6 meses de detenção ou multa. Podendo ser enquadrada, também, no artigo 266, interrupção ou perturbação de serviços de comunicação, com pena que pode chegar a 3 anos de detenção e multa.

“A gente faz um pedido de que realmente as pessoas se conscientizem e também possam multiplicar essa informação com amigos e parentes que estão com a responsabilidade com pessoas menores de idade e de pessoas com saúde mental comprometida, para que haja um reforço sobre o prejuízo que essa prática danosa causa para a administração pública e para própria sociedade pernambucana”, alertou o coronel Alexandre Tavares.

Brasil importou insumos para 20 milhões de doses de tirzepatida; Anvisa vai rever regras de canetas manipuladas

De acordo com a Anvisa, o país importou, entre novembro de 2025 e abril de 2026, mais de 100 kg de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) para a produção de tirzepatida — volume suficiente para cerca de 20 milhões de doses de 5 mg. Diante desse cenário, a agência informou que vai rever regras para endurecer o controle sobre a importação e a manipulação desses medicamentos.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6), em coletiva de imprensa. A agência apresentou um diagnóstico sobre a circulação de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, usados no tratamento de diabetes e também para emagrecimento.

Os IFAs são as substâncias ativas que dão origem aos medicamentos. No caso da tirzepatida, esse insumo é a base para a produção das canetas utilizadas por pacientes.

No Brasil, além dos produtos industrializados com registro sanitário, a legislação também permite a chamada forma magistral — quando farmácias de manipulação produzem o medicamento sob demanda, a partir desses insumos.

Segundo a Anvisa, esse modelo ampliou a circulação dessas substâncias no país e levantou dúvidas sobre o cumprimento das normas sanitárias.

Para se ter uma ideia de dimensão, entre entre novembro de 2025 e abril de 2026, mais de 100 kg de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) para a produção de tirzepatida. Isso é o bastante para 20 milhões de doses.

Agora, a Anvisa quer endurecer as regras para garantir que as regras estão sendo cumpridas. Hoje, não é possível que uma farmácia de manipulação venda unidades como produto próprio ou em larga escala. Esse tipo de irregularidade vem sendo registrada.

A mudança nas regras ocorre em um momento de aumento nos relatos de efeitos adversos associados a esses medicamentos.

Dados apresentados pela Anvisa indicam crescimento nas notificações, sendo que cerca de 26% dos casos estão ligados ao uso fora das indicações aprovadas em bula (off-label).

De acordo com a Agência, agora vão ser revisados as regras para a manipulação. No entanto, o que exatamente pode ser alterado não foi informado.

Pernambuco mantém alta de casos de tuberculose em 2025, com mais de 6 mil notificações

Tuberculose ainda é um problema de saúde no Brasil e pacientes tendem a abandonar tratamento/Foto: Agecom Bahia

Pernambuco registrou, em 2025, 6.045 casos de tuberculose, número próximo ao total contabilizado em todo o ano anterior, quando foram confirmados 6.152 diagnósticos da doença. Apesar da semelhança, os dados mais recentes ainda são parciais e podem crescer, já que as notificações seguem sendo atualizadas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base oficial usada em todo o país.

A tuberculose continua como um problema de saúde pública, mesmo diante de avanços no diagnóstico e tratamento. “A tuberculose sempre foi uma doença endêmica no nosso país. Existem períodos com maior número de casos, geralmente associados a condições climáticas mais secas ou úmidas, mas ela nunca deixa de existir. Por ser endêmica, está sempre presente”, explica a pneumologista e endoscopista respiratória Bruna Rocha.

Segundo a médica, o aumento de casos também pode estar relacionado a fatores recentes, como os impactos da pandemia de Covid-19 na saúde da população. “Pacientes com doenças pulmonares, como Covid-19, asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica, muitas vezes associada ao fumo, têm mais facilidade de desenvolver outras infecções pulmonares, incluindo a tuberculose. Qualquer comprometimento do pulmão aumenta esse risco”, explica Bruna Rocha.

Embora a doença seja frequentemente associada à tosse com sangue, esse é um sinal mais avançado.

Antes disso, os sintomas podem ser mais discretos. “A tuberculose chama atenção quando aparece tosse com sangue, mas esse já é um sinal mais avançado. Antes disso, existem sintomas importantes, como tosse por mais de duas semanas, seca ou com catarro; perda de peso não intencional, por exemplo, perder cerca de 10% do peso em um mês sem dieta ou exercício; além de fraqueza (astenia) e febre baixa, geralmente no fim da tarde ou início da noite. Esses sinais são mais sutis, mas já indicam a necessidade de investigação”, detalha a especialista.

Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para sangramentos. “A tuberculose provoca necrose no pulmão, ou seja, destruição do tecido. Quando essa necrose atinge vasos sanguíneos, ocorre o sangramento, que é a hemoptise”, diz Bruna. O diagnóstico, segundo a médica, não depende apenas da presença de escarro. “Nem todo paciente consegue produzir escarro. Nesses casos, o diagnóstico pode ser feito por meio da endoscopia respiratória, um procedimento semelhante à endoscopia digestiva, mas voltado para o pulmão, que permite coletar secreções diretamente das vias respiratórias”, pontua a médica.

A doença atinge com mais intensidade pessoas em situação de maior vulnerabilidade clínica e social. “Pessoas nos extremos de idade, como idosos e crianças, têm maior risco. Também pacientes com diabetes, gestantes, pessoas em tratamento para câncer ou doenças autoimunes, além de quem vive com HIV ou tem imunidade baixa. Fatores sociais também influenciam: moradias com muitas pessoas e condições precárias facilitam a transmissão”, complementa a pneumologista.

Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tuberculose ainda enfrenta o abandono do tratamento. “É um tratamento longo, geralmente de seis meses, e pode ser difícil. Os medicamentos devem ser tomados em jejum, a quantidade varia conforme o peso e podem causar efeitos colaterais, como náuseas, dor abdominal e mal-estar. Isso desestimula alguns pacientes”, afirma Bruna.

Ela também destaca barreiras sociais. “Além disso, há dificuldades sociais, especialmente entre pessoas em situação de rua, embora o acesso à medicação tenha melhorado bastante nos últimos anos”, complementa. Para reduzir esse cenário, a médica aponta caminhos. “Educação é fundamental. As campanhas de informação ajudam muito. Também é importante facilitar o acesso ao tratamento. Hoje, mesmo pessoas sem moradia conseguem retirar a medicação com encaminhamento adequado. Políticas públicas e o fortalecimento da atenção básica são essenciais”, afirma a pneumologista.

Ela ainda destaca que o monitoramento dos pacientes é uma etapa decisiva para o sucesso do tratamento. “O paciente precisa ser avaliado regularmente, incluindo o peso, que é um indicador importante de melhora. Além disso, é necessário repetir exames de escarro para verificar a redução do bacilo e realizar exames de imagem, como raio-X ou tomografia, para acompanhar a evolução do pulmão. Se não houver melhora, é preciso investigar outras possibilidades.”

Em nível nacional, o Brasil tem avançado no combate à tuberculose. O país passou a detectar 89% dos casos estimados, aproximando-se da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse avanço está ligado, principalmente, à ampliação do diagnóstico, com aumento de 76,3% na realização de testes moleculares. Após a queda na detecção durante a pandemia, causada pela interrupção de serviços de saúde, o país recuperou a capacidade diagnóstica a partir de 2023, mantendo os resultados em 2024 e 2025.

Além disso, a vacina BCG, aplicada na infância, segue como uma das principais formas de prevenção das formas graves da doença, com cobertura de 98% no país em 2025.

OMS alerta que situação sanitária em Cuba é profundamente preocupante

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus/foto: Fabrice COFFRINI / AFP

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou hoje que a situação em Cuba é profundamente preocupante, uma vez que o país luta para manter a prestação de serviços de saúde num momento de enormes turbulências, provocados pelos cortes frequentes de energia que afetam o seu sistema sanitário.

“A saúde deve ser protegida a todo custo e nunca estar à mercê da geopolítica, dos bloqueios energéticos e das falhas de eletricidade“, defendeu o chefe da OMS.

Segundo Tedros, os hospitais cubanos têm sérias dificuldades em manter os seus serviços de urgência e cuidados intensivos. “Milhares de intervenções cirúrgicas foram adiadas no último mês, e pessoas que necessitam de cuidados de saúde, desde pacientes com câncer até mulheres grávidas, foram colocadas em risco devido à falta de eletricidade para operar os equipamentos médicos e garantir a cadeia de frio para as vacinas. Os hospitais cubanos, as clínicas e as ambulâncias são necessários, agora mais do que nunca, e precisam ser apoiados“, disse.

A grave crise energética de Cuba acarreta cortes de luz diários que podem durar até 20 horas e também já causou recentemente dois apagões completos. A ilha enfrenta há cerca de três meses o embargo petrolífero dos Estados Unidos no fornecimento de combustível, o que agravou significativamente a situação. Desde a captura pelos EUA do presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado de Cuba, a economia foi mais duramente atingida.

O precário setor da eletricidade cubano com suas infraestruturas obsoletas aliado a escassez de combustível obrigou diversos hotéis a fechar as portas e suspender reservas dos turistas, assim como companhias aéreas terem que reduzir drasticamente os seus voos para o país, um duro golpe para um segmento essencial da sua economia.

Para além dos cortes diários de eletricidade, o preço da pouca oferta de combustível disparou, os transportes públicos são praticamente inexistentes e o lixo se acumula por toda Havana e nas demais cidades, porque os caminhões de coleta deixaram de circular, piorando as condições sanitárias e o risco do surgimento de doenças.

Anvisa proíbe azeite extravirgem da marca Royal por fraude na composição

Azeite Royal já havia sido proibido pela Anvisa — Foto: Reprodução/MAPA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição e o recolhimento de um lote de azeite de oliva extravirgem da marca Royal após a confirmação de fraude na composição do produto. A medida foi publicada nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União, com base em análises laboratoriais conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Segundo a decisão, o lote 255001 apresentou “incompatibilidade com os padrões de identidade e qualidade” exigidos para esse tipo de alimento, após a identificação da adição de outros óleos vegetais.

Produto é considerado irregular

De acordo com o Mapa, responsável pela análise inicial, o produto não atendia aos critérios que definem um azeite extravirgem —ategoria que pressupõe obtenção exclusivamente a partir da azeitona, sem mistura com óleos.

A resolução destaca que a fraude foi confirmada por análise laboratorial oficial, o que embasou a adoção de medidas sanitárias mais rigorosas.

Venda continuou mesmo após alerta

Outro ponto que pesou na decisão foi a manutenção da comercialização do produto mesmo após determinação prévia de recolhimento pelas autoridades.

Diante disso, a Anvisa determinou a proibição completa de:

  • comercialização
  • distribuição
  • importação
  • propaganda
  • uso

Além do recolhimento imediato do lote irregular.

O que o consumidor deve fazer

A orientação é que consumidores que tenham adquirido o produto não utilizem o azeite pertencente ao lote 255001.

Em casos como esse, a recomendação geral é:

  • verificar o número do lote na embalagem
  • interromper o consumo imediatamente
  • procurar o local de compra para orientações sobre troca ou ressarcimento

Por que a fraude é preocupante

O azeite extravirgem tem características químicas e nutricionais específicas, com alto teor de gorduras monoinsaturadas e compostos antioxidantes.

A adição de outros óleos vegetais não apenas descaracteriza o produto, como pode enganar o consumidor quanto à qualidade e ao valor nutricional do alimento.

Além disso, a prática configura infração sanitária e violação das normas de rotulagem e identidade de alimentos no país.

Fiscalização e segurança alimentar

Casos de adulteração de azeite são monitorados por órgãos como a Anvisa e o Ministério da Agricultura, que realizam análises periódicas para verificar a autenticidade dos produtos disponíveis no mercado.

A medida reforça a atuação conjunta dos órgãos de fiscalização na identificação de fraudes e na proteção da saúde do consumidor.

Anvisa recolhe esmaltes da Impala com substância proibida; veja lista de produtos afetados

Substância proibida no Brasil motivou a medida/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (16) o recolhimento de esmaltes em gel da marca Impala, fabricados pela empresa Laboratório Avamiller de Cosméticos Ltda.

De acordo com a Anvisa, a lista de produtos afetados inclui:

– Plus Gel Esmalte Impala Gel (todos os lotes);
– Esmalte Gel Impala Gel Plus (todos os lotes);
– Gel Plus Impala Esmalte Gel (todos os lotes);
– Esmalte Gel Plus Impala (todos os lotes);
– Top Coat Gel Impala Gel Plus Clear (todos os lotes).

Em nota, a agência informou que a medida foi tomada após a empresa comunicar sobre o recolhimento voluntário de produtos que têm, em suas formulações, a substância INCI Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide (TPO), proibida em cosméticos no Brasil.

Entenda

Em outubro de 2025, a Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 995/2025, que proíbe o uso de duas substâncias químicas em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes.

As substâncias proibidas são o TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também conhecido como dimetiltolilamina (DMTA), que podem estar presentes em produtos usados para fazer unhas artificiais em gel ou esmaltes em gel, que precisam ser expostos à luz ultravioleta (UV) ou LED.

A medida, segundo a agência, tem como objetivo proteger a saúde da população contra riscos de câncer e problemas reprodutivos e foi aprovada em reunião da diretoria colegiada.

“A decisão é uma medida para proteger a saúde das pessoas que utilizam esses produtos e principalmente dos profissionais que trabalham com eles”, informou a Anvisa à época, citando que estudos internacionais em animais confirmaram que ambas as substâncias apresentam os seguintes riscos:

DMPT: classificado como uma substância que pode causar câncer em humanos;

TPO: classificado como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade.

Anvisa determina apreensão de azeite de oliva extravirgem; saiba marca

Azeite de oliva. /Foto: Canva

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (16) a apreensão do azeite de oliva extravirgem San Olivetto, da empresa Agro Industria e Cerealista Norte Paraná Ltda.

Publicada no Diário Oficial da União (DOU), a resolução proíbe ainda a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a propaganda e o uso do produto.

Em nota, a agência informou que a origem deste azeite é desconhecida. “O rótulo indica como importadora a Agro Indústria e Cerealista Norte Paraná Ltda. A empresa, no entanto, está com CNPJ suspenso por inconsistência cadastral desde 22/5/2025”.

“Já a distribuidora, a empresa Comercial Alimentícia e Cerealista Capixaba Ltda, está com CNPJ baixado por encerramento desde novembro de 2024”, completou a Anvisa.

A Agência Brasil tenta contato com a empresa. O espaço segue aberto para posicionamento.

Anvisa aprova medicamento para crises de epilepsia farmacorresistente

Xcopri (cenobamato)/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento indicado para o tratamento de crises focais em adultos com epilepsia farmacorresistente, o Xcopri (cenobamato), da Momenta Farmacêutica.

Pacientes com essa condição ainda apresentam crises mesmo após recorrer a pelo menos dois tratamentos diferentes, situação que chega a acometer cerca de 30% das pessoas com epilepsia.

O cenobamato reduz a atividade elétrica anormal no cérebro, o que diminui a incidência desses episódios.

Nos estudos clínicos, o tratamento demonstrou redução significativa na frequência das crises, diz a Anvisa. Quatro em cada dez pacientes que tomaram 100 miligramas (mg) por dia tiveram diminuição de pelo menos 50% das crises, e 64% dos que receberam 400 mg por dia tiveram a mesma melhora. No grupo que tomou placebo durante os testes, houve melhora de 26%.

Mesmo com o registro aprovado, Xcopri só poderá ser vendido após a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A oferta no SUS (Sistema Único de Saúde) depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde.

Entenda a Epilepsia

A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não é causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos.

Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou se espalhar. Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial. Se envolverem os dois hemisférios cerebrais, a crise é generalizada.

O diagnóstico é feito clinicamente, na maioria dos casos, em um exame físico geral, com ênfase nas áreas neurológica e psiquiátrica e com um histórico detalhado pelo paciente ou uma testemunha que poderá descrever a crise em detalhes.

A ocorrência de uma aura, isto é, uma crise em que o paciente não perde a consciência, está entre as informações que devem ser relatadas aos serviços de saúde, assim como os fatores precipitantes da crise, a idade de início, a frequência e os intervalos entre as crises.

Março Roxo

A notícia chega à comunidade médica durante o Março Roxo, período dedicado à conscientização sobre a epilepsia, que inclui o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado em 26 de março.

A iniciativa busca informar a população sobre essa condição neurológica, reduzir o estigma social e promover empatia e compreensão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 65 milhões de pessoas convivem com epilepsia no mundo.

No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas apresentam a condição de saúde. De acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), muitas dessas pessoas enfrentam não apenas os desafios do tratamento, como o preconceito e a desinformação.

Segundo a neurologista e membro da diretoria da LBE, Juliana Passos, o medicamento representa um avanço especialmente para pacientes com epilepsia de difícil controle.

“Trata-se de medicação indicada no tratamento de pacientes com epilepsia farmacorresistente, cujos resultados foram muito superiores àqueles alcançados pelos novos medicamentos anti-crises disponíveis. Oferecer uma chance consideravelmente maior de controle das crises para esses pacientes é urgente”, afirma.

Sobe para 140 o número de casos confirmados de Mpox no Brasil em 2026

A mpox é causada pelo mpox vírus (MPXV), do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae/Foto: AFP

O número de casos confirmados de Mpox no país subiu para 140 desde o início de 2026. Não houve registro de mortes decorrentes da doença no período. Os casos suspeitos somam 539; além de 9 prováveis. Os dados são do Ministério da Saúde e foram atualizados nesta segunda-feira (9).

Em janeiro, o número de casos confirmados e prováveis totalizou 68; em fevereiro, 70; e em março, 11. No ano, o estado que mais registrou casos da doença foi São Paulo (93), seguido pelo Rio de Janeiro (18) e Rondônia (11).

Mpox

A Mpox é uma doença do mesmo gênero da varíola humana, mas geralmente menos letal. Trata-se de uma doença zoonótica viral em que a transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com pessoas infectadas pelo Mpox vírus, materiais contaminados com o vírus, ou animais silvestres infectados.

Os sinais e sintomas, em geral, incluem erupção cutânea ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrio, e fraqueza.

Pessoas com sintomas compatíveis devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. Recomenda-se evitar o contato próximo com outras pessoas.

Com menos de 40% das gestantes imunizadas, SES alerta para a importância da vacinação contra bronquiolite

Pernambuco receberá 30.700 doses da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)/Foto: Reprodução / Freepik

Com apenas 39,7% das gestantes vacinadas contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) no estado, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) alerta para a necessidade de vacinação a partir da 28ª semana de gestação.

Conforme a SES, o Programa Estadual de Imunizações (PEI-PE) encaminhou aos municípios 53.156 doses do imunizante, das quais 21.123 doses foram aplicadas, conforme informado pelas gestões locais ao sistema de informação oficial para este registro.

O quantitativo de doses aplicadas corresponde a uma cobertura vacinal de 39,7%. A estratégia foi iniciada no estado no último dia 5 de dezembro.

Em Pernambuco, até 31 de janeiro, foram notificados um total de 124 casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave. Deste quantitativo, 80 casos foram em crianças com até 2 anos de idade.

Com a entrada do mês de fevereiro, cresce nos especialistas em saúde um alerta para o aumento da demanda na rede de saúde por leitos especializados neonatais e pediátricos para o cuidado de bebês e crianças apresentando um quadro agravado de comprometimento respiratório.

De acordo com o monitoramento estadual, Pernambuco contabiliza uma população estimada de 114.058 gestantes aptas à vacinação contra o VSR, disponível no estado desde o início de dezembro de 2025.

“A vacina contra o VSR é segura, eficaz e fundamental para a redução de casos graves da doença. As gestantes, a partir da 28ª semana, devem procurar a unidade de saúde de referência do seu município para obter informações e garantir a imunização no período indicado”, destaca a superintendente de Imunizações, Magda Costa.

A VSR A e B (recombinante), aplicada em dose única, não possui restrição quanto à idade materna e seu foco principal é a proteção dos bebês menores de 6 meses.

A vacinação durante a gestação possibilita a transferência de anticorpos da mãe para o bebê, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade às complicações causadas pelo VSR, como bronquiolite e pneumonia.

Segundo a SES, a estratégia integra as ações de prevenção da saúde materno-infantil, visando o impacto direto na redução de internações em unidades de saúde.

Anvisa amplia uso da vacina contra HPV para prevenir alguns cânceres

Vacina contra HPV  — Foto: Instituto Butantan/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), ampliando o uso do imunizante para a prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço. A decisão foi publicada nesta terça-feira (10).

Com a autorização, a vacina Gardasil 9 passa a ser indicada para crianças, homens e mulheres de 9 a 45 anos de idade também com o objetivo de reduzir o risco desses tumores, que vêm registrando aumento de casos associados à infecção pelo HPV, especialmente em adultos jovens.

O que muda na prática

Até então, o imunizante já era aprovado para prevenir cânceres do colo do útero, da vulva, da vagina e do ânus, além de lesões pré-cancerosas (alterações celulares que podem evoluir para câncer), verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo vírus.

Com a nova indicação, a proteção passa a incluir também tumores que atingem a orofaringe —região que engloba parte da garganta, como base da língua e amígdalas— além de outros cânceres de cabeça e pescoço relacionados aos tipos oncogênicos do HPV, ou seja, aqueles com maior potencial de provocar transformação maligna nas células.

Por que a vacina pode prevenir esses cânceres?

Segundo a Anvisa, a ampliação da indicação se baseia na prevenção da infecção persistente pelos tipos de HPV considerados oncogênicos, reconhecidos como os principais causadores desses tumores.

A agência também considerou evidências que demonstram resposta imunológica robusta contra esses tipos virais após a vacinação. A infecção persistente pelo HPV é um dos fatores centrais para o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer ao longo dos anos.

Quem deve se vacinar

A autorização contempla pessoas de 9 a 45 anos. O ideal, segundo especialistas e autoridades de saúde, é que a vacinação ocorra antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido principalmente por meio de relações sexuais.

Mesmo assim, a imunização em faixas etárias mais amplas pode trazer benefícios, especialmente para quem ainda não teve contato com os tipos virais cobertos pela vacina.

O que é o HPV

O papilomavírus humano é um grupo de vírus bastante comum e transmitido principalmente por contato sexual. Existem dezenas de subtipos; alguns causam verrugas, enquanto outros estão associados ao desenvolvimento de câncer.

Os tipos classificados como de alto risco são responsáveis por praticamente todos os casos de câncer do colo do útero e por uma parcela crescente de tumores de orofaringe e outras regiões da cabeça e pescoço.

Anvisa alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras

Caneta emagrecedora/Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu hoje (9), em Brasília, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O grupo inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.

Em nota, a Anvisa destacou que, embora o risco conste das bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, as notificações têm aumentado tanto no cenário internacional como no cenário nacional, o que exige reforço das orientações de segurança.

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, destacou a agência no comunicado.

O monitoramento médico, segundo a Anvisa, é motivado pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais.

“Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, completou a agência.

O comunicado cita que, no início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.

Números

Dados da Anvisa indicam que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, 145 notificações de suspeitas de eventos adversos foram registradas no país, além de seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.

Em junho de 2025, a agência determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desse tipo de medicamento. Desde então, a prescrição médica passou a ser feita em duas vias e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia, assim como acontece com antibióticos.

A validade das receitas é de até 90 dias, a partir da data de emissão.

“A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas”, destacou a Anvisa.

“A Anvisa destaca que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves”, completou.

Orientações

A agência recomenda que usuários de canetas emagrecedoras procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos – sintomas sugestivos de pancreatite.

Profissionais de saúde, de acordo com a Anvisa, devem interromper o tratamento ao suspeitar da reação, não dando prosseguimento caso o diagnóstico seja confirmado.

“A Anvisa reforça, ainda, a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed [sistema disponibilizado pela agência para monitor eventos adversos relacionados a medicamentos e vacinas], o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.”

Histórico

Ao longo dos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados a canetas emagrecedoras, incluindo riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e a perda de visão rara associada à semaglutida, em 2025.

Brasil tem mais de 2 mil profissões com afastamentos por transtornos mentais

Brasil tem mais de 2 mil profissões com afastamentos por transtornos mentais;  veja se a sua está na lista | G1

Mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais no Brasil. No topo da lista aparecem ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório — trabalhadores que atendem o público, mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.

Em 2025, mais de 500 mil pessoas precisaram se afastar do trabalho por motivos de saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social obtidos com exclusividade pelo g1. É a segunda vez consecutiva que o país bate esse recorde, após já ter alcançado a maior marca da década em 2024.

Para entender como esse cenário se distribui no mercado de trabalho, o g1 analisou uma lista com mais de 2 mil profissões. O levantamento foi elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base nos dados do INSS. Ele considera o detalhamento mais recente disponível, que considera o período entre 2012 e 2024.

No topo da lista estão profissões como: vendedor varejista, faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção.

Segundo especialistas, as profissões mais afetadas têm em comum contratos frágeis, pressão por metas, jornadas longas e maior exposição a riscos, como a violência urbana, caso de motoristas e vigilantes.

Vírus Nipah: Ministério da Saúde diz que risco é baixo e que doença não ameaça o Brasil

Vírus Nipah/ECDC/Divulgação

O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira, 30, nota informando que o risco relacionado ao vírus Nipah é baixo e que a doença não representa ameaça ao Brasil. A pasta afirma ainda que não há indícios de que o vírus possa provocar uma pandemia.

Segundo o ministério, não há evidências de disseminação internacional nem risco para a população brasileira. Além disso, autoridades nacionais estão monitorando o cenário em articulação com organismos internacionais.

“No Brasil, o Ministério da Saúde mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)”, informa a nota.

O posicionamento, segundo o ministério, estaria alinhado ao da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também avalia como baixo o risco de uma pandemia associada à infecção por esse micro-organismo.

Até o momento, dois casos de infecção pelo vírus Nipah foram confirmados na Índia, ambos em mulheres que atuam como enfermeiras. Não há registro de circulação do vírus fora do sudeste asiático.

No início da semana, o governo indiano informou que a situação está sob controle e que 198 pessoas que tiveram contato com as pacientes infectadas foram testadas, todas com resultado negativo para a doença.

O que é o vírus Nipah?

O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia, e, desde então, surtos foram registrados em diferentes países do continente asiático. Segundo a OMS, o surto anterior ao atual, na Índia, ocorreu nas Filipinas, em 2014.

A transmissão ocorre por meio do contato com animais infectados, do consumo de alimentos contaminados ou da transmissão direta entre pessoas, especialmente por fluidos corporais e gotículas respiratórias. Os morcegos são os hospedeiros naturais do vírus, mas outros animais, como porcos e cavalos, também podem ser infectados.

Em humanos, a infecção pode ser assintomática, mas também pode causar quadros respiratórios e evoluir para encefalite fatal. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, podendo variar conforme o surto, a capacidade local de vigilância epidemiológica e o manejo clínico dos pacientes.

Os sintomas iniciais mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da doença, podem surgir tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos indicativos de encefalite aguda. Em casos mais graves, há registros de pneumonia atípica, convulsões, insuficiência respiratória e coma.

Anvisa define nesta quarta (28) regras para produção de cannabis medicinal no país

Remédios à base de cannabis são apontados como solução para impedir convulsões e outros problemas. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press/

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute, nesta quarta (28), a definição de regras específicas para a produção da cannabis medicinal no Brasil.

No encontro, às 9h30 na sede da agência, em Brasília, os diretores vão debater a revisão da Resolução 327/ 2019, que atualmente regula o acesso a produtos à base de cannabis.

A definição de regras atende a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em novembro de 2024, o STJ determinou a regulamentação do plantio da cannabis, desde que voltado exclusivamente para fins medicinais e farmacológicos.

Propostas

No início da semana, a Anvisa apresentou três propostas de resolução diferentes que normatizam a produção da cannabis medicinal, pesquisas científicas com a planta e o trabalho de associações de pacientes.

Em entrevista coletiva, o presidente da agência, Leandro Safatle, destacou que a demanda por produtos à base de cannabis cresceu exponencialmente ao longo da última década no país.

“No Brasil, a evolução do uso desses produtos tem sido registrada principalmente pelo aumento de importações individuais. Entre 2015 e 2025, ou seja, nos últimos 10 anos, foram mais de 660 mil autorizações individuais de importações.”

“A gente tem também, no Brasil, autorizados 49 produtos de 24 empresas, aprovados pela Anvisa, disponíveis em farmácia. Cerca de 500 decisões judiciais para plantio de pessoas físicas ou jurídicas”, completou.

Safatle destacou ainda que, atualmente, cinco estados brasileiros contam com leis que autorizam o cultivo de cannabis medicinal.

As normas propostas restringem a produção de cannabis a pessoas jurídicas e exigem inspeção sanitária prévia. Entre os requisitos de segurança estão o monitoramento por câmeras 24 horas e o georreferenciamento das plantações.

Além disso, a autorização será limitada a produtos com teor de THC igual ou inferior a 0,3%.
As medidas também abrem caminho para a produção, sem fins lucrativos, por parte de associações de pacientes. O objetivo é avaliar a viabilidade da produção em pequena escala, fora do modelo industrial, por meio de chamamento público.

Durante a entrevista, o diretor da Anvisa Thiago Campos ressaltou o rigor técnico para a elaboração das resoluções, além do alinhamento com a decisão do STJ e com diretrizes de órgãos internacionais.

“As medidas aqui definidas atendem aos requisitos de controle internacional, das condições da Organização das Nações Unidas e da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes e estão alinhadas àquilo que constou na decisão judicial do STJ.”

As propostas serão analisadas pelo colegiado. Se aprovadas, as resoluções entram em vigor na data da publicação e terão validade inicial de seis meses.

Entenda

Em novembro de 2024, o STJ decidiu que a Lei das Drogas não alcança espécies de cannabis com concentrações muito baixas de tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da planta que causa efeitos entorpecentes.

À época, os ministros concederam autorização a uma empresa que recorreu à Corte para importar sementes de cannabis com baixo teor de THC e alto teor de canabidiol, composto que não possui efeitos entorpecentes, mas traz benefícios medicinais.

Para que a decisão pudesse ser cumprida, o tribunal determinou a regulamentação da importação de sementes, do cultivo e da industrialização e comercialização de espécies de cannabis com baixa concentração de THC (menos de 0,3%).

Prazo prorrogado

O prazo estabelecido para a definição das regras, de seis meses, venceu em setembro de 2025, mas foi prorrogado em novembro do mesmo ano, após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Logo após a prorrogação, a Anvisa informou já ter iniciado as ações necessárias para o cumprimento da determinação, incluindo a coleta de contribuições da sociedade civil e a elaboração dos documentos técnicos e da minuta do ato regulatório.

“O trabalho também inclui o planejamento das etapas para monitoramento e controle sanitário após a regulamentação”, destacou a agência.

Números

A estimativa da Anvisa é que mais de 670 mil pessoas no Brasil utilizem produtos à base de cannabis. O acesso a esse tipo de tratamento, segundo a Anvisa, ocorre, sobretudo, por via judicial.

Ainda segundo a agência, desde 2022, o Ministério da Saúde atendeu cerca de 820 decisões para a oferta desse tipo de produto.

“Embora sem regulamentação no país, muitas associações conseguiram autorização na justiça para produção de cannabis exclusivamente para uso medicinal”, destacou a Anvisa.